terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Epítetos de uma geração

Quando era adolescente fazia parte da geração rasca. Via-se na televisão pessoal a dizer que não pagava propinas e a alçar do rabinho e a mostrá-lo na televisão. Nunca me revi nessa geração que protestava mostrando o nalguedo.
Agora querem que me enquadre numa geração à rasca. Uma geração que ouve Deolinda e encontra hinos que a descrevam (lamento o meu mau gosto, mas se eu tivesse um hino que me descrevesse seria o "Nasce Selvagem"). Não me revejo.  
Eu sou de uma geração própria e muito circunstancial. A minha geração é a de pessoas que viviam em Cascais e iam todos os dias trabalhar para Vila Franca de Xira para ganharem experiência profissional. A minha geração é a de pessoas que viviam em Lisboa na casinha do papá e trocaram o conforto do lar para ir trabalhar para o Algarve, ministrando formação em cursos EFA a formandos que faziam do subsídio de desemprego uma forma de vida, porque tinham que começar a trabalhar em algum lado. A minha geração é a de pessoas que sendo técnicas começaram por ganhar 600€ a trabalhar todo o dia de pé num laboratório, auferindo menos vencimento que uma administrativa, porque um estagiário tem que se sujeitar. A minha geração é a geração que comprava o Expresso semana após semana, nunca se conformando, fazendo da procura activa de emprego um conceito contínuo, mesmo que já se estivesse a trabalhar. A minha geração é a geração da Margarida, da Rita Maria, da Ana Luísa e da Xana que emigraram, para longe dos amigos e da família, porque sabem que crescer profissionalmente requer esforço e sacrifício. A minha geração é a geração que prefere andar de transportes públicos e ter dinheiro para arrendar uma casa que viver em casa dos pais e ter dinheiro para ir a concertos. A minha geração é a geração que prefere trabalhar numa área que não é a sua que ser uma doutora desempregada e amargurada. A minha geração é a geração que não assume o discurso que a culpa é da crise, é a geração que não espera que o trabalho lhe bata à porta, é a geração que prefere trabalhar e ganhar menos que ficar em casa e ser subsidiária.
Quanto à vossa, não sei. Mas a minha geração é a geração desenrasca.

74 comentários:

Filipa disse...

GRANDE texto! Também sou dessa geração.

.:GM:. disse...

Já sabes que tens a minha concordância nessa tua visão. ;-)

Vita C disse...

Este é sem dúvida dos melhores textos que li à pala do fenómeno da geração rasca, à rasca, mas que vai desenrascando!

Filipa disse...

Linkei lá no blogue. Espero que não te importes...

Rita Maria disse...

Eu fui aumentada hoje e tudo por isso devia estar calada, mas acho que metade foi desenrasca, metade foi sorte. Também sempre encontrei emprego e também trabalhei quase sempre desde os dezoito. Mas acho que sou a excepção e não a regra e não acho que o quinto de jovens desempregados se esforce necessariamente menos do que eu...

Das pessoas que fizeram a faculdade comigo, conheço uma que tem um contrato de trabalho verdadeiro - e portanto uma que pode ficar doente, uma que tem férias pagas, uma que pode discordar hoje do chefe sem ir para a rua amanha. E não acho que se possa construir uma economia ou um país com base nisto, numa quantidade de gente, nem sequer toda da nossa idade, calada e intimidada pela incerteza.

Suspiro do Norte disse...

Subscrevo. Muita urticaria me causou a reportagem que a Sic emitiu...

Espiral disse...

Apesar de concordar com tudo o que dizes, há uma coisa que tenho notado em todos os discursos nesta blogosfera.

Mas desde quando é que quem está em casa dos pais é que são os mimados e finos para ter dinheiro para luxos?

À minha volta só saiu de casa quem:
- já tem um ordenado decente;
- a quem os paizinhos compraram casa;
- quem já juntou os trapinhos pk despesas partilhadas é mais fácil.
- quem não tem hipótese e temo mesmo de arrendar (porque os pais vivem a sei la 800 kms do sitio onde trabalham) e que andam a contar euros e tem que pensar ate nas contas de supermercado se vão comprar comida ou shampoo...

Eu vivo em casa dos meus pais, e ando em transportes públicos e não vou a mil e um concertos, e levo comida de casa para o trabalho, e não compro mil coisas , nem faço mil viagens etc etc. E poupo, tem que ser. Claro que não posso sair de casa, emprego não estável, e depois? Quando deixar de pingar o ordenado volto para a casa dos pais? E a casa que compraria paga-se sozinha? E os móveis da casa que arrendaria iriam para onde? Infelizmente nestas coisas para quem não tem heranças, nem rendimentos de qualquer coisa fixos, não dá para saltos no escuro.

Essa ideia que se tá na casa dos pais porque se está mais confortável é um mito muito estranho.. =/

Tulipa disse...

Subscrevo completamente! Grande texto!

cronicasdesalzburg disse...

Pela idade seria da geração à rasca, mas revejo-me completamente no que dizes ser a tua geração, a desenrasca. Vivo longe dos meus pais, estive até ao final do ano a recibos verdes, finalmente arranjei contrato, e luto todos os dias por um trabalho melhor, um salário melhor, não sou de ficar com o rabo no sofá à espera que me reconheçam. E este pessoal que ganha "pouco mais de mil euros" acha-se mal pago. Pró diabo com eles.

Plim disse...

Gostei do texto!
Por momentos até me perecia o meu pai a falar (shaky). E li umas boas verdades com as quais concordo, que oiço alguns colegas afirmarem e não consigo perceber porquê. Como é o caso de ser doutor e só trabalhar na área! =/

Soraia Montez disse...

Sou muito mais nossa, e faço parte desses que se desenrascam!

Pintas disse...

Maravilhoso...linkei no meu blog.

Rita disse...

Tal e qual!

EU SOU EU disse...

Tirando um ou outro factor...posso concordar contigo na maioria das coisas...realmente eu também faço parte da geração do DESENRASCA... nunca trabalhei na minha área...mas também nunca deixei de recusar trabalhar apenas por isso... Os "putos" da geração RASCA...é que tiveram tudo de mão beijada...nós somos Lutadores...somos aqueles que mandamos...o governo apanhar onde as galinhas apanham...porque realmente sabemos que estando nós lá...faríamos melhor...e não o mesmo disfarçado...

