quinta-feira, 31 de maio de 2012

Casar é como a tropa de antigamente # A senhora dos anéis

Ah, as alianças! Em 2006 usavam-se alianças largas, grossas, vistosas, pulseiras para dedos anelares. Com dizeres "loves", "forever" e o camandro. 
Os preços eram igualmente largos, grossos, mais caros que o meu vestido. Pois sim, coração, é já a seguir!
Queríamos alianças... normais. Nem de ouro branco, nem de prata dourada, nem de platina, nem de cor de nada excepto de ouro cor do ouro, douradas, finas, clássicas e, mais uma vez... normais. 
O noivo lembrou-se de que os avós dele tinham umas alianças que eram verdadeiras alianças e logo me lembrei que as dos meus pais eram iguais. Nem o casamento de um nem de outro resultaram mas estes noivos eram menos supersticiosos que práticos. Mas já iremos ao pragmatismo da coisa. 
Contactámos o pai da minha amiga Fátima, um ourives de Braga, daqueles à antiga, ourives do Norte, dos bons, dos que trabalha com ouro do Minho, do dourado, do verdadeiro, do normal. Explicámos a ideia e mandámos fazer as nossas alianças normais, a um preço normal. Aliás, abaixo do normal, que há que relembrar que este era um casamento lácoste. 
As alianças ficaram lindas e personalizadas. E quando, na comemoração do primeiro mês de casamento, o noivo perdeu a sua não houve problema! A separação dos meus pais trazia-me, finalmente, uma coisa positiva e lá o moço herdou a do meu progenitor. Boa jogada!
E quando as pessoas viram as alianças não conseguiam deixar de fazer um ar desapontado de... "Ahhhh, são tão normais". E nós sorriamos num sorriso cúmplice. 
Porque o que pode parecer normal para os outros, não era para nós.  Sem ostentações, sem modas, testemunhas de um segredo maior. Porque as nossas alianças guardavam um segredo só nosso: eram verdadeiras alianças.
E assim permanecerão.



Dica nº 4- Evita alianças da moda. Escolhe as intemporais e as clássicas. Faz com que a originalidade das mesmas, a sua simbologia, o seu significado seja partilhado por quem importa: pelo casal. E saberás que a partilha desse segredo valerá mais que qualquer quilate. E brilhará nos teus olhos como ouro. Dourado, de preferência.   

Aos 31 de Maio de 2012 (carta à Ana que aí vem)

Querida Ana, 

Ainda ontem era eu a menina, a fazer bolinhos de farinha no quintal da minha avó, a fazer castelos de areia na praia da Conceição, a dar mergulhos no mar como quem sorve o Mundo e hoje és tu quem recebe o testemunho, o meu testemunho, fruto de uma correria louca, apressada, cheia de percalços. Uma prova de estafetas corrida a dois entre mim e o teu pai que, caso ainda não tenhas percebido, já é o melhor do Mundo. Não precisas de me agradecer. Sei o quão isso vai ser importante e estrutural para ti. 
Mexes-te muito dentro de mim como um planeta que gira num movimento de rotação, a somar horas, dias, semanas e meses. Tempo de vida. Da tua vida, prestes a conhecer o sol. 
Talvez por isso sinta que carrego em mim o Mundo, com um orgulho envergonhado, uma espécie de segredo bem guardado, de super poder de herói da banda desenhada, afinal, não inventei a gravidez, não é nada de novo mas enfim, é a minha e por isso especial e única. Porque és tu e só tu quem cá está dentro. 
Não falta muito para que faças o teu movimento de translação, minha estrela, minha lua, meu planeta. E que procures a luz, o sol, um pouco mais de sol, neste Verão que coroarás como sendo teu. 
Estou ansiosa por te (re)conhecer, por te mostrar o Mundo cá fora, o sol, o oxigénio, o som dos sorrisos e o calor de um abraço. Por dizer que esse (este?) sopro no coração não é mais que o vento das emoções que depressa reconhecerás. Goza a corrente de ar!
Estou ansiosa por comprar farinha para fazeres os teus próprios bolinhos no quintal da tua avó, por te levar em braços a conhecer o mar, Cascais que é tão nosso, os Açores que também serão teus. 
E sei que nesse dia, minha estrela, minha lua, meu planeta seremos os três uma constelação completa em movimento e rotação. E tudo vai correr bem. Porque teremos muita, tanta, imensa luz do Sol.

Um beijinho da tua mãe

Dicas de beleza da Pólo Norte: "Como sacar uma cirurgia ao peito de borla?"

Ontem foi dia de ortopedista. As muitas semanas Os muitos meses de gravidez já se acusam nas cruzes e tem-me doído a coluna que se farta. 

Médico:  "Olhe, aguente!"

Olhar quadripolar nº 1. 

Médico: "Sempre pode tomar um Benuron, se quiser!"

O tipo não estava  aperceber bem: eu não tenho conseguido arranjar posição para dormir sem me doer horrores as costas. Sai olhar quadripolar nº 2. 

Médico: "Bem, talvez lhe possa receitar uma cinta própria para grávidas com lomboestato."

Olhar quadripolar nº 3: o cabrão não percebe que preciso de droga que me faça passar as dores tipo... já?!

Médico: "Oh menina, posso mandar fazer-lhe uma TAC, que diz?"

Digo que estou grávida e que não é um procedimento que seja recomendado nesta fase da minha gravidez. Saco do olhar nº4: o derradeiro. 

Médico: "Ah, é verdade! Como está sentada nem me lembrei! Então fazemos assim: entretanto, faz umas sessões de fisioterapia e depois de ter a bebé volta cá e avaliamos uma redução de peito para sobrecarregar menos a sua coluna. Olhe, é da forma que pode amamentar à vontade que se o seu peito descair os meus colegas põe-lhe tudo no sítio!"

Deixei de fazer olhares. Não tarda muito sacava uma cadeira de rodas eléctrica "no entretanto", um peelling facial e um implante capilar.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Como definir quanto se quer gastar num carrinho de bebé?

Deixem o guarda-livros cá de casa, a.k.a. mámen, acabar de submeter a declaração de IRS e já vos contamos!

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 12

Casar é como a tropa de antigamente # O sapatinho da Cinderela (mais valia ir de sapato de vela).

