terça-feira, 20 de julho de 2010

Cagar é fixe!

Hesitei muito em escrever este post porque sei que meia dúzia de amigos meus e dois ex casos ressabiados (e ainda a ex e a actual namorada dum desses trolhas) cá vêm diariamente ler esta obra ursa e não se deve dar de bandeja trunfos ao inimigo mas não resisto em documentar o dia do meu 30º aniversário.
Comecei a noite a devorar as iguarias que as melhores blogoleitoras do Mundo (as minhas!) me enviaram: desde as chouriças de cebola, à broa de milho com carne alternada com a broa de Avintes, regado com a kima de Maracujá, os massapães e chá Gorreana para calçar o estômago, foi uma alegria como na tropa: marchou tudo!
De manhã, não fosse o organismo entrar em hipoglicémia, houve um bolo improvisado:
Seguiu-se a abertura das prendas, entre as quais a minha preferida:

Esta prenda- a mais especial- vinha acompanhada por um livrinho com a história da Gualdina, a princesa que se recusava a fazer 30 anos (logo à tarde fotografo o livro e mostro-vos), onde no fim tinha um coche à sua disposição, bastando que escolhesse um destino para viver este dia feliz para sempre.
E eu, Pólo Norte, desta feita reencarnada em Gualdina, escolhi assim:

Fizemo-nos à estrada e, de repente, em plena auto-estrada as cólicas (vá-se lá saber porquê...) começaram a apertar. Ah, e eram tantas!
Pólo Norte- palhaça de serviço- começa numa cantilena: "Cagar é fixe! Cagar é fixe!" mas pensa-se que Pólo Norte está a gozar e segue-se caminho. Quando Pólo Norte perde o tom galhofeiro e começa a transpirar e a dizer que "Cagar é fixe e tem que ser jáááá", o condutor de serviço, desnorteado, atira-se literalmente para uma berma da estrada e fica atolado numa duna.
"Bonito serviço!"- exclama o condutor enquanto um smell a fedor lhe começar a chegar às narinas. A Pólo Norte borrou-se.
Saio do carro e vou atrás duma duna aliviar o que falta, tentar limpar-me, dar o  meu melhor. Sou praticamente devorada por moscas e volto ao carro. Ligamos para a assistência em viagem mas não completamos a chamada: um jipe pára na berma da estrada com um cabo de aço para nos ajudar.
O senhor sai do jipe e começa a cumprimentar o condutor. Quando se aproxima de mim, também para me cumprimentar, recuo. Cheiro a bedum que tresando! Fica o senhor a pensar que a loira é mal educada e eu temo pelo recuo da oferta: e se ele se lembrar que afinal já não nos "desatola" só porque eu fui estúpida que nem uma porta e malcriada? Felizmente não.
Restaurante reservado e eu a cheirar mal, que fazer? Chegar à Comporta e procurar um lugar para pernoitar. Mas... hotéis cheios, residencial lotada e nada.
Pergunta-se a um nativo se sabe onde alugar quartos "ilegais" com wc e chuveiro incluídos e, num instante, nos indica que o Zé (nome do dono do restaurante homónimo) aluga quartos no primeiro andar do restaurante a 45€ mas que é tudo muito "limpinho e asseadinho". É o que se quer!
Pólo Norte chega ao bendito quarto, despe-se de imediato, enfia-se debaixo do duche quando repara que não há gel de duche, nem sabonete, nem nada. Pede ao condutor que vá num instante comprar ao mini-mercado um gel de banho.
Meia hora depois (a Comporta só tem um mini-mercado e guess what? Estava fechado!) volta o rapaz com o melhor sabonete de Mundo: Feno de Portugal, aroma da Natureza. Foi uma tal esfrega que até a pele se ia gastando.
Pólo Norte arruma-se, lava-se, enxuga-se, perfuma-se e agora sim: que bom que foi desfrutar da Comporta, este pedacinho do céu na terra!
                                                       
                                                      
                                                       

Vamos jantar que a aventura abriu o apetite, e como já se tinham deitado todas as iguarias cá para fora ... não há nada como repor os níveis de calorias no sangue. E cá foi disto!

                                 

O que é certo é que agradeço, genuinamente, aos meus intestinos pela aventura que me proporcionaram. Pela possibilidade de ver o melhor pôr-do-sol dos últimos tempos. Pela possibilidade de dormir sobre um céu de estrelas e de acordar com o sol a bater-me na pele. De ver o voo picado das cegonhas. De ter a prova provada que a felicidade está nas coisas simples, numa gargalhada improvável, no desfrutar da melhor companhia do Mundo. De perceber que a felicidade até pode cheirar a "Feno de Portugal".  
Que venham os 30 porque se se pisar merda dá sorte, depois deste episódio garanto-vos que ganho o Triplo Jackpot do Euromilhões e Gualdinamente serei mesmo feliz para sempre.

(Todas as fotografias são da autoria da Pólo Norte: admirem-me, sff!)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...