terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O coração também tem um metabolismo próprio (repost)

[O coração faz parte do corpo humano. Nós é que baralhamos tudo- desgraçados!- e confundimos coração com alma, da mesma forma inconsequente como chamamos céu ao sítio onde moram as estrelas e onde descansam os mortos que amamos.
Mas o coração é um órgão muscular e tem metabolismo próprio. E, por vezes, fica doente, consumido pela tristeza que é bombeada juntamente com o sangue que nos corre nas veias. E essa função de bomba não é como a bomba que explode e mata mas antes como a bomba que se usa para tirar água dos poços, aqui é uma bomba que puxa com força a tristeza -e também a alegria- lá do fundo de nós, do furo dos sentimentos que moram no coração muscular e no coração da alma. Também se sabe que o coração é oco e talvez se perceba porque tantas vezes faz eco.
Porque quando o coração fica doente deve-se lidar com ele da mesma forma com que se lida com o estômago que reclama de uma má digestão, pois o coração também digere os sentimentos; ou da mesma maneira como nos queixamos de uma dor de fígado, já que o coração também filtra a alma. Embora sejam conceitos diferentes, repito.
Dar-lhe importância, de forma a circunscrever a dor de coração, mandá-la repousar, medir-lhe a temperatura, tapá-la erradamente com cobertores emocionais para a seguir destapá-la de forma a libertar o calor infernal, oferecer-lhe chá para a alma, canja de galinha para os sentimentos. Porque o coração é um doente exigente e chato, que carece de tempo e de sorrisos, de alegrias e oxigénio, de nutrientes para fortalecer as suas paredes, por forma poder pregar-lhes - sem medo- pregos para se pendurar a imagem de quem amamos.
O coração tem vasos e é preciso regá-los - ainda que com água das lágrimas- para que a terra e o chão que o cobrem não sequem, não morram, não desertifiquem e- mais ainda- floresçam.
E no fim, febre passada, fronte cardíaca fresquinha toca a escancarar as janelas da alma e deixar o sol entrar porque da mesma forma que devemos permitir que o coração fique doente sem o mascarar de falso optimismo, sem desprezar a dor, sem tomar analgésicos que curem os sintomas e não as causas,  de o curarmos com lágrimas e canja de galinha, há uma altura em que - repito- passou o dói-dói. ]

3 comentários:

Daisy Fuller disse...

Adorei, belas palavras. Acho que ainda não ultrapassei a febre mas tenho abusado na Canja de Galinha :) Pode ser que passe. Beijinho!

S* disse...

Tudo passa, tudo passará... Morrer de amor, não se morre. Há que saber superar.

Pipoca dos Saltos Altos disse...

O meu amigo vai ficar bom, e ele sabe disso, ainda que esteja a ver tudo turvo... e este teu gesto foi muito bonito, e ele agradece :)

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