Como é sobejamente sabido nestas lides eu não sou uma 'ssoa que ligue, por aí além, a sapatos. Pronto,  crucifiquem-me!
Já o expliquei por duas vezes aqui e aqui e não faço intenções de voltar a falar no assunto. 
Mas vá, era o dia do meu casamento e achei que deveria levar dois pares de sapatos: uns de 20 cm para entrar na Igreja (assim com'ássim ia de braço dado e sempre me apoiava no braço do padrinho) e umas sandálias baixinhas para andar na "cobóiada" no copo d'água. Dito e feito. 
No dia da boda acordei, às 10h da manhã, com uma sms do noivo "Tu vais aparecer, NÃO VAIS?". Um espirituoso, enfim.
Casar a seguir ao almoço foi a melhor decisão que tomei: tive tempo para adormecer com as minhas primas depois de muita risota, fiz um belo sono de beleza, acordei, fui ao cabeleireiro e depois maquilhadora em take away. 
A galhofa começou de manhã: fomos a um cabeleireiro de shopping. Provas de penteados? Apanhados? Cachos e canudos? Espera aí que já te atendo: "Queria fazer um brushing, sff!"- pedi à cabeleireira. 
A moça assentiu que sim e inquiriu as damas de honor "E as meninas, querem fazer o quê?". Cada uma pediu um penteado mais elaborado e lá tiveram que explicar que iam para um casamento. A cabeleireira, olhando com um ar desenchaibido para mim, exclama: "E a menina também foi convidada? E só vai esticar o cabelo???".
Resumindo, ficou cheia de pena de mim quando lhe disse que a puta da noiva não me tinha convidado porque em tempos tinha dormido com o agora noivo dela mas que, assim com'ássim, fazia companhia às minhas amigas na ida ao cabeleireiro e sempre dava um jeitinho ao cabelo. Resultado: 15 € de brushing e não digas que vais daqui!
Chegada a casa realizei um velho fétiche: cantar a música "Estou na lua" vestida, ou neste caso, despedida a preceito. "Toda nua só com um véu, só com um véu, só com um véu...". 
A maquilhadora foi lá a casa e encheu-me de betume. Enfiei o vestido e desatei-me a rir. Tive a clara sensação de que estava mascarada e senti-me como em pequena a ver-me ao espelho vestida de sevilhana, divertida com aquela persona que eu encarnava.
"Ála" que se faz tarde e fui para a Igreja. Ao longe a minha mãe vestida de... encarnado (nota para as interessadas: não incluir a minha mãe nos preparativos da manhã foi, igualmente, uma ideia de génio! Dei-lhe tempo para tratar da sua beleza e não me stressou a minha!). Sim, a minha mãe levava um Fátima Lopes encarnado... de umbigo à mostra! A minha sogra de cinzento rato e preto a contrastar. A asa de grilo alugada do noivo passeava-se no meio dos fumadores à porta da Igreja. Tudo normal, portanto.
Sai Pólo Norte e damas de honor, avista-se a passadeira encarnada e ao fundo a marcha nupcial magistralmente tocada pelo meu amigo Vitor (dica parcelar: descubram quem dos vossos amigos sabe tocar piano pois aprender a tocar orgão era comum nos anos 80. Incumbam-no da tarefa de vos tocarem a marcha nupcial, poupando uns bons eurinhos!). 
Pólo Norte agarra-se ao padrinho de casamento, peito para fora, barriga para dentro e... ZÁS! 
Ao quarto passo parte-se o salto do sapato esquerdo e sai um católico e nubente "FODA-SE!" da boca da noiva. A marcha continua a tocar, os amigos soltam uma gargalhada, Pólo Norte desenvencilha-se do sapato e deixa-se- literalmente- arrastar pelo padrinho armada em Cinderela num elegante passo "está fundo, está raso". 
Olha para trás e o sapatunfo no chão, as damas de honor a contornarem-no e os amigos a sorrirem, divertidos. Mãe com ar de pânico e sogra- sonsa- perdida de riso. 
"Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré!. Quem me mandou comprar sapatos com salto de 20 cm e nem ter treinado andar com eles antes da cerimónia? E agora, toda a gente a rir-se, que vergonha!"- pensaria qualquer noiva. Pólo Norte, não.
Afinal, a vantagem de se pagar a própria boda é que não se convidou ninguém por frete, porque ficava bem ou porque os pais faziam questão. Olhei para trás e a Igreja estava repleta das minhas pessoas preferidas de sempre, das que me conheciam tão bem a mim e às minhas trapalhadas, das que sabem que a minha vida é uma festa, das que só me desejam o bem e das que se iriam lembrar, com gargalhadas, daquele momento para sempre. 
Descalcei o outro sapato, enfim.
"Descalça, foi para o altar. Pólo Norte armada em madura. Foi descalça... Ah, mas foi segura. "

Dica nº 3- Tenta ir tão bonita quanto confortável. Assegura-te de que sentes o chão que pisas. Se te acontecer um percalço não te atrapalhes. Olha em redor e sente-te confortada por estares rodeadas das pessoas de quem mais gostas no Mundo.  Desembaraça-te do que te embaraçar. E sorri. Sorri porque, independentemente de tudo, sabes que vais"fermosa e segura".

Sofia, o que faço contigo, mulher?


Sofia, eu perdoo-te o plágio. Juro que perdoo. 
Agora o que eu não  consigo perdoar é que o meu João de outrora, tenha vivido exactamente contigo o mesmo que viveu comigo há anos atrás. Grande cabrão que ele me saiu!
E- pior quer tudo!- tenha decidido apresentar-se a ti com um nome manifestamente mais infeliz: Vita Santana? WTF?

terça-feira, 29 de maio de 2012

Casar é como a tropa de antigamente # O vestido "Lácoste". Sem crocodilo.

Há famílias que têm tradições engraçadas: o vestido de noiva da bisavó passa de geração em geração, o véu passa de mãe para filha, usa-se uma jóia comum a todas as mulheres da casa, a madrinha de baptismo é sempre a madrinha de casamento e por aí fora. 
Na minha família implementou-se uma tradição muito mais curiosa: se queres casar, és tu quem paga o casamento!
Com base nesta premissa fabulosa e tendo em conta que tínhamos 25 anos na altura e éramos tesos mais tesos não há, só nos restava organizar um casamento low cost. Ou "lácoste". Assim foi. 
E a primeira decisão começou pelos nossos fatos. A única coisa que fazíamos questão era de eu ir vestida de noiva tradicional (nada de vestidos bordeaux, fuschia ou azuis) e ele tinha o fétiche do fato de grilo. 
A minha tia ia ser a madrinha e, ao contrário da minha mãe ("Queres mesmo casar??? A sééério? Porque é que não agarram nesse dinheiro e vão viajar? Um cruzeirinho, que tal?") entusiasmou-se com a ideia, sacando de um cheque de 2500 € para o meu vestido de noiva. 
Dois mil e quinhentos euros? Para um vestido? Espera aí que já te atendo! Agarrei nos 500 contos à antiga e destinei-os da seguinte forma: 425€ para o vestido completo (incluindo sapatos, lingerie e véu) e 2050 € para ajudar no orçamento total do custo da festa. 
Entretanto, o noivo tinha resolvido o problema dele: sabiam que se alugam fraques ali nos Anjos a um preço escandalosamente baixo? Ah, poizé e com arranjos incluídos. Ahhh, um fraque alugado? Poistáclaro, quando mais é que o caramelo voltaria a usar fraque?
Eu? Fui à rua do Ouro, entrei numa das imensas lojas de noiva e antes de sequer experimentar (e ficar tentada) com qualquer um dos vestidos de 2000€ que por lá abundavam, disse à assistente o meu budget, perante o ar de horror (nojo?) da menina. 
"Ah e tal, só se for da última colecção... Nem estão em exposição, estão no armazém, se quiser lá ir ver...". Amiga, psicologia invertida para cima de mim? Achas que vou ficar constrangida pelo facto do meu potencial vestido não estar em cabides acolchoados na frente de loja? Sim, sim, coração! Armazém com elas!
Assim foi: 290 € de vestido branco até aos pés, com o decote como eu queria (com o meu mamaçal, tudo menos cai-cai) que eu cá não sou de froufrous, e vestido de noiva branco é vestido de noiva branco. 
E pensam que fiz uma noiva menos bonita do que as outras? Cá nada
Fui direitinha ao Martim Moniz, comprei umas aplicações de malmequeres giríssimos que a minha tia coseu aleatoriamente no vestido, comprei tule numa retrosaria da Rua dos Fanqueiros que me custou 5€ no total e uma travessa branca na Bijou Brigitte. A minha tia, mais uma vez, espetou o tule na travessa e um véu que me custaria 150 €, ficou-me por 10€. Arranjos estavam incluídos no valor do vestido e ainda lhe abri o decote. Free my willies! 
Os sapatos? Oh yeahhh, há uma fábrica de calçado meio à socapa ali ao pé do Cemitério do Alto de São João que faz sapatos à medida (calço o 35) por preços irreais: e assim saquei um par de sapatos altíssimos para a entrada na igreja e umas sandálias confortáveis para o copo d'agua a 60 €. Os dois pares. 
Lingerie branca vende-se em qualquer Women's Secret, querem lá ver que a lingerie de noiva é diferente de uma qualquer lingerie branca?
Perguntam vocês: e foste uma noiva foleira e bimbona por ires vestida tão barata? E sentiste-te mal pelo facto da tua mãe levar um vestido mais caro que o teu? E fizeste figura de noiva pelintra?
Só vos tenho a dizer que- não que me orgulhe deste facto mas as coisas são como são- há 6 anos que a minha fotografia está pespegada na montra do fotógrafo do meu casamento. 
Uma noiva divertida e bem vestida. E com um sorriso de orelha a orelha. 
O sorriso de quem poupou uma pipa de massa. 

Dica nº 2- Aproveita a generosidade da tua madrinha de casamento e não percas a cabeça com vestidos cujo preço vais andar a chorar durante anos. Lembra-te que os vestidos simples e intemporais nunca farão as tuas filhas rirem-se das tuas figurinhas dentro de anos. Pensa que o que o teu noivo mais irá ambicionar é tirar-te o cabrão do vestido ao fim do dia. Aproveita a festa e a alegria de teres as pessoas que gostas por perto. O resto? O resto é só uma peça de roupa. Mesmo que sejas ressabiada e que tenhas como recalcamento nunca te teres vestido de princesa nos Carnavais da tua infância. 


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Não há outro amor na vida?

Culpada com a história das cerejas e confrontada com um desabafo recente em que eu dizia que me andava a apetecer taaaanto comer caracóis, a minha mãe penitenciou-se.

Não precisava era de se ter arranhado toda a apanhá-los!

