quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Mámen o espirituoso # 2

Mámen é pedopsicólogo e chegou de um dia de trabalho cheio de festas de Halloween. Ainda contagiado pelo ambiente, foi fazer o jantar e levou a Ana na sua espreguiçadeira para lhe fazer companhia enquanto eu descansava na sala.

De repente oiço, em tom de Conde de Contarrr:

- E agorrrra vamos comerrrrr um magnífico prrrrrato de lombrrrrrigas com cérrrrebro de macaco e sumo de sangue!

Abeiro-me da porta, com ar de quem odeia o Halloween e ele defende-se logo:

- Ana, é só esparguete à bolonhesa, ok? 

Nesta casa não se Halloweena porra nenhuma!

Nesta casa somos pelo "Pão por Deus". Nesta casa somos por acordar cedo e agarrar no saquinho de pano. Somos por enfiar o gorro, o cachecol, o chapéu de chuva na mão que não carrega o saquinho, que seja, e darmos corda aos botins. 
Nesta casa somos por tocar às campainhas dos vizinhos, batermos nos pesados batentes das portas, truz-truz. Somos por convidar o vizinho para nos acompanhar a berrar "Pão por Deeeeeeuuus!"
Nesta casa somos por acelerar o passo para percorrermos o maior número de casas durante a manhã antes da sirene dos bombeiros anunciar o meio-dia. Somos pelo saco a pesar, a abarrotar, pela pergunta "queres doces ou uma moeda?" e a resposta óbvia "podem ser as duas coisas?".
Nesta casa somos por regressar com o saco a abarrotar, o porta-moedas a chocalhar. Por separar os doces, beijinhos peganhosos pegados às línguas de gato, nozes e pastilhas, caramelos de Espanhas, biscoitos desfeitos em migalhas a cobrir os figos passados melados. Nesta casa somos pelas moedas a encherem a barriga do porquinho mealheiro. Do sorriso dos miúdos, sensação de tarefa cumprida, para o ano há mais, "posso comer os doces todos de enfiada?"
Nesta casa, amanhã, a Ana terá quem a leve ao colo no seu primeiro Pão por Deus. 

Porque hoje é o dia das bruxas

Um abraço sentido às mães de todos os meus ex.

E um beijinho especial à mãe de mámen.

O Mundo divide-se... # 87

... entre as pessoas que em pequenas iam ao "Pão por Deus" e as outras.

Posso ser Deus? Posso? Posso?

Três à mesa a falar do que faríamos se nos saísse o Euromilhões:

Amiga 1 (magra)- Eu comprava todos os vestidos de todos os criadores de moda famosos em cada estação que chegasse.

Amiga 2 (gordinha)- Eu faria uma lipo-aspiração para os vestidos dela servirem-me todos.

Pólo Norte- Eu subornava todos os gajos que criam tendências de moda para que as magras deixassem de estar na moda.


Pólo Norte- 1 Amigas-0

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rezo pelo dia em que alguma fashion blogger me entreviste...




... enquanto isso as mummy-blogs querem saber mais da ursa.
Acho que é um ritual de iniciação, um "deixa lá conhecer-te melhor para ver se podes usar o crachá de mãe blogger". Eu nem gosto de crachás porque me salientam mais o mamaçal mas, neste caso, assenti com todo o gosto porque a autora é uma fixolas, quadripolar e também é psicóloga.

Acho que não me saí mal desta vez. Espreitem aqui.

Diário do PPC- Os testemunhos de quem já participou: S.O.L.

"Percorreu cerca de 300 quilómetros e chegou na 6ª feira, vinha carregado de palavras atentas, fruto de quem soube cuidar de um destinatário que desconhecia até então. Um postal que me fez sorrir, que me emocionou, que percebeu que a minha vida não tem sido fácil, mas que se dá a volta por cima. Um postal que faz perceber que a pessoa que o escreveu tem mesmo um Mundo dentro de si." 

 Pela S.O.L. aqui

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Polar Post Crossing 2012 is coming to town!


FAQ

  • Em que consiste o Polar Postcrossing 2012?

Estão a ver o joguinho típico do amigo secreto? Em que se sorteia a quem se vai dar uma prenda? Aqui é o mesmo mas ...estão a ver os postais de Natal coloridos na caixa do correio em vez dos postais electrónicos?
Cada participante recebe uma morada e tem que enviar um postal de Natal para o seu polar secret friend a tempo de chegar antes da noite de Natal!
That's it. Simple as Nutella.

  • Como vão ser sorteados os polar secret friends?

Este ano, a par do que aconteceu o ano passado, sou eu que baralho os nomes e os distribuo (afinal eu sou a própria Pólo Norte, vale?).

  • Como posso participar?

É enviar o vosso nome, morada e link do blog (caso tenham um blog e não se importem de o divulgar) para o e-mail quadripolaridades@hotmail.com num e-mail com o assunto "Polar Postcrossing 2012.
Um e-mail por pessoa, por favor, para me facilitar o sorteio da coisa e sem mais texto que não o do nome, morada com código postal válido, distrito a que pertence a morada e link do blog, caso tenha um blog. POR ESTA ORDEM, POR FAVOR!

  • Quando vou saber o nome e a morada do meu blogger secret friend para lhe poder enviar o postal?"
No dia 1 de Dezembro coloco os V. nomes todos num saquinho (é mais num Excel, mas pronto), baralho e envio-vos um e-mail de volta com a morada do V. amigo secreto

  • Opá, a minha mulher não vai achar muita graça a esta brincadeira. Como posso fazer?

Quem não quiser divulgar a própria morada (que só será do conhecimento da ursa e do respectivo amigo secreto) pode facultar outra, nem que seja a da avó, uma caixa postal dos CTT, a do local de trabalho, a do ginásio, a do café de confiança lá do bairro que depois de avisado recebe o postal e entrega-o a seu dono, enfim.

  • Opá, eu não quero associar o meu nome ao meu blog porque vai-se a ver e encontram-me no FB e ficam a saber que eu não sou fashion blogger nenhuma e visto mal de cara e sou um homem, afinal. Como posso fazer?

Quem não se quiser identificar com o link do blog, é só dar o seu nome, endereço e distrito a que pertence a morada (afterwords a name is just a name). A vantagem de se dar o link é que a pessoa que receber a vossa morada poderá conhecer-vos melhor através do blog e escolher um postal mais personalizado, vale?