GM disse...

Piquena e "proletariada" há um par de anos, não me veria noutra geração que não fosse esta. Há que abrir os olhos para o que se passa no resto da Europa, e ter uma mente mais aberta.

A Madeirense disse...

Viva ! Adorei o texto e concordo plenamente, somos a geração do desenrasca.

pedro b disse...

eu até ia comentar, mas não vou dizer nada. é melhor.

hierra disse...

E com este texto, eu de facto identifico-me...:)

Vita C disse...

E eu, aos 30, ainda vivo em casa da mãe. É tal e qual o texto da Espiral...

... disse...

Também sou da geração que já perdi a conta a quantos empregos já tive. Sou designer gráfica, tirei o curso há 10 anos, e sempre trabalhei e por incrivel que pareça, só tive um único contracto na minha vida. Já fiz de tudo, desde de trabalhar na área do design,dar formação, trabalhar num call-center, fazer bijutaria, ensinar miudos sobre reciclagem, até fazer bolos para fora. E claro, 90% destas renumerações são a recibos verdes.
Há 4 anos, mesmo trabalhando a recibos verdes, cometi a "loucura" de comprar casa. Agora tenho 2 empregos para conseguir manter e já aluguei um quarto a uma amiga. E ainda faço uns biscates por fora. Porquê? Porque continuo a recibos verdes.
Sou da geração à rasca e identifico-me com a música dos Deolinda porque tenho 31 anos e nem sequer posso colocar a hipotese de ter filhos em cima da mesa. Porque trabalho há 10 anos, e tenho menos agora do que tinha quando começei. Porque não vou a concertos, porque não compro nada por ali além, e porque sei, que por mais que me mate a trabalhar, no fim fico sempre a perder.

Almofariza disse...

Tenho uma sorte do caraças!
Posso morar no cú de Judas, posso de cada vez que quiser ver a capital ter que que desembolsar 270 euros por umas míseras 2 horas de vôo, posso de vez em quando ter uns ataques de stress por não haver nada para fazer, posso não ter a loja x nem a y ou a z onde gastar o meu, mas tenho uma sorte do caraças!

Cadês
Almofariza

Boop disse...

Como em tudo as coisas não são nem pretas nem brancas... existe de tudo:licenciados que não se sujeitam a ordenados baixos nem a trabalhar fora da sua área porque não foi para isso que estudaram, desempregados que ganham mais estando em casa a receber fundo de desemprego que a trabalhar, quem queira e não consiga... Eu trabalho desde os 18, já casada trabalhei ao fds num supermercado porque não dava para tudo e, agora, divorciada estou a tentar arranjar um segundo trabalho para equilibrar as contas.
Felizmente tenho um trabalho fixo, efectiva há 8 anos mas trabalhei para isso!Não desisti nunca...nem quando ao regressar de licença de casamento dei com a empresa onde estava fechada e sem nada lá dentro! Estive em trabalho temporário durante quase dois anos até chegar onde cheguei! Fundo de desemprego? Nunca o recebi... lutei para arranjar trabalho!
Também pertenço à geração Desenrasca e não entendo esta euforia em volta de uma música (que se pretende de intervenção)!
A vida é dificil sim, mas quem disse que seria fácil?

Maggie disse...

E olé!
5 estrelas

Margarida disse...

Não me parece que estejas 100% correcta neste texto, especialmente no que refere ao viver em casa dos pais.
Não vivo em casa dos meus, como sabes. Mas se tivesse essa oportunidade (apesar de não ser algo que quereria para mim) talvez o estivesse a fazer porque não há mês que chegue ao final e eu tenha dinheiro na conta, mesmo privando-me de tudo o que não é estritamente necessário e, por vezes, do que é necessário.
Recebo uns míseros euros ao final do mês e não tenho conseguido mudar de trabalho porque apesar de receber pouco, na maior parte das ofertas de emprego, o base são 500€. Sem dúvida que gostava de ter mais experiência profissional e oportunidades de evolução, mas a receber menos é-me, de todo, impossível. Onde é que vivia? Como é que comia?
O curso de alemão que estou a tirar, numa tentativa de expandir as minhas oportunidades de trabalho, só está a ser possível com grande ajuda dos meus avós. Sozinha seria quase impossível.
Se me queria instruir mais? Estudar mais? Claro que sim, adorava. Mas para isso é preciso dinheiro, algo que não abona por estas bandas.
Apesar de já ter tido um e a coisa não ter corrido lá muito bem, pois andava completamente estoirada, voltei à procura de um part-time. Mas com o meu full-time por turnos e as aulas de alemão, também é difícil encontrar algo compatível.
Tenho-me desenrascado sempre, sim. Mas ando sempre à rasca e mais frustrante que isso não há. Portanto, e apesar de ainda nem ter ouvido essa música dos Deolinda que todos falam, considero-me ser da geração à rasca. À rasquinha, mesmo!

Ruben Alves disse...

+1

H disse...

Eu sou da geração que faltavam 3 cadeiras para acabar um curso superior, fez um estágio não remunerado e achou que trabalhar de graça é para burros e foi para a força aérea ganhar a vida, com 23 anos.Acabou o curso superior que lhe serve de cultura geral.
Hoje 12 anos depois, e mais umas mudanças de emprego, ganha 4 digitos, tem 3 casas, 2 carros, 1 mota, e faz férias no estrangeiro 3/4 vezes, e acha que cunhas, conhecimentos, conhecidos, são desculpas para os que nasceram sem um cérebro sobre os ombros.

Borboleta disse...

Grande texto! Agora andam numa de criticar todas as gerações... Enfim.

Celeste disse...

Arranjar um part-time para pagar os estudos, porque os pais não podem pagar por ti se calhar até é desenrrasca. Mas quando chegas à entrevista e te propõem pouco mais de 200€ é de ir às lágrimas! Não vou em cantigas (não quero saber da música deles para nada) agora que estou à rasca, estou!

May disse...

