domingo, 31 de março de 2013

All together now!

"Cara Pólo Norte... 


Peço muita desculpa por estar a chatear (é sempre bom quando um email começa assim, com desculpas). Sou uma leitora assídua do blog e sei o quanto gostas de ajudar causas um pouco perdidas... Eu sou uma argumentista portuguesa (é verdade, é uma espécie em extinção, mas que existe, ainda que pouco) que, lutando pela minha sobrevivência, estou a concorrer ao Biggest Baddest Bucket List (basicamente quem ganhar pode ir de viagem durante seis meses pelo Mundo com tudo pago e tem de fazer textos e vídeos sobre os sítios que visita). Acabei de terminar o vídeo e o texto e de pôr tudo online e, precisava de votos... 

O link para o vídeo (que é uma apresentação diferente e divertida - espero - do Porto) é este:

Ai também se pode encontrar um texto sobre uma viagem a Nova Iorque e algumas fotografias. Se gostares do meu vídeo e do que escrevi, será que podias apoiar a minha "candidatura" e partilhar com a tua comunidade? Preciso de votos até amanhã (sim, Domingo de Páscoa) à meia noite... e, pronto, achei que uma causa impossível seria uma boa causa para te apresentar.

Mais uma vez, desculpa por incomodar e se foi um abuso enviar este email... 

Obrigada!"


Mekié, tudo a votar na Ana Sofia? (depois exigimos-lhe quadripolarizações por esse mundo fora)

Análise do público do Blogue: “Quadripolaridades”

Há uns tempos umas raparigas chanfradas  eruditas decidiram dedicar horas da sua vida a investigar esse grande fenómeno de interesse mundial: o Quadripolaridades.

Porque muitos de vocês responderam ao questionário que as moças disponibilizaram online, eis algumas conclusões vitais para qualquer quadripolar:


  • A audiência do blogue é maioritariamente feminina, sendo que este género corresponde a 96,2% dos seus leitores;

Pólo Norte dedica um post ao que sente mais falta nesta Páscoa

Eterna saudade... querida vesícula!

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 16

Ou, neste caso, são mais bem relacionados que os vossos:


Novas opurtunidades ensserram hoge

Depois de perceber que existem pessoas que não sabem sequer usar uma máquina de calcular para fazer as contas que nunca souberam fazer de cabeça e que têm o nono ano concluído...

Depois de perceber que existem pessoas que escrevem dois erros ortográficos na mesma palavra e que passaram a ter o décimo segundo ano...

... percebo que hoje, com o encerramento das novas oportunidades, há finalmente uma evidência inequívoca de que Jesus ressuscitou. 

Os Deuses devem estar loucos


Vamos repôr todas as quadripolarizações em atraso. 

Hoje: Índia pela queridíssima Bluebluesky

Obrigada!

sábado, 30 de março de 2013

Pensamento pecaminoso pós-duche (post para mães não sensíveis de criaturas ou pessoas baby/child-free)

Apeteceu-me lavar o cabelo com o shampoo da Mustela da Ana, coisa mais cheirosa. 

No entanto, o frasco de gel de banho de aveia acabou-se durante a banhoca. 
Acabei de me lavar com o gel de mámen, daqueles da "Nívea for men". 

Temo, honestamente, cheirar a pedófilo...

Oh céus, ao que eu cheguei! (private post para mães de criaturas)

Sabes que andas a assistir a demasiados episódios do Pocoyo quando a tua interjeição de eleição deixa de ser "foda-se!" ou "porra!" ou "caramba!" e passa a ser "oh céus!".

Se não tens uma tradição pascal: cria-a!

Hoje chorei-me ao pé da minha tia que "não tinhamos terra". Refutou que Cascais é uma terra. "Que não tinhamos tradições pascais". Refutou que o padre de Alcabideche não vai de casa em casa a dar o Cristo a beijar há séculos. "Que não tínhamos iguarias pascais".

Amanhã inicia-a a tradição do "cozido à portuguesa para o almoço de domingo de Páscoa" nesta família. 

(Ana, ficas-me a dever uma, filha!)


Decadência: definição

Eu já fui a pessoa que acordava sem vincos da almofada na cara.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Por mim, desde que não chegue à MRP ou ao Paulo Coelho so far, so good...

Pergunta: a Clarice Lispector foi substituída na blogosfera pelo Caio Fernando Abreu?

Ah, o que eu adoro modas literárias (not!).

Por outro lado...

... sou menina para ir comer os melhores pastéis de nata do Mundo ali para os lados de S. Martinho do Porto.

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que têm famílias com tradições pascais, cabrito assado, missa, cabrito assado, padre a benzer as casas, cabrito assado, mais comida, entre a qual cabrito assado e as pessoas com famílias como a minha.

Humpf.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Lisboa, gaita, de chinela no pé

Hoje em Lisboa, no espaço de 2 Km, avistei 5 capachinhos.

Sim, eles ainda existem.

Tenho uma teoria: a vida amorosa das pessoas compara-se sempre ao seu prato preferido

A minha vida amorosa já foi sushi no Aya (paz à sua alma): pouca quantidade e muita intensidade, comida que não é comida, é uma experiência. Chá verde e sakê, só para baralhar. Os sushizinhos todos ali expostos num barco, coisa que enche o olho, que causa espanto, inveja. Empregados que nos tratam com deferência e conhecem-nos pelo nosso nome próprio, pelo título académico, talvez. Salas privadas e intimistas para sentir a luxúria do melhor sushi. Contas caras, no final, para pagar. 

Também já foi sushi à descrição, em buffet. Sushi às peças, valor fixo, bebidas à parte. Foi muita variedade e pouca qualidade. Fast food de sushi, calpis aguado para render.  Sushi à fartazana, até ficar mal disposta, em pratos de vidro não soprado comprados na Makro. Empregados que só repõem os tabuleiros de sushi, a necessidade de termos que ir até ao buffet servirmo-nos sozinhas, no final de contas. Muito barulho e sem música ambiente, ruído, talvez. Pechinchas no final. 

Lembro-me agora de uma vez, duas talvez, em que foi sushi com arroz trinca, delícias do mar a substituir peixe fresco, sashimi de sardinha e carapau. Sushi de restaurante chinês. Molho agri-doce em vez de soja. Mostarda em vez de wasabi. Nem de graça o deveria ter provado. 

