sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Um dia sai-te o Euromillhões

Hoje foi o dia.



(Conto-vos tudo em breve E estou mesmo a falar a sério.)

O pedido veio através da Cocó...

... e é para ser lido com muita atenção:

"
Recebi uma mensagem da Andreia Medeiros, de 24 anos, aluna de Jornalismo na Universidade dos Açores. Uma mensagem tocante. A Andreia falava-me de uma aluna com dificuldades motoras que entrou este ano lectivo para o primeiro ano da sua licenciatura. Chama-se Mariana, vem da ilha Terceira e agora reside em São Miguel. Chegou cheia de sonhos sobre o curso, sobre o futuro, sobre o seu sonho de vir a ser Jornalista. Infelizmente, não tem tido vida fácil. O quarto da residência de estudantes não era adaptado, não há transporte da residência para a universidade, não há elevador para o bar nem rampa… entre muitos outros problemas de que já todos ouvimos falar (mas insistimos em não ligar muito, afinal, não são os nossos problemas, não é verdade?).
Querido benfeitor endinheirado que lê este blogue: a Mariana precisava muito de uma cadeira de rodas a motor, que lhe daria grande independência. A atrofia muscular que tem nos membros superiores obriga a que tenha de haver sempre alguém que lhe empurre a cadeira manual.
A cadeira custa 2500 euros. Para si, benfeitor, não é nada. É claro que será muito se tiver de ajudar todas as Marianas deste mundo. Mas, se porventura ainda não ajudou aquilo que gostaria de ter ajudado, e se quer apostar em alguém, talvez esta Mariana seja uma boa opção. Não que os outros não mereçam e, na verdade, eu nem sequer a conheço. Mas o email da Andreia fez-me acreditar que se trata de uma miúda cheia de garra, cheia de vontade, cheia de tudo aquilo que, infelizmente, se vai vendo cada vez menos.
A Andreia termina a carta assim: «Eu não consigo cortar as asas à Mariana. Eu não consigo tirar-lhe o sonho. A mãe dela está na Terceira e está cada vez mais inquieta por a filha estar aqui sem a independência que já inha ganho, e pondera levá-la de volta. Não posso deixar que a pessoa mais divertida do primeiro ano se vá embora. Nunca vi tanta determinação em ser Jornalista. Juro-lhe, aquela miúda é uma força da Natureza.»

Querido benfeitor endinheirado que lê este blogue, ou empresa, ou marca vai uma ajuda para a Mariana?
E vocês, queridos leitores, podem partilhar usando os botões aí de baixo, a ver se aparece alguém?"

 
 
 Saibam como podem ajudar lá no "Cocó na Fralda"
 
 
 
 
 
 
 

Tenho uma amiga...

Tenho uma amiga que decidiu levar um vestido todo mete-nojo para uma reunião de trabalho importante. Como o vestido era de meia estação pedia umas meias, ainda que fininhas, pelo que, a minha amiga decidiu vestir aquelas meias de ligas com aquela colinha aderente para se segurarem nas coxas. Acontece que a minha amiga é uma mulher de coxa grossa, à antiga. E que hoje está calor. E a cola derreteu nas coxas da minha amiga que, enquanto andava, ia friccionando as mesmas ficando, glamourosamente, assada. Sim, assada. A-ssa-da.
Pelo que, neste momento, a minha amiga acabou de sair da casa-de-banho onde teve a fazer uma depilação não voluntária que resultou de coxas todas esfalfadas, meias de ligas deitadas no caixote de lixo da secretária e uma postura de perna aberta para lhe aliviar as dores... à bardajona! E gano gane. Gane muito, a minha amiga.
 
Vai daqui um beijinho de solidariedade às mulheres de coxas grossas neste país (que estão em vias de extinção, bem sei!) e o conselho para andarem na mala com o Mitosyl (avé!) esquecido dos vossos filhos bebés just in case.

O mundo divide-se entre...

... as pessoas que, em criança, fizeram uma bailarina a partir de uma papoila e os outros.

J.