  • Opá, tenho receio que depois de uma pessoa ter a minha morada na mão, afinal seja o estripador da Bobadela, me venha bater à porta e me faça mal. Como podes prevenir isso?

Quando distribuo os polar secret friends obedeço a algumas premissas, entre as quais, pessoas da mesma cidade não escrevem umas para as outras.  Aliás, sempre que possível nem do mesmo distrito. 
As restantes premissas são: os rapazes (que são em menor número) não escrevem a outros rapazes; as pessoas que vivem no estrangeiro escrevem necessariamente para alguém de Portugal e recebem postal de alguém de Portugal também; não se repetem amigos de um ano para o outro e, finalmente, cada pessoa têm dois tipos de interacção: escreve para uma pessoa diferente da pessoa de quem recebe o postal.
Isto dá trabalho pá (vide antepenúltimo ponto).

  • Tenho um blog e quero que ostentar, orgulhosamente, o selo de participação nesta iniciativa, o que devo fazer?
Pespegar o selo no teu blog, claro: 

Cortesia do Prezado

  • Eu só leio blogs mas não escrevo em nenhum. Isto é: não tenho blog, posso ser discriminado por isso? Ou posso participar?

Claro. Desde que leias o Quadripolaridades. 


  •  O meu amigo secreto não tem blog, como posso adequar um postal aos gostos dele?

Em caso de dúvida arranja um postal com ursos polares. É garantido que o o tipo é, claramente, quadripolar.

  • Vivo no estrangeiro, sou emigrante, estou a viver a maravilhosa experiência da diáspora, isso pode comprometer a minha participação?

Não. Desde que vivas num sítio onde haja distribuição postal, selos, papel, é na boa. Já sabemos que alguém vai gastar mais dinheiro em selos mas, em contrapartida, fica com a possibilidade de um couch nas próximas férias. :P

  • Pólo Norte, eu sou um bom português e estou a ver se deixo a minha participação para depois do dia 30 de Novembro. Abres uma excepçãozinha para mim, não abres?
Não. Têm mais de um mês para decidirem se querem participar ou não. Depois de tudo sorteado e distribuído no dia 1 de Dezembro não volto a mexer no Excel, porque depois não se verificam as premissas e é o cabo dos trabalhos! 
  • Apetecia-me imenso receber um postal mas sou preguiçosa e não garanto que envie um. Posso participar?
Não. E se o fizeres ficas sujeito a um apedrejamento público no Quadripolaridades. Caso contrário, fica sossegadinho. Isto é para quem quer dar e receber. Não é esse o espírito do Natal?

(Aliás, peço a quem não recebeu postal no ano passado que me envie um e-mail para que eu este ano não permita que os supostos remetentes fajutas do ano passado não voltem a participar, ok?

  • Assim que receber a morada do meu polar secret friend, o que devo fazer?

Depois? Depois é visitar o blog do V. amigo (se tiver blog), escolher um postal que tenha que ver com ele, escrever, meter selo e enviar pelo correio. E esperar que chegue um postal à V. caixa de correio, também.


  • Quando é suposto enviar o postal de Natal para a morada do meu polar blog friend?

A partir do momento em que tiveres a morada do teu polar blog friend em teu poder, podes dar cordinha aos teus sapatos. Quanto mais depressa enviares maior será a probabilidade dele receber a surpresa a tempo do Natal, que é a ideia desta brincadeira toda. E, mais, procrastinar é uma coisa feeeeia. (E não tem graça receber postais de Natal depois do ano Novo, pá!)

  • É suposto manter segredo?

Pretende-se que mantenhamos em segredo quem são os nossos polar blog friends até que os postais que lhes enviemos cheguem às suas caixas de correio. A ideia é não escarrapacharmos no blog "Ahhh, vou escrever um postal para a "Maria Peixinho" do blog "Estás aqui, estás a ser pescada" porque isso estraga a surpresa ao destinatário, tá?

  • Quem deve participar?

Quem quiser receber um postal de Natal à antiga. E quem quiser, fundamentalmente, fazer alguém  sorrir ao abrir a caixa do correio pelo menos uma vez no ano (espera-se que nesse dia a Cofidis e a EDP não decidam mandar as contas também, senão lá está tudo estragado...)
Este ano só não recebe pelo menos um postal de Natal quem não quiser, ai isso garanto-vos eu.

  •  O ano passado houve gente que perguntou: e se eu quiser enviar uma lembrancinha a acompanhar o postal? Posso?

Sim, desde que não seja Antrax. 

  •  Posso enviar um postal por e-mail em vez de via CTT?

Não. Esta é uma troca de postais físicos. Se eu achasse graça a e-postais teria feito um paintbrush postcrossing. Não foi o caso. 

  • E quem não quiser participar?

Quem não quiser participar: azarecos. Contentem-se com os e-cards ranhosos! :P

  • Como posso fazer para agradecer à ursa tão genial ideia pelo terceiro ano consecutivo?

Será pedir muito que em cada envelope escrevam a frase "I <3 Pólo Norte"? É que assim-com'ássim fazia-me bem ao ego. E é Natal...

Ah, e à medida que vão recebendo os V. postais fotografem-nos e enviem as fotografias para quadripolaridades@hotmail.com. 

Quem quiser superar-se em simpatia e generosidade pode também enviar um postal para a ursa. A morada é: Apartado 31, EC Alcabideche, 2646-901 Alcabideche. 

Portanto, não se sintam pressionados mas eu vou passar o meu feriado de 1 de Dezembro a enviar e-mails, garantindo que todos os participantes tenham a oportunidade de receber um postal de Natal nas suas caixas dos correios. E não, não tenho acções nos CTT.

Assim, enviem-me postais de Natal simpáticos com fotografias de ursos polares, ou mandem-me prendas- um par de cuecas de gola alta, kimas de marcujá, uma mantinha polar, chouriças de cebola, pauzinhos para comer sushi, uma posta de bacalhau, luvas de boxe, pilhas, enfeites para a árvore de Natal, couves portuguesas, leques para eu oferecer à minha mãe, perus, wahetever. Eu mereço, tá?


  • Eu não participei e não vejo qualquer utilidade nesta porra. Podes-nos dar um argumento convicto acerca da genialidade desta iniciativa, Pólo Norte?

O ano passado a ursa recebeu um postal desta amiga secreta. Adivinhem quem me hospedou em NYC nas férias este ano?