Não concordo com algumas coisas que dizes aqui. Eu faço parte da geração a que chamam "à rasca". Vou acabar este ano e com muita sorte já tenho emprego à espera. Mas conheço muitos amigos meus que nem 600 euros ganham por mês, e sim o ordenado mínimo. E são licenciados. Pessoas que todos os dias mandam currículos e não arranjam emprego na área porque simplesmente nunca ninguém lhes deu oportunidade de alguma vez entrarem nela. Logo, não têm experiência. Pessoas que trabalhavam 12 horas por dia (na área) durante anos e mesmo assim o máximo que conseguiram foi pouco mais do que os 500 euros. E sim, muita gente que mesmo tentando enveredar por um negócio próprio teve de o fechar, simplesmente porque não há trabalho nos próximos anos em certas áreas. E viver em casa dos pais? Claro! Ou vendes droga ou não consegues viver com esse ordenado, a menos que os teus pais te ajudem. Acho que somos mais a geração dos 500, o que nos leva estar à rasca.

Toonman disse...

nunca tive um emprego.
acho uma coisa muito século passado.
mas o facto é que o estado me fica com mais de 50% do que ganho sem me dar grande coisa em troca.
nem apoio na doença, nem subsidio de desemprego, nem licenças do que quer que seja. a educação é uma miséria (mas isso é outro assunto), a saúde uma piada.
o problema não é a falta de emprego, que isso de ter emprego é uma tanga. o problema é mesmo a má redistribuição da riqueza, que vai toda para o bolso dos mesmos.

mara disse...

Até é bem verdade que há gente que não se esforça, mas acho que passou mesmo de "desenrasca" a "à rasca" porque dizem que aceitaram trabalho aqui e ali e estágios não remunerados mas finalmente arranjaram alguma coisa pelo que vejo, por isso não entendem os que estão mesmo à rasca e acabamos ignorados porque se os da nossa própria geração nos menosprezam quanto mais o resto do mundo.

Porque quando se passam mais de dez anos a fazer aceitar qualquer coisa, quando as bolsas de emprego do governo abrem 3 vagas para a tua área quando se formam perto de 2200 pessoas/ano e privadas apenas há 400 pequenas empresas da tua área (3 trabalhadores), quando 75% dessas mesmas empresas privadas põe pessoas não habilitadas a desempenhar as tuas funções porque é mais barato e não há fiscalização, quando vês pessoas que foram teus caloiros a entrar em empresas "de sonho" quando estão a zero e tu tens um bom currículo e coincidentemente têm lá uma tia (não me venham dizer que cunhas são desculpas são mesmo a realidade e nem imaginam como), quando já não se tem dinheiro nenhum (como vais pagar uma casa com um estágio não remunerado fora da tua terra?), quando não tens amigos porque mudaste tantas vezes de terra que não consegues fixar amizades, não se pode ter marido porque se tens alguém ele também está assim, quanto mais filhos mas estás a chegar à idade limite, quando já começa a faltar a saúde e não podes ter seguro, quais são as perspectivas para o teu futuro e para o do país? Aí é à rasca, é à rasca mesmo!

Soni Materazzi disse...

Muito bom. Gostei mm, até pq acho q todos aqueles q nos esforçamos, lutamos e nunca baixamos os braços nos sentimos um bocadinho "desenrascados".

Encontro-me numa situação contratual p lá de precária, eu diria mm, filha da puta, e não, n mereço, sei q não. Pq trabalho, mto, esforço-me e dou sp o litro, infelizmente as entidades patronais gostam de aproveitar até mais n a precariedade.
Mas tb sei como posso resolver isso...e assim o vou tentar fazer. De cavalo p burro n ando, mas quem procura sp alcança(já quem espera...)

Consegui sair de casa dos meus pais, e n me vejo a voltar p lá mm q perdesse o emprego, até pq trabalho vai havendo, às vezes acho q falta é mm quem queira trabalhar.

Com isto claro n digo q n concorde q as pessoas se manifestem, pelo contrário. É uma atrocidade o q as entidades patronais fazem, os ordenados q pagam e aquilo a q sujeitam um bom profissional.

Mas receio q a grande maioria dos q se manifestam mais avidamente, sejam, talvez, aqueles q menos se esforçam e q menos fizeram pela vida.

Há situações fudidas? há sim senhora, mas também há quem se meta a jeito...

Me,myself & I! disse...

Entendo o que queres dizer,mas honestamente e devido à conjectura financeira actual muitos "desenrascados" estão "à rasca"!

H disse...

Uma das características destas gerações é a sua capacidade de "chorar", nunca vi tanto choradilho de desculpas para nada melhorarem a sua situação.
Não sei quem educou estes seres, mas fez um péssimo trabalho, agora é vê-los a definhar ainda em estado imberbe, como se dependesse de outros a salvação e não deles mesmos.
Como se diz nos filmes : Grow a pair, isto tanto para os inutéis que tiraram cursos, convencidos que a sua vocação é passar de estágio em estágio como para as princesas, que acham que entre elas e as personagens de Sex and the city, está só uns bons pares de dias a apanhar bronze no Algarve, sem nunca trabalhar.

JP disse...

Vais agora dizer-me que antigamente é que era, que o pessoal era mais isto e mais aquilo?
Oh ursa essa conversa é fácil de mais, na tua geração também havia muita dondoca e muito menino da mamã, aliás em todas as gerações os há. Não é a geração que marca as pessoas, mas sim as pessoas que marcam a geração.
Ainda te digo mais, tenho um primo com 31 anos e ainda mora com a mamã e como ele muitos.

lampâda mervelha disse...

Mais de três centenas de máquinas passaram-me pelas mãos em 2010. Pois é, nada como arregaçar as mangas.

A miúda das letras disse...

Concordo. Citei-te no meu blogue.

Sílvia disse...

