domingo, 21 de dezembro de 2014

AçoriANA

Estava com receio que a Mercearia dos Açores se tornasse num daqueles sítios gourmet-maricas-fofi-cheio-de-lettering-marketingócoiso e perdesse a sua identidade rústica e típica açoriana. Felizmente, a Carolina soube modernizar o conceito do Espaço Açores e dar-lhe uma nova vida, sem esquecer de onde vem nem deturpar a herança das ilhas da bruma, sem deixar perder a identidade da loja. 

A Ana entrou e sentiu-se em casa (raio da miúda, não tem como negar que é metade açoriana mesmo tendo nascido no Continente): remexeu em tudo, pousou os olhos, admirada para os vidros coloridos das garrafas de licor, pegou num cesto e começou a meter lá para dentro as bolachas mulata que tanto gosta, rebuçados de funcho, ímans com vaquinhas enquanto imitava os sons dos animais. E os olhos do pai brilharam quando viu espécies e ínhame à venda (blheca!) e depois, de repente, apetecia-nos trazer tudo, mesmo que no próximo mês lá estejamos. 

Voltaremos segunda para comprar massa sovada fresquinha, acabada de chegar de São Jorge, e uma bisca de queijo e bolo de Natal açoriano, pois está claro. E para dar um beijo à Carolina, sempre gira, sempre magra (odeio-a!), sempre com um sorriso grande como se coubessem as nove ilhas naquele sorrir, aquele brilho que só se vê nos olhos de quem é das ilhas. 

Nos da Ana também, açoriana nascida no Continente. 

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O mesmo com as minhas mãos

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O embrulho

A senhora da loja dobra diligentemente o papel colorido sobre a caixa que contém o presente. Dobra um lado, dobra outro. Uma ponta solta-se, volta a dobrá-la. Solta-se mais uma ponta do outro lado. Consegue, por fim, selá-la com fita-cola. E mais um bocado de fita para colar melhor. Vira o embrulho e torna a dobrar. E torna a esticar o papel. Alisa-o com a mão, vinca-lhe a dobra na diagonal. E de novo tudo igual para que a ponta de papel que ainda falta dobrar se alinhe com a outra e, simetricamente, forme o fecho que ainda falta colar para acabar o embrulho. A senhora vai dobrando, vai colando e pega finalmente num laço já preparado que se encontra na caixinha, ali ao lado. Enquanto o endireita e escolhe o ponto mais adequado do pacote para o pregar, deixa que lhe saia um desabafo. No outro dia, só de ver aquelas meninas a fazerem os embrulhos no Jumbo estava cá a dar-me uns nervos. Só me apetecia ir lá meter as mãos.E enquanto ela prossegue com a finalização do embrulho, colando as pontas do laçarote, eu concentro-me esforçadamente, para aquietar as minhas mãos escondidas nos bolsos."

Da Luísa no seu "À esquina da tecla"

sábado, 20 de dezembro de 2014

Post em biquinho de pés para a GALP

Tudo o que é blogger foi convidado a escrever sobre o Hotspot.

Diz, quem sabe de fonte segura, que o Hotspot vendeu mais em duas semanas que nos dois últimos invernos.

A GALP não me convidou a escrever sobre o Hotspot mas eu escrevo de borla. A maneira que tenho de dizer que, sim senhora, que aquilo deve ser muito bom, é que acabei de sair de uma reunião de Direccão de uma Associação para pessoas portadoras de deficiência, em Chelas, cujo quadro eléctrico não permite um aquecedor decente, e metade da reunião foi a tentar encontrar ideias para se arranjar verba para se comprar um Hotspot.

Faz um frio de rachar, as pessoas trabalham quase vestidas de edredons e, ainda assim, de bom humor: um dos colaboradores- deficiente físico e sem sensibilidade nos membros inferiores- brinca sempre a dizer que "credo, está tanto frio que eu já nem sinto os pés!".  Nós rimo-nos mas é mau, pá!

Por isso, querida GALP, eu acredito mesmo que o Hotpot deve ser a última coca-cola no deserto dos aquecedores. Juro e cruzo os dedos em cima dos lábios e dou um beijinho, 

E agora que já escrevi, de borla, sobre o Hotpot, que jé me meti em biquinhos de pés não precisam de me pagar em numerário. Pode ser em espécie. 

Mandem lá um Hotspot para aqui, antes que encarnemos todos o Leonardo DiCaprio no Titanic. Mas em versão def., o que vem a ser muito mais deprimente, 

Um beijinho fresquinho desta sempre vossa, 

Pólo Norte