  • Como bons portugueses que somos, podíamos bater um record. Alinhamos na maior mesa de bacalhau com batata e couve em cima do Cristo-rei ou tens outra ideia?
O ano passado fomos mais de 500, este ano se fossemos mais que 750 já era a ganhar!

É hoje! É hoje!

O Mundo divide-se entre quem sabe que PPC nesta altura do ano não significa Pedro Passos Coelho e os outros.

domingo, 28 de outubro de 2012

Podes tirar um home dos Açores mas nunca tiras os Açores do homem

Numa esplanada dondoca a beber café, ouvimos:

"Batata, venha à mãe! Bataaaata!"

Incrédulos por alguém dar por petit nom a uma filha a palavra "batata", não queremos acreditar no que vem a seguir:

"Batata, chame a sua irmã! Vá! Chame lá! Cereeeeeja!"

Mámen olha para o outro filho da senhora e diz-me em sussurro;

- Diz-me, por favor, que ela não vai chamar o puto de "Ínhame"!

Sabes que cresceste quando... # 1

... preferes uma garrafa de vinho bom a uma sangria. Deixas de ler Pedro Paixão. Preferes um serão em casa a conversar e a rir às gargalhadas com os amigos que uma noite frenética a dançar numa discoteca. Olhas para destinos de férias que não têm que ser, obrigatoriamente, de praia. Ao comprares uma peça de roupa cara medes a exorbitância do preço não pelo número de euros mas pelo número de horas de trabalho que ela te custa. Aprecias uma boa tábua de queijos. Olhas para coisas antigas como preciosidades e não como lixo. Volta e não volta dás razão à tua mãe. Trocas uns saltos altos que te dão estilo para saíres à noite por um par de sapatos mais confortáveis que te permitam dançar sem desconforto. Abres a caixa do correio e esperas contas e não postais de férias dos teus melhores amigos.Não precisas de eternizar um novo spot com uma fotografia porque quando te apetecer recordá-lo basta lá voltares. Achas que os tempos de estudante é que eram e só te lembras das coisas boas e recalcas as horas de estudo, os professores idiotas, os trabalhos de casa sem fim e tudo o que te maçava na altura. Ao referires-te aos adultos pensas sempre na geração antes da tua. Te chamam " senhora"/ "senhor" e pensas que estão a falar com outra pessoa que não contigo. 

Em franciú é mais trés chic, mon Dieu que finésse!





"Querida Ursa,

Desculpe falar-lhe desta forma quase íntima, mas já faz parte do meu dia-a-dia há mais de um ano ler o quadripolaridades! :) Assim sendo, e apesar de ter sido  sempre uma leitora silenciosa até ao momento (preguiça,timidez, admiração quadripolar, não sei explicar ao certo...), decidi quebrar esta ligação unilateral e retribuir os momentos de diversão e calma que sinto ao lê-la!

Quadripolarizei a Suiça, como já tinha prometido pela Facebook esta semana! Só estava há espera pelo fim de semana para conseguir as paisagens mais bonitas da região! As fotos foram tiradas onde vivo há uns meses, no cantão do Valais e mais precisamente na cidade de Sion, capital do cantão.

Espero que toda a família quadripolar goste! Aproveitei e anexei também uma foto recente com duas gatas de nome proibido, em estado maquiavélico, julgo que assim não há problema! :)

Desejo-lhes muitas felicidades a todos: Pólo Norte, SeuMen e Ana BabyBear! Adoro sinceramente o blog pela genuinidade e todas as facetas que deixa transparecer nele, está cada vez melhor! Fora de série mesmo!

Um grande Beijinhos dos Alpes, e que se sigam muitas postagens para os leitores fiéis pf!

Inês Figueiredo"

Ici bisous, mon cher!

sábado, 27 de outubro de 2012

Sinais da crise

Deixei de ter um pau de canela para mexer a minha bica em cada tasca, pastelaria, café ou botequim.

Fui dar um beijo à mulata

Raramente comento blogs (só quando tenho alguma coisa a acrescentar e, uma vez que só leio blogs de que gosto e cujos teores, regra geral, suscitam a minha concordância, resulta que raramente comento). Mas leio blogs, ah se leio! 
E, não sei explicar, há ainda blogs que, para além de serem lidos, me fazem sentir um carinho especial pelos seus autores, ainda que não os conheça. Na maioria dos casos, gosto muito de não fazer puto ideia de quem são os autores dos meus blogs de eleição, nomes próprios, cores de cabelo ou peso, gosto de manter a mística, gosto de pensar que a Solana tem cara de Bridget Jones ou que a São João tem cara de boneca sardenta e de óculos. Imagino-as assim mesmo e isso diverte-me mais do que soubesse os seus nomes completos ou tamanho das suas orelhas. Gosto da fantasia que crio em torno dos autores dos blogs que leio. Gosto mesmo.
Há, no entanto, uns dois ou três blogs que têm autores de quem me apetece ser amiga, aconchegar-me, entrar de mansinho nas suas vidas e conhecer de perto, participar, conhecer o cheiro destas pessoas, aprender com elas. Para além da Concha, a "beijo de mulata" é uma delas. 
Cada uma, à sua maneira, tem uma vida que podia ser a minha:, a Concha se eu tivesse uma boa motricidade fina e jeito para trabalhos manuais e a "beijo de mulata" se eu tivesse tido boas notas a química que me permitissem ter seguido medicina. No entanto, são duas vidas que acompanho com entusiasmo de leitora (fã?), duas vidas que levaram emprestadas dos meus sonhos e que as vejo a ambas, cada qual à sua maneira, sem inveja mas com admiração, concretizarem. 
Talvez por isso, hoje não tenha perdido a oportunidade de conhecer a "beijo de mulata" e ter assistido à apresentação do seu livro "A missão- Diário de uma médica em Moçambique" numa FNAC apinhada de gente que a admira. Eu incluída. 
E não é que a mulata é loira? Eu já devia saber que isto de conhecer pessoas que admiramos fica sempre aquém das expectativas... É que não bastava o desplante de ser loira e não mulata, também é gira e não tem nada um ar tribal. Pfff, fui enganada!
O livro já cá canta, a apresentação foi muito gira com a Dra. Helena Marujo a botar faladura (e já não a via pessoalmente desde 2003 quando me dava formação na Casa Pia e aposto que fez um lifting, pois que, raios a partam, continua jovem e fresca), adorei o bebé Nuno da mulata loira a gatinhar em cima do palanque e foi genial ver tanta gente bonita com olhos brilhantes de pôr do sol na savana.
E enquanto mámen reencontrava uma amiga de infância que é amiga da mulata loira, lá me ordenei na fila e depois pedi um autógrafo para a ursa e a mulata sorriu, incrédula, e foi como se naquele sorrir nos reconhecêssemos e fossemos amigas desde sempre. 
Dei, por fim, o beijo à mulata. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A crise chegou à TVI

Há uns tempos a Teresa Guilherme apresentou um programa que se chamava "O momento da verdade" em que usava um polígrafo para estragar famílias.