Concordo com muito do que aqui dizes, mas existem coisas em que discordo totalmente. Não posso falar muito, a minha experiencia profissional, é basicamente zero. Acabei o curso, optei por seguir mestrado logo a seguir, estou a meio dele e no fim vou fazer o que? Nao sei, não faço ideia, mas de certea que vou trabalhar em alguma coisa, não tem que ser na minha área porque se esperar por isso, bem que estou um bom tempo sem fazer nada. É lixado para alguem que andou anos a estudar ganhar mal, mas temos que começar por algum lado, não interessa se é a lavar escadas ou naquilo para que estudamos. Mas também acho ridiculo que em muitos casos se excluam pessos de alguns empregos porque têm habilitações a mais... é como tudo, temos mesmo que ir à luta e agarrar o que nos aparece pela frente. Se isso nos leva a algum lado? em muitos casos infelizmente não. Não conseguimos nada nosso e passamos o mês a contar os tostões. E aí não posso concordar que só fica em casa dos pais quem é mimado. Hoje em dia fica em casa dos mais quem nao ganha dinheiro para se conseguir manter, infelizmente é a realidade. E isso sim entristece-me. Se gostava de sair? Sim adorava, mas nos p´roximos anos não vejo isso como uma realidade próxima. Eu, a quem nunca tinha passado pela cabeça a ideia de emigrar no fim do mestrado, equaciono cada vez mais essa hipótese. Não digo pra sempre, mas pelo menos por uns tempos, para ter alguma segurança financeira. E porque não se a minha área oferece bons trabalhos fora? Vejo o exemplo básico de um colega de curso que está em boston numa das melhores universidades do mundo na área a trabalhar e sinto um enorme orgulho dele pela atitude que tomou. Não teve medo de arriscar e eu espero sinceramente perder o meu até acabar o mestrado, porque infelizmente o meu país não me dá garantias nenhumas e não sei onde isto poderá ir parar. Se me deixa triste? Muito, mas é o que temos...

Anira the Cat disse...

Eu não acredito que esta geração (que é também a minha) esteja mais à rasca que as outras. Simplesmente esperavam mais e receberam menos...Picos de desemprego sempre houve, mas agora afectam os licenciados porque há muitos mais e não há mercado para todos. O canudo já não é garantia de nada, mas a "Geração Rasca" parece que ainda não interiorizou isso...

Muito mais haveria a dizer, isto dá pano para mangas, mas por ora fico por aqui.

Bjokas

Isis disse...

Subscrevo. Da geraçao em que não havia pc's, nem telemóveis. Da geração em que se andava de transportes públicos ou a pé. Da geração em que para "desenrascar" uns trocos, se davam explicações nas disciplinas em que eramos bons. Da geração,em que se tiravam cursos de dactilografia (!) e estenografia (!) e começavamos num qualquer escritório, nem que fosse em part time. E sim, como tantos outros trabalhava de dia para poder tirar o meu curso à noite. Conjuntural? Estrutural? Tudo isso? Nada disso?

Rafa disse...

Tenho de comentar. Gabo-te a destreza verbal neste post, não só pela maneira como escreveste - directa e sem grandes floreados - mas especialmente pelas tuas ideias, que são de facto semelhantes às minhas.
Saí de casa dos pais aos 17 anos quando fui estudar para a universidade, como tanta gente por este país fora. Estudei 4 anos e tive a sorte/privilégio/merecimento de ganhar uma bolsa Erasmus e fui para Itália fazer cadeiras extra-curriculares. Nunca chumbei na vida, nunca perdi tempo nem fiz perder dinheiro aos meus pais que me sustentaram.
Licenciei-me em Junho de 2006 e a partir desse dia os meus pais nunca mais me deram um tostão. Um único tostão. Criaram-me e educaram-me assim: deram-me as ferramentas para eu fazer algo com a minha vida e não paparam grupos, não me iriam sustentar mais.
Estive 2 ou 3 meses em casa deles depois de Erasmus a tentar encontrar trabalho, mas Portugal não era/não é generoso com pessoas da área de línguas/tradução. Em vez de amaldiçoar a minha escolha de merda do curso que tirei, pus-me à procura e encontrei trabalho em Itália. E mudei-me para lá, onde comecei a minha carreira e vivi 3 anos.
Muni-me de novos talentos, conheci metade do mundo e ganhei estaleca. Regressei a Portugal há um ano porque eu decidi e porque me apeteceu.
E encontrei trabalho em menos de 1 mês. O primeiro a que me candidatei, fiquei e deram-me contrato efectivo. Se estou feliz? Nem por isso, quero mais, quero mais. Nunca estou satisfeita com nada o que é o passaporte para a infelicidade, mas sem dúvida é o melhor caminho para a evolução.

Tânia disse...

Se é uma geração à rasca? Sim é. É bastante complicado pagar contas quando te apresentam estágios de 150€, e quando tentas as restantes áreas (sim porque há que trabalhar) tens qualificações a mais. Eu sou da geração à rasca, mas trabalho desde os 15 anos, formei-me entre trabalhos em restaurantes, lojas, e afins. Para uma percepção mais real, aos 15 anos ganhava em 2 semanas mais do que agora num mês a contrato. Concertos? Só de entrada livre, sim porque entre pagar a renda e ver concertos, a renda vem primeiro. Carro? só quando precisei para me deslocar para um trabalho, ando todos os dias mais de 200km em transportes públicos para trabalhar. Se há meninos da mamã a chorar de barriga cheia? Sim, como houve e haverá em todas as gerações. Não é isso que está em causa. O que está em causa é que para trabalhar pedirem-te o domínio de imensas linguagens e programas (na minha área a média, nas ofertas de emprego, andam à volta de 15 e depois em troca toma lá 300 eurinhos a recibos verdes, "que depois nós falamos mais lá pra frente para ver como fica a tua situação".
Para mobilar a casa com o mínimo, tive que recorrer a umas rifas e vende-las entre amigos, para ter €.
Sempre me orgulhei de me desenrascar mesmo nas situações mais complicadas (e não me venham com coisas, que aprendi cedo a não depender da mãezinha quando o meu pai morreu), mas torna-se complicado com empresas a aproveitarem a oferta de mão-de-obra em troco de nada.

.:GM:. disse...

Não há paciência para os "coitadinhos" deste mundo".... Não nasci em berço de ouro, longe disso, via os meus amigos com isto e aquilo, e os meus pais sem possibilidades de me oferecerem o mesmo. Ensinaram-me a estudar, a trabalhar e a lutar pelas coisas. Hoje em dia posso-me gabar da vida que levo, e nunca foi por ter tido as coisas facilitadas, mas sim por ter lutado SEMPRE! Os que mais se queixam, são os que menos fazem!

quica disse...

