sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Se na próxima encarnação tiver a sorte de nascer lésbica, é com ela que quero lesbicar


Da genial São João no seu "Não mudes nunca"

Ana desfilando pela Escola de Samba Unidos do Kama Sutra

Toda a gente sabe o trauma que eu tenho com o Carnaval. É carregar aqui no link, para quem chegou agora, embora para os quadripolares veteranos a história já seja antiga e do conhecimento de todos. 

Vai daí que jurei a mim mesma, nesta saga da maternidade, que iria cumprir todas as vontades da Ana no que diz respeito às máscaras de Carnaval que ela quisesse vestir e temos alinhado num rol de Minie, Elsa, Mérida, LOL unicórnio, fada e todo o imaginário girly de uma miúda na primeira infância. Um enjoo, portanto. Mas tudo pela integridade emocional da pequena criatura. 

Este ano, na nossa road trip aos "Pueblos Blancos" (vide instagram com a viagem todinha) e, de passagem por Sevilha, não resistimos a comprar-lhe um traje completo de Sevilhana, que fez as delícias dela e de todos os transeuntes que por ela passavam, já com a expectativa de podermos usá-lo como máscara no próximo Carnaval. Neste, portanto. 

A modos que, até terça-feira passada, já tinha posto de parte o vestido, os sapatos à bolinhas, a mola do cabelo, o leque e as castanholas e andava feliz e contente, a sentir-me super competente nesta coisa da maternidade. 

Terça-feira estourou a bomba com o maldito bilhetinho da escola: ah, os meninos podem vir mascarados do que quiserem e tal (aleluia: já ninguém aguenta o tema dos mares e dos oceanos há cinco anos seguidos) mas vai haver um desfile de Carnaval e todos devem trazer uma máscara, à parte, que lhes tape a cabeça e o pescoço (wtf?), para desfilarem verdadeiramente mascarados. 

E foi aí que começou o descalabro. 

Em minha defesa ando em dieta e a falta de hidratos de carbono e de açúcar toldam-me o raciocínio (Ana Póvoas: na verdade a culpa é tooooda tua!) e, na ânsia, na aflição e-assumamos!- no desespero lembrei-me de um fato de unicórnio que tinha comprado há meses na H&M e que tinha passado numa loja Ale Hop e tinha visto uma máscara de unicórnio. Dito, feito: saí do trabalho, passei ali na loja do Campo Pequeno e cheguei a casa toda feliz e contente, a achar que era o santo graal da maternidade. 

Pior: a minha mãe viu e achou pefeito, mámen viu e não tossiu nem mugiu. Assunto arrumado. 

Até que ponho a fotografia no meu instagram e a minha amiga Carolina meteu o dedo na ferida e cuspiu-me o materno-fail. 



Posto isto, embora eu já não consiga desver, a verdade é que sem tempo para uma alternativa, a minha filha hoje irá desfilar na Escola de Samba Unidos do Kama Sutra, devidamente mascarada de grande unicórnio a praticar o sexo anal louco e desenfreado com pequeno unicórnio. 

Tragam-me a taça da pior mãe. 


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Ana, a fonética baralhada

Eu a propósito do registo do nosso fim-de-semana no seu diário gráfico: “Sabes aquelas açoteias que vimos no Algarve, Ana?!”~

Ana dá um belinha na própria testa e exclama: “é isso mesmo, mãe: o nome da nova auxiliar é açoteia!

(Pausa)

“Ou Soraia. É qualquer coisa assim...”

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Pólo Norte, a romântica


Vem uma meia de leite cheia de espuma esquisita e começo a mexer aquilo desenfreadamente até que oiço:
- isso era era um coração, pá!

...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Eutanasiem o Cavaco!

Eu percebo que Cavaco nao defenda a eutanásia: o homem já morreu há que tempos e volta e meia e ainda consegue ressuscitar da tumba e dizer uma alarvidade de sua graça.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Em Maio o pessoal "bomba" bué!

Fevereiro é o mês mais pequenino do ano mas a minha filha comemora o aniversário do pai, da avó materna, do avô paterno, da prima madrinha, do tio paterno e de três grandes amigos da mãe.
Oito em vinte oito dias, já para não falar do dia dos namorados.
Este é o mês em que toda a gente comemora o aniversário ou é só uma fatalidade desta família?!

