terça-feira, 29 de Julho de 2014

A crise definida por um marialva em Chelas

"Sabe quando é que eu percebi que a crise estava mesmo para ficar e era uma coisa feia?
Quando deixaram de dar paus de canela a acompanhar a bica..."

Das memórias dos Verões da minha meninice

Acabava a escola e eu chegava a casa. A primeira coisa a fazer, nessa tarde do último dia de aulas, eram os trabalhos de casa. Todos. De enfiada. E eram muitos.
Quando não havia tempo útil para os terminar, completava a tarefa no dia seguinte. Era a minha forma de me ver livre das tarefas escolares até Setembro. A minha mãe educou-me para não gostar de tarefas chatas pendentes.
A seguir era a rainha do quintal. Tínhamos um baloiço grande de jardim e eu sentava-me a ler nos finais da manhã, as gémeas no colégio de santa Clara eram minhas companheiras de aventura. Depois a minha avó chamava-me para ir almoçar, não sem antes esperarmos pelo meu avô ao portão, para se juntar a nós. O meu avô cortava-me os bifes, esmagava-me as batas com o peixe e não me ralhava quando eu fazia bolhinhas no sumo com a palhinha. A minha avó ria-se, mas era às escondidas. 
À tarde ir brincar com a Cláudia e a Rita à cirumba, eu não era boa a correr, as botas com aparelhos estorvavam-me as asas da minha cabeça e agrilhoavam-me as pernas mas elas não se importavam. Às vezes a avó Maria, a avó da Cláudia, chamava-nos para lanchar pão com o melhor doce de tomate de que tenho memória. Outras voltávamos a perder-nos no quintal, a fingir quer fazíamos bolinhos, com farinha e água da mangueira e ríamos muito. Vivíamos no tempo em que havia estações do ano e o Verão era mesmo Verão. 
Às vezes, aos fins-de-semana íamos à praia da Conceição e andava de gaivota com as minhas primas que, Agosto após Agosto, vinham de avião visitar-nos.
À noite, pelo menos uma vez em cada Verão, ia nas cavalitas do meu pai até à Feira de Artesanato do Estoril e a minha mãe pedia sempre a uma fotógrafa que lá andava para me tirar uma fotografia que depois imprimia a preto e branco e que registava a minha evolução, Verão após Verão. 
Ontem, a menina que fui levou pela mão a mãe que sou à mesma Feira. Hoje sou eu que rio da minha filha a dançar ao som do rancho folclórico, que me enterneço com ela a empurrar o pássaro de madeira que bate as asas e a registar as minhas próprias imagens fotográficas. 
Imprimi, hoje, uma a preto e branco, para que a Ana um dia escreva com a mesma ternura com que hoje o faço, preto e branco no papel, arco-íris na alma. 

O Mundo divide-se entre...

... qquem prefere comer canja com arroz e quem prefere com massa de pevides.

Pólo e o pé de hortelã

Antes de ser mãe não havia planta que me resistisse. Fui aquela pessoa que matou cactos... à sede. Mas depois caiu a graça de Nossa Senhora das Parideiras em mim e, após ser mãe, a coisa começou a correr bem.
Comecei com cactos e ali estão eles, inteirinhos e com bom ar, ao parapeito da janela. Depois veio uma flor de cera, daquelas que não precisam de muita água e que me presenteou com uma única flor esta Primavera mas que valeu por todas as flores do Mundo: raistaparta a flor era uma coisa fabulosa!
No outro dia decidi comprar um vasinho de hortelã. A ideia era poder ter meia dúzias de ervas frescas para pôr na canja da miúda, numas limonadas e assim. Reguei o vasinho todos os dias mas sempre naquela ideia fixa que, mais dia menos dia, lá se acabavam as folhas de hortelã. Mas afinal, diz que não.
Neste momento, tenho hortelã com a altura de mais ou menos 70 centímetros. Eu acho que de cada vez que me abeiro do vasinho e suspiro da admiração pelo facto dela ainda estar viva, a sacana da planta saca-me do dióxido de carbono do suspiro e cresce mais um ou dos centímetros.
Mámen diz que não é hortelã, que na verdade, é um pé de feijão e não tarda muito desce-me pela chaminé um João e um gigante e tudo o que eu tenho direito.
Eu continuo admirada com o meu novo eu: sou, finalmente, uma pessoa capaz de ter plantas em casa. E de, para além de não as deixar morrer,  fazê-las até crescer. Uma espécie de floriMidas. 
Acho que me vou aventurar noutras folhinhas...
Até lá se alguém estiver precisado de hortelã é pedir: tenho tanta que dava para fazer chá para toda a população de Marrocos. E da Tunísia. E de todos os arredores.

