quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

A minha vida em 34 músicas. Uma por ano.

My way. Eternal Flame. Dunas. November Rain. Everything I do. Primeiro dia. Rearviewmirror. Zombie. Wind of Change. Não sou o único. Come as you are. Heaven. Águas de Março. Don't speak. Torn. Bohemian Rhapsody. Eu sei que vou-te amar. Creep. Ironic. Bairro do Amor. Será. Nothing else matters. '74-'75. Solta-se o beijo. Hey there delilah. Big Girls don't cry. Esta miúda. Bossa per due. Amor e sexo. This shoes are made for walking. Espalhem a notícia. It´s oh so quiet. Hallelujah. Gracias a la vida.

Até tu, Facebook Tradutor?


Diz a minha amiga aveirense Flávia: "De todos os comments a este post, o meu pc acha que preciso de tradução num deles!!!"



Quadripolaridades: a unir gerações desde 2008


"Ursa, depois de muito procurar, finalmente encontrei-te!
Shopping de Viana do Castelo
Beijinhos de uma leitora assídua onde foi a mãe que lhe incutiu o bichinho do blog 

(Sim, a minha mãe começou-te a seguir quando estavas grávida da Ana e também estava grávida do meu irmão mais novo, está outra vez gravida mas isso agora não interessa nada. Desde então não te largamos e és tema de muitas conversas cá por casa. Tipo: san...san..santini que amamos! Beijinhos!)."


Granda veijinho, Mariana e mãe da Mariana!

4'33 (quatro minutos e trinta e três segundos)


John Cage foi um compositor que, certo dia, decidiu entrar numa câmara anecóica para experimentar o silêncio profundo. Uma câmara anecóica é usada muitas vezes para testar a precisão dos microfones, aparelhos auditivos e outros instrumentos de trabalho com o som. Depois de Cage entrar na câmara saiu frustrado: afinal, tinha ouvido dois sons- um alto e um baixo. Assim que saiu da dita câmara inquiriu os cientistas que o acompanhavam acerca da falta de precisão do silêncio e dos dois sons que tinha ouvido, pelo que,lhe foi explicado que o ruído mais alto era o do seu sistema nervoso central a trabalhar e o mais baixo do seu fluxo sanguíneo a circular.
Cage quis ir mais longe na experiência e decidiu compor "4'33" para poder transmitir a complexidade do silêncio. A composição trata-se precisamente de mostrar que a música também é feita de pausas, de silêncio, pelo que o silêncio também pode ser intercalado por música. Assim, "4'33" é uma música que não possui nenhuma nota, sendo composta inteiramente por pausas.
Na primeira apresentação pública desta obra, o pianista convidado para interpretar a peça entrou no palco, abriu a tampa do piano, e permaneceu sossegado; interrompendo o silêncio em alturas próprias e com convicção apenas para mudar a página da partitura.
Numa primeira fase, o público permaneceu imóvel e sereno à espera do´início musical da composição. Depois ficou meio absorto, tentando compreender o porquê do silêncio, mas passados alguns segundos começaram a ouvir-se tossidelas, sussuros, conversas, e, finalmente, o protesto colectivo.
Posteriormente, o compositor explicaria que "4'33" não é uma música composta apenas de silêncio. A música, na realidade, era formada pelos sons ambientes dentro do teatro: pelas tais tossidelas, sussurros e pelo burburinho.
Ou seja, "4'33" é uma música única, pois é diferente de cada vez que é apresentada dependendo dos barulhos da audiência que assiste ao concerto.
Com isto Cage quis provar o que tinha aprendido quando da sua experiência na câmara anecóica: que não só é mais difícil fazer silêncio do que música, de que todas as pessoas conseguem fazer música e de que onde há matéria nunca pode haver silêncio absoluto.

A minha mai-nova entregou a tese

A minha prima mais nova encerrou, definitivamente, o seu percurso escolar hoje: entregou a tese e está preparada para que um juri lhe ateste que, sim senhora, que é arquitecta. Depois de 18 anos de percurso escolar. Dezoito. Nem uma reprovação. Dezoito.
Lembro-me de a levar à escola no seu primeiro dia de aulas, os trolleys eram a última coca-cola no deserto e ela tinha uns óculos maiores que a cara e uma franja catita. Lembro-me da entrada no liceu, das chatices de pré-adolescência, da compra dos livros, ano após ano na papelaria Rui, na entrada no colégio de freiras, da saída do colégio de freiras, do espanto dela querer seguir artes, nem sequer nunca a achei com jeito para o desenho. 
Dos exames do 12º ano, do de Geometria Descritiva naquele dia em que o meu avô morreu, da entrada na universidade, das praxes, minha pequenina crescida, no desgosto dela querer ser cotovia mas da resignação de quem ama depois de lhe ter oferecido o traje- fui eu que lho dei-, das queixas, dos professores marados, dos filmes amorosos, da benção das pastas, do nó na garganta quando lhe assinei a fita, da camisola envergada pela pequena Ana "I love Arquitectura" na Praça do Comércio, naquele dia de confusão, nós na garganta, muitos nós na garganta. 
A minha (prima) mai-nova é agora a mai-velha e entregou a tese depois de meses de trabalho intenso, depois de um projecto que eu adorava que um dia ganhasse vida, depois de ter que ir ler bibliografia para o café à conta do escareceu que a Ana faz cada vez que fica lá em casa da minha tia, depois de lágrims, nervos, ideias em barda e muito suor. 
A minha mai-velha entregou a tese. E eu sou mais feliz agora, orgulhosa que estou pelo caminho que ela traçou e já recomposta dela não me ter querido seguir os passos, tornando-se psicóloga. Porque amar é isto, apropriarmo-nos das alegrias e das tristezas das pesssoas que nos são queridas, comemoramos as suas vitórias como fazendo parte delas. Sei que o meu nome consta na página dos agradecimentos da tese mas quem está grata por ser sua prima sou eu. Grata, orgulhosa e, sim, com um nó comovido na garganta!

Parabéns, Daniela, ézamaior!