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Aos 8 de Fevereiro de 2020, pelos 60 anos da minha mãe




É a pessoa que simultaneamente nos abana a estrutura, agita, provoca, cutuca, empurra e não nos deixa outro remédio senão arriscar, reagir, encontrar o ponto de equilíbrio e mantermo-nos em pé. E é simultaneamente a pessoa que nos permite cair, nos ampara as quedas e no fim atira com um “levanta-te e sacode-te que ninguém está a ver”. Isto define exactamente a minha mãe: a pessoa que nos ensina tudo sobre a coragem da vida. A mim e à Ana. 

Celebra hoje sessenta anos e é a pessoa mais importante da minha vida desde o dia em que,com a mesma coragem e equilíbrio, não me deixou outra escolha senão sobreviver com quedas mas também me ensinou a viver conhecendo o meu centro de gravidade, num equilíbrio muito nosso. Sempre de cabeça erguida e de pé. 

Parabéns, mãe.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

[Erradinha]

[Ontem, perante uma falha minha- tenho cometidas muitas que ando numa fase cheia de dores de crescimento- atirou um "ai, mãe não és nada certinha!". 

Fiquei estática a projectar-me no tempo e no espaço, a ver-me de fora para dentro- e é tão difícil - e devolvi-lhe um "achas que eu sou erradinha, Ana?".  Sorriu e abraçou-me, como que a consolar-me por não sabe ela bem do quê. Nem eu. 

Vou fazer 40 anos e, de repente, o tempo escancarou-se diante de mim, esta porra de equador da vida. Tenho quase tudo a meio, começado e não acabado: um livro, um blog, uma persona, uma vida. Tudo o resto tenho começado e em andamento mas nem sempre- quase nunca- sei a quantas ando nisto da conjugalidade, da maternidade, do pensamento, do trabalho, do coração, da porra da vida. Com a idade fiquei com mais dúvidas, mais inseguranças, mais preguiça, mais medos. Menos eu. 

Escrevo menos e escrever era a actividade que me fazia sentir mais competente. Organizava-me para o fazer todos os dias, saía, realizava-me. Durante toda a vida era a escrita que mais companhia me fazia e mais respostas me dava a todas as dúvidas existenciais que ia tendo e nunca mais deixei de ter, só que agora não sei muito bem onde encontrar respostas. 

A miúda cresceu, ficou mais autónoma e eu achei que ia ter mais tempo. Se calhar tenho mas também fiquei mais desorganizada, caótica, insegura e preguiçosa e mais acordar em stress, ajudar a miúda a despachar-se, o pequeno almoço,a lancheira, a marmita e a A5, o relógio, o começar e interromper tarefas, o atender telefonemas, falar com pessoas, hora de almoço em 5 minutos para logo a seguir voltar a trabalhar porque achei que era a jornada contínua que me safaria e não foi. Não foi. 

Depois são 6 da tarde, a A5 outra vez e a merda da pergunta -“O que é que fazemos para jantar?"-e esquecemo-nos de tirar coisas do congelador e o banho e o secador de cabelo, o sono no sofá.Às vezes os ciclos têm que se fechar, voltas a eles de vez em quando, nos meridianos da vida, agora no equador, ninguém te pode salvar senão tu. Senão tu. 

A Ana abraça-me: "Não faz mal, mãe. Eu às vezes também não acerto."

Mas hoje escrevo. E talvez por escrever possa começar a acertar. A ser mais eu. 

Mais eu.]

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Cada qual tem os amigos que merece

Eu a tentar não panicar e a fazer piadolas sobre o facto de terem nascido dentes de lampreia no céu da boca da minha filha.

Os amigos das outras: comentários de ahahahahahha

Os meus amigos: mensagens privadas com fotografias fofinhas



FML

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Sou a mãe dos dragões tuga

Estão a nascer à miúda dentes no céu da boca.

Não sei se a leve ao dentista ou se a exiba triunfalmente ao Pinto da Costa como a verdadeira filha do dragão.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...