Guardo, religiosamente, as cartas que me escrevia. Em papel especial com as letras desenhadas milimetricamente, sempre com aquela caneta específica. Sempre preta.
Nunca mais ninguém me escreveu assim. Nunca mais fui, aliás, assim: a pessoa que lia aquelas cartas. Hoje leio-as de uma forma diferente: crítica, analítica, sedenta da correcta interpretação. Naquele tempo lia-as apenas com o coração. 
Amei-o cedo demais. Em silêncio e num torpedo, como se devem amar os amores adolescentes. Depois veio a vida e a idade adulta. A racionalização e a amizade. O certo e o errado. O óbvio e o lógico. A intelectualização. Amei-o (novamente) tarde demais.
Connosco sempre pesou a questão de sermos demasiado iguais. Só que ele era mais velho e queria-me ensinar todas as respostas que eu queria descobrir sozinha, no meu tempo. Rectifico, connosco sempre foi uma questão de tempo. Ou de falta de tempo. Nunca os nossos relógios se acertaram pelo mesmo meridiano. 
E eu deixei-o, no tempo futuro dele, a contemplar o seu passado que era eu, afinal. Acreditei, durante muito tempo- anos talvez- que um dia nos encontraríamos numa qualquer estação de comboio. Éramos os companheiros ideais de viagem: não queríamos saber do destino, só de partir. Encaixávamos exactamente num banco de dois. Os ombros largos dele tinham o tamanho certo para a minha cabeça pousar. Mas nunca, nunca, conseguiríamos apanhar o comboio, sei-o hoje.
Em boa verdade, andámos durante anos desencontrados na mesma estação de comboio (talvez o Rossio, sim): o Rossio. Ele deslizava no tapete rolante e via-me passar- sempre no sentido oposto- mas nunca conseguimos vencer a forma do maldito rolamento da passadeira; quando a intuição nos dizia para voltarmos para trás. Nunca esperámos um pelo outro, embora sempre tenhamos caminhado na mesma direcção: sinto-me um vector cuja seta o feriu sem querer.
Não sabíamos quão efémero é tudo. Quão perene é a assimétrica existência das palavras face à doce brutalidade do toque. 
Afinal, as viagens têm horários marcados e a vida não espera que as pessoas acertem os seus relógios para poderem, enfim, embarcar. Ficam as cartas, as palavras e as memórias. A tinta preta que o tempo não consegue apagar. A recordação de uma aurora boreal que pintou para mim. Um apito doloroso de um comboio a partir.
E hoje, finalmente, a aceitação pacífica do final feliz, não para nós, mas para ambos individualmente.
"Ama o impossível porque é o único que não te pode decepcionar". Sempre o soubemos bem.
Aprendemos com a vida.
Deixei de o amar no tempo certo.
Enough. Enough now. 

Ajudar quem quer ajudar

O Mercado dos Santos é feito por um conjunto de pessoas (beijinhos Marisa, Mariana, Patrícia!) que trato, caso a caso, de situações de famílias carenciadas.
Neste momento, têm um voucher oferecido pelo Hotel da Música, no Porto, de duas noites com pequeno-almoço incluído, no valor de 100 €. Este valor reverterá, integralmente, para a compra de vacinas que uma família não pode suportar.

Alguém quer ajudar a ajudar, disfrutando, em simultâneo, de uma experiência muita gira no centro do Porto?

Por favor contactem mercadodossantos@gmail ou visitem a sua página de facebook: aqui.

Oh, a Sardenha...


 

"Olá Pólo Norte,

Aqui vai uma praia da Ilha de Caprera, no arquipélago de La Maddalena - Sardenha, desta faialense que começou a seguir-te por causa um post sobre Kima :)

M."
 
Beijinhos, querida M. Pólo Norte <3 you!

"Primeiro, suicidar-se, e só depois tentar matar as mulheres."

"Vi ontem que um jornal fez com o homem que matou a mulher um daqueles "sobe e desce" com setinhas. O homem, engenheiro e de Soure (digo isto porque, sendo tantos os homens que matam as mulheres, se não damos minúcias, perdemo-nos), além da mulher, matou uma filha de 16 anos e feriu outra, de 13. As setas são úteis para se entender rapidinho se é mau ou bom o que um sujeito fez. Por exemplo, o ministro poupou: seta para cima. O guarda--redes deu um frango: seta para baixo. As opiniões são controversas, difíceis de pesar. São como os interruptores, umas vezes para cima, outras para baixo. Um homem que mata a mulher e uma filha, e fere outra, e tudo com várias facas, três ou quatro, porque iam--se partindo, esse sujeito, pois, foi colocado pelo jornal sob a dúvida: sobe ou desce? Desce, o jornal pô--lo a descer. Acho que foi uma decisão acertada. Outra coisa eu não esperaria de um jornal que narra estas coisas do quotidiano ordinário com cuidadas análises psicanalíticas: o homem tinha "pouca autoestima". No fim do artigo fui informado de que ele "depois de matar a família teve intenção de se suicidar mas não conseguiu." É sempre assim... Eu, que sou um bruto e dou pouca atenção às tais análises, já aqui propus numa que se fizesse uma campanha nacional para se inverter o método: explicar aos homens do meu país que devem, primeiro, suicidar-se, e só depois tentar matar as mulheres. Ah, se eu soubesse explicar isso com setinhas... "