Hoje, constato que o polígrafo serve para a Fátima Lopes provar que uma empregada a dias não roubou o mealheiro das netas da sua ex-patroa, que a despediu à conta dessa desconfiança.

Numa de fazer render o polígrafo sugiro que o levem para dentro da "Casa dos Segredos". Fica a ideia.

Sai um Frappuccino para o Álvaro de Campos!

Estava aqui a pensar que se Fernando Pessoa vivesse actualmente não tinha que se maçar em criar não sei quantos heterónimos.

Bastava-lhe ir ao Starbucks e podia ser quem quisesse...





(O Mundo divide-se entre quem vai ao Starbucks e inventa um nome diferente do seu e que vai ao Starbucks e diz o nome verdadeiro)

A sabedoria milenar dos "Norte" a passar de geração em geração

Pólo Norte a mudar a baby-bear e a conversar com ela. A dada altura pega nas toalhitas e...

Pólo Norte- E sabes, Ana, escuta bem o que a tua velha mãe te diz: os homens? Os homens são como os toalhetes de limpar o rabo, entendes? Assim que sacas um, logo outro está à espreita a seguir. E assim que sacas um, vêm aos magotes...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Maior turn off de sempre by Pólo Norte


Vai tu sozinho, olha que porra, han?!

Por outro lado, também houve coisas boas quando cheguei a casa depois da Ana ser internada...


E essas? Essas ao fim do dia, miúda ao colo embrulhada numa manta vintage, olhos azuis maravilhosos que se riem só de olhar, copo de chá na mão e torrada devidamente barrada, essas é que contam...

Obrigada, Titá!

A rambóia que vai no facebook da ursa (best of)

O Vitor Gaspar não nos larga os bolsos e tem olheiras porque a Pólo Norte não amamentou!!!

Hoje está a chover. Será pela Pólo Ruth Norte não ter amamentado?

A MRP existe. Será pela Pólo Norte não ter amamentado ?!

Vi, no domingo  pela primeira vez na vida, meia hora da Casa dos Segredos. Será pela Pólo Norte não ter amamentado?

O Obama está em risco de perder as eleições. Será porque a Pólo Norte não amamentou?

O preço do petróleo aumentou. Será pela Pólo Norte não ter amamentado?

Os políticos são todos uns grandes fdp. Será por a Pólo Norte não ter amamentado?

Estou com dores de cabeça! Será por a Pólo Ruth Norte não ter amamentado?

O José Castelo Branco candidatou-se à Presidência da Câmara Municipal de Sintra. Será pela Pólo Norte não ter amamentado?

Dizem que um tornado pode chegar a Portugal. Será pela Pólo Norte não ter amamentado?

As minhas lâmpadas da sala teimam em fundir-se. será pela Pólo Norte não ter amamentado?"

O meu fecho das calças estragou-se! será pela Pólo Norte não ter amamentado ?!

Não me apetece fazer nada de nada... Será pela Pólo Norte não ter amamentado?

O barulho da Feira de Santa Iria chega à minha casa e estou quase a ir bater na senhora dos atoalhados!Será pela Pólo Norte não ter amamentado?

O canalizador começou a deixar roupa aqui em casa, tantas são as vezes que vem, será pela Pólo Norte não ter amamentado?

Será que a crise chegou porque já sabia que a polo norte não ia amamentar?

O Sporting está no estado que está! Será pela Pólo Norte não ter amamentado?

Vi agora na televisão...o lobo ibérico está a desaparecer será por a Pólo Norte não ter amamentado?

O Renato Seabra sacou a rolha do Carlos Castro. Será porque a Pólo Norte não amamentou?

 Diz que a cor de vinho agora se chama burgundy. Será pela Pólo Norte não ter amamentado?

Finalmente encontrei o motivo pelo qual a minha tese de mestrado gosta de fazer pausas prolongadas.

As estações do ano já não são o que eram. Será pela Pólo Norte ñ ter amamentado?

Cada vez que apanho trânsito a caminho do trabalho penso.. Será pela Pólo Norte não ter amamentado?

Cada vez que há greves, é porque a Pólo Norte  não amamentou!

Será que a seita da amamentação teria razão para existir não fora a opção de não amamentar da Polo Norte?

A Odete Santos tem uma afasia. Será por a Pólo Norte não ter amamentado?

A retenção nos recibos verdes vai subir para 25% e a presunção de despesa descer de 30 para 20%. Será por a Pólo Norte não ter amamentado?

Tenho uma Pu** duma mosca que não sai do meu quarto. Será que é pela Pólo Norte não ter amamentado?

Assaltaram a casa a Pólo Norte será porque ela não amamentou?

Os depeche mode vêm ao alive, será que é porque a polo norte não amamentou?

Apareceu-me uma borbulha na testa. Será por a Pólo Norte não ter amamentado?

O pai natal não existe. Será por a Pólo Norte não ter amamentado?

 Tenho o verniz das unhas a lascar e as unhas uma borrada nojenta! Será porque a Pólo norte não amamentou?

A minha pílula falhou... Será porque a Pólo não amamentou?

Este ano fiquei sem dois subsídios, será por a PN nao ter amamentado?

A Manuela Moura Guedes fez uma plástica e parece um monstro, será tb por a PN nao ter amamentado?

Eu tenho insónias! Querem ver que a culpa é das mamas da Polo Norte!

A hora vai mudar este fim-de-semana. Acho que deve ser por causa da PN não ter amamentado.

A Playboy portuguesa não mostra nada. Será porque a Pólo Norte não amamentou?

Sempre que sou convidada para um casamento, engordo... será por a Pólo Norte não ter amamentado?

