quarta-feira, 11 de maio de 2011

Das mudanças de paradigma

[Eu gostava de ser como a maioria das pessoas que conheço: desconfiadas e de pé atrás numa primeira interlocução. Prudente e cuidadosa. Sem dar grandes confianças ou intimidades. Mas não sou.
Sou receptiva e de espírito aberto. Qualquer pessoa pode-se tornar minha amiga facilmente. Ainda sou daquelas pessoas para quem toda a gente é boa até prova de contrário.
Não gosto de truques nas mangas e sou capaz de manter uma amizade à distância do tempo e do espaço. Posso estar longe da Catarina ou da Xana que quando nos reencontramos é como se estivessemos estado juntas na véspera. Posso estar meses sem beber um café com a Cláudia porque os nossos horários e as nossas vidas são demasiado díspares mas quando nos encontramos a cumplicidade é a mesma de sempre.
Não sei se sou uma amiga fácil mas sou directa. Não tenho prurido nenhum em cancelar um encontro com a Inês porque não estou com vontade de sair de casa, sem que para tal seja preciso inventar desculpas esfarrapadas. Isto implica o poder de encaixe para que os outros ajam comigo sob a mesma batuta.
A minha relação com os outros não suporta fretes. Se eu estou mal, mudo-me. Se os outros estão mal, mudam-.se. Vivo bem com isso. Ser amigo tem que ser um processo fluido e natural. Sentido. Sem cobranças nem obrigações.
Ao longo deste processo tem entrado muita gente na minha vida. E saído. Lido bem com esse facto e encaro-o como uma inevitabilidade, tendo em conta que eu não coloco grandes pré-requisitos na fase de me tornar amiga de alguém.
Sou descontraída e acredito que as relações devem ser prazeirosas. Para ambas as partes.
São, porém, mais as vezes em que as pessoas me perdem neste processo do que as que perco, quando na verdade os motivos nem são importantes, porque perdem sempre as duas partes. Há poucas coisas que não perdoo: a cobrança emocional, a falta de coluna vertebral, a chica-espertice, a desonestidade e a falta de respeito. E quando uma destas premissas se verifica eu afasto-me de forma implacável.
Não guardo rancores. Lembro-me sempre de uma música do J.P. Simões que diz qualquer coisa como " Espero que encontres tudo o que quiseres e vás para longe de mim". Mas sigo em frente e não me lembro mesmo de quem ficou para trás.
Há quem lhe chame desprendimento. Não sei se será, mas lido tão bem com os ganhos como com as perdas na minha bolsa de valores emocional. Os amigos que conhecem este paradigma são sempre os que estão bem cotados. E permanecem.
Hoje estou prestes a perder uma pessoa. Importante, demasiado importante. Mais do que alguma que já perdi anteriormente. Daquelas que julguei que tinha vindo para ficar. E não consigo evitar ver-me a seguir em frente, de tal forma está o hábito entranhado.
E, pela primeira vez na minha vida, gostava de ser diferente e não sei muito bem como o fazer. ]

9 comentários:

Pedro disse...

Cá abracinho, anda!

Fuschia disse...

Mas se, como dizes, esse desprendimento nunca te trouxe sofrimento porque lidas bem com ele, porquê mudar agora?

PFIA disse...

Hum. Amizades que nos fazem sentir mal? Culpados, até? Não, obrigada. Prefiro as descontraídas. :)
Os que estão bem "cotados" é que contam. Nunca "passam de moda". Os outros são uma espécie de calças à boca de sino... vão e vêm. Ah, e as fotos também estão escondidas na mesma caixinha. :|

sem-se-ver disse...

re-verificando se a/s tal/tais premissa/s efectivamente aconteceram?

(é só uma sugestão)

tudo de bom para si.

_ba_ disse...

Bolas nem com os meus "olicus" postos consigo ler bem isto ...havia "nexexidade" de escreveres com um caracter tão piquenooooooo?
Agora amanhã vou ter que reler isto :p

lampâda mervelha disse...

És diferente, não indiferente.

Poupinhas disse...

às vezes é preciso deixar ir...

Almofariza disse...

Invejo este teu despreendimento!
Tenho uma amizade (nesta altura nem acho que seja mais amizade, mas insisto na palavra) com mais de 25 anos e que já não devia ser há pelo menos 8. Mas insisto... e insisto...
Seja por não gostar de perder nada, seja por pensar que se esta amiga me perde deixa de ter amigos :s

Cadês
Almofariza

MA disse...

Conheço esse desprendimento...
O problema é que há pessoas que não dá para deixar ir com tanta facilidade. E fica dificil lidar com isso, tão dificil que nem sabemos como agir...
Compreendo!

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