Não me lembro de ter pertencido a uma geração rasca, ou à rasca e agora não me enquadro no desenrasca.lembro-me de pertencer a um grupo de pessoas que tinham sonhos, que bebiam que nem loucos (vinho ao copo) com 15/16 anos (agora é mais vodka preta) e ficava em tertúlia a falar sobre o existencialismo da vida.As gerações em que nos enquadramos dependem muito do nosso ciclo de amigos e familia. Verdade seja dita que muitos desses meus amigos ainda continuam congelados com o copo de vinho na mão com pensamentos existencialistas; outros andaram para a frente.Eu andei para a frente e bem. Com gosto e bom gosto, com ironia inteligente, que não se alapa no sofá a dizer "é o pais que temos" mas que também não lhe sai qualquer bujardo da boca para fora só porque sim. A malta pensa. A malta estuda o caso. A malta age.

(cont num comentário abaixo)

quica disse...

Eu sou da geração que não acredita em maiorias absolutas e como tal vota sempre nos "pequeninos", não acredito em ideais e repugna-me a ideia de catalogarem em qualquer categoria, seja ela qual for. E porquê? Porque eu sou uma incoerente - obrigado, com muito gosto - estou sempre em constante evolução, recuso-me a ficar parada no tempo e hoje posso gostar de sardinhas e amanhã não. Mas sei dizer porquê. Acredito profundamente na incoerência como meio de crescimento e evolução e daí recorrer-me variadíssimas vezes do Oscar Wild "a coerência é a virtude dos imbecis". Compreendo que muitos não entendam isto. Até porque para muitos, a maioria talvez, as palavras significam exactamente aquilo que vem no dicionário. Quanto a mim, transformo-as em contextos e não faço das palavras matemática.Por isso à rasca nunca estive (a não ser para fazer xixi). Já estive na merda - chamemos as coisas pelo nome delas. Já gritei por socorro, e agora o que é que eu faço? e porque me meti eu nesta profissão? E já barafustei, e chorei e quase fui ao programa da Oprha derramar lágrimas e dizer "ninguém me entende, eu estou na merda, eu escolhi mal, eu vou fugir para o Bali, ou para uma praia qualquer e servir cocktaisl". Já me revoltei. E revolto, mas de uma maneira diferente. Agora sei revoltar-me de forma a que me ouçam.
Saí de casa dos meus pais aos 20 anos e estudava a na mesma cidade. Saí porque sim, porque fez sentido, porque quis ir viver com colegas, partilhar casa. Se pensarem bem, só quem nunca viveu fora da casa dos pais sabe que a opção de viver com eles não é de maneira alguma a mais confortável (a não ser na logistica, talvez). Para se ser gente, tem de se ser livre. Falo muito em liberdade, acredito nela. Liberdade não significa não ter horas para chegar a casa. Liberdade significa poder de decisão.
Eu já trabalhei em restaurantes, numa gelataria, já entreguei amostras de perfumes e mais faria. Não por desenrasque. Mas porque me recuso a ficar parada. E em todos esses trabalhos me diverti e muitas histórias tive para contar aos meus amigos.Felizmente há 3 anos atrás decobri que sou multifacetada (até lá pensava que só sabia fazer teatro) e libertei-me de um peso, é que sabem? nós, os actores a sério (vou explicar: eu comecei há quase 20 anos, não havia tv, eu sou das que sofre horrores na construção de um personagem e sou das que digo que estudo interpretação e não representação. nada contra a tv, até porque já fiz, muito pelo contrário, mas estar em palco, e todo o processo e ensaios está no sangue, é uma necessidade visceral, que a maioria hoje não tem), mas como dizia, nós os actores a sério somos altamente masoquistas e olhem que o trabalho não abunda. E somos constantemente criticados, segundo a segundo e ou temos força ou a nossa auto-estima vai-se assim...pufff. Daí a maioria dos actores tomarem xanax (acreditem) são todos uns deprimidos.Eu pertenço ao meu clube. Ao clube das que sofrem como qualquer pessoa. Das que diz mal da vida muitas vezes. Das que chora baba e ranho a ver anúncios da evax. Mas também que se levanta no segundo seguinte e que se ri de si própria, e dá ânimo a todos, incluindo a si mesma. Não me desenrasco, porque a desenrascar seria infeliz. Prefiro viver e dizer que isto que estou a fazer é espectacular, seja o que for, mesmo que seja lavar escadas. Porque vai haver um dia em que deixarei de lavar escadas e quando esse dia chegar estou forte, porque andei feliz, e não fraca porque me andei a desenrascar infeliz da vida.
(continua no cometário abaixo)

quica disse...

pertenço ao clube que acredita na felicidade. Pertenço ao clube das ansiosas e medrosas, que treme como varas verdes mas vai.
Cada um deve saber de si. Há uma frase de uma música que diz "não tenho paciência para aqueles que choram de barriga cheia". Porque esses também existem aos montes.
Sou impaciente e exigente com as pessoas, como sou comigo mesma.
Portanto, para mim, não se trata de trabalhar aqui ou ali. O meu maior medo na vida é a frustração e é dela que fujo a sete pés.
Trata-se de escolher como se quer estar na vida, tendo consciência que há dias em que vai tudo pelos ares e há outros em que os passarinhos cantam lá fora.Fugi ao tema? Que mania que eu tenho de fugir a temas, bolas.
Eu sou da geração da letra desta música, da forma viva desta mulher, da paixão desta mulher. Sou da geração das pessoas que gostam de vibrar e se arrepiar e sentir. É dessa que eu sou.

Aqui fica a música:

http://www.youtube.com/watch?v=PgHtCGxfNn8&feature=related

Rafeira disse...

Olá Pólo Norte,

Ainda ontem dava os meus parabéns a uma ex-formanda que saiu de casa para ir fazer um estágio na Alemanha.
Sou socióloga, trabalho a recibos verdes (e sim contra estes tenho feito mil bate-pés) mas trabalho nunca me faltou até porque sempre projectei o meu umbigo para chegar sempre mais longe.
Não resisti e já deve ter visto que partilhei o seu artigo na minha pagina do Facebook.

Maria João

Maria Inês disse...

Eu acho muito bem que as pessoas usem o direito democrático de se manifestarem contra os senhores que têm o rabo alapado em São Bento, na Assembleia, etc e tal. Mas e que tal desalaparem o seu próprio rabinho do sofá em dia de eleições e exercerem o dever que é o voto? "Ai, que está a chover!", "Pois, não muda nada.", "São todos iguais." é o que mais se ouve.
Talvez até sejam todos farinha do mesmo saco, mas eu não abdico de algo que considero mais um direito que um dever, pelo qual se lutou tão afincadamente e de que se fala como um motivo de orgulho para o país. País esse que tem na abstenção a grande vencedora das eleições (corrijam-me se estiver enganada, sff). Alguém me explica a incongruência de tudo isto? Para que é que me vou manifestar contra alguém em quem não votei? Ou se não votei de todo, para que é que vou sequer sair à rua? Não vai estar frio, ou a chover no dia 12, não vou ter coisas mais interessantes que fazer? Ou quando é para reclamar e pedinchar direitos considerados adquiridos essas desculpas já não contam?
Eu, que me fiz à vida por outras paragens, orgulho-me de ser cidadã de um país onde ainda existem eleições democráticas, na altura em que é devido, sem adiamentos que não se explicam.
E não, não é conversa de emigrante, neste assunto o meu discurso é o mesmo desde sempre. A 1ª coisa que fiz no dia dos meus 18 anos foi ir recensear-me. Se tenho voz activa, uso-a. Ponto.

Me disse...

Fenomenal. Volta e meia consegues surpreender-me (nos) ainda mais um bocadinho. Obrigada por isso! E obrigada por teres definido finalmente uma geração onde me enquadro!

Tio do Algarve disse...

Acho que também sou dessa geração, excepto na questão dos 600 euros. Aliás, 500 €, para a maior parte da rapaziada que acaba os cursos agora. E com mestrado, vê só...
Mas no meu tempo, o Expresso Emprego tinha muitas páginas, e nós fazíamos qualquer coisa que desse dinheiro. Agora não, sinto pelas pessoas que entrevisto e não por qualquer estatística.
Gostei de ler, como sempre.

Miss G. disse...

Concordo em parte com o que dizes. Mas não concordo com outra parte. E em vez de me estar a estender aqui no teu espaço escrevi um texto no meu sobre todo este assunto.

SuperSónica disse...

Estes textos são magníficos, (este e o outro mais acima), onde nos revemos em muitos aspectos...
Só te digo uma coisa: Avé Polo Norte!

Velho Barreiro disse...

geração rasca, à rasca e desenrasca; tripolar portanto e não quadripolar! rs
muito bom o seu blogue, parabéns

Anónimo disse...

Porque mais que uma geração á rasca ou desnrasca somos uma geração de conformistas! E então pqe não apoiar aqeles qe qerem levantar a voz e tentar lutar por algo qe muitos daqeles qe aqui comentaram nao tiveram coragem de o fazer? Porque a situação é complicada para todos, a precariedade de emprego é cada vez mais habitual nas nossas vidas e muitos de nós sujeitam-se a tal, claro que temos contas a pagar e claro qe nos temos de desenrascar como dizem, mas já pensaram qe muitos jovens ainda não tiveram oportunidade de se desenrascarem? agradeçamm então por terem tido a oportunidade.
Porque não há tempo para conflitos e para críticas entre gerações, todos sofremos de um mal comum desde desempregados, estagiários, estudantes que neste momento nao vêm qalquer saida e que poem mesmo em causa se vale mesmo apena estudar e tirar uma licentura para depois nao terem emprego. E porque nao se esqeçam meus caros que para qalquer licenciado mesmo que se queira desenrascar e ir trabalhar atrás de um balcão é muito complicado porque nao os aceitam facilmente por terem licenciatura e pelo facto de por lei terem direito a mais remuneração.
Acho que neste tempo estamos todos de coração nas mãos em relação ao futuro e nao tamos a falar de "coitadinhos" nem "filhinhos da mãmã" estamos a falar de jovens qe se vêm de mãos atadas sem poderem agir face ás más políticas de nossos governantes!
Por isso dia 12 manifestarei contra tudo isto porque nao é uma geração que está em causa, é todo o país é a geração desenrasca, é a geração á rasca, é a geração do 25 de abril, se ninguém agir claro que continuaremos na precariedade!

Ninó Emengarda disse...

A ursa acerta sempre na mosca, caramba. Miuda, tu estas la... completamente. Props pra URSAAAAAA!

Anónimo disse...

Pelo que li e pelo que entendi, é que a tua geração (ou a história da tua vida), em vez de "alçar do rabinho e a mostrá-lo na televisão", baixava da calcinha e deixava-se "enrabar". Porque uma coisa é desenrascares-te e deixares andar...Pois, podias para além de te desenrascares mediante as circunstâncias, também protestar e "lutar" para mudar as circunstâncias...Ou seja, desenrascaste-te e acomodaste-te...

Pólo Norte disse...

Anónimo,

Se lê este blog há mais tempo já deveria saber que sou apologista do sexo anal: nada de novo, portanto...

(Sim, também tentei ajudar o Mundo e por isso segui Psicologia. Depois percebi que o Mundo tem que se ajudar a si próprio. Mas o problema deve ser meu. Egoísta, pá!)

Pólo Norte disse...

Quanto ao anónimo das 17:45 acrescento, respeitosamente, que a minha manifestação fez-se no último dia 23 de Janeiro: levantei o cú do sofá e fui votar. Pena que muita gente não tenha feito o mesmo. Esses que se manifestem.

Um beijinho

Things disse...

Excelente! Dizes-te a verdade, que muita gente prefere ignorar!

Anónimo disse...

Engraçado, as opiniões diferem. Eu entendo a música como de intervenção sim, mas não como uma ofensa a esta geração. Para mim, é uma constatação da forma como este país tem sido mal governado, da forma como exploram especialmente os jovens licenciados, da forma como corrompem toda e qualquer lei sem qualquer tipo de fiscalização. Porque as empresas querem gente formada, querem ter lucros à custa da geração licenciada e, portanto, mais capacitada (por princípio) para desenvolver trabalho especializado...mas pagar que é bom, tá quieto. Também acho que temos de ser desenrascados, procurar, investir, desenvolver, mas ser roubados e explorados não e entendo a música dos Deolinda como um apelo à honestidade dos empregadores para com os seus colaboradores e como uma incitação à juventude para voltar a mostrar os rabos a este governo (e outros parecidos).
E não se esqueçam que não é só esta geração que está "à rasca"! É também a geração que em breve vai precisar de medicamentos comparticipados, consultas no SNS, reformas e serviços públicos de toda a ordem...nessa altura: contribuintes,cadê?