A Polo Norte não amamentou. Será por a Polo Norte não ter amamentado?



(Continua aqui)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

"O leite azedou" ou "Oh, não! Outro post de mamas!"

Prometi a mim mesma que não voltaria a falar do tema amamentação. Pari, comprei algumas latas de NAN1, agora NAN Confort e tenho vivido de forma natural a alimentação da Ana. A bebé, prematura e inicialmente demasiado pequenina para ter percentil, tem engordado a olhos vistos e está com o tamanho normal e suposto num bebé de 2 meses. Talvez por isso, ou porque quando tomo uma decisão sigo no caminho da minha opção e não fico a remoer as escolhas preteridas, nunca mais pensei no tema "amamentação natural". Até hoje. 

Cheguei a casa, depois do internamento da Ana e deparei-me com o seguinte comentário: "Vá, confesse lá que bateu a dúvida: "será por não ter amamentado?..." Mas não me queira mal, as melhoras da pequena."

E pronto, o leite que não pinga das minhas mamas azedou. Não gosto de seitas, nunca gostei. E de todas as seitas com que me tenho deparado a pior de todas, a meu ver, é a "seita da amamentação".
Deixem-me esclarecer-vos: não pertence à seita da amamentação toda e qualquer mulher que amamente. Sim, porque existem as mulheres que amamentam naturalmente e existem as mulheres que pertencem à "seita da amamentação". São grupos diferentes. 
A "seita da amamentação" é constituída por todas as mulheres que amamentam, têm orgulho em amamentar, raiva a quem não amamenta, tentam colonizar as mentes de todos os que pensam diferente delas no que concerne a esse tema e são mal formadas o suficiente para desejarem mal às putas, fúteis e más mães que, como eu, não querem amamentar. À "seita da amamentação" pertencem todas as mulheres que amamentam porque são boas, abnegadas, com espírito de sacrifício, sensíveis e almas caridosas mas que depois se revelam com comentários deste calibre. 

O que esta senhora queria, verdadeiramente, era que eu assumisse a culpa que ela acredita que eu deveria sentir. Acontece que quando decidi não amamentar sabia, de antemão, que a Ana iria, como todos os bebés, ficar doente. E resolvi muito bem, desde o início, o assunto na minha cabeça. Todos os bebés ficam doentes e a não amamentação natural não serviria de bode expiatório para me auto-flagelar face a essa hipótese das variadas doenças infantis, que agora se confirmou. A Ana vive num mundo com micróbios, bactérias e vírus e ficará doente mais vezes, estou certa. E cá estaremos para a ajudar a resolver cada constipação, cada varicela ou sarampo, cada surto de piolhos. 

O que esta senhora queria, verdadeiramente era fazer sentir-me culpada. Mas não me sinto. 
E se escrevo este post é porque acho nojento que alguém comente uma coisa deste género, à laia de pirraça, de "é bem feita, é bem feita, nha nha nha!". Porque o problema das seitas é a total falta de tolerância pelas pessoas que pensam diferente. E porque quando falei do tema falei-o na perspectiva duma opinião pessoal e não como pertença à "seita da não amamentação". 

A mesma seita que, caso existisse, poderia perguntar à senhora:

 "Olhou ao espelho e viu as maminhas descaídas e pinguças? Vá, confesse lá que bateu a dúvida: "será por ter amamentado?..." Mas não me queira mal, as melhoras dos figos passados."

"Não dorme há 1 ano porque amamenta e a responsabilidade de acordar de 3 em 3 horas tem que ser sua? Olha para o espelho e não reconhece o seu rosto cheio de olheiras e ar derreado? Vá, confesse lá que bateu a dúvida: "será por ter amamentado?..." Mas não me queira mal, as melhoras da cara de guaxinim."

" A sua filha tem rinite alérgica? Vá, como também sofre de rinite alérgica confesse lá que bateu a dúvida: "será por ter amamentado?..." Mas não me queira mal, as melhoras da menina"

"O seu filho é mal humorado e sem sentido de humor? Vá, confesse lá que bateu a dúvida: "será por ter amamentado e o leite ter saído azedo?..." Mas não me queira mal, as melhoras do menino"

Resposta, final, à senhora comentadora:

Daqui a uns tempos a Ana poderá cair e partir a cabeça... será por eu não a ter amamentado? 
Depois leva uma nega de um rapaz de quem gosta... será por eu não a ter amamentado?
Mais tarde tem negativa num teste de Física-Química... será por eu não a ter amamentado?
Um dia mais tarde, chega a ministra das Finanças... será por eu não a ter amamentado?

E... esta crise que vivemos? Será por eu não a ter amamentado?

A Ana já teve alta e já está em alta

E a ursa deu uma entrevista para a autora do "Mum's the boss".

Podem lê-la aqui.




Beijinhos, Magda!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

It's a little bit funny this feeling inside

A Ana está constipada. Não é uma bronquiolite nem uma pneumonia mas é uma constipação chata que lhe deu cabo do apetite. Por essa razão está internada sob observação e estou, neste momento, a escrever num cadeirão desconfortável de hospital enquanto ela, finalmente, dorme a respirar de forma mais aliviada. 
Ser mãe é giro. Mesmo nas adversidades. E bom. Incrivelmente bom. 
Somos uma equipa e nunca perdemos isso de vista. Ensino, desde já, à Ana que não há papões: o hospital é um sítio bom. E é um sítio bom porque se entra doente e o objectivo é sair-se bem, ou melhor. Transmito essa segurança à Ana enquanto lhe falo com uma voz calma e terna, doce e maternal. E repito que o hospital  é um sítio bom e as enfermeiras pessoas amigas. 
Faço questão de pegar na Ana ao colo e a entregar a cada um dos profissionais de saúde que aqui têm vindo fazer-lhe procedimentos clínicos. A passagem segura do meu colo para o deles, este acto de entrega pretende transmitir-lhe a segurança do "se a minha mãe me entrega não há perigo, estou em boas mãos". E depois afasto-me.
 Não acredito que a minha presença, enquanto ela chora com uma aspiração nasal ou uma picada para recolha de sangue, a vá acalmar. Acredito que estar em cima, literalmente, do acto atrapalha as enfermeiras e que essa pressão é transmitida à minha filha. Acredito que a Ana já com dores, não precise ainda de olhar para mim e ver o ar aflito com que, inevitavelmente, fico. Acho que só pioraria. É por isso que me afasto aqueles minutos, curtos minutos, que me parecem horas marcadas pela cadência do choro da minha filha. 
Mas volto. A Ana sabe que volto sempre. E volto para lhe oferecer o que melhor lhe posso dar nesta circunstância, para colocar ao seu serviço a competência em que bato qualquer enfermeira a mil e em que sou mesmo insubstituível: volto para a acolher em mim num colo nosso, de mãe e de filha, de mãe porque a sei precisada de mim, do conforto do corpo onde morou , e de filha porque também eu preciso de colo, de lhe dar colo, de a sentir respirar junto a mim. Do colo dela para me confortar, também. 
E é nestes dias, para além de todos os outros mais felizes, menos ranhosos, mais desentupidos do nariz que vamos construindo a nossa relação. E, ainda que só amanhã tenhamos alta, isto de ser mãe, ainda assim, mesmo assim, especialmente assim, é a cada dia que passa, todos os dias, cada vez melhor e mais especial. 


domingo, 21 de outubro de 2012

sábado, 20 de outubro de 2012

Um casal quadripolar divide-se...

... entre os pessimistas que aqui vêem uma chucha com herpes e as optimistas que vêem uma chucha com botox!


(*Fónix, vocês são mais fritos do que eu pensava! Ursos? Pipocas? Ovelhas? Ninguém vê a imagem das chagas de Cristo, não?)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Baby blog's rorschach


Isto é uma chucha com ... (completem)



(Já vos desvendo a minha interpretação e de mámen)

(Não me perguntem como é que a chucha ficou assim, ok?)

Pólo Mac Norte Gyver

A miúda está constipada e tapadíssima. Eu não tenho máquina de fazer vapores.

Hum... Well, mas tenho um esterilizador de biberões, né?


(Quando a miúda crescer ainda me vai servir para fazer limpeza à pele, vão ver!)

Mário Crespo, RTP, Moscovo? Nada disso! Xuxi, Quadripolaridades, New York city.

A Xuxi, minha AbFab mate, foi oficialmente nomeada "correspondente quadripolar em NYC". 
Assim, neste momento está a "cobrir" (belo verbo para se aplicar nesta situação) o julgamento do Renato Seabra para manter informados todos os leitores quadripolares. 
Pelo exposto, nas palavras da correspondente:

 "Aviso: Se vens aqui à procura de notícias sérias, objectivas e imparciais, estás no local errado, é melhor ires ao DN e outros jornais chatos ou então sintoniza-te nos canais de televisão nacionais para o blah blah previsível, estas notícias são as da concorrência. Enquanto que a equipa da imprensa tá de um lado, a Xuxi fica sempre no outro, munida com o seu telemóvel e cadernito de anotações, a tentar sacar fotos à socapa e a registar o que realmente interessa, os detalhes divertidos e as animações da lei, sempre com o seu humor característico e implacável. Estas notícias  serão claramente satíricas e tendenciosas, politicamente incorrectas, facciosas e absolutamente desleais e fora de sério, ou seja: tudo aquilo que as pessoas realmente querem saber, a Casa dos Segredos é já aqui. Stay tunned."

Para começar a saga? Well, para começar a saga fez o que ainda não tinha sido feito:








Para acompanhar esta cobertura sintonizem http://amorportatil.blogspot.pt/.

Pólo loves Xuxi so much!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Memórias das minhas putas tristes # 4

(Mãe ao telefone...)

Mãe (com visível entusiasmo)- Não vais acreditar! Acho que o novo segurança aqui do trabalho foi teu namorado...

Pólo Norte (com uma expressão de "me-do" mas fingindo desinteresse)- Hum, ah sim?

Mãe- Sim, o rapaz da Vidigueira, sabes?

Pólo Norte  A sério? O Márcio?

Mãe- Não, pá!

Pólo Norte- O André?

Mãe (preocupada)- Não...

Pólo Norte- O Nuno?

Mãe- Pólo, o Gonçalo...

Pólo Norte- Ah, o Serapicos...

Mãe (entre-dentes)- Se eram picos? Com tantos namorados eram de certeza...
                                  ... No teu pipi.

Como superar pequenos stresses pós-traumáticos? Pólo Norte explica.

aqui escrevi, outrora, que se pudesse mandava o Tozé Brito cagar à mata com aquela história do "Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz". Hoje decidi testar a teoria do volta ao lugar (ou à rotina, neste caso) que já te fez infeliz. 
Quando nos assaltaram a casa, fui à feira de manhã, almocei fora, fui à pediatra à tarde, era quinta-feira. De repente, não queria mesmo que as idas à feira de Carcavelos ficassem marcadas por esse triste acontecimento. Não queria sentir a sensação de dejá-vue de cada vez que me despedisse da pediatra após uma consulta. E, principalmente, não queria associar as quintas-feiras (o dia da semana em que eu nasci, mámen nasceu e a Ana também) a um epísódio daqueles. 
Assim, hoje foi o dia de desmistificar tudo isto. De matar as malditas superstições, associação livre e tola de ideias. Vesti a mesma roupa do dia do assalto, de manhã fui à feira, almocei no mesmo sítio. Hoje era dia de consulta e lá fomos. Contei à médica o episódio para exorcizar demónios com o riso.
Subi as escadas da casa nova, meti a chave à porta. A única coisa a lamentar é que tinha deixado a televisão ligada. E o preço da electricidade está... um roubo!

E, sim, para a frente é que é MESMO o caminho...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Damo e a Vagabunda (Ironias da vida conjugal)

Quando nos conhecemos eu era a menina da cidade. A primeira vez que visitei a ilha de onde ele é natural decidi descer à Caldeira de Santo Cristo de babuchas (lembrem-me para um dia escrever sobre esse episódio!) e fiquei chocada quando o vi montar a tenda no meio do nada. Estreava-me no campismo selvagem num lugar tão belo quanto ermo, tão paradisíaco como incrivelmente despojado.
Ele era campónio. Convidou-me para o acompanhar a um casamento na ilha que durou 2 horas, com missa incluída. Fiquei chocada mas após a comanzaina no salão paroquial os convidados desertaram com pressa: tinham que ir tratar das vacas. Eu fiquei chocada (a música? o bailarico? as fotografias?). Ele encolheu os ombros e achou normal.
Hoje, muitos anos depois, juntos e com uma filha em comum estamos a planear o baptizado na ilha. 
Hoje, ele quer uma cerimónia numa quinta com capela, guardanapos de pano, mesas com toalhas a combinar, músicos. Eu? Eu quero sopas do espírito do santo, alcatra e massa sovada em mesas corridas com bancos improvisados com tábuas em cima de tijolos e banda filarmónica a tocar numa rua das Velas. 
A vida é irónica. 

Humor negro? Não, humor de arco-íris.

Festa de anos infantil da filha de uma amiga de infância. Encontro as minhas vizinhas de outrora, entre as quais a Ana Rita e outros amigos de infância. Um deles, o Cacá, enverga uma camisa com florinhas azuis bebé e cor-de-rosa e parece, claramente, o Cameron da "Modern Family".

Ana Rita - Queres que te sirva?
Cacá- Se fizeres o favor.

(Ana Rita coloca entremeada e febras no prato. Olha para os enchidos, com ar de dúvida)

Ana Rita- Olha lá. gostas de chouriço?
Cacá- Sim, mas prefiro o que já está cortado às rodelas.

(silêncio)

(silêncio)

(mais silêncio)

Pólo Norte (entre dentes)- Olha, também o Renato Seabra...

Gravidez: o fecho do ciclo

A Dra. Guilhermina não me conhecia de parte alguma. 
Depois de ter sido mal atendida na CUF Descobertas fui ao Centro de Saúde, de onde me reencaminharam para a consulta de alto risco do Hospital de Cascais.
Gostei da Dra. Guilhermina desde o primeiro olhar, ainda que não seja do tipo de médica fofinha e kiducha, que se desfaz em risos e simpática até mais não. A Dra. Guilhermina é, num primeiro contacto, um pouco seca, até. Hoje, dez meses depois, sei que é tímida.
Sem muitas conversas fomos-nos vendo semana após semana. Conhecendo melhor. Adivinhei-lhe cada pausa no discurso, cada silêncio, cada olhar perscrutador. Ela tranquilizou cada expressão ansiosa no meu olhar, cada nó na garganta, lágrima de desconforto e dor. A Dra. Guilhermina revelou-me o ser mulher da minha filha, as boas notícias após cada rastreio genético e ecografia morfológica. Sorriu quando me viu comovida a ouvir, pela primeira vez, o coração da Ana e quando me mostrou a primeira imagem mais humana da bebé.
A Dra. Guilhermina apaziguou-me as angústias, os medos, as preocupações. Recusou-se a acompanhar-me, em paralelo, no consultório privado onde também dá consultas, acolheu-me com disponibilidade em cada banco de urgência, escreveu no meu livro verde o seu número de telemóvel e insistiu que estava à minha disposição. A Dra. Guilhermina trabalha num hospital público e é o exemplo perfeito de que a humanidade com que se trata um doente, a defesa do seu bem-estar e conforto não é exclusiva dos hospitais particulares.
A Dra. Guilhermina chamou a Dra. Cecília de cada vez que fui internada, para substitui-la quando estava ausente. E a Dra. Cecília deu continuidade ao trabalho da colega, sempre atenta e sensível, profissional e humana.
No dia 9 de Agosto a Dra. Guilhermina interrompeu as suas férias para comandar a cesariana que trouxe a Ana ao mundo. Calada e discreta abriu-me a barriga, olhar doce e meigo, e puxou a minha filha das minhas entranhas, assistiu ao seu primeiro fôlego, ao som novo do seu respirar. E sorriu de uma forma diferente da que me tinha habituado ao longo dos últimos sete meses e meio. Um sorriso feliz, genuinamente feliz pela vitória acabada de acontecer. 
Pegou na Ana ao colo e deu-lhe o primeiro colo, abraço, mimo. 
Por isso e, por tudo o mais, quando hoje fui consultada pela última vez por ela para fechar o ciclo da gravidez e pós-parto deu-me uma nostalgia, uma saudade dela já. E precisei de agradecer. 

Dra. Guilhermina a pegar a mão da Ana pela primeira vez.
 Quadro com inputs meus e fabricado pela querida Maria Mariquitas do "Amor ao Quadrado"

Dra. Cecília com o seu coração ligado ao da Ana através do cordão umbilical.
Quadro com inputs meus e fabricado pela querida Maria Mariquitas do "Amor ao Quadrado"

A Joana fez acompanhar a minha encomenda por este quadro maravilhoso, oferta para a Ana.
Nele consto eu, a bebé e, claro... a ursa Pólo Norte, só para contextualizar. 

(Para conhecerem o trabalho da Maria Mariquitas espreitem o blog e o facebook.
 Garanto que não há como resistir...)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O chão d'O Alcoitão (À Rita e à Sofia)