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Boas ideias: a StopBag

"Vivemos num Mundo em que por regra geral, as cores das nossas roupas são na sua maioria em tons escuros (verde, castanho, cinzento, preto, azul, etc..).
Este factor, torna a visibilidade dos peões mais reduzida, principalmente à noite ou em zonas mal iluminadas, potenciando o risco de acidentes e atropelamentos.
O uso de roupas com materiais retro-refletores, potencia a identificação do transeunte em mais de 80%, o que se traduz numa redução de acidentes com peões, quer nas estradas, quer nas passadeiras.
O nosso objetivo é:
• REDUZIR a sinistralidade nas passadeiras.
• DESPERTAR a consciência cívica para o problema.

• REFORÇAR a interação entre peões e automobilistas.
Com o StopBag queremos tornar a EDUCAÇÃO RODOVIÁRIA mais SIMPÁTICA e DIVERTIDA.
Uma única vida salva, faz valer todo o projeto.
O Stop Bag e a sua bolsa são impressos em material retro-refelctor, de forma a que as pessoas possam ser vistas à noite em locais mal iluminados. A bolsa tem um camarão e pode ser pendurada na roupa ou numa mochila e têm o preço unitário de 5€. 

Conheçam a StopBag aqui"




Diz que estamos em 10º lugar

... e o meu bairrismo reclama por Oeiras estar mais à frente. :P


Ser mãe como quem come melancia fresca

"DIAS A DOIS

É fim da manhã e dormes a sesta. Eu leio, ando pela net, dormito enquanto velo o teu sono e espero que acordes. É Verão, dizem. Não está sol nem calor de praia, espero que ainda venha. Acordas, mamas e vamos tratar do almoço. Ter um filho que come de tudo é tão bom! Comemos massa, porco com alecrim desfiado do assado de domingo, salada de tomate coração de boi. Comes com a mão e eu junto-me a ti, sabe tão bem. Olho para os pratos e gosto: até o pesto da nossa massa fria foi feito por mim, com a rama das cenouras do mercado e amêndoas. O alecrim é do quintal do avô. Tudo fresco e sazonal, parte do que te quero ensinar.
Dou-te um bocado de tomate. Já sei que não gostas, mas não desisto de tentar. Olhas desconfiado, pegas e provas. Ainda não foi desta. Um destes Verões lá chegaremos.
Partilhas a carne com o gato que te ronda a cadeira, sempre atento. Se me distraio rouba-nos o almoço, mesmo sem saber se gosta.
No fim, melancia. Tens 11 meses mas já sabes, só a olho, que a melancia de que gostas não é o tomate de que não gostas. Comemos melancia fresca, escorre-nos pelos dedos.
Podia ser no Alentejo esta felicidade, ou podia ter porta para um jardim. Mas assim já é tão boa e tão doce. Como o teu sorriso a transbordar melancia."

Mariana no seu "Dias de Telha"

Em tempos de ócio, questionam-se pacotes de açúcar...

O Mundo divide-se entre quem rasga pelo meio os pacotes de açúcar em tubo porque reza que o seu inventor se suicidou porque ninguém o fazia e os outros.

Querida professora Tânia,

ao princípio não fui lá muito com a sua cara.É que para além de partilhar a piscina aquecida com o meu marido, de não deixar a minha filha levar a chucha para dentro de água (ela resmungava muito ao princípio, lembra-se?), ainda tem o desplante de ser simpática. E de não ter uma pinga de celulite. 
Eu vinha com uma má experiência anterior no que diz respeito a piscinas. Para além da Ana ficar doente de cada vez que ia à natação (ou era do cloro que lhe dava alergia na pele ou de sei lá o quê que a fazia ficar de diarreia dias seguidos) eu não sabia bem o que esperar. Ok, sabia que não ia esperar que a miúda se tornasse uma Michael Phelps em ponto pequeno mas também não esperava que se tornasse apenas tolerante à água. Tolerante à água foi a minha tarefa durante os primeiros meses da sua vida que a miúda gostava tanto de tomar banho como um gato escaldado. 
O que eu estava longe, mas mesmo longe de esperar, foi o que encontrei: aulas com planos de sessão e objectivos de progressão, semana após semana, jogos pedagógicos dentro de água- que nunca se repetiram- que aliavam a diversão à aprendizagem, uma perspicácia singular no estabelecimento de relação com a minha filha (percebeu logo que com ela tem que se ir devagarinho, que ela não dá confiança por dá cá aquela palha) e uma amizade que foi crescendo a olhos vistos entre vocês as duas. Prova disso é que sempre que as colheres de sopa são dedicadas às pessoas de quem a Ana gosta, a professora Tânia come sempre uma colherada. Já há, até, uma boneca chamada Tânia, para que conste. 
Ir para a natação passou a ser um prazer para nós, primeiro porque, semana após semana, notávamos progressos no comportamento da Ana: a chucha deixou de ser necessária para a acalmar na entrada da piscina, o pai passou a ser dispensado dentro de água como figura de referência, a Ana passou a adorar a ideia de ser o dia da natação ("pixiiiiiiina!") e, apesar de ser por vezes destrambelhada e preferir improvisar nos exercícios em vez de simplesmente se limitar a cumprir as regras, o que nos valeu assistir às suas primeiras gargalhadas (sim, é verdade, a sua discrição e low profile às vezes intimidava-nos...), a miúda tornou-se um verdadeiro peixinho. Assistir, na última aula, a vários mergulhos, de olhos abertos e com cada vez menos pirulitos engolidos, a risos e abraços à professora e um beijinho espontâneo no final acompanhado por um "aiaviú" comoveu-nos como pais. 
Prometemos reproduzir, tanto quanto possível, durante este Verão, na piscina e na praia, as estratégias por si utilizadas. Só não garanto a ausência de celulite. 
Um beijinho e um obrigada (e um abraço para toda a equipa do Clube VII, Sílvia querida, Ana, D. Fernanda e Sandra incluídas),

Ana, Pólo Norte & Mámen

domingo, 27 de Julho de 2014

Já disse que começaram as férias?

O melhor das férias? Ser "pé descalço"! 
Relva, piscina, caracóis, praia, pipis, sol na pele, caracoletas assadas, "gorgulhos", tarte de limão, pés na areia, brilho nos olhos e tantas, mas tantas, gargalhadas que- caraças!- o Verão promete... 







sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Mercearia Gadanha

A Catarina de Marvão, a Rititi do meu coração e a Cláudia que eu adoro recomendaram-ma: a famosa "Mercearia Gadanha" em Estremoz. 
Eu tenho mixed feelings acerca de Estremoz onde já fui feliz em bailaricos na serra d' Ossa, onde passei um reveillon inesquecível num bar chamado "Até Jazz" e onde aprendi a comer atabefe mas de onde é natural uma das pessoas que mais me decepcionou na vida. Por outro lado, sempre que me recomendam um restaurante eu coloco as expectativas tão elevadas que, muitas vezes, não me deixo surpreender. Não foi o caso. 
A Mercearia Gadanha tem o melhor azeite que já provei para a molhanga do pãozinho alentejano de entrada, tem empregados simpatiquíssimos que acolhem com boa cara família com crianças pequenas e intrépidas, tem uma decoração castiça e gira, tem o melhor arroz de lebre que já comi e tem sobremesas da autoria de uma Michelle, maga da cozinha, que me fizeram comer e chorar por mais (experimentem as farófias caramelizadas com poejos e morangos ou o mil folhas de chocolate branco com frutos silvestres e não digam que vão daqui...). 




Por aqui, a Mercearia Gadanha ajudou a fazer esquecer os traumas de Estremoz e a ter vontade, muita vontade, de voltar à cidade que está - agora- melhor, com o eco da risada brasileira e das mãos de fada culinária da Michelle. 
Voltaremos. 


(Conheçam a dinâmica da Mercearia Gadanha aqui)

Arrendatários e agências imobiliárias da capital chamadas à recepção

Uma amiga minha precisa de arrendar, urgentemente, uma sala ampla, no centro de Lisboa, com ar condicionado e água corrente. 

Se souberem de alguma de algumas oportunidades enviem-me mail para o quadripolaridades@hotmail.com.

Obrigada. Mesmo, mesmo. 

A nova campanha do Casal Garcia diz que...

Alegria é fazer do hobbie uma profissão. 
Alegria é continuar a cantar num karaoke sem saber a letra.
Alegria é viajar sem destino. 