Anónimo disse...

Comentário muito pobre! Muito mesmo!

INES disse...

A questão aqui é a forma como sustenta a opinião. Não sei se conhece muita gente desempregada que faz tudo e mais alguma coisa para se safar. Eu conheço.E lamento que a sua geração não tenha feito os possiveis para seguir a carreira para a qual estudou. Não é uma questão de ser doutora ou não.Trata-se de tentarmos fazer aquilo que gostamos, aquilo para o qual estudámos. E isso é cada vez mais dificil. É por isso que tenho uma amiga biologa a trabalhar numa seguradora. outra amiga a trabalhar num café. É assim. As pessoas desta geração tentam safar-se, ao contrário do que diz. E tendo em conta que este é um assunto muito sensivel para mim...sim é o sufieciente para deixar de ler um blog. Cada um tem o direito a mostrar o que pensa. E esta é a minha opinião. e já agora não falem sem conhecimento de causa, nem generalizem. Estamos à rasca sim, mas não somos parvinhos.

Ps- desde que saí da faculdade já enviei mais de 100 cv. muitos mais. já bati a porta, já mandei mails etc. Por isso agradecia que parasse de dizer que as pessoas desta geração se acomodam. Por favor! Que falta de noção das coisas. Acomodar?? AHAH
E nós não nos queixamos propriamente de estágios não remunerados. O problema é que hoje em dia só nos oferecem estágios, não remunerados na maioria. e nós passamos a vida a fazer estágios, atrás de estágios NAO REMUNERADOS!

Pólo Norte disse...

Cara Inês,
A forma como sutento a minha opinião é baseada em experiência. Experiência real que, aliás, descrevo no meu blog. Se conheço gente desempregada? Conheço. Se conheço gente que encontrou estratégias alternativas para fugir do desemprego? Também,.
E, sim, a minha geração (aquela em que me revejo) fez, com toda a certeza, os possíveis para seguir a carreira para a qual estudou. E em alguns casos, face a muitos constrangimentos, teve o bom senso de redireccionar essa mesma carreira. De procurar alternativas. Sabe porquê? Porque se desenrascaram. Ultrapassaram a frustração e seguiram em frente.
Se eu gostaria de ter sido decoradora de interiores? Com certeza. Quer que continue a falar-lhe de se tentar fazer aquilo de que se gosta?
Eu não digo, em parte alguma, que as pessoas desta geração (qual geração?) não se tentam safar. Digo, aliás, que as pessoas da minha geração se desenrascam, que acaba por ser um sinónimo de, que se safam.
Se quiser deixar de ler um blog, deixe. A escolha é sua. Essa atitude, com toda a certeza, legitimar-me-á a ter uma opinião de si que não se enquadra na geração onde me revejo. Logo, não faz qualquer sentido discutirmos as nossas opiniões porque nunca chegaremos a um consenso (também não o procuro, acredite).
Se cada um tem o direito a mostrar o que pensa, porque me sugere que deixe de opinar acerca da sua geração (a que se revê)? Contra-senso, querida Inês.
Quanto ao conhecimento de causa, é ler o meu post "Conta-me coisas daquilo que eu não vi". E a propósito, um conselho de amiga, se mandou 100 CV's e não teve resposta: mande mais 100. Mande até não haver mais sítio para onde enviar. Um dia chegará lá.
Boa "sorte".

iPlagiator disse...

A minha geração é a geração que prefere trabalhar numa área que não é a sua que ser uma doutora desempregada e amargurada. A minha geração é a geração que não assume o discurso que a culpa é da crise, é a geração que não espera que o trabalho lhe bata à porta, é a geração que prefere trabalhar e ganhar menos que ficar em casa e ser subsidiária.
Quanto à vossa, não sei. Mas a minha geração é a geração desenrasca.

estes últimos pensamentos são o reflexo dos meus.

Não sei qual a idade do(a) escritor(a), até podia ter 5 anos ou 79 e estar reformado(a).. mas é o mais acertado a meu ver, o mais realista.

iPlagiator disse...

(...)Ultrapassaram a frustração e seguiram em frente.(...)

Acho que é aquilo que custa mais a toda gente fazer, incluindo eu.

Maria Papoila disse...

Muitos parabéns. Estou completamente de acordo e estás citadíssima no meu blog.

Obrigada pela clarividência.

Helena de Troia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Helena de Troia disse...

hmm

Helena de Troia disse...

Epá..isto no seguimento do artigo da querida Isabel stilwell caiu assim mal.
"A minha geração é a geração que não assume o discurso que a culpa é da crise, é a geração que não espera que o trabalho lhe bata à porta, é a geração que prefere trabalhar e ganhar menos que ficar em casa e ser subsidiária."

Nunca esperei que o trabalho me batesse à porta, antes tivesse sido assim, e fosse no presente. Sendo Técnica Superior, trabalhei 2 anos quase como escrava onde nem 600€ recebia, e não estava nem perto da minha área. Acordava às 05.30h da manhã para estar às 08h em Lisboa.. durante 2 anos! Todos os dias! Sendo que 1 ano, desses dois, a tirar pós-graduação e a ter aulas até à meia noite 3 dias por semana" TODOS os dias faço uma procura mais que activa de emprego, porque estou num estágio profissional (na minha área uh uh, finalmente) que está a terminar, e já não me lembro de mim antes de passar todos os dias agarrada aos jornais e ao computador e aos sites de emprego, mesmo enquanto vou trabalhando noutras coisas. Eu já tirei pós-graduações,tenho média de 17 e estou em inumeros projectos (porque quando trabalhamos de graça é tudo uma maravilha e todos nos abrem as portas) e quase nem tenho tempo para dormir, a ver se quando acabar o estágio alguém decide ser fofinho e abrir-me as portas ao mundo bem remunerado.
Portanto, acho que a sua geração e a MINHA geração têm mais em comum que aquilo que disse. E o seu artigo poderia muito bem ter sido incluido nas palavras da querida Jornalista do Destak, dado que pegou num tema bastante controverso e o ridicularizou à sua maneira.