Casar é como a tropa de antigamente # O pe(r)dido

Há alturas em que tem que se casar. De repente, trata-se de uma urgência. No nosso caso não estávamos grávidos, não queríamos sair da casa dos respectivos pais nem nada que se pareça. Já vivíamos juntos há quase um ano, até.
Ah, espera lá: tínhamos 25 anos e apetecia-nos uma grande, grande festa.
Na altura vivíamos ambos em Cascais mas eu trabalhava a 60 Km de distância, na terra do colete encarnado.Não tínhamos carro e todos os dias passava cerca de 5 horas em transportes públicos, o que significava que me levantava às 5h45 da manhã e chegava a casa por volta das 20h30. Isto se não perdesse nenhum autocarro ou comboio. A vida não era fácil mas tínhamos 25 anos.
Naquele dia (não me lembro da data, sou uma romântica, bem sei...) era Inverno e eu tinha perdido o autocarro 28 entre Santa Apolónia e o Cais Sodré e, consequentemente, o comboio que estava sincronizado. 
Cheguei a Cascais às 21h, cansada e rabugenta. Chovia, isso lembro-me bem e tinha perdido o chapéu de chuva no primeiro comboio. Tinha o cabelo que era um regalo de se ver. 
Ele esperava-me na estação de Cascais, risonho e bem disposto recebendo-me com um "Boa noite!". "Só se for para ti " foi a  resposta automática. Só queria apanhar o cabrão do autocarro e ir para casa, tomar banho e enfiar-me na cama. 
Ele insistia que me queria mostrar uma coisa, que só tínhamos que andar (à chuva) uns dez minutos até a um sítio. Comecei a passar-me "queres ver que este gajo quer realizar um fétichezinho a esta hora e á chuva? Fónix, vá mazé cagar á mata!" e a dizer que podia ficar para amanhã, que estava cansada, que chovia, que queria ir para casa. 
Ele não cedia e lá me arrastou, amuada e com umas trombas de todo o tamanho, à chuva, até à praia de Santa Marta, ali aos pés do farol. 
Chovia copiosamente e a maré alta trazia um smell a esgoto que só ele. Mas, enfim, era o nosso sitio, eu deveria ter adivinhado. 
Ali, botou o joelhinho no chão (numa poça de água, óbvio!!), sacou uma caixinha daquelas que faz clic-clac do bolso e pediu-me em casamento. 
Chovia mais, disse-lhe "Sim, sim! Agora tira o joelho da água que ainda ficas com artroses!", demos um beijinho romântico e desatámos a correr para apanhar o autocarro 406 da ScottUrb. 
Soube, mais tarde, que o anel foi comprado na "Boutique de Ouro" do Continente e que ele andou, durante meses, a juntar dinheirinho para mo comprar. Pormenores. Um anel à nossa medida, dois pelintras. Mas, enfim, o meu anel de noivado. 
A verdade é que, naquele dia, só queria chegar, a todo o custo, a casa. Ainda que para o conseguir tivesse que carregar um anelito no dedo anelar esquerdo.

Dica nº1- Escolhe um dia adverso, com mau tempo, cheirinho a bedum e a más horas, para pedir uma mulher em casamento. Ela deixará de estar atenta a pormenores e (mais não seja porque quer sair dali e ir para casinha) e dir-te-á, de imediato, que ... SIM!

Borboletas na barriga?

Estou aqui nervosa como se fosse reencontrar mámen depois de uns dias de separação quando se tem semanas de namoro.

"Oh, é porque ainda estás muito apaixonada?"

Não, é porque ele hoje vem almoçar a casa e decidi fazer um souflé.

Como raios se acende o forno*?!


(*Tenho um fogão dos antigos)

Casar é como a tropa de antigamente* # Contextualizando

A minha amiga Inês vai casar. Faltam uns dias e eu lá estarei, vestida de tenda.
Acompanhar a minha amiga nos preparativos do casamento fez-me lembrar do meu próprio, assim há uns 500 anos atrás.
E como acho que tenho um legado de casamento "lacoste" que não posso reter, irei partilhar convosco, durante esta semana, as cenas (quadripolares) do meu casamento.
Dedicadas à Inês para quando chegar o grande dia ela suspire de alívio. Porque por mais que ela tente, mais trapalhão que o meu nunca poderá ser.
Preparem-se!


(* uma vez e por obrigação!)

domingo, 27 de maio de 2012

Não cuspas para o ar que a escarreta cai-te em cima: Pólo Norte posta o seu primeiro outfit.

Para mim, a blogosfera resumida numa palavra é, essencialmente, isto: troca. Troca de ideias, de experiências, de palavras, de memórias, de histórias, de sugestões, de pontos de vista, de recomendações, de sítios bonitos, de receitas, de produtos e serviços, de emoções, de pedaços de vida.
Por isso, quando soube que a Zita, uma blogger cujo único rendimento chega através da venda de coisas giras que faz com as suas mãos e as divulga através da Internet, tinha o computador avariado, pensei que seria bonito eu poder ajudar.
Não tendo um computador para oferecer (hey, se alguém tiver, não se façam rogados!) vi que a Maria Mariquitas, uma pessoa generosa que só ela, estava a organizar um leilão solidário para arrecadar uma ajuda para que a Zita possa comprar um computador novo, no fundo, o seu principal instrumento de trabalho para além das mãos e da máquina de costura. Voilá: voltamos "à "troca".
Assim, uma série de bloggers jeitosas juntou-se e aqui se encontram os leilões a decorrer até ao final do dia de hoje. Ninguém está a pedir nada, apenas a trocar.
Trocar produtos em troca de dinheiro para que esse dinheiro se possa trocar por um computador e esse computador se possa, por sua vez, trocar pela oportunidade de alguém se continuar a fazer "à vida".
Da minha parte, aqui vai:




Vestido preto Lanidor (não é de contrafacção!)  novo a estrear (não é semi-novo, tem mesmo etiqueta)
Número 38 (tenho maminhas grandes, que querem?!)
Preço de origem: 49, 50 €
Base de licitação: 10 €
Portes de envio patrocinados pela ursa

Berço não incluído!

Quem não tem FB pode licitar através do e-mail quadripolaridades@hotmail.com que eu actualizo.

sábado, 26 de maio de 2012

A casa da avó

A minha avó morreu há 5 meses e 5 dias. 
Desde esse dia que não voltava a casa dela, entretanto herdada pela minha mãe. 
Vivi 25 anos naquela casa, que já foi a minha casa, a casa dos meus avós e, depois da morte do meu avô, a casa da minha avó. 
Desde o dia em que a minha avó morreu- nesse dia em que em choque entrei de rompante pela sala e a cadeira de rodas não estava ali, no sítio de sempre, no lado esquerdo da sala, perto da janela- que nunca mais lá voltei. Não estava a cadeira no sítio, não estava a minha avó na cadeira - ah. outrora a minha avó a andar pela casa toda, de um lado para o outro- não estava voz dela a ecoar pela casa, o sorriso à minha espera assim que eu entrava pela porta, não estava a pronúncia minhota, a televisão como dama de companhia, os olhos fechados a fazerem a soneca da tarde, o cheiro da minha avó. 
Não estava lá nada nesse dia. Só o bafio da morte e o vazio de paredes que continuavam iguaizinhas- o relógio de parede, maldito, continuava com corda, desprezando que o tempo mudava naquele dia para sempre- mas, agora, a casa estava descaracterizada de vida, da vida da minha avó. 
Desde há 5 meses e 5 dias que não passava o portão do quintal da minha avó. Não me interrogava como estariam os jarros, se a nespereira estaria em flor, se o relógio de parede finalmente teria sido retirado, se o cheiro a morte e a vazio teria amenizado. A casa da minha avó já não era a casa da minha avó e eu não queria lá voltar.
Voltei hoje. O portão tem chave nova, a caixa do correio foi mudada, os jarros estão em flor. O quintal onde tantas vezes brinquei espera novas corridas, vazio de gente e cheio de sol, o poço lá está. Subi a rampa e respirei fundo. Tinha a garganta feita num nó de marinheiro. 
A minha mãe pintou-lhe as paredes, fez-lhe obras e mudou-lhe os móveis. Descaracterizou a casa do passado e projectou-a num futuro. Diz que, agora, é altura daquela ser a casa da avó da minha filha, da avó  da Ana. 
Eu trouxe comigo o relógio de parede para minha casa, sinal dos tempos que mudaram e testemunho do tic-tac que embalou durante anos a minha avó até ao sono profundo e final. Trouxe um bocadinho da casa da minha avó para dentro da minha. 
E dei-lhe corda novamente, enfim. 

Solta-se o beijo?