Acrescento eu, hoje: alegria é receber um búnus no recibo de salário, pá! :))))

Backup do backup

Comprei um disco externo potentíssimo para fazer guardar documentos que tinha, anteriormente, no pc e que achei que estavam mais seguros guardados no disco externo.
Deu o badagaio ao disco externo.
Ando agora à procura de alternativas de backup para a minha solução de backup...


Duh!

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas noctívagas e as outras.

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Humor negro elevado ao expoente máximo (adoro!)

Joe Pleban tinha uma doença rara que lhe provocava enormes dores nas articulações do pé esquerdo e, após seis anos em que a cura foi dada como impossível, a única saída possível era a amputação.
Aquando da notícia, respirou fundo e decidiu que ia encarar com optimismo e sentido de humor a "fatalidade" que se aproximava. 
Criou, então, uma página de facebook onde começou a partilhar o seu plano de despedida do seu próprio pé, que contemplou viagens, experiências desportivas radicais e um registo fotográfico carregado de humor. 







Diz que o Alentejo está na moda (se não se diz, digo eu)

Próximas mini-férias aqui:





Can't wait!

Ana, a non fashion victim desde 2012

Visto-lhe um bolero por cima da camisola. Olha para baixo e diz-me com ar sabedor:

Ana- "Queio outo!"

Eu- "Outro, Ana? Não, filha, olha este é tão lindo!"

Ana (tocando no cós do bolero, abaixo do peito)- "Não cheve!"




:D

O Universo traumático das músicas infantis

"mas o vento a soprar, leva o balão pelo ar, fica, então, o João a choramingar"

"não os puderam achar? Ai que feios gatinhos! Então, não vão brincar!"

"ao pombal de São João, à quinta da Roseirinha, minha mãe mandou-me à fonte e eu parti a canteirinha. Oh minha mãe não me batas, que eu ainda sou pequenina..."

"Sebastião come tudo, tudo, tudo, como tudo sem colher, Sebastião come tudo, tudo, tudo, chega a casa e dá porrada na mulher"

"Vou pedir ao senhor barqueiro que nos deixe passar, tenho filhos pequeninos, não os posso sustentar. Passarás, passraás, mas algum ficará, se não for a mãe da frente, é o filho lá de trás"


Canções infantis tradicionais, a criar adultos traumatizados desde 1900 e troca o passo. 

Tenho muitas saudades da minha avó.

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Freud é capaz de ter um bocadinho de razão

["O pai adora futebol ( "Para se ser um bom chefe de família tem que se ser do Benfica, Dra!). O miúdo nem por isso, prefere dançar ("Mas isso eu não digo ao meu pai, que ele chama-me logo de maricas!"). O pai perguntou-lhe se queria jogar futebol ("Queres, não queres? Vais ser um grande ponta de lança, o pai também era!"). O menino não tem coragem de dizer que não ("Ele não foi obrigado, Dra, que eu bem lhe perguntei uma mão cheia de vezes, ele é que quis"). O menino finge que tem prazer em jogar, assiste aos jogos com um entusiasmo fingido para ter aqueles momentos de "homens", nas tardes no sofá entre pai e filho ("Ele nunca está em casa, está sempre a trabalhar, só estamos os dois quando ele vem para casa e vemos a bola juntos!"). Escuta o pai com uma falsa atenção a ensinar-lhe o que é um fora-de-jogo mas não decorou o que é ("Eu gosto é de dançar mas o meu pai diz que a dança é para as meninas"). A mãe não se mete ("Ah, isso da bola é lá entre eles, eu não interfiro..."). O pai preocupado que o menino, de cada vez que é para o levar ao treino, fica doente, dá-lhe vómitos, náuseas, doente mesmo ("Será dos nervos, Dra? Será que ele leva o futebol tão a sério que fica doente com a pressão? Olhe que ele faz-se um grande ponta de lança, Dra, podemos ter aqui o próximo Ronaldo."). O filho confidencia, à parte, que finge estar doente de cada vez que tem que fazer o sacrifício de ir aos treinos ("Se eu lhe disser que não quero ele zanga-se, assim fica aflito a pensar que eu estou doente e não teima para me levar.").
O pai só quer resolver os sonhos que a sua infância não lhe permitiu.
O filho? Só quer dançar." ]

Palmas para a Primark!

Por ser a primeira loja que conheço que tem provadores exclusivos, na secção feminina e masculina, para cadeirantes!

Têm aqui uma fã para sempre. 

Jews & Arabs Refuse To Be Enemies

É uma página de facebook onde pessoas provenientes de Israel e da Palestina usam a arma do amor e o apelo à tolerância como forma de chamada de atenção para os conflitos na faixa de Gaza.

Vale a pena conhecer!





Fui intimada

" INTIMAÇÃO

O bacharel em Direito e delegado in fire assinado, ora designado para o departamento atributivo abaixo discriminado, INTIMA Vossa Senhoria para comparecer em data e local abaixo descritos, munido de documento de identidade (RG), CPF e desta intimação, onde deverá prestar esclarecimentos do interesse da Justiça Pública, conforme caracterização convergente nesta, com o fim de prestar esclarecimentos em procedimento investigativo para apurar possível prática de infração penal. O(a) convocado(a), ausente na oitiva, depois de novamente intimado(a), não comparecer, sem motivo justificado, consoante os arts. 3º, 201, § 1º, 218 e 260, do Código de Processo Penal, será passível de condução coercitiva até a presença da Autoridade Policial, mediante Mandado escrito e incorrerá, em tese, na prática de CRIMES DE PREVARICAÇÃO E/OU DESOBEDIÊNCIA, ínsito nos arts. 319 e 330, ambos do Código Penal. Havendo recusa em receber esta intimação, a mesma será concluída na presença de 02 (duas) testemunhas presentes ao fato, onde será verbalizada a intimação e assinada por todos. Havendo recusa de prestar testemunho, as pessoas requisitadas renitentes deverão informar suas qualificações e intimadas imediatamente a comparecer na delegacia. Havendo recusa em informar suas qualificações, serão conduzidas coercitivamente até a delegacia pela prática, em tese, do art. 68, do Decreto-Lei nº 3.688/1941 – Lei das Contravenções Penais – recusa de dados sobre a própria identificação ou qualificação."

Via e-mail do Quadripolaridades


Estou retida ali na parte do delegado in fire. Estou numa excitex que nem imaginam...

Mulheres valentes

"Faz hoje um ano, que me despedi, e que atravessei toda a 2ª circular de óculos escuros, a soluçar entre o alívio da vida que deixava para trás e o cagaço de tudo o que estava à frente. Não tinha poupança de risco, herança acolchoada ou activos a render, que suportassem a escolha apaixonada que fiz, tinha a confiança em mim mesma, e a certeza que a vida é só uma. Tive muita gente, que me é querida, que achou por bem, segurar-me os ombros, olhar-me nos olhos e pedir ponderação. Também tive um mão cheia de outros, que me encorajavam sem contemplação, como quem olha com avidez um louco numa acrobacia mortal, "faz lá, faz lá, que eu fico a ver!". E depois, tive aqueles que gostam à séria de quem sou, que sabem que a vida é feita de timmings, que as oportunidades se criam e que nem todas as decisões da vida cabem num excel. Aqueles amigos que te empurram para a frente, e que correm a seguir, para sopé do abismo para te erguerem ao colo, se for caso de caíres. Não sei se tinha o que era preciso, mas achei que tinha, tinha a certeza de ter, queria acreditar que tinha. 
E fui. Se não tivesse nada, ao menos diria a mim mesma que tinha tentado. Embora soubesse, por experiência em vida, o fraco consolo que há em tudo o que não chega a ser. Tive coragem, tive. Fui buscar a força que precisava à família que criei, não tenho pais para pedir colo, mas tenho um avó de coração grande que sei está sempre a olhar por mim. Enchi o peito da pessoa que queria ser, se virasse às costas ao momento, era eu quem ficaria para trás. Queria advogar às minhas filhas que a vida não se faz só das escolhas assertivas, mas das escolha acertadas, queria ensina-las que a crença em nós mesmos, é a maior prancha para os mergulhos altos da vida, queria dizer-lhes que se deixassem arrebatar sempre que o coração sobe acima da garganta e o pulsar se torna tão intenso, que não agir é morrer. E queria dizer-lhes, que a fronteira entre a coragem e a inconsciência é ténue, só assim se percebe que a sorte protege os mais audazes, mas não se dobra aos inconscientes. E não podia fazê-lo, senão desatasse a correr atrás dos sonhos, se não suasse em demasia para os alcançar, se as pernas não me tremessem de medo, se não perdesse as noites de sono e as madrugadas a trabalhar, e se não fosse buscar às nublosas incertezas do futuro as respostas que precisava, para as dúvidas que ainda vou tendo. Ainda não venci. Quem escolhe a paixão, escolhe a luta. Nos filmes há sempre a batalha final, na vida há várias até ao fim. Mas uma coisa é certa, sempre que iço a espada, sempre que verto a lágrima, suo, corro, choro, perco e venço, é por mim que o faço. Na luta mais legítima que há em vida, a melhor de todas, a luta por ser feliz!"

Da genial Isabel Saldanha na sua página de facebook

Portugal dá sempre um jeitinho

Guiné Equatorial- Ah, nós queríamos ser membros de pleno direito da CPLP, acham que é possível?

Portugal- Ah, sim, por quem sois, que honra...

Guiné Equatorial- Mas CPLP significa comunidade de países de língua portuguesa, certo?

Portugal- Pois sim, mas dá-se um jeitinho. Acrescenta-se um F à coisa: que tal vos parece CPLPF? É do vosso agrado? Querem mais um reforço da dose? Querem que aqueçamos um bocadinho? Sal? Pimenta?
Vinagre balsâmico?

Guiné Equatorial- Não, não deixe estar, não vale a pena mudar o nome. Não se consegue outra alternativa, sei lá: que tal reverem o vosso acordo ortográfico? Assim com'assim os portugueses adaptaram-se tão depressa ao português do Brasil, não acham que...

Portugal (interrompendo)- Par Toutatis! Finalement une idée géniale!

Guiné Equatorial- Mas... mas... nós falamos espanhol.

Portugal- Oh coño! Presupuesto dá-se um jeitinho!


(Assim com'assim a palavra dólares pronuncia-se da mesma forma em qualquer língua. Já hidrocarbonetos em francês e espanhol... Tenho que ir pesquisar.)



terça-feira, 22 de Julho de 2014

Post perceptível apenas por mães de pequenas criaturas

Principal expressão de vernáculo nesta casa: "Oh céus!"

Quando queremos pedir a alguém que páre e nos dê atenção: "Alto! Em nome da lei!"

Reacção quando nos surge um problema: "Isto parece-me um desafio: gosto disto!"


Pólo Norte, a noddyfilosofar desde 2012

O Mundo divide-se entre...

... quem em pequeno comia a parte de dentro dos pastéis de nata com uma colher e os outros.

Só para amantes de Game of Thrones*



(*isto um dia vira rubrica)

A Cat-mercearia mais querida do Mundo







Quando cheguei a Marvão sabia onde havia de me dirigir: à Mercearia de Marvão. Conhecia a Catarina destas coisas dos blogs, já acompanhava o blog da mercearia há séculos e era seguidora da página de facebook. A ideia do "bem-vindo a Beirais" versão vida real encanitava-me, queria conhecê-la, saber como é deixar de viver numa cidade e rumar a uma pequena vila com 120 habitantes, como é pensar num negócio e materializá-lo e, mais que tudo, geri-lo como uma paixão que não esmorece, sempre com uma incrível capacidade de se reinventar e de inovar. 
A Catarina de cheiro é (ainda) melhor que a Catarina dos blogs, tem voz, pronúncia demorada, olhos brilhantes de moura e um sorriso tão vasto como as planícies do Alentejo. E tem colo de cegonha-mulher, já aqui o disse. 
Não é possível falar da Mercearia de Marvão sem falar da Catarina. A Mercearia é a Catarina, uma amálgama de objectos, doces, bonecas de barro, vinhos, piões, azeites e pão, taleigos pendurados, coroas de flores secas, cavalos feitos de meias e uns moinhos de vento toscos- os mais bonitos que já vi na vida. A Ana apaixonou-se por um cor-de-laranja. A Catarina é a Mercearia, uma amálgama de emoções, risos, palavras cantadas, olhos vivos e expressivos e um jeito de ser simples e genuíno, como se na vida da Catarina, como na da Mercearia, não houvesse espaço para porcarias, só para coisas bonitas e com significado. 
Apaixonei-me pela Mercearia e, mais ainda, pela Estalagem de Marvão, onde as paredes se transformaram em vitrines onde se guardam objectos com história, porque é disso que a Mercearia e a Estalagem se tratam: da história das gentes, da passada e da presente, da história das gentes de Marvão, 120 habitantes, a Catarina no coração. 
Vale a pena ir conhecer esta terra, pernoitar na Estalagem e perder-se nos objectos maravilhosos da Mercearia. Mas, mais que tudo, vale a pena ir conhecer a Catarina, moura encantada de Marvão. 

Am I dead?

Acabou de vir o carteiro cá a casa entregar cinco cartas do Centro Hospitalar de Lisboa Norte. 

Cinco. 

Estou com medo de abrir e ser informada que quinei.

Entendidos em fruta atenção: qual o nome desta espécie de uva?


Eu não quero acreditar no nome que a Mónica e o Ricardo me contaram.
Tirem aqui as teimas à V. ursa...

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

P.S. (Porto Santo) I love you



Porto Santo quadripolarizado!

Beijinhos Joaninha e Tiago!

Queridos professores,

... se há classe que eu respeito, acima de todas as outras, é a vossa. Juro. 
Mas agora expliquem-me por que é que das 23 escolas para onde hoje liguei (e enviei email) me atenderam apenas 4, duas das quais para me dizerem que o meu possível interlocutor está de férias e que não há quem o substitua e outra para me facultar o email do conselho executivo, não me passando a chamada.
Mas a partir das 14h as escolas em Julho ficam entregues a quem?



(Professores do Ensino Especial e professores pertencentes a orgãos de gestão das escolas, se me lêem, atendam-me amanhã à tarde, por favor! Dava-me muito jeito ir de férias em Agosto depois de falar convosco, sim?)

Para quem puder ou quiser ajudar*

"A todos os que possam ajudar, ou que conheçam quem possa: 

O meu filhote anda numa creche (vai passar para o jardim de infância!) de uma IPSS que perdeu o financiamento da Segurança Social e que, por isso, enfrenta graves dificuldades económicas. 

A preparação do próximo ano lectivo está bastante comprometida, nomeadamente porque não têm dinheiro para organizar actividades com as crianças (nem mesmo as que são gratuitas, porque nem para os transportes há dinheiro e muitos pais também não podem pagar "extras"), para comprar brinquedos, livros e nem sequer os materiais elementares: papel, cartolinas, lápis, canetas, tintas, plasticina, etc.

 A quem puder ajudar (com donativos em dinheiro ou entrega de materiais, por pouco que seja!), ou que conhecer pessoas ou empresas que queiram contribuir para que todos os meninos dos "Reis Magos" possam fazer muitos e fantásticos trabalhos e ter uma ou outra "saída" ao longo do no próximo ano "lectivo", fico-vos muito grata!!!! 

Ah, podem ser coisas recicláveis e/ou usadas (desde que reutilizáveis, claro!), nomeadamente brinquedos e livros, bem como materiais "de escritório" que possam ter a mais, de ofertas, de publicidade, de "sobras", tudo é muito bem-vindo! E se alguém souber de empresas (ou outras entidades) que consigam oferecer bilhetes para um espectáculo, ou para visitas a um museu, ou algo semelhante, ou até que estejam disponíveis a abrir as suas portas para que os meninos vão conhecer o que fazem (desde que seja adequado às suas idades e interessante para eles, claro), enfim... tudo o que possa ser diferente / divertido e ajudá-los a aprender coisas novas, a equipa pedagógica está muito receptiva a todas as ideias e agradece o contributo de todos! 

Estou ao dispor para ir buscar tudo o que consigam arranjar e entregar à coordenadora e às educadoras. Mais uma vez, muito obrigada Paula "

* respostas para este email: paulatavaresdad@yahoo.com 

No blogger também há Donas Dilares* do sarcasmo. And well, the joke is on them...

"

[às vezes aquela gente do tumblr irrita-me com a sua presunção...]


Infinitiva no seu "Mil Trilhões vezes infinito"





(*Dona Dilar, mãe da famosa Gisela Serrano, que foi em tempos uma ilustre comentadora da vida social num programa da manhã. Só que coiso. Nunca passou de D. Dilar.)


Mámen é um white walker à segunda-feira (sim, tem visto uma temporada do Game of Thrones de rajada aos domingos*)




(*Sim, 10 horas seguidas.)

(Sim, descobrimos o Game of Thrones tardiamente mas a este ritmo vamos descobrir o final antes do proprio autor...)

domingo, 20 de Julho de 2014

Romantismo urbano

Chegámos do Alentejo, onde o céu é mais etrelado, onde vimos dezenas de estrelas cadentes. 
A seguir ao jantar fomos beber um café à rua, de mãos dadas, ainda todos nhonhós.
Eu olho para o céu e ali está ela: uma luzinha mágica. 

Eu (apontado para o céu, entusiasmada)- Olha, olha! Afinal, as estrelas cadentes perseguiram-nos, olha ali uma!

Ele- Não é nada, pá, não vês que é uma luz de um avião?!


(Welcome home, family Norte-Mámen! Welcome home!)

Só para amantes do "Game of Thrones"

Acabei de ver o nono episódio da terceira série. 
Foi mais ou menos o mesmo que ver o jogo do Mundial do Brasil contra a Alemanha. 
Mas substituindo golos por mortes.


(A sério: até quando vão morrer os meus preferidos todos? Por esta lógica, a seguir é o anão, é isso?! Não aguento.)

Os mais quadripolares votos de parabéns de sempre



O meu sobrinho Duarte é o bebé mais quadripolar ever (empatado com a Ana). 
Tia ursa <3 you!

Marvão





e claro, a estrada mais bonita do Mundo:




A cidade das cegonhas







sexta-feira, 18 de Julho de 2014

A Sul (é a nordeste mas isso agora nao interessa nada)

Sair de casa com o essencial. Nós- os três- e o essencial. No carro, a engolir alcatrão, a minha música. Coro desafinado e aplausos dados, entre gargalhadas, por mãos pequeninas. 
Ninhos de cegonhas avisam-nos de que estamos a chegar: Marvão no horizonte. 
Sermos acolhidos pela Catarina, tão linda, tão moura, pelo Nuno, o encantador de palavras, as palavras saem-lhe a rir-se, é um dom, juro que é um dom, pelo pequeno Zé Pedro, cabelos loiros e olhos azuis, pássaro do sul e pelo pequeníssimo Manel, augúrio de que tudo corre bem, tudo passa, tudo vai correr bem. O futuro a todos nós pertence.
O sol a pôr-se entre as muralhas. A Catarina manda-nos ir a pé, dá-nos palavras bonitas enquanto embala o bebé no seu colo, cegonha humana. E dá-nos um cesto com um taleigo. Cheira a pão alentejano, a queijo e a paio. Assim que fazemos saltar a rolha, cheira a vinho do bom e a miúda trinca melancia enquanto dança em cima da manta, neste seu primeiro picnic às estrelas. 
Passa um grupo de pessoas e olha-nos, enternecido,uma pequena família num picnic nocturno. Cumprimentam-nos e percebem que há motivo para festa. Cantam-me os parabéns com esta pronúncia demorada, de quem tem tempo para saborear as palavras, a melodia, as palmas do fim. 
O guardião do castelo deixou-nos a porta encostada, segredo de aniversário, e subimos à torre de menagem. Levo a Ana ao colo, cheira a bebé crescida.. Ele traz o cesto e a manta ao ombro, por instantes acredito que é um tapete voador e nós personagens de histórias de aladinos. No cimo, a Ana tira do cesto pedaços de hortenses que apanhou no jardim e atira-as ao ar. Chovem flores, estrelas e sorrisos, chovem interjeições de prazer enquanto se trinca um pão com caviar de azeitona, chovem gargalhadas nesta noite de Verão com uma brisa quente no cimo de um castelo e chovem murmúrios de um palato inebriado quando se brinda a noite com boleima e pastéis de castanha. 
Chovem estrelas cadentes e quase que toco o céu, no melhor jantar de aniversário de sempre, no melhor restaurante do Mundo, chão de castelo e tecto de céu, decoração de risos, música ambiente de palavras de amor.
Chovem estrelas cadentes e eu peço-lhes desejos para me sentir, para sempre, assim. No telemóvel a música do carro. A minha música. Porque eles ma ofereceram. Sou princesa do homem que amo, rainha da minha filha e o Mundo é o meu castelo. E as estrelas caem e eu peço-lhes desejos, de olhos fechados, para que se possam realizar. 
A Ana adormece encostada à curva do meu pescoço, o seu bafo quente embala-me e descemos os dois, de mãos dadas, cesto vazio e coração cheio.Como o meu colo. 
Começou um feliz ano novo para mim. 

It was a perfect day



Just a perfect day
Drink Sangria in the park
And then later
When it gets dark, we go home

Just a perfect day
Feed animals in the zoo
Then later
A movie, too, and then home

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
You just keep me hanging on

Just a perfect day
Problems all left alone
Weekenders on our own
It's such fun

Just a perfect day
You made me forget myself
I thought I was
Someone else, someone good

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
You just keep me hanging on

You're going to reap just what you sow 
You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow

17 de Julho de 2014. Latitude: 39º23'37.76 N. Longitude: 7º22'40.78 W.

"- É um lugar de paixão Irradia dele uma luz que ilumina gradualmente a memória de coisas muito antigas. Sorrio e digo-lhe:
- É um lugar bom para morrer num poema."
Al Berto (1995)