Fusível Ativo disse...

As gerações hão de ser sempre apelidadas de alguma coisa e, a única coisa que me chocou até agora foi "geração parva", porque de parvos não temos nada. Pudemos estar à rasca, ser rasca ou desenrascados, mas parvos nunca (aliás, nunca houve tantos licenciados em Portugal)

http://fusivelativo.blogspot.com/

Claudia disse...

No meio deste mar de comentários dou-te os parabéns e deixo-te a minha opinião: http://semchave.blogs.sapo.pt/78174.html

hypno disse...

Acho que o autor se afunda numa certa nostalgia, e falha em ver que tudo faz parte da nossa evolucao. Claro que um dos objectivos da humanidade e melhorar as suas condicoes de vida, e se houve tempo em que tinhamos que andar constantemente a procura de emprego e a sujeitarmo-nos a certas condicoes de trabalho para podermos ter uma vida razoavel, hoje em dia com menos esforco conseguem-se obter mais resultados, sobrando mais tempo e recursos para o lazer, e ha tambem mais recursos alternativos para quando as coisas nao nos correm pela melhor.
Se hoje vemos grande diferencas entre nos e os nossos filhos, e sendo a nossa evolucao exponencial, os nossos filhos verao uma maior diferenca para com os nossos netos.
Tudo isto faz parte do nosso processo evolutivo, e eu continuo a achar que em Portugal se continua a andar demasiado agarrado ao passado, a velhos habitos e costumes anti-evolutivos, e enquanto ainda houver gente daquela que diz "No tempo de Salazar num era nada disto"...
Mas em fim... na minha opiniao a crize em Portugal nao e uma crize economica mas sim uma crize de mentalidade e consciencia.

Rafael disse...

Tenho 35 anos, casado, sem filhos, licenciado, profissional liberal, arrendo um T2 em Lisboa, tenho um Clio de 2007 e o meu rendimento mensal, em média, ascende a Euro 1.300,00, tal como a minha mulher. Não tenho cor política e o meu voto é dirigido a quem notoriamente tem tido uma boa performance política. Situado que estou no tempo e no espaço, aparentemente não tenho razão para me queixar... no entanto, a queixa, a crítica e o facto de estar atento ao que me rodeia faz com que seja solidário com quem não se encontra na minha situação, que não sendo perfeita (pois também não sei o dia de amanhã), permite-se estar em permanente contacto com quem, acreditem, sofre. Factos: 1. Quem estudou tem mais facilidades em vencer no mercado de trabalho. 2. Os vínculos laborais são inquestionavelmente precários, conduzem à imprevisibilidade a curto, médio e longo prazo. (Ex. O Min. das Finanças contrata tradutores a RV, findo o limite de renovações ou até ao prazo máximo legal de 3 anos, são simuladamente dispensados sem, obviamente, qualquer compensação. Acontece que, no dia seguinte os mesmos são novamente contratados (fraude à Lei), permitindo assim que o "contador" volte a "0". Este é o Estado, imaginem o sector privado. 3. O mercado imobiliário padece de uma sobrevalorização sem precedentes (especulação bancária) e o de arrendamento idem. 4. A taxa de IVA, IRS e IRC são anormalmente elevadas para o PIB nacional, tornando-se autênticos produtos financeiros do Estado. 5. O crédito cedido a pequenas e médias empresas é inqualificável e desincentiva a criação de riqueza (empregos, inovação, etc). Contudo, a banca oferece os seus serviços (€73.000.000,00) a um conglomerado nacional para investir a lá fora (v.g. Expresso). Neste caso, os "jovens" nem sequer equacionam a carreira de empreendedor. 6. Se os pais tiverem dinheiro e influência, então o problema de emprego e sustentabilidade do mesmo nem sequer se coloca. 7. O esforço, dedicação, profissionalismo, educação, fidelidade e "bom coração" não são sinónimos de sucesso. Podem ajudar, mas não são garantia. Neste caso, um bom aperto de mão é coisa do passado. 8. Hoje não há empregos para a vida, graças a Deus! Foi a geração dos "empregos para a vida" que nos empurraram para este buraco. Tanto crédito foi contraído “a cavalo” na segurança do posto de trabalho que os bancos na década de 80 acharam que aquele serviço tinha "pernas para andar" mesmo sem garantias… pelo menos até 2008. Esta lista de factos é como o Universo, encontra-se em permanente expansão. Por fim, tenho que deixar uma palavras a alguns dos grandes "heróis" desta blogosfera, aos que se mexem, que não ficam quietos à espera que o trabalho venha ao seu encontro, aos não resignados, aos que saíram da casa dos pais, enfim... aos yuppies que por se terem dado bem, diga-se, como eu, acham que lá fora só há preguiçosos que querem ir a concertos, beber uns copos e estar no conforto do Lar. Pois bem, se, não obstante os meus esforços e dedicação, volvidos 3, 4, 5, 6 anos da minha licenciatura não conseguisse vencer, eu também ia a todos os concertos, bebia uma "catrefada" de copos e, mais, ainda gozava com os "símios" todos que acham que sair de casa dos pais, ter trabalho, ganhar bem, foi graças à sua determinação e perseverança e faz deles uns homenzinhos. Eles existem, mas são uma minoria, na sua maioria escravos. Não somos carneiros, o homem inteligente adapta-se ao meio que o rodeia. Se essa percepção passar pela revolta, manifestação de angústia, incerteza, necessidade imperativa de denunciar o que está mal: Então não se calem! A história revela que o Homem sempre progrediu cada vez que se fez ouvir: Esta é a definição de justiça. Aos novos e velhos deixo um abraço. Rafael M. Lopes
Nós somos aquilo que criaram, para o bem e para o mal.

Tânia disse...

Concordo com tudo o que escreveu...
Mas... apesar de concordar com a geração do desenrasca também penso que mesmo desenrascados andamos "à rasca"...

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