Se mámen não se cagou sujou todo a pintar o quarto da filha e tendo em conta o cabelo do bicho que se passeia nesta casa, cheira-me que, neste momento, tenho o João Gil na divisão do lado. 

A VISITAR | Alcochete

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Só faltou a barata no meio da sopa macrobiótica

Hoje almocei com duas amigas do tempo da faculdade. 
Passaram dez anos desde que acabámos o curso. Enquanto ia para o local combinado lembrei-me daquele dia em que, na ala autónoma, juntas tivemos a última aula do curso. Trocavam-se fitas para assinar, e-mails, contactos de telemóvel actualizados, enfim. Com outros não se trocava nada porque as pessoas nunca tinham tido nada em comum ao longo dos anos de curso e não havia interesse em manter a comunicação. Ou porque nos sabíamos tão próximos que não precisávamos de trocar nada pois sabíamos onde morávamos e números de telefone uns dos outros de cor. 
Naquele dia, tive plena consciência que havia ali pessoas com quem dificilmente me voltaria a cruzar. Não por antipatia, porque eu- ao contrário dos tempos de secundário- até era uma pessoa cool e que não cultivava ódios de estimação, mas por falta de experiências, memórias, histórias em comum. 
Com outras sabia que a vida dificilmente nos iria afastar, a não ser que crescêssemos cada uma para o seu lado, que a vida nos corrompesse, que mudássemos de tal forma que pudéssemos anular a amizade construída nos corredores da faculdade e cimentada com risadas na biblioteca de cada vez que a D. Gracinda fazia um "shiiiu!" e com baldas às aulas passadas no aquário. Na partilha dos sabores das melhores quiches no bar do Sr. António, dos fins de tarde passados na esplanada no Terraço, da descida diária pela Avenida das Forças Armadas, a dizer mal dos professores. 
O que eu não contava nesse dia era que haveria uma categoria de pessoas que a vida trataria de afastar sem razão aparente, porque uma mudou de país para fazer um Doutoramento, a outra nem sei bem porquê, mas sem razão nem jeito nenhum.
Hoje estivemos juntas e eu parecia uma velha, daquelas que com 80 anos continua a tratar as amigas como "umas raparigas da minha idade" e a pensar que "estamos iguaizinhas, caramba!". 
Talvez não estejamos, não sei. Mas senti-me igualzinha. 
E para ser igual a 2002 só precisaríamos de trocar a mesa do Gordinni pela da cantina nova da faculdade. De trocar as pastas ma-ra-vi-lho-sas pela comida macrobiótica. E de encontrar uma barata na sopa, desviá-la para um guardanapo, e continuar a comer em paz e sossego. 
"Se é macrobiótica, não devia levar carne, não é?"

Festinhas no ego fazem tão bem!

Mámen rula! # 2

Toda a vida adormeci de barriga para baixo. É a posição mais confortável para mim.
Pensei que, com a gravidez, iria ter um problema em encontrar posição para adormecer. Deu-se o caso de que continuo a adormecer de barriga para baixo e sem desconforto.
Tenho andado satisfeita com esse facto, ainda que mámen olhe para mim de ladex há meses, embora não tenha coragem de me chamar a atenção a esse respeito.
Até ontem.
Assim que me viu a adormecer, não resistiu e soltou um grito como aqueles que se dá nos concertos de heavy metal:

"Moche à fiiiiilha!"

...

Honestidade: definição (com um cheirinho açoriano)

Ok, felicidade não é apenas um punhado de cerejas.

Felicidade meeesmo, com "F" maiúsculo é isto:


Cerejas + Chá verde Gorreana gelado + massa sovada + queijo Terra Nostra

Felicidade: definição

Elas dizem paz, sol, açúcar, alegria, chocolate, abraços, pais, filhos comida, xixizar, viajar, sexo, viver, rir...

Eu digo:

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Os meus leitores podem não ser melhores que os vossos mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar! # 3


Daqui

Marcos na vida de uma mulher

O dia em que vamos à escola pela primeira vez.
O dia em que a mãe nos dá uma chave de casa.
O dia em que compramos a primeira mala a tira-colo.
O dia em que passamos a usar soutien.
O dia em que usamos sapatos com salto pela primeira vez.
O dia do primeiro shot com álcool numa discoteca.
O dia em que começamos a tomar a pílula.
O dia em que encaixotamos a nossa vida da casa dos nossos pais.
O dia em que recebemos um aliança para o dedo anelar.

E, finalmente:

O dia em que percebemos que não precisamos assim tanto de um escritório. E este dá lugar a um quarto de bebé.

Boa esposa

Sabes que estás a ficar uma esposa exímia quando o melhor momento do teu dia é quando ele chega a casa.










Ok,admito:  trazendo um Kg de cerejas.

Poema ao fármaco # 2

"Agiolax lindo, que me receitaram
Até para enfeitar bolo te usaram
Bateste à porta do senhor castanho
Mas este mandou-te ao cão ir dar banho
"Tome isto que é milagroso!"
mas não actuaste sobre o intestino grosso
Continuei a sofrer de gravidó-obstipação
E contribuíste para o aumento do barrigão
Nem cereais com fibras ou sementes de linhaça
Nada de nada já me acagaça!
Já esgotei kiwis, ameixas e variada fruta
Agiolax: és um fármaco filho da puta!"

(Poema dedicado à Dra. Margarida que me tirou um peso, não de cima, mas de dentro)

Como se tornar num dos melhores amigos da Pólo Norte: Lição nº 3

O marido da minha amiga vai amanhã para Edimburgo, para uma reunião de trabalho de três dias. 


Comentário dela:

"Que a selecção sueca de futebol feminino esteja a estagiar no mesmo hotel ao mesmo tempo é que me chateia um bocado. Isso e as piadinhas parvas que ele não pára de fazer sobre as suecas. 

O que é que uma equipa de trabalho faz depois das reuniões? Torneio de sueca. 

Por exemplo."



Lição nº 3- Saber troçar e rir-se com as ironias da vida. 

Coisas que me fazem feliz

Iscas. De cebolada.

A propósito de um vídeo que a minha amiga Xana me enviou...



Reitero o que escrevi, um dia, aqui:

Portugal precisa de colo (ou em "psicologizês": Portugal precisa de validação interna)
Portugal tem um défice de auto-estima. Portugal quando faz uma coisa bem feita é por "sorte" e usa um mecanismo de atribuição causal externa. E quando faz porcaria," é "claro que já se estava à espera" e "O que é que se podia esperar?", e a causalidade interna impera. 
Nem Freud, neste caso, consegue explicar. Portugal cresceu na CEE com um sentimento de inferioridade. A história da cauda da Europa deu-nos cabo do auto-conceito europeu. Para além de nunca termos ganho um festival da Eurovisão, mas é melhor nem entrarmos por aí. 
O português confundiu cauda com rabo. E por isso anda calimero. (Aqui só para nós, a situação não melhorou quando a Letónia, a Sérvia e o Azerbeijão ganharam o Festival)
Portugal precisa de festinhas. E colo. E de que as pessoas que cá vivem  atribuam causalidade interna às nossas vitórias e externa às derrotas. Portugal precisa de "mães" e "pais" parciais e tendenciosos, babados e orgulhosos, protectores e defensores do seu país, que achem que "o seu filho é o mais bonito da Europa". 
Só nessa altura, Portugal será a nação valente e imortal que preconiza o hino, confiante e orgulhosa dos seus feitos.
Só nessa altura vídeos como este servirão para confirmarmos o nosso poder como país e povo e não servirão para nos sentirmos insuflados momentaneamente mas, ainda assim, carentes de reforço positivo por parte dos que são nossos. Porque Portugal não precisa de aplausos por parte da plateia.
Portugal precisa de actores confiantes. 
De nós, portanto.

Os leitores deste blog são melhores que os dos vossos #6

... entre aqueles que estão desejosos que a Pólo Norte desove para não terem que ler mais baby posts e os  que vão ter saudades desta fase da ursa.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Vida sem instagram

Recebo imensos e-mails de leitores do blog. Respondo a todos, mesmo que demore mais tempo do que o que deveria a fazê-lo. 
Regra geral, as pessoas são amorosas comigo. Hate mail recebo cada vez menos, acredito que quem o fazia já percebeu que não vale a pena, que não me importo um boi com isso. 
Ultimamente tenho recebido e-mails de preocupação comigo e com a forma como (d)escrevo a minha gravidez. As pessoas ficam, genuinamente, preocupadas pois sentem que eu estou a viver esta fase de uma forma "pouco romântica". Muito racional. Já me apontaram a hipótese da "depressão pré-parto", até. 
A verdade é que as pessoas que me conhecem sabem que eu sou emocional e sensível mas, extremamente, pragmática. Directa e sem paninhos quentes. Objectiva e sem meias palavras. 
É mais uma forma de comunicar do que de sentir. 
Gosto de viver. Gosto muito de viver. Daí a dizer que a vida é fácil e cor-de-rosa vai um grande passo. Não é que não me foque nas coisas boas da vida mas não consigo desprezar que nem sempre é fácil e de me lembrar, volta e não volta, que o percurso tem pedras e que devo estar alerta para a eventualidade de ter que as pontapear. E, usualmente, as pessoas tendem a confundir esta visão sem filtros com falta de optimismo, coisa de que, decididamente, não sofro.
Sou optimista. Acredito que a minha gravidez vai correr bem e que daqui a uns tempos teremos a Ana, fofa e fresca, cá fora. De saúde e bom humor, como se espera. Como augura o ADN de dois progenitores quadripolares. 
Sou optimista. Cada dia que passa me faz mais sentido a maternidade, a parentalidade e a conjugalidade. Cada dia que passa o projecto comum faz mais sentido, se torna tão grande e esplendoroso que nos engole e, de repente, a Ana já não é o nosso projecto, nós somos o projecto com a Ana. Já não somos dois a criar e a projectar uma vida, já somos três num projecto de vida.
Ser optimista não invalida que, no meu caso, refreie relatar a verdade dos factos, que o projecto da gravidez não é fácil de concretizar, que o processo de estar grávida, de me sentir em forma e com bem estar permanente não é uma realidade. Que uma gravidez de alto risco não é algo agradável e que ter que interromper o decurso de uma vida activa normal e impor-me repouso, com todas as consequências noutros campos da minha vida que isso acarreta, não é uma decisão fácil e pacífica de se tomar. 
Ser optmista não significa esconder que, no meu caso, estar grávida não é a melhor fase da minha vida, nomeadamente, no que diz respeito à minha saúde. Nem significa ter que partilhar do estado de encanto permanente que tolda a visão de (quase) todas as grávidas ou ex-grávidas que me rodeiam ou ter que assumir, sem o sentir genuinamente, que este é um "estado de graça". No meu caso, não é. E giro bem a não culpabilidade que os outros esperam que eu sinta por viver desta forma. 
Assumir que não gosto de estar grávida não significa que não esteja deslumbrada com a projecção da minha maternidade, focada com a meta que é o nascimento dela. Não significa que estou a renegar a minha filha ou em negação do meu estado de gravidez. 
Significa apenas que nesta fase, como na vida, não é que eu seja do contra nem goste de ser polémica. Não é que eu queira assumir a minha individualidade e mostrar que sou diferente do Mundo. Significa apenas, e tão só, que na gravidez, como na vida, não gosto de viver com instagram. 
Bem sei que, com a aplicação dos filtros, as cores ficam mais bonitas, as sombras favorecem a imagem geral, a estética da coisa fica mais apetecível.
Mas não é real.

Avé, Isabel Leal!

Misssstério da meia noitchi: pergunta para queijinho

Comer que nem uma lontra + estar de baixa e em casa a descansar muuuito + ter obstipação + a bebé ser de raça minorca =  aumento de apenas 300 gramas de Pólo Norte num mês.

Questão: PARA ONDE RAIOS ESTÃO A IR AS CALORIAS???

Eu sabia que não deveria ter ensinado a minha mãe a mexer na internet

Estou morta de medo que ela google e vá dar de caras com isto. É que estou feita ao bife! Feitinha...


Útero dos segredos

Mámen lê tudo e mais alguma coisa sobre bebés e desenvolvimento intra-uterino.
Ontem percebeu que, esta é a semana em que a bebé já ouve praticamente tudo lá dentro e reconhece a minha voz.
Não querendo ficar para trás, ontem à noite comunicou-me que agora todos os dias de manhã irá cumprimentar a filha, encostando a boca à minha barriga e falando com ela, de forma à pequena fazer associação da voz dele (Pavlov explica) e também a reconhecê-la.

Hoje de manhã, expectante, esperei pelas suas primeiras palavras directamente dirigidas à filha.

Talvez inspirado na Casa dos Segredos, saiu-lhe um: "ESTA É A VOZ!"

...
Preservação crioestaminal

Estaladas de luva branca

O meu pai não ter ido ao meu casamento.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Mámen rula!

Durante uns tempos da minha gravidez estava proibida de praticar o sexo louco e desenfreado.
Hoje, ao partilhar isso com uma amiga grávida, o marido desta vira-se para mámen e pergunta-lhe como é ele se aguentou à bronca.

Resposta de mámen: "A mão e água".


(Priceless.)

E agora, o que estás a fazer, Pólo Norte?

Como um bebé a ausência da separação.

The big D

Há pessoas que almejam alcançar o que outras têm: roupas, sapatos, maquilhagem e artefactos, poder económico e oportunidades para sair, ir a eventos chiques, viajar. 
Eu sou daquelas que, não invejando, admiro com muita força características que os outros têm- que os outros são- e que, um dia, eu quero vir a ter em igual proporção. 
Na blogosfera, como na vida, gosto de me rodear de pessoas melhores que eu, de forma a poder modelar o meu comportamento, elevar a fasquia e viver a tentar alcançar características que lhes reconheço e admiro como a generosidade genuína e desinteressada da Almofariza, a integridade do Pipoco mais Salgado, a lucidez do Prezado, a tenacidade da Luna, o bom senso do Jibóia Cega, a energia da Miss Complicações, a sensibilidade do Pedro, a disponibilidade do Pulha e o a capacidade de se rir e de ver o Mundo da Xuxi. 
E, decididamente, a dignidade da Teresa

"

The Big C


É uma lotaria. E eu, que sempre fui uma rapariga cheia de sorte, fui contemplada. O tipo escolheu-me.

Sim, sim , é isso. Estou com um filho da puta de um cancro. Bem sabem que odeio palavrões, mas não há mesmo nomes amenos para dar ao bicho. E não há dúvida que um palavrão bem puxado, se não resolve nada, às vezes sempre alivia um bocadinho.

Hesitei muito antes de contar isto, já que sempre tentei controlar bastante o grau de exposição das coisas que aqui escrevo. Mas mensagens diversas e enternecedoramente carinhosas que tenho recebido, algumas de pessoas que me lêem há anos sem que eu desconfiasse, por não deixarem comentários, mensagens a indagar as razões pelas quais nada escrevo aqui há tanto tempo, fizeram-me reconsiderar.

De resto, devo dizer que este hiato pouco habitual no blogue, mesmo estando eu longe de ser daquelas pessoas que acham que têm de publicar todos os dias, nada tem que ver com este bicho que só agora me foi confirmado. Problemas muitos, problemas sérios, têm-me impedido ou tirado a vontade de publicar, é tão simples como isso.

O blogue continua na linha de sempre, quando, como e se eu puder, não vai haver aqui registos de coisas que toda a gente já sabe como são, infelizmente. No dia em que o comecei, há quase seis anos, tentei definir no cabeçalho aquilo que pretendia fazer dele; nunca alterei o que então escrevi, e julgo que consegui ser consistentemente fiel a essas linhas-mestras: «Um sítio para partilhar histórias antigas e recentes. Música e livros. Filmes. E a rir, se possível.»

Por isso, meus queridos amigos, isto não vai passar a ser um diário de quimioterapias (lá se me vai o meu rico cabelo, a melhor coisa que tenho, digam lá que não sou uma sortuda?), mal-estares, desânimos e todos os medos que me assaltam. Porque eu estou transida de medo, vamos lá chamar os bois pelos nomes. Sei o que me espera e como é duro, sei também que daqui nem toda a gente sai viva. E a verdade é que não me apetece nada morrer com os 52 anos que faço em Agosto, com tanta música nova ainda por ouvir e tanta que é de sempre e à qual volto sempre como a um colo maternal, com tanto livro para ler, com tanto livro tão amado para reler, com tantas viagens por fazer (o verso lindo de Moon River que há anos me obceca: «there's such a lot of world to see!»), tantos sítios por descobrir, tantos sítios aos quais o coração só me pede que volte.

A Gota de Ran Tan Plan continua. Como eu. O resto logo se vê."

Surpreendam-se: "O que estás a fazer agora, Pólo Norte?"



Toma lá morangos!

Não era bem desejo, que isso é frescura, mas vai que me apetecia comer cerejas.

A mãe foi ao supermercado e ligou-me: "Pólo Norte, o Kg de cerejas está pelos olhos da cara. Mais vale sustentar um burro a pão-de-ló. Levo-te morangos e não digas que vais daqui..."

Tentei com mámen: "Pólo Norte, a 4 € o Kg? Esquece lá isso. Vai cagar à mata! Por esse preço levo-te 4 Kg de morangos...."

Tia (como último reduto): "Sabes, as cerejas não são um alimento recomendado para o bebé. O quê? Ainda não leste sobre isso na net? Procura lá bem!"

À noite, vem mãe e tios jantar cá a casa. Na cozinha oiço tia e mámen a sussurrar:

Mámen: "As cerejas fazem mal ao bebé?"

Tia: "Sei lá, mas àquele preço faziam-me mal a mim de certeza! Mas, olha, trouxe-lhe morangos..."

...

Primeiro dia da semana II de baixa oficialmente em casa: estabelecer prioridades

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Partilhando, em primeira mão, com todos os leitores deste blog: a última eco da baby bear!

Aqui.

Mámen volta ao trabalho após uns dias de assistência à família: telefonema nº 3

Mámen- Alô! Então, a miúda já torceu?

Pólo Norte- Ahn? Não percebi.

Mámen-Depois de centrifugar, torce, não é?



(Mámen- 1 Pólo Norte- 0)

Lady gaga ou como se rebate teorias de um especialista

Não sei se já aqui disse mas mámen é psicólogo infantil. 
Entre todas as teorias que temos debatido nesta fase pré bebé nascer, a última teve que ver com o co-sleeping. O homem defende o co-sleeping e eu defendo o sleeping no quarto dela, que está a ficar um mimo. 


Mámen- Mas porquê é que não podemos praticar co-sleeping? Vá, dá-me um argumento de peso!

Pólo Norte- Tu ressonas e eu não quero uma filha gaga.




(Pólo Norte-1 Mámen- 0)

Mámen volta ao trabalho após uns dias de assistência à família: telefonema nº 2

Mámen- Não estou a ligar para saber de ti, ó insensível! Queria só saber como se está a portar hoje a minha filha?

Pólo Norte (com a bebé a mexer imenso dentro da barriga)- Neste momento está em centrifugação!





(Já não volta a ligar, vale uma aposta?)

Mámen volta ao trabalho após uns dias de assistência à família: telefonema nº 1

Mámen- Então, estás bem?

Pólo Norte- Sim, saiste de casa há  meia hora. Estou bem.

Mámen- Então, e o que fizeste entretanto?

Pólo Norte (ligando-se à Internet)- Tornei funcionais as orelhas da tua filha. Desenvolvi-lhe a orelha interna e dotei-a de equilíbrio. Tornei operacionais as suas papilas gustativas. Queres que continue?

Primeiro artigo de merchandising da marca "Quadripolaridades"


Design by Prezado

Encomendas através do e-mail: quadripolaridades@hotmail.com.

Globos dourados: breves apontamentos no final do terceiro acto

- Se o divórcio tem este efeito no corpo da Rita Guerra, depois de parir meto os papéis....
- O Palma é que a sabe toda: os lúcidos sabem que isto só se aguenta com álcool. Muito álcool.
- Eu queria agradecer ao Feist por mandar calar a Márizzza dos Amor Electro!
- Como diz o meu Pipoco mai lindo, isto, parecendo que não, anda tudo ligado: o chefe ganha o prémio carreira! Ohhhh Chicooooo!
- Foi uma surpresa para o Balsemão ganhar o prémio "carreira". Então o homem todos os anos entrega o galardão a alguém e este ano não se tinha questionado a quem iria entregar o mesmo?
- Segredo mais aguardado desta gala: como é que o casal quadripolar aguentou firme a assistir a todo o espectáculo? Resposta:

Globos dourados: breves apontamentos no final do segundo acto

- "Ai Pablo, pablava-te cá com uma pinta!"
- A sério, alguém dispense os operadores de grua. Fazer planos aéreos só dá mais destaque ao número (imenso) de cadeiras vazias.
- A Bárbara Guimarães a dançar sexy dá-me pena. Será que que a senhora nasceu com luxação na anca e na altura dela não havia aqueles aparelhos ortopédicos para remediar a coisa?
- Pára tudo: Ângelo Rodrigues está nomeado para o globo "Revelação" na categoria de representação. Assim, sim, faz toda a diferença!
- Momento de estupefacção: nenhum dos ícones da moda da blogosfera nacional está nomeada para a categoria de melhor modelo feminina! Os jurados são todos uns invejosos, é o que é...
- Houve o momento "dar pérolas a porcos": J.P. Simões- o pai da minha sobrinha mai-nova- rula!
- Providenciem Nasex "do dariz" para a Luisinha Sobral parar de fungar "Ohhhh Chîcoooo!"
- A letra da música do ÂngelO é pura poesia: "olhares" rimam com "preliminares". (engulo em seco)
- Existe o conceito de beijo bate-chapas. O Miguel Vieira hoje mostrou-nos o novo tipo de beijo: o esfrega-fuças.
- Belas orelhas as do Nélson Oliveira: o rapaz parece um táxi de portas abertas!
- A minha amiga Sofia diz que a prestação do Ângelo parecia uma "mistura de desfile da Vitoria's Secret de Rio de Mouro". Priceless.
- Como é que a Maya não ganhou o globo de melhor modelo feminino? As unhas fazem pandent com o vestido amarelo néon!
- Como saber que a gala não pode piorar? Introduzam o César Mourão. A seguir o quê? O elenco do teatro de revista dos anos 89/90 do Parque Mayer? Os cabeçudos de Torres Vedras?
- Acho que estou a sujeitar a minha filha a depressão pré-parto. 

domingo, 20 de maio de 2012

Globos dourados: breves apontamentos no final do primeiro acto

- Os tipos da produção do evento deviam pedir às pessoas para chegarem mais cedo em vez de as deixarem sacudir as pombas na alcatifa encarnada. Sempre daria tempo para as arrumarem melhor nas cadeiras da plateia e não se ver a pobreza de lugares vazios. Dá dó. 
- Os nomeados dos Globos de Ouro podem ser referidos como os anúncios dos champoos: "Estudos comprovados afirmam que 3 em cada 4 nomeados de cada categoria não se dão ao trabalho de comparecer à gala". Ou porque estão a treinar na China, a jogar snooker em Madrid ou porque arranjar babysitter para os miúdos a um domingo à noite ainda sai caro. 
- Poupem-nos a Bárbara Guimarães, por favor! Tudo bem que desde que o Herman José, nos seus tempos áureos, apresentava esta gala que isto deixou de ter piada. Mas não precisava de descer tão baixo. A Bárbara faz pausas para a plateia se rir e a plateia não se ri. A Bárbara faz pausas para a plateia aplaudir e a plateia não aplaude. A Bárbara tem que verbalizar "os vossos aplausos, por favor!". Fazerem isto à Bárbara é uma barbaridade. 
- Colocarem a Ana Bola e a Maria Rueff a comentarem com a "VIP manicura" a gala pela 12746454ª vez já não resulta. À primeira tem graça. À quarta vez já se esboça um sorriso amarelo. Agora está gasto.
- Para o ano ofereço-me para escrever os textos da gala. Pro-bono. Por amor à pátria. E por vergonha alheia. A sério.
- Eu já não gostava da Mariza dos "Amor Electro". Mas depois da moça acabar a sua prestação com um "Muito obrigadO" nem tenho palavras.
- Sou só eu que acho que os tipos do cinema se manifestavam melhor não comparecendo à gala em sinal de protesto do que irem lá fazer choradinho?
- As irmãs da Cinderela do Cristiano Ronaldo nunca desapontam: pode-se tirar as pequenas da Câmara de Lobos mas não se consegue tirar Câmara de Lobos das pequenas.
- Perder a fé na televisão portuguesa é perceber que o Ângel O está nomeado para o globo "Revelação"...
- A Kátia Aveiro não usa cintas redutoras e faz mal: tem mais refegos e borregas do que um Shar-Pei.
- O Jorge Palma está com o cabelo igual ao do Ângelo Rebelo e isso não é necessariamente bom. 
- Por falar nisso: alguém pode apresentar a Kátia Aveiro ao Ângelo Rebelo que por lá também anda?
- Nem tudo está perdido: o Daniel Oliveira não fez ar de cachorrinho perdido nem entregou o globo, de forma isenta, ao génio que é a Andreia Rodrigues. Anda a tomar a medicação, está visto!
- A assistir aos Globos Dourados percebo, pela primeira, vez a limitação de estar grávida: isto só regado a álcool é que se aguenta.
- O leque da Kátia Aveiro faz sentido: está uma brasa que não se aguenta.
- Os Homens da Luta entregaram-se à luta.Até vós, Brutus?
- Eu gosto de cultura. E gosto de Psicologia. E não acho que a cultura sirva mais os interesses dos portugueses do que a Psicologia. Porque raio os artistas acham que para trabalhar tem que ser sempre com subsídios? E se os psicólogos reivindicassem o mesmo? Não percebo. Crucifiquem-me mas não percebo.
- Não é bom quando dás por ti a desejar: cortem os cabos de electricidade na rua do Coliseu!