No caminho para casa da Rita, enquanto conduzia, uma imagem me pairava na mente: o chão d'O Alcoitão. 
Desde sempre que me lembro de conhecer a Rita, companheira de quarto dos vários hospitais, primeiro Sant'Ana, depois Alcoitão. O ordem era, sempre, esta:  Sant'Ana para as cirurgias, Alcoitão para a reabilitação. 
A Rita faz parte da minha vida de uma forma natural, como faz a minha mãe, a minha vizinha Cláudia ou a menina Mariana, a quem a minha avó desde sempre comprava pão. Companheiras de colónias de férias, de aventuras e de ideias destrambelhadas, de gargalhadas, de muitas gargalhadas. 
Crescemos e as colónias de férias em Valdemoínhos, na Vagueira, na Gala e, depois, na Tocha deixaram de marcar 15 dias de calendário em cada Verão. Fui para a universidade, casei, descasei, voltei a casar. A Rita? Tirou um curso técnico-profissional, foi para uma instituição onde lhe faziam o favor de a deixar trabalhar chamando-a de "utente", adquiriu toda a autonomia que as suas canadianas não conseguiram tirar, foi viver sozinha, apaixonou-se por um colega com paralisia cerebral e passaram a viver juntos. Sozinhos como, aliás, se quer. 
A Rita e o Luis, um casal de pessoas portadoras de deficiência, riem-se quando se descrevem como "pensionistas". O Luis tem uma paralisia cerebral com consequências limitadoras ao nível da fala e da locomoção. A Rita, que se desloca de canadianas, levanta-o da cama, ajuda-o a tomar banho e a vesti-lo, faz as suas refeições na Bimby, dá-lhe comida à boca, ajuda-o a fazer as necessidades básicas e deita o Luis à noite. Nos intervalos, traduz-nos o que a puta da deficiência impede o Luis de nos dizer de forma clara e perceptível. E ri-se muito. A Rita está sempre a rir como se a vida fosse fácil e o único entrave fosse a rampa que a Câmara da Amadora demora em construir e que será um grande avanço para a Rita empurrar (!) a cadeira do Luis até ao parque central, sem depender de terceiros. A Rita não gosta lá muito de depender de ninguém para as suas actividades da vida diária. Nunca gostou. 
Enquanto lanchávamos a pretexto da Rita conhecer a Ana, ouvíamos a Sofia, irmã mais velha da Rita, nosso ídolo de infância, a miúda mais gira das colónias. Dizia a Sofia que a imagem que tem d'O Alcoitão era aquele maldito chão, quando após visitar a irmã, dia após dia, meses seguidos de internamento, se despedia sem a trazer para casa. Dizia a Sofia que dava um beijinho à Rita e ficava cabisbaixa, a fitar o chão, enquanto se afastava e ouvia o choro da Rita cada vez mais longe ("Não me deixem aqui, quero ir para casa!"). 
Sorrimos,  tristes com a imagem, ternurentos com aquele amor fraternal tão gigante e tão conflituoso, tão real e tão irmão. A Rita contrapôs que é a imagem daquele xadrez que mais retém na memória: assim que a Sofia se afastava, calçada com sapatos de sola rija, tão diferente das botas ortopédicas que nós usávamos, baixava a cabeça e concentrava-se no preto e no branco do chão, na tentativa vã de se desconcentrar do barulho do tacão, cada vez mais distante, cada vez menos barulho, menos passos no chão, mais distância e solidão. 
Enquanto as ouvia, lembrei-me do caminho para a Amadora e de como a Rita me lembra, a mim, o chão do Alcoitão. Aquele xadrez que descrevi outrora e que, talvez, não tenha conseguido expressar da mesma forma que agora ouvia. E com mais certezas fiquei que a partida foi ganha por mim e pela Rita. 
Agora, sim, xeque-mate!

A "moda Lisboa" dos not-fashion-blogs

Eu acho que deveria haver "inventos" a preceito para not-fashion-blogs. Por exemplos:

Convites de give-aways e o camandro da Chicco e da Pré-Natal para baby blogs
Convites para ver o Avillez e o Sá Pessoa cozinharem ao vivo e a cores para blogs de culinária
Convites para participar no "Querido, mudei a casa" como pseudo-decoradores para blogs de craft e decoração
Convites para as conferências de imprensa do Gaspar para os blogs políticos
Convites para o Salão Erótico para blogs de deboche

Convites para o circo para muitos outros blogs. Entre os quais, o meu.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Status da evangelização quadripolar

Em três anos de blog: 28 países quadripolarizados e 12,4% do Mundo é quadripolar!

Alguém irá visitar países "virgens"? Alguém vive em países não quadripolares?

Do que estão à espera, caramba?

domingo, 14 de outubro de 2012

E ontem foi assim...

Prezado diante da sua obra-gata

Tio Prezado e Bia 

A Bia e a gratidão que não se ensina

Ontem foi o dia em que, a propósito do aniversário da Bia que se comemorará na próxima terça-feira, Mámen foi cumprir o prometido. No entanto, quisemos elevar a fasquia e o Prezado, artista à séria, quis participar na realização da obra-prima. 
Munimos-nos de pincéis, tintas e apetrechos vários, a Sandra (mãe da Bia) tratou de tirar a Bia de casa e pusemos mãos à obra. Quer dizer, puseram eles que eu e a Sandra estivemos entretidas com conversas de recém-mamãs com a Ana e o Gui ao colo. Tenho-vos a dizer que aquele casal mete nojo: fazem filhos lindos, lindos, pá! O Gui é um boneco careca, lindo que só visto.
Com a pintura terminada, a Sandra deu ordem para que o marido trouxesse a Bia para casa. Taparam os olhos à Bia e, assim que os destaparam, e ela viu a Hello Kitty pintada na parede do quarto, ficou tão contente! Ficámos todos embevecidos como algo tão simples pode fazer uma criança tão feliz.
Estava o Prezado a dar uns retoques finais com a supervisão da garota, quando ela sai, de rompante, do quarto. Dirige-se ao pai e pede "um troco" e o pai pergunta-lhe para quê. A Bia faz um "shiu" com o dedo nos lábios, estende a mão e recebe uma moeda do pai, curioso sobre o destino que a miúda ia dar ao dinheiro.
A Bia coloca o euro no porta-moedas cor-de-rosa e vira as costas. Vai directa ao Prezado, abre a carteira e estende-lhe "o troco", acompanhando a cena ternurenta com um "obrigada!". 
Sem ninguém lhe ensinar, lhe dar instruções ou incentivar, a Bia mostrou a sua gratidão assim. Nós? Mais uma vez ficámos comovidos, daquela forma que só a Bia nos consegue fazer ficar. 
E eu passei a gostar um bocadinho do raio da gata. Ou a desgostar menos, vá.

sábado, 13 de outubro de 2012

Botswana? Onde é que isso fica? Who cares? Está quadripolarizado!






"Querida Ursa,

bem sei que estou em falta porque ainda não quadripolarizei o país onde estou a viver, a África do Sul, mas só me lembro disto quando atravesso fronteiras!

da última vez foi a Namíbia, desta feita temos o Botsuana! 

infelizmente não encontrei ninguém junto à entrada da Univ. (era domingo!!) e tive que ser eu mesma a declarar, uma vez mais, o carinho quadripolar que por ti nutro!!! 

um beijinho,

D"


Beijinhos para a D. mais linda!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Houve concurso quadripolar no facebook da ursa

O desafio era descobrir o/a quadripolar que acompanha o facebook da ursa que tem mais amigos quadripolares em comum. 

O prémio era surpresa e eu acho que quem se dá ao trabalho de concorrer a um desafio sabendo que o prémio é surpresa e ofertado pela Pólo Norte é, só por isso, merecedor de tudo, tudo, tudo. 

Posto isto, a vencedora é a Ana:



O prémio? Tal como anunciado, é tão bom que até dá vontade de chorar. Sim, isso mesmo! Ana, vem daqui...



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