Hoje é um "sushi to sashimi" no Sushi Café: sushi na medida certa, nem a mais nem a menos, o ideal para ficar satisfeita, o ideal para não ter fome nem ficar mal disposta com a abundância. Sushi de qualidade inquestionável, quantidade certa para ficar satisfeita e não cheia e vontade de querer voltar. Chá verde para desintoxicar. Wasabi para limpar o palato. Tudo bate certo. Sashimi fresco e de 3 ou 4 variedades diferentes, nem a mais nem a menos. Sushi na mesa do costume, a que tem melhor vista, sentir que quase se come em casa. A conta justa, no final. 

Oh que "socratilégio" ou como se explica o regresso do Jota Sócrates

"A Síndrome de Estocolmo (Stockholmssyndromet em sueco) é um estado psicológico particular desenvolvido por algumas pessoas que são vítimas de sequestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do sequestrador. Pode ser também chamado assim uma serie de doenças psicológicas aleatórias.

As vítimas começam por identificar-se emocionalmente com os sequestradores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência. Pequenos gestos gentis por parte dos captores são frequentemente amplificados porque, do ponto de vista do refém é muito difícil, senão impossível, ter uma visão clara da realidade nessas circunstâncias e conseguir mensurar o perigo real. As tentativas de libertação, são, por esse motivo, vistas como uma ameaça, porque o refém pode correr o risco de ser magoado. É importante notar que os sintomas são consequência de um stress físico e emocional extremo. O complexo e dúbio comportamento de afetividade e ódio simultâneo junto aos captores é considerado uma estratégia de sobrevivência por parte das vítimas.
É importante observar que o processo da síndrome ocorre sem que a vítima tenha consciência disso. A mente fabrica uma estratégia ilusória para proteger a psique da vítima. A identificação afetiva e emocional com o sequestrador acontece para proporcionar afastamento emocional da realidade perigosa e violenta a qual a pessoa está sendo submetida. Entretanto, a vítima não se torna totalmente alheia à sua própria situação, parte de sua mente conserva-se alerta ao perigo e é isso que faz com que a maioria das vítimas tente escapar do sequestrador em algum momento, mesmo em casos de cativeiro prolongado."

quarta-feira, 27 de março de 2013

Os alemães têm o síndrome do blogger famoso

Blogger famoso que é famoso queixa-se da inveja dos outros. Ah, criticam-me? São invejosos. Não gostam dos meus outfits escanifobéticos? Tumbas, inveja! Não concordam com disparates que eu escrevo? Inveeeejooooosos!
Os alemães foram tomados por este síndrome: o síndrome do blogger famoso. E, tal como ao blogger famosos, há que chamar os alemães à realidade e explicar algumas coisinhas. A ver:


  • As vossas mulheres são altas e loiras. Mas, invariavelmente, depois de parirem continuam altas e loiras mas parecem camafeus. As alemãs envelhecem mal para caramba. 
  • Vocês não jogam um caralho de futebol.
  • Toda a gente sabe que a vossa cerveja não é a mais famosa do Mundo, excepto vocês que continuam a acreditar nesse mito. Toda a gente prefere a cerveja belga.
  • Os vossos homens têm cara de garrafões mal lavados. 
  • Sim, os vossos carros são de mecânica muito boa e tudo e tudo e tudo. Mas, no nosso país, quem tem um Mercedes ou é taxista ou motorista da Carris ou emigrante recalcado. E isso, definitivamente, não é digno de inveja.
  • As vossas mulheres quando apanham sol não se bronzeiam: ficam com a pele em carne viva. E isso não é bonito. Também têm alergia a cera e a gilettes e apresentam sovacos farfalhudos. E má circulação. E não, não é um mito que nós bem vemos essas coisas espertas nas nossas praias.
  • Os vossos vinhos não prestam.
  • O vosso líder mais carismático foi um assassino. Pior, ostentava um bigode que provoca vergonha alheia a qualquer português que viveu nos ano 80.
  • A vossa chanceler, em Portugal, tem como sósia o Joaquim Monchique. 
  • A vossa língua é rota. Quando alguém, que não vocês, a fala, cospe muitos perdigotos. Reitero, até vocês nos suscitam vontade de abrir um guarda-chuva para nos protegermos dos vossos gafanhotos. 
  • Ler um mapa alemão é pior que descobrir palavras numa gigante de letras. Cada nome de rua tem no mínimo 475 letras. 
  • Tokio Hotel. Querem mesmo que vos fale dos Tokio Hotel?
  • A vossa gastronomia acaba toda em wurst. Freud poderia explicar isto...
  • Vocês baptizaram de Oktoberfest um evento que começa em Setembro.
  • Quando fui à floresta negra gostei imenso da paisagem, na Baviera fiquei deslumbrada com os castelos, Baden Baden é muito bonito e, depois de duas semanas a fazer uma road trip pelo vosso país exclamei "isto é muito bonito, só é pena não ter parado de chover 5 minutos. Isto no Verão é que deve valer a pena!". Era Agosto. 
  • Carne de porco, a vossa iguaria preferida, dá cabo da pele. E da vesícula biliar. 
  • O vosso Einstein era um génio, sim senhor. Mas casou com a própria prima. Até o habitante mais esquecido numa aldeia perdida do concelho de Freixo de Espada à Cinta sabe que isso resulta em filhos avariadinhos do juízo. 
  • Os vossos Papas são tão fraquinhos que decidem renunciar, Mariquinhas!
  • Gostei tanto de ir de férias à Alemanha que a única palavra que decorei foi Ausfahrt.
  • Os portugueses achavam-vos uns chatos. E aos chatos ninguém inveja!



terça-feira, 26 de março de 2013

Ana enfrenta o seu primeiro combate blogosférico

Preferes o alter-ego polar da mãe?

Tapa-orelhas Pólo Norte oferta da mãe
 Ou preferes o alter-ego bigodaço do pai?

T-shirt Mámen oferta do pai

segunda-feira, 25 de março de 2013

Ana reage ao regresso de José Sócrates

Sou uma romântica, bem sei...

Desde que a miúda nasceu a minha casa desarruma-se sozinha: ali uma manta, um biberão pousado no braço do sofá, uma colher em cima da mesa, brinquedos atirados ao chão. 

Hoje, cansada depois de arrumar a sala, comecei a pensar que devia ter duendes em casa. Enquanto este pensamento me povoava a mente, atiro-me para cima do sofá e oiço: "it's a bissscuiiit!".

O meu ar de susto fez a Ana dar uma gargalhada. 

Confesso que, durante um segundo, pensei ter morto, por esmagamento, um duendinho míope que chamava o meu rabo de biscoito...




(Era um livro infantil, daqueles com som, que jazia debaixo de uma almofada. Pfff!)

Post pedido: os amantes das outras

Prova de que Deus é um ser muito irónico


Acabei de receber uma prenda de Páscoa para a Ana.

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domingo, 24 de março de 2013

100

Preciso de 100 pessoas que, independente de conhecerem a pessoa, recomendariam a ursa para um trabalho!

O recrutamento destes recomendadores voluntários está a acontecer aqui

Queres vir correr a meia-maratona de Lisboa?

Mais depressa era possível ver a Ponte 25 de Abril a pé numa tentativa de suicídio do que a correr a meia-maratona. 

Vida de novelas

Tudo o que eu queria era uma vida como as que aparecem nas telenovelas.

Com um amor sofrido?
Com muita intriga e suspense?
Com muita emoção?

Não. Com pequenos-almoços nas mesas de casa como os que comemos nos hotéis. Sumo de laranja incluído.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Definição de flagelo

"Entre 2002 e 2010, foram 17,616 os homens que tiveram que ir aos serviços de urgência após prenderem um órgão genital no fecho-éclair das calças, revelou um estudo publicado na revista BJU International, dedicada à urologia. 


Desengane-se quem pensa que os casos de homens que entalaram o pénis ou os testículos no fecho da braguilha não passam de assuntos da cultura popular. 

Segundo a Universidade da Califórnia, «o pénis foi quase sempre o único órgão genital envolvido» nestes casos. 

Os incidentes relacionados com o fecho-éclair representam um quinto, ou 20%, de todos os ferimentos em pénis anualmente, revela o relatório. 

Entre o sector adulto, o fecho-éclair foi a causa mais frequente de ferimentos no órgão genital masculino. 

Os autores do estudo concluíram que o problema afecta tanto adultos como crianças, e que as pessoas «deviam estar familiarizadas com técnicas para desentalar a genitália da braguilha».

Serviço público à laia de Marcelinho Rebelo de Sousa (já expliquei isto umas 432 vezes)

O Estado diz que não vai despedir gente e com razão.
O Estado vai propor rescisões "amigáveis" com os funcionários públicos. 
O Estado não vai contribuir para o desemprego em Portugal porque não vai despedir funcionários públicos. 
Sendo "rescisões amigáveis" considera-se que, com base nos "acordos" de rescisão contratual (reparem na palavra" ACORDO"), as pessoas acordam em desvincular-se às respectivas entidades empregadoras. 
Se acordam, logo, concordam. Se concordam, logo, trata-se de desemprego voluntário. 
O desemprego voluntário pode não dar direito a qualquer subsídio de desemprego (em 95% dos casos a que já assisti não dá acesso, efectivamente). 
Os números de desempregados contabilizados pelo Estado baseiam-se nas pessoas inscritas nos centros de emprego. 
Alguém vai, voluntariamente, inscrever-se num Centro de Emprego não tendo necessidade de requerer subsídio de desemprego? Para quê?
O Estado não vai, assim, despedir gente, nem contribuir para o aumento do desemprego no país. 
O Estado diz que não vai despedir gente e com razão.



Entendidos?




(Adenda- Já para não falar dos funcionários públicos, admitidos antes de 2005 que, não descontando para a Segurança Social, não podem sequer aspirar a um hipotético subsídio de desemprego. )

Pleonasmo ou "terá ido para o Pavilhão Atlântico numa carreira da Carris?"

"Tony Carreira está a comemorar 25 anos de carreira..."- o ar da Judite de Sousa no Telejornal a dizer isto é impagável.

(E eu gargalho com coisas tão estúpidas, pá!)

Mais ideias de comentadores para a RTP

Margarida Martins  e Joana Vasconcelos a comentarem dietas que resultam. 
Paulo Futre e Jorge Jesus numa rubrica do género "Bom Português".
Paula Neves a comentar a arte da representação. 
Carolina Patrocínio numa rubrica sobre cuidados da pele na exposição ao sol e ao solário.
Lili Caneças como comentadora de filosofia e metafísica. 
Cláudio Ramos na rubrica "Como seduzir uma mulher".
Júlia Pinheiro e Cristina Ferreira a comentarem "A arte do sussurro".
Carlos Cruz a comentar "Educação infantil".
José Castelo Branco em "O orgulho de ser macho alpha".
Bibi a comentar os pré-requisitos para se ingressar numa carreira de Motorista de Transporte Coletivo de Crianças.


Pólo Norte a comentar truques de amamentação natural. 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Queria fazer uma piada alusiva ao Sócrates vir a ser comentador político na RTP a partir de Abril

Mas depois lembrei-me que a RTP ainda é pública e os honorários do senhor vão ser pagos com o dinheiro dos subsídios cá de casa. 

E não consigo gracejar. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Todas as terras deviam ser assim