Blogs spoiler

Amanhã é dia de comentários em tooooodos os blogs acerca das zaras e mangos que desfilam hoje na alcatifa encarnada dos Globos dourados. 

Afastem-se!

Gravidez e Sporting: descubra as diferenças

A gravidez está para mim como o Sporting para mámen: ambos nos provocam azia.

Pólos (literalmente pólos) opostos atraem-se

Mámen é o homem que, sempre que vamos a Londres, reserva um dia inteiro para ver em detallhe 1 (uma!!!) ala do British Museum. 
Ultimamente, não nos chateamos quando viajamos para qualquer capital do Mundo: nesse dia, ele vê os museus dele e eu enfio-me em mercados de rua, ruas cheias de gente e lojas trash. No fim do dia, felizes os dois, sem que nenhum tenha feito frete, trocamos experiências. Resultado: ele é o tipo mais culto que eu alguma vez conheci e eu... 
Bem, eu tenho um blog chamado "Quadripolaridades".

Penso, exactamente, assim

"E é assim.

Anda a morrer muita gente. Morrem que nem tordos, uns mediáticos, outros mais anónimos e mais próximos, parece-me que andam a morrer mais pessoas do que é normal. Por causa de tanto morto, vejo as pessoas desligarem-se dos vivos. Quando as pessoas estão vivas são todas umas chatas, com defeitos, não se atende o telefone para não termos de falar com elas. Aturar os vivos é muito cansativo e mostra a nossa fragilidade, gostar de alguém que nos pode desiludir é dar parte de fraco, por isso guardam-se os elogios para quando aqueles que amamos morrem. Devia ser proibido elogiar um morto mais do que se elogiou em vida. Proibido dizer no velório, o que não se disse cara à cara. Os funerais deveriam ser mais do que meios para expiarmos a nossa culpa, para mostrarmos como somos bondosos com quem já não nos pode desiludir. Os que cá andam não interessam, os que nos rodeiam e damos por garantidos não merecem tanta consideração. Elogiar um morto é atirar baldes de água para o mar.

Quando eu morrer quero doar o corpo à Faculdade de Medicina, quero que me cortem ao pedaços e me dêem aos cães, quero que me abandonem no caixote do lixo. Quero sobretudo que me esqueçam. Que me esqueçam e aproveitem a vida com os que ficaram cá. E livrem-se de um elogio que seja, sobretudo se forem inéditos, que juro que volto cá para vos puxar o pé a meio da noite."

São João, no seu "Febre dos Fenos"

Agradeço ao senhor presidente da Junta...



... que, sem pretexto aparente, mandou fazer um concerto na praceta da minha mãe, para que a ursa não se mace e se divirta na mesma sem sair de casa, nomeadamente, com a análise sociológica das espécies.

Alcabideche a cidade: JÁ!

sábado, 19 de maio de 2012

Querida revista Maria # 4

"Querida revista Maria,
Apetece-me dar carolos até me doerem os nós dos dedos ao empreiteiro-mor do "Querido mudei a casa". 


Será que estou grávida?"

Big daddy is watching you

A filha adolescente dos nossos vizinhos está interdita de namorar em casa. O que significa que, todos os dias à noite, temos um belíssimo espectáculo de preliminares dentro do carro do namorado, invariavelmente estacionado no centro da praceta. 

Mámen- Quando a nossa filha for adolescente iremos preferir que ela namore dentro de nossa casa do que assim à vista de todos, certo?

Pólo Norte- Yep.

Mámen- Mas só na sala e ao pé de nós, ok?!

Pólo Norte- Por amor de Deus! Em que século é que vives?! Eu vou deixá-la namorar, beijar e dar os amassos todos que lhe apetecer e onde lhe apetecer.

Mámen (chocado)- No quarto dela?

Pólo Norte- Opá, onde lhe apetecer! Prefiro que se resguarde do que faça daqueles filmes lá de fora...

Mámen em silêncio e com um ar angustiado. 

Pólo Norte- Em que é que estás a pensar?

Mámen (suspirando)- Que temos que investir umas boas coroas nuns intercomunicadores que durem, pelo menos, 18 anos...

Cascais. Sábado de manhã.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A minha sobrinha preferida* do meu coração quis mimar a tia Pólo




Bisous à minha Catarina!

(*Reparem como a tia não é egocêntrica e lhe providenciou uns bonecos tão isentos...)

Lençol da pureza

Mãe: Tinha os lençóis da minha noite de núpcias que só usei naquele dia, lindos que só eles, em bordado da Madeira. Mandei a tua tia cortar e fazer uns lençóis à medida para o berço da bebé.

Pólo Norte (torcendo o nariz): Lençóis da tua noite de núpcias?

Mãe: Sim.

Pólo Norte em silêncio.

Continua em silêncio.

Mais silêncio.

Mãe (com ar indignado): Epá, eu lavei-os na altura e voltei a lavá-los agora, OK?

Como amolecer uma ursa?- Exemplo 4

"Olá Pólo
Já há algum tempo que te estava para escrever. Até que no inicio deste semana desapareceste e o meu coração começou com palpitações por não ter noticias tuas.
Quando anunciaste ao mundo a boa nova fiquei incrédula por minutos. A ursa cabra insensível ia ser mummy! Depois fiquei eufórica e aos saltos pela casa a contar ao G e à M que afinal os seres quadripolares também podem ser mães e ficarem felizes por isso. O mundo não estava perdido.
Da gravidez da M quando descobri fiquei em choque. Eu uma arisca e fria de primeira que fazia o que me dava na real gana estava grávida. Ia deixar de ser filha para passar a ser mãe. Não sabia se o cria ser. Se queria deixar de ser a protegida para ser a protectora. Depois com o passar dos dias, dos meses algo novo nasceu em mim. Trazia o somatório do amor maior de 2 pessoas dentro de mim. Era uma privilegiada por isso. E compreendi que a incredulidade e insegurança do inicio se devia ao medo e não à insensibilidade ou "cabrice" de minha parte. Estava com medo de não estar à altura, de não a amar como deve ser o amor de mãe para filha. Um amor incondicional que nada nem ninguém poderá alterar. Aprendi a gostar de uma maneira diferente e sobre-natural. vivi uma gravidez descomplexada, livre e sem sintomas (felizmente) e aos 8 meses estava farta da barriga. a curiosidade de a conhecer e ver o ser que amava e ainda não tinha nascido era enorme e ja não aguentava!
Quando nasceu não tive o click. Não senti o que se os filmes nos ensinam ou nos fazem crer. Não houve um amor maior. apenas houve amor, curiosidade. Uma curiosidade igual a um animal irracional. Vi a minha cadela a ter crias, ajudei-a a parir 8 filhotes e a cada um que nascia o olhar dela mostrava não amor mas curiosidade, ver quem era aquele ser que saia de centro dela e que se mexia, tinha vida própria. Eu fiquei assim, parva de boca aberta a ver as mão a mexer, depois os pés, a ouvir o miado baixinho do seu choro no colo do pai, senti-la vir para os meus braços, senti-la a procurar o meu cheiro e a sentir a voz a ir quando finalmente sentiu o colo da mãe. Nessa altura éramos outra vez uma só. Era nos meus braços que ela encontrou o seu mundo, o seu lugar seguro, o seu porto-de-abrigo. como tu disseste bem. "it's all about Matilde" no meu caso.
Hoje passado quase 3 anos continuo a ter os mesmo desvarios que tinha antes, continuo a sair e divertir-me (apesar de menos frequente), continuo a ter tempo para os amigos. Se a vida muda? Muda muito para melhor porque sabemos que ao fim do dia mesmo que o dia tenha sido de cão, no final do dia aquela mão pequenina a afagar-nos a cara, a pedir leite e mimo compensa tudo. E ai arrependemos-nos de as vezes desejarmos ser livres novamente, arrependemos-nos de ter desejado que o nosso coração voltasse a bater dentro do nosso peito e não numa criatura de meio metro, arrependemos-nos das palmadas e das palavras mal ditas que dissemos anteriormente, mas nunca, em momento algum nos arrependemos de ser mães.
Eu sei que não sou a melhor mãe do Mundo. Esse titulo pertence ex-aequo à minha mãe e à minha avó que apesar de ter partido está mais presente do que nunca. Mas sei que sou a 2ª. E sei que tu também será 2ª (tb sei que a tua mãe e avó estão em primeiro no teu ranking). mas é isso que interessa. que nós e as nossas crias nos achem o máximo.
Fico feliz que agora já estejas em casa. Que aproveites este tempo para curtir a gravidez ao máximo e que segures a ana no calor de um ventre polar durante mais uns tempos porque ela merece e tu também.
Agora a novidade! Porque também a há. eu de tanto falar na tua gravidez, comecei com sonos, enjoos, vómitos e 30 por uma linha. Eu já comentava que andava com uma gravidez psicológica por ler as tuas aventuras maternas... afinal de psicológico não teve nada! Carrego uma cria dentro de mim com 9 semanas. E se da Matilde foi tudo uma maravilha, este está a dar-me agua pelas barbas. Mas eu até nem levo a mal pois 2012 será o ano dos babes quadripolares!
Beijões enormes e continua a ser tu mesma porque és especial.
Ziza
PS: e já agora para o teu "iormen" não podia ser melhor escolhido. Parabéns aos 2 pela maravilhosa Ana que aí vem. E sim Ana é um nome lindo e intemporal. A minha escolha só não recaiu nessa opção porque a minha sogra é Ana e eu não queria nomes iguais na família, ou então tinha de por o nome das 2 avós e saia um Ana Maria ou Maria Ana, coisa que eu abomino (2 nomes)."
 
Um beijo enorme, gigante, intercontinental para a minha Ziza.

Primeiro dia de baixa oficalmente em casa: estabelecer prioridades

Planos para o dia:

1- Sair da cama e fazer um sprint até ao sofá
2- Fazer reclamações para todos os sítios que me lembre e para os quais não tenha feito por falta de tempo
3- Fazer uma cura de sono
4- Enfiar os dedos nas tomadas cá de casa
5- Bimbar doces até à exaustão para ver se a miúda engorda
6- Avacalhar no facebook dos programas do Goucha e a da Fátima Lopes
7- Recolher informação sobre patologias sociológicas assistindo ao TLC
8- Fazer exercício de braços com a Wii
9- Dobrar pela milésima vez, de forma autista, a roupa da miúda
10- Enfiar os dedos nas tomadas cá de casa
11- Ir fazer topless para a varanda e contar o número de acidentes
12- Atirar balões de água da varanda
13- Arrumar o meu guarda-fatos e fazer uma limpeza à roupa que já não uso
14- Ler um livro de enfiada
15- Enfiar os dedos nas tomadas cá de casa
16- Blogar

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ora beinhe...

Estar deitadinha no leito do amor e, de repente, o coração começar a bombar. A bombar milhões, literalmente. Uma espécie de arritmia no plural (juro que sentia o meu coração e o da baby bear). Ok, eu já tinha tido arritmia muitas vezes naquele leito do amor mas desta vez não estava a ter uma sessão de sexo louco e desenfreado. Bolas, será que me ia dar uma "trombose"? Qual AVC, qual quê? Estava a ter o princípio de uma trom-bo-se daquelas à antiga, era certo...
Enquanto mámen ligava para a linha Saúde24 (recomendo a toda a gente!) tinha em perspectiva as recomendações que tinha deixado à minha mãe, à Xana e à Catarina, no caso de eu quinar. Fiquei arrependida de não ter colocado as coisas por escrito, que a minha mãe e a Catarina são meio despistadas e a Xana teve duas gravidez no espaço de um ano e meio, o que deixa qualquer uma "avariadinha dos nervos". 
Recapitulando: se mámen quiser voltar para os Açores, impedi-lo de levar para lá a minha filha; não deixar a mãe de mámen dar muitos palpites na educação da miúda nem furar-lhes as orelhas e espetar-lhe argolas de ouro à nascença, não deixar a minha mãe estragar a miúda com mimos nem ceder a comprar-lhe coisas da Hello Kitty, supervisionar que mámen arranje uma nova companheira rapidamente mas que a minha filha nunca a chame de "mãe", essa alminha ter que ser aprovada pelas minhas amigas e, especialmente, falarem sempre de mim à minha filha com uma aura de "diva", omitindo todos os meus podres e que são muitos. Ah, e garantir que, aconteça o que acontecer, a miúda nunca irá ler livros da Margarida Rebelo Pinto nem virá a ser adepta do Benfica!
Pronto, hipocondrias à parte, a verdade é que  desde que soube que estava grávida que comecei a pensar na minha própria morte sob outra perspectiva. Agora não me dava jeito nenhum quinar, que vou ter uma filha para criar e estou feliz. 
Portanto, depois de mámen ter sido aconselhado a levar-me às urgências, descobri o maravilhoso mundo das cadeiras reclináveis e do som reconfortante do CTG. A miúda estava bem, a mãe é que tinha a tensão um "bocadinho" alterada. 
Em boa verdade, desde que soube que estava grávida fiz uma viagem a Nova Iorque, tive perda de sangue que se traduziu numa ameaça de aborto, trabalhei mais de 10 horas por dia durante semanas a fio, vomitei este Mundo e o outro, interrompi reuniões com clientes para vomitar mais, ministrei sessões infindas de coaching de equipas a empurrar a barriguita, tive duas infecções urinárias, entrevistei centenas de pessoas, fiz dois exames de rastreio genético que me deixaram ansiosa, fiz de guia turística para amigos emigrantes, engordei apenas 2 Kg e pouco, enfim, acho que só não fui dar beijinhos a todas as feiras e mercados municipais do país porque ainda não calhou ter-me candidatado a um cargo político. Ok, sou hiperactiva, já que o outro se chibou ali em baixo, assumo-o aqui. 
Na prática, entendi que a gravidez deveria acompanhar a minha vida normal em vez de perceber que a minha vida teria que se ajustar a uma gravidez. Erro crasso, não batam mais na ceguinha, já percebi!
A culpa é da minha família onde "a tua tia trabalhou até ao dia em que pariu a tua prima e ainda fez horas extra na fábrica porque estavam com um pico de trabalho" e " a tua bisavó pariu o teu avô no campo, enquanto debulhava milho, cortou o cordão umbilical com os dentes, embrulhou-o numa mantinha e quando o teu bisavô chegou a casa para almoçar já ela lá estava com o menino e o almoço na mesa!". Sou uma dondoca, é oficial!
Quando me diziam que as minhas prioridades iriam mudar, eu acenava com a cabeça e não ligava. Mas mudam, mesmo! Neste momento, a única coisa que quero é que a Ana nasça bem, forte e saudável. Feliz, de preferência. E, embora tenha sempre confiado no ADN (eu e mámen somos uns fixes mesmo!) sinto que tenho que contribuir. Que tenho que parar de viver a minha vida grávida e aproveitar para viver a minha gravidez vivida! Com tempo, calma, sol, sonos em dia, músculos relaxados e sorrisos. Sem compromissos, outlooks, mails de clientes, chamadas e telefones sempre a tocar e stress. O futuro, o negócio, a carreira são importantes, com certeza. Mas a minha filha e a minha família estão acima de tudo isso.
O futuro é a Ana, não as propostas, o CRM, as reuniões, a facturação. Se eu estiver feliz na minha vida pessoal, tudo o resto se ajustará. O contrário não se verifica e eu já experenciei isso. 
Portanto, é hora de viver a minha gravidez e preparar a minha maternidade. Por mim, pelo mámen e pela família que a Ana irá cimentar.
Pela felicidade com que quero que ela nasça. 
Porque, para ser honesta, "it's all about Ana". 

Ursa "in da ause"

Aqui me apresento: Pólo Norte, muito gosto, recentemente canonizada "Nossa Senhora das Dores".

Querem um relato da minha vida nos últimos dias ou basta dizer-vos que este blog vai bombar até a cria nascer (tenho que me entreter com alguma coisa) sob pena de acabar o castigo o repouso com movimentos autistas e a enfiar os dedos nas tomadas cá de casa?

Porque hoje é dia de te pores fina e voltares a espalhar magia...

da Inês
da Tânia

da Ana

da Xuxi

da Beatriz

da Liliana

da Sílvia

da Márcia

da Regina

da Daniela

da Raquel
da Patrícia
da São João
da Maria do Elementar
da Lia
da Dina
da Sofia

da Maria João
da Eduarda
Obrigada a todas! São as mais maiores grandes!
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