A minha terra tem uma "Rua Direita". Tem um "Café Central" e um "Cantinho do Morais". No Largo da Igreja há um coreto. Tem um padeiro que ainda faz pão em casa e o deixa de manhã à porta das pessoas. Flores amarelas de erva azeda em vez de ervas daninhas pelas bermas da estrada, Há uma Rua 25 de Abril. Tem pessoas que dizem sempre "bom dia" a quem passa, mesmo que sejam desconhecidos. Ao meio dia toca a sirene dos bombeiros. Tem um campo da bola. Tem festas em honra da padroeira com bailaricos. Tem um velho rebarbado que adora dar beijinhos e abracinhos às amigas de infância da filha. Um posto da GNR. Andorinhas a fazer ninho nos beirais dos telhados na Primavera. Tem uma marginal. Um Grupo União Desportivo. Tem um moinho de vento. Tem um grupo de gordas que vestem coletes reflectores amarelos e fazem marcha pela aldeia à noite. Um carteiro que se entrega cartas deslocando-se numa Zundapp Famel. Tem um café com uma empregada que sabe tudo da vida de toda a gente e que se chama Patrícia mas que tem o apelido de "Correio da manhã". Tem Pão por deus dia 1 de Novembro. Tem uma mercearia que toda a gente achou que ia à falência com a abertura do shopping mais próximo mas que resiste porque vende o pão de Mafra,  o chouriço de sangue do Minho, os queijos frescos mais frescos e iguarias típicas directamente dos fornecedores locais. Tem ovelhas e pastores que fazem parar o trânsito, às vezes. Tem beatas que moram ao pé do adro da Igreja e que vão a todos os funerais e velórios, mesmo que não conheçam os mortos. Tem uma poetisa popular que faz quadras à desgarrada. Tem um sino que se ouve, altaneiro, às onze da manhã de domingo. Tem vizinhos que se cumprimentam por "vizinhos" como se fosse um parentesco. Tem um cata-vento no telhado da escola primária. Tem muita gente que não sabe o meu nome mas sabe de quem sou filha e neta. Tem o "enterro do bacalhau" todas as quartas feiras de cinzas. Tem gente que se conhece pelo nome próprio. 
A minha terra tem vida lá dentro. 

E a tua?

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que vivem numa terra que tem uma "rua direita" e os outros.

Velha do Restelo

Para mim não há cá cupcakes que tirem lugar aos queques. Num casamento, copo d' água que é copo d' água dança-se em comboio o "Apita o Comboio". Pastel de nata é pastel de nata não há cá variantes com chocolate ou o camandro. Traje académico, a ser, é à cotovia com capa negra e não com kilts modernos. Plutão será sempre um planeta. Pizza é de queijo e nunca de chocolate. 1 de Novembro é dia de Pão Por Deus e borrifei-me para o Halloween na véspera. Sushi alentejano é parvo: sushi que é sushi é japonês. Terça-feira de Carnaval é feriado. Um inter-rail é feito de comboio e não de carro ou de auto-caravana. Cago de alto para a ASAE e não há bola de berlim que me saiba melhor do que as comidas no areal da praia. Quando nos casamos temos um par de padrinhos e não 2436 madrinhas. Café que é café chama-se bica, qual Starbucks qual quê. A União Europeia tem 12 países decorados (e mais alguns a que tem que se recorrer ao Google). Castanhas assadas vêm em cartuxo feito com páginas de lista telefónica. O único lugar onde as cápsulas da Nespresso ficam bonitas é esmagadas dentro da máquina e nunca em bijuteria pós-moderna. Bolo de bolacha que é bolo de bolacha leva manteiga e não natas. As andorinhas chegam na Primavera e bazam no Outono. Os pais da Heidi emigraram (lalalalalala! Não estou a ouvir! lalalala!).

E a Primavera começa a 21 de Março. 

Conversados?

Os humanos devem estar loucos

Desde quando é que a Primavera deixou de começar a dia 21 de Março e passou a iniciar funções hoje, caramba?

terça-feira, 19 de março de 2013

"I'm a Blogger, what's your super power?"



"Já não é a primeira vez que me perguntam, porquê um blog? Porquê perder tempo numa coisa que não sabes se é lida pelos outros? Simplesmente, porquê?
É simples. Muitos gostam de ir ao futebol ao domingo, gostam de ir às compras, apaixonaram-se por aquela flor que viram na berma da estrada. Porque não contar ao mundo? Porque não fazer com que o mundo saiba que aquela flor está ali, quietinha à espera que um de nós passe e lhe dê a devida atenção? E se não for aquela flor, que pelo menos vos abra os olhos para as bermas da estrada dessa vida para encontrarem aquela flor por que se vão apaixonar?
Ser blogger é isso (desculpem, mas recuso-me a usar o termo, blogueira ou outros do género que para aí andam). É ver e contar ao mundo. É falar para o espelho da casa de banho (eu tinha muito essa mania, em miúda...e ainda tenho) e contar-lhe que encontrei a loja mais gira, comprei o livro mais bonito, tirei as fotos mais inspiradoras. É chegar ao último andar e gritar do terraço que comemos a melhor pizza do mundo no sitio X. E no fim de semana a seguir, quantos de vocês irão confirmar que a pizza é mesmo boa? Também pode ser não dizer nada e deixar as imagens falar por elas mesmas. Fotografias que nos inspiram, que nos mexem com a alma, que nos tocam no dedo grande do pé.
O outro lado? É saber que nos lêem. É ver um mail a cair, a avisar que alguém comentou. Que partilham os nossos pensamentos, que não concordam de todo, que adoram a foto que postamos, que querem que nos vamos lixar.
Ser blogger é isto. É dar, sem esperar receber, mas ficar parvos de contentes por ter comentários. Por haver quem queira saber mais. Por haver quem se interesse. Por haver alguém, no canto mais recondito deste mundo que gosta ou não do que lemos, mas que pelo menos nos dá importância que chegue para comentar e dizer-nos que está ali.Obrigada a quem comenta, obrigada a quem não comenta. Obrigada por me virem visitar. Mas digo-vos que me deixariam mais contentes se deixarem um comentário que seja para eu saber pelo menos com quem falo! "

Da querida Milk Woman aqui

Ao Pai cá de casa (para mim, sempre, Mámen!)


... hoje é o teu dia, este, a coroar todos os que já se somam e os que se seguirão. Hoje é o meu dia também, um dia do Pai com Pai, ainda que não o meu, o que foi escolhido por mim. Hoje é o dia da Ana, cópia de ti, olhos de mar, sorriso húmido como as brumas das ilhas. Filha. 
Ofereceste-te por inteiro e hoje és o Pai desta casa, ofereceste-me um Pai para dedicar a uma filha, tão linda, tão tua, tão nossa. 
Hoje é o teu dia e queremos que saias cedo do escritório. Gostamos de ti assim, calmo e pachorrento, cool e divertido, adulto e ao mesmo tempo criança. Tu tens sempre vagar, Pai cá de casa, e quando te apressam dizes como quem tem todo o tempo do mundo que "o mar é já ali!" Não gostas que te pressionem e vives ao ritmo da dolência das ondas do mar dos Açores, azul como os olhos da Ana. É uma questâo de metabolismo insular.
No entanto, Pai cá de casa, sabemos que o tempo pára quanto pegas na Ana ao colo, lhe fazes cócegas na barriga, brincas com os lábios barulhentos na curva do seu pescoço ou a atacas com uma crise de beijos sem fim. Sabemos que aí, só aí, não há pressa nem tempo e gostamos quando nos confidencias que durante o dia de trabalho fechas os olhos, tão iguais aos dela, e te concentras nesse azul tão vosso, no riso dobrado e te apetece dar corda aos ponteiros do relógios e varreres o tempo para te juntares a nós. Aqui, onde a vida passa ao ritmo dos teus Açores. 
Sabemos que, durante o teu dia de trabalho, o mar às vezes está longe e não é já ali. Que o tempo tem que ser mastigado, que o ritmo te esgana o compasso da vida e que só tens pressa de voltar a casa, filha nos braços, colo do tamanho de um oceano. 
Por isso, Pai cá de casa, queremos dizer-te que o teu posto de abrigo é aqui. Pedir-te para te apressares de todas as obrigações, para beliscares os ponteiros dos relógios quando as horas nos apartam e que te lembres dos olhos cor de mar da tua filha, que te espera com um sorriso de estrela. Estrela do Mar. Porque aqui, Pai cá de casa, o tempo tem outra dimensão e é vivido à velocidade do amor. Porque aqui podes ser tu. E esperamos-te sempre com olhos de riso e de mar.
Porque, afinal, o mar é já aqui. Amar é já aqui. 





segunda-feira, 18 de março de 2013

Boas notícias

Lembram-se disto?


Ariel tira foto abraçado com Sean Penn Foto: Facebook / Reprodução



Se eu já achava ridículo os pais que anunciam o nascimento de um bebé falando na primeira-pessoa como se fossem a criancinha...

"Loulé - T2 “Não me deixes partir” 

Sou o T2 que não quer partir sem entender o que temos nós dois.
Com pressa de crescer percebi que tudo tem o seu valor e o nosso amor não terá igual,
basta um gesto simples, não complicado nem ousado, apenas um sinal.

Os meus 125 m2 novos para ti que me queres único e exclusivo… e assim serei, prometo! Tenho os acabamentos com tamanha qualidade e perfeição que mesmo para ti que és exigente ficas rendido aos encantos do design moderno.

As minhas varandas estão à tua mercê para fortalecer o que temos nós dois. Sou cheio de luz e de conforto com o pavimento em madeira nos quartos de 16 m2 e na sala de 24 m2, aberta ao mundo, para dar-te felicidade todos os dias.

 A vista deslumbrante que me envolve e que poderás ter sempre que abrires os estores elétricos, vai transportar-te diariamente para mundos e sonhos que só nós iremos saber. Estou no terceiro andar de um prédio também novo, cheio de charme e tranquilidade.

 Mas como sei que me queres próximo de todas as comodidades e junto a uma das principais vias de acesso à cidade, aqui estou! Mas sem deixar de ser uma zona calma e central, envolvido em jardins magníficos e várias áreas de lazer. Quem sabe, de repente, faz-me um sinal, um gesto simples, não complicado nem ousado por 400 BPM’s, para entendermos o que temos os dois. ♥"


(Como se comenta isto?)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Férias. Curtinhas. Voltamos já!


Sou má de março

Morreste-me e a minha vida ficou amputada como uma árvore a que cortam as raízes. O meu tronco mantém-se de pé (sim, as árvores morrem sempre de pé, lembro-me da lição!) e a minha vida tem flores e até deu frutos, avó. Mas nunca serei eu inteira sem vós, sem ti. 
Morreste-me e fecho os olhos, todos os dias, para manter presente cada sinal de ti, a pele enrugada, o cheiro a terra, a erva, a Minho. As orelhas furadas com as argolas de ouro e as mãos- ingratas- a falharem-te, rijas como que solidificadas à força do pulso forte com que regias a vida. Os olhos verdes escuros, o nariz arrebitado, as sobrancelhas que me deixaste de herança. Fecho os olhos e oiço, todos os dias, a tua voz rouca, a pronúncia do Norte, o tom impaciente, as expressões tão tuas. 
Morreste-me e não passa um dia sem que me lembre de ti à força de não te querer esquecer, ainda que arda a tua morte recente, o ontem que ainda aqui estavas, a tua pele, avó, o pão com manteiga aquecido nos bicos do fogão, os teus cabelos negros, o leite morno com café e cacau, coisas tuas. 
Morreste-me mas perduras para além de todas as memórias que faço questão de alimentar, tenho medo de um dia a memória me falhar, avó, e preciso saber-te de cor e salteado- como ontem- para sempre. Perduras numa presença invisível, de sentir, sem explicação. Mas morreste-me e não podias ter morrido assim. 
Hoje é o teu dia, avó, e falo contigo no presente porque morreste-me mas nunca morrerás em mim. Serás presente enquanto eu existir porque o pretérito não foi perfeito, porque te levou num passado recente, para longe de mim. 
Quando passarás a provocar-me um sorriso saudoso nos lábios em vez de lágrimas de perda e de solidão, avó? A vida, sem ti, não me sacia. Fazes-me tanta falta. 
Hoje é o teu dia, avó. Escuta-me, baixinho, a cantar-te os parabéns. O avô ri e tu zangas-te com ele. Rimo-nos os três. Não me voltas, avó mas eu estou aí, agora estou aí, a cantar-te os parabéns. No regresso, trago um restinho etéreo de ti para alimentar a Ana pequenina, que te vai conhecer como se vivesse contigo. No regresso, trago essa raiz que a tua morte me levou para a plantar nos pés desta bebé, por estaca ou por semente, não sei, mas vai pegar, avó. 
Tu sempre me dizias que se deve falar com as flores para elas crescerem mais bonitas. 
Parabéns para ti, minha, nossa avó!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Tenho tanta pena que o Vaticano não me tenha pedido a opinião ou feito um referendo, sei lá

Fico chateada- que fico!- por o novo papa se chamar Francisco.

Papa Chico.
Papa Paquito.
Papa Quico até, se por ventura vier a Cascais.


"Papa-Nicolau" é que era...

Quem não chora, não Papa.

"Don't cry for me Argentina".

E pumbas: habemus Papa.

É só uma ideia

Capela Sistina. Câmaras. Uma piscina (há sempre uma piscina, mesmo que seja de Inverno). Um telefone ligado ao céu para as missões. E vários confessionários (não deve ser tarefa difícil). 
Deus a interpretar "a voz". Teresa Guilherme depois de algumas lições de latim: "ab non agora interessum nade". 

"Conclave dos Segredos"- TVI, contrata-me para a produção. 

Porque hoje é dia 13...




You're a part time lover and a full time friend
The monkey on you're back is the latest trend
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

Here is the church and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

We both have shiny happy fits of rage
You want more fans, i want more stage
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

You are always trying to keep it real
I'm in love with how you feel
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

I kiss you on the brain in the shadow of a train
I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

The pebbles forgive me, the trees forgive me
So why can't, you forgive me?
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du
I don't see what anyone can see, in anyone else, but you


Dúvidas conclaviásticas

Um grande Papa é um papão?

terça-feira, 12 de março de 2013

Hipoactiva e subdotada. Mas é incrivelmente bonita e isso é capaz de lhe vir a dar mais jeito! (Tooomem, que já não vos aguento!)

Eu não suspiro por uma filha racing. Não aspiro uma filha que dê voltas à pista da vida mais depressa que os outros. Que chegue primeiro a lado nenhum.
Eu não faço questão que a minha filha se sente aos 4 meses, que ande aos 6 e que fale aos 9. Eu quero uma filha com tempo para experimentar a vida, ao seu ritmo. Uma filha que não engula a vida, com pressa, mas que a saboreie devagarinho.
Eu não sonho com uma filha que leia aos 3 anos, que faça fracções aos 6. Eu quero uma filha com tempo para questionar cada aprendizagem, para reflectir sobre ela, a aperfeiçoar ou a pôr de lado e explorar alternativas. Uma filha que experimente a vida como se estivesse num provador e que escolha a que melhor lhe assente, sem olhar a moda ou padrões impostos.
Eu desejo que a minha filha tenha o seu próprio estilo de vida. Sem pressões para ser mais rápida, mais esperta, melhor. Eu ambiciono que a minha filha não entre em corridas, comparações, inseguranças de quem se baliza pela norma. Eu desejo uma filha que crie as suas próprias regras de felicidade e seja fiel às suas convicções . Eu quero uma filha com tempo para poder reflectir naquilo que serão os seus dogmas, as suas crenças, a filosofia com que regerá o que a torna feliz. 
Eu não quero que a minha filha seja "primeirasss!", uma filha de "quadro de honra" da vida, uma filha que faz para se sentir admirada, invejada ou role-model para os outros. Eu não quero uma filha que precise de validação externa, de palminhas, de público. Eu quero uma filha que tenha os aplausos dentro de si. 
Eu não desejaria uma filha sobredotada. Eu quero mesmo é uma filha sobrefeliz. 




Tal e qual

"
Hoje estou no modo "belieber"



Estas são fotos tiradas em Fevereiro de 1964 (e retiradas da net), quando os Beatles se preparavam para dar o primeiro concerto nos Estados Unidos da América.
Estamos em 2013. Fãs adolescentes anseiam ver o Justin Bieber pela primeira vez em Portugal. Pergunto-me onde estará a descomunal desgraça de que todos falam. Se há coisa que nunca deixou de existir, foi esta adoração massiva por um grupo ou artista fenómeno. Fazem parte do crescimento estas doses de histeria e infantilidade, por muito patetas que sejam. Sempre houve e sempre haverá fãs adolescentes com as hormonas descontroladas e em completo estado de euforia, a cometer loucuras pelos seus ídolos. Loucas parecem as pessoas que ainda se dão ao trabalho de entrar em estado de choque com isto. Oh Meu Deus, o fim do mundo! Deixem lá as miúdas viverem a paixão musical delas à vontade. Se tudo correr como espero, o raio do moço já está reformado daqui a alguns aninhos e não chateia mais ninguém.
A idade é isto mesmo: é olharmos para trás e ficarmos meio que embaraçados, enquanto nos perguntamos o que nos estaria a dar na cabeça para termos sido ou agido de determinada maneira. É aí que percebemos que crescemos todos os dias e que todos os dias, mesmo os mais estúpidos, contam. Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra. "

O mundo divide-se...

... entre as pessoas que na adolescência compravam a "Bravo" em alemâo, sem perceberem um boi do que lá vinha escrito só por causa das fotografias dos ídolos da altura e as outras. 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Eu também já fui pita. E parva.

Sim, a minha mãe foi a melhor mãe do Mundo e era atenta, regrada e rígida e tudo e tudo. Tinha até a pretensão de que me policiava 24 horas por dia. E isso não me impediu de:

- Sair de casa com uma roupa tapadíssima em Dezembro e chegar à escola e mudar de vestimenta na casa de banho das raparigas e vestir, por diversas vezes, decotes em que se via o meu estômago;

- A minha mãe dar-me boleia para o ILPA no Estoril, cuja mensalidade era na altura 7 contos, chegar lá, assistir a uma hora e ao intervalo ir com a minha amiga Cláudia para a praia, ali a 200 metros, e voltar para apanhar boleia da minha mãe à hora de término da aula de Inglês, como quem não quer a coisa e com medo dela topar grãos de areia na minha roupa;

- Dizer que ia dormir à casa da Tânia porque tinha que fazer trabalhos de grupo e ir passar a noite n vezes com o namorado que já tinha casa própria;

- Esperar pelo dia em que fazia 18 anos para fazer um piercing depois de várias tentativas em acorrer à "Bad Bones" para mo fazerem antes da idade.  

- Tatuar o nome do amor da minha vida, aos 16 anos, na omoplata. Era Inverno e a minha mãe só deu por isso na Primavera porque me entrou de rompante na casa de banho enquanto tomava duche. Levei uma coça memorável, fiz uma  remoção a laser daquela porra (não sem antes a minha mãe quase me ter arrancado a pele com esfregão com palha de aço na tentativa de poupar dinheiro) e trabalhei dois Verões seguidos para repor o dinheiro em caixa.*

Portanto, estou solidária com todas as mães das miúdas acampadas para assistirem ao concerto do Justin Bieber. E solidária também com as galhetas que elas derem às filhas depois destas aparecerem constipadas por terem dormido ao relento numa tenda.

Ser pai é alertar para o erro. Por vezes ter que ser condescendente e deixar os miúdos provarem do próprio veneno e verem as consequências dos seus actos.
Deixá-los aprender no duro, na constipação por culpa do decote, na pior nota a Inglês no final do período e no respectivo castigo, na dor do esfregão de palha de aço na pele. Deixá-los aprender com a raivinha de terem que ouvir o célebre "Bem feita! Eu não te avisei?"

Não sei se serei uma mãe permissiva ou rígida, porque a miúda ainda é bebé. Sei que nestas coisas da educação cada vez menos cuspo para o ar, cada vez menos julgo ou critico.  Ainda que à vista desarmada me apetece dar um chapadão à miúda das seis tatuagens. Talvez porque saiba que o ADN é uma coisa lixada.

E, meus amigos, nada é definitivo. Sim, o amor pelos nossos ídolos não é. As certezas próprias da adolescência muito menos. Mas, espero pela graça a Deus, que o maior disparate que a Ana me faça na adolescência seja tatuar uma merda no corpo ou fazer um piercing.
É que ou furos fecham. E com o laser, nem as tatuagens são definitivas.
And we'll always have... palha de aço.


(*Chamava-se Sérgio e o idiota do tatuador, ainda por cima, esqueceu-se do acento.)

Se a crise te dá limões, assume que fazes limonada

Foi o H3 que deu o mote. Para acompanhar menús de hamburgueres a preço do MacDonalds mas a saberem a comida, algo tinha que ficar sacrificado. Neste caso foi, claramente, a bebida. Não que sejam más limonadas mas não passam disso: água e limões. 
Depois a "moda" pegou no Joshuas, na Companhia das Sandes, no Vitaminas e, ontem, dei-me conta, na Loja das Sopas.
Dois recipientes misturadores de "sumos naturais", conforme consta no menu, mas apenas um cheio: com limonada. "Ah e tal, acabou o outro sumo.Só temos limonada, pode ser?"
Pode. Eu até gosto de limonada. 
Só não gosto que me justifiquem a pobreza da escolha da bebida com o argumento de "estar na moda" ou o de que "acabou a outra alternativa de bebida". Assumam que a redução de custos assim obriga  e que se a crise nos dá limões, não temos outro remédio senão fazer limonada,,,

Solidariedade com as Beliebers

Devo ser a única pessoa que não se choca com as notícias das 100 miúdas acampadas para terem lugar na primeira fila do concerto do Justin Bieber. 

O Enrique Iglésias do Niagara


O que me chocou foi ver a mesma movimentação há uns anos atrás para o concerto dos Tokio Hotel...

Pikatchu alemão. Sim, é do sexo masculino. 

Eu: Sofia.

Volta e não volta acontece-me. A mim, blogger. 
Algum Horatio Caine da blogosfera lembra-se de se dedicar à hercúlea tarefa de descobrir o meu perfil pessoal do facebook e age, sempre de três formas: 

1- Faz-me um pedido de amizade que eu declino de forma que me parece óbvia (atentos ao adjectivo perfil "PESSOAL" e ao substantivo pedido de "AMIZADE") pois para uma pessoa que escreve um blog sob um pseudónimo e que não posta fotografias suas, é óbvio que não há interesse em partilhar uma página de facebook onde estão os seus amigos e família com desconhecidos. Não é uma questão de peneiras ou mania (isto, afinal, é como diz o outro "só um blog") mas, fundamentalmente, respeito por quem está na esfera íntima, nas pessoas de cheiro, nos amigos dos abraços e dos beijos físicos e não dos XOXO. Respeito por essa fronteira que separa a pessoa/personagem que escreve num blog da pessoa inteira e de toda a sua rede. 

2- Fazendo-me o pedido de amizade e perante a minha recusa, respeita e compreende, depois de uma reflexão sobre o assunto. Segue a sua vida. Continua a ler o blog. Keep cool. 

3- Fazendo-me o pedido de amizade e perante a minha recusa, fica fucking lixado e "quem é que essa badameca pensa que é, lá porque tem um blog deve achar-se importante e a puta da mania. Ah, queres anonimato e estás-te a fazer de cara? Então toma lá, que eu sou mais esperto e agora vou contar a toda a gente quem tu és para te estragar a festa"

Em quase cinco anos de blog este último estádio teve vários níveis: desde o stalker que criou um blog com fotografias minhas pessoais, da minha família, de mámen, acompanhado do meu nome completo, morada (!) e número de BI (!) e que me obrigou a apresentar queixa contra desconhecidos na Polícia Judiciária (e, sim, o sistema demora mas funciona!) ao "ingénuo" que me apanha a comentar no perfil de um amigo comum com o meu perfil pessoal e me faz o favor de me anunciar com um "olha a ursa!".

Enquanto o primeiro espécime é claramente maldoso e cínico, ressabiado e frito da mona, este último espécie intriga-me ainda mais, muito devido ao altruísmo patente no "Primeiroooos! Vou-te fazer o favor de desvendar que és a Pólo Norte, vou-te poupar à maçada, olha que esperto que eu sou, descobri-te, nananana, vou mostrar a toda a gente who's the boss! Não queres aparecer mas eu descubro-te a careca, ah, you can run but you can't hide! Tooooma!".

Isto leva-me à reflexão do "mas quem raio quer saber quem são as pessoas reais por detrás dos blogs com autores anónimos e porque carga de água é importante conhecer os seus rostos, expressões faciais e verrugas na cara? "

Partilhei esta questão com alguns leitores deste blog porque - juro!- tenho mesmo curiosidade em saber a resposta e indicaram-me algumas razões como "curiosidade" bem como me apontaram argumentos baseados no facto de algumas pessoas serem visuais e necessitarem de materializar as personagens dos blogs para poderem fazer os filmes, imaginarem as acções e acontecimentos descritos nos posts com as caras certas, como se só assim os puzzles das narrativas fizessem sentido. 


O mesmo com a garota de Ipanema. Caramba, a garota de Ipanema não devia ter sido desvendada. a garota de Ipanema não é esta Helô Pinheiro, a garota de Ipanema é a Deborah Secco com aquele riso de menina e ar não gaúcho, com aquele jeito safado e não de songamonga loira. "Jobim, cara, cê falhou!"

Já para não falar dos filmes. Sou só eu que fico sempre frustrada quando um livro passa a filme e tenho que me confrontar com a escolha dos actores num casting real que NUNCA corresponde à imagem das personagens que eu construo na minha cabeça? Não é que, na volta, as personagens imaginadas por mim são sempre mais tudo? Mais giras, mais interessantes, com mais salero?

Por isso digo que não partilho desta curiosidade. Mais, fico até chateada quando algum dos bloggers que eu leio se materializa, se torna real. Fico puta da vida quando descubro que a Beijo de Mulata é loira e não mulata- e agora, o que faço com o cheiro a chocolate e as tranças de cabelo negro que povoavam a minha cabeça de cada vez que a lia? 

Por isso cada vez percebo menos os Horatio Caines desta blogosfera, os Robin dos Bosques que tiram o anonimato aos "com a mania" e o entregam aos "pobres" leitores, os que - justiceiros- repõem a justiça e toda a verdade sobre quem é quem. Só me resta a acreditar que se trata de pouco que fazer. ou ressabiamento por não terem tido o jogo quando eram pequenos. 

Posto isto, vão por mim: a imaginação é sempre mais generosa e interessante que a realidade. 

E nem digo isto por mim. Que se eu um dia sair do anonimato vocês vâo ficar deslumbrados. Até porque toda a gente sabe que eu Pólo Norte sou, na verdade, um alter ego da Sofia Vergara, certo?

Olé!


domingo, 10 de março de 2013

A minha sogra e a curandeira que se não é zarolha, eu estou prestes a vazar-lhe um olho para lhe fazer o favor!

"Ai filha, não te preocupes que ela enganou-se mas depois remediou tuuudo. Esqueci-me de dizer que era a nora do meu mais novo, sabes? Não era do mais velho. A culpa foi minha. Tu confia, filha, que esta curandeira é de confiança, é certinha. 

Olha, por falar nisso, sabes o que é que ela me disse? 

Que vou ter... outro neto!"



Quadripolaridades da minha vida familiar

Mámen prepara-se para fazer o jantar. Pergunta-me pelo martelo dos bifes. Respondo-lhe que parti o cabo e o deitei fora. Cala-se. Vai à lavandaria, passa no armário da casa de banho, vislumbro-o a passar no corredor com um frasco de álcool etílico. Encosta a porta da cozinha. Oiço-o a martelar os bifes.  Silêncio. Sinto o cheiro a carne grelhada, 
Muito intrigada, espreito pela friesta da porta da cozinha.
Em cima da bancada jaz isto:

Martelo IKEA

...

...

...


Juro que a intenção é sempre boa!

Decido cozinhar, inovar na cozinha, surpreender mámen, transformar-me numa cozinheira de mão cheia.
Procuro as melhores receitas nos blogs de culinária top e tudo.
Mas depois, porque sou uma mulher de gostos refinados, selecciono receitas chiquíssimas com ingredientes como 100 grs de Panko (pão ralado japonês), 150 grs de farinha de espelta, 1 colher de chá de bicarbonato de sódio ou 2 colheres de sopa de tahini (pasta de sésamo) e entre a preguiça de ir googlar o que raio são estes ingredientes e a irritação de ter que voltar a googlar em que supermercado gourmet nos confins da Lapa os poderei encontrar, decido-me por tirar uma pizza do congelador e a pô-la no forno. 

Nigella Lawson da Bobadela, é o que eu sou...


sábado, 9 de março de 2013

Sete

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sexta-feira, 8 de março de 2013

Tenho que desabafar

Se alguma das minhas conhecidas que anda a pagar para receber workshops de como fazer bonecas EVA se lembrar de me oferecer uma eu não conseguirei conter o ar de vómito. 

Mas há alguém MESMO que ache aquilo bonito? Antes "naperons"...

A maior glória de uma blogger


Theme song à laia da Ally McBeal

Reunião às 08h da manhã. O interlocutor chama-se Serafim.
Maldito Herman, que me impediu de me concentrar na conversa pois estava ocupada a tentar silenciar isto na minha cabeça:


quinta-feira, 7 de março de 2013

Nem encarnado nem vermelho: red.


Hoje acordei com os jornais diários todos coloridos de vermelho. Homenagem ao Chávez? Campanha do SLB nos órgãos de comunicação social? Células do PCP adormecidas durante anos nos media, de súbito activas e em força? Ou quiçá alguma conspiração dos habitantes de Marte, o planeta vermelho, com alguma mensagem subliminar, no sentido de nos transformar a todos em escravos? 


Afinal era só uma campanha da Vodafone! Ora bolas...

Com tão pouco se faz feliz uma criança

No Santini a empregada tratou-me por "menina". 

Fiquei tão contente que enfiei logo no bolso a mão da aliança e virei-me para a bebé e disse-lhe "a tia já te pega ao colo...". :P

Parece que agora mora neste blog um bug qualquer com um cão a arfar ou um comboio* ou o caraças

E, garantindo-vos de fonte segura de que não andei em correrias e não me gravei a explusar os meus próprios pulmões nem gravei mámen a ressonar, agradeço a quem me ajude a livrar-me desta porra de vírus do blogspot.

(*terá sido praga dos trabalhadores grevistas da CP?)

"Cristina, não vás levar a mal mas beleza é fundamental"

Dessem-me cultura geral suficiente para saber de cor todas as bandeiras hasteadas no Parque das Nações ( ;) ), interesse para ter decorado a puta da tabela periódica, motricidade fina para saber fazer ponpons, habilidade para tornar tecidos em coisas giras costuradas, bom gosto para decorar uma casa como a Concha, sensatez para ser uma expert em poupança e economia doméstica, o jeito para cozinhar da Joana Roque, a graciosidade de uma bailarina, o sentido de humor da Jannifer Saunders, o talento para a escrita do Garcia Marquez, a imaginação de um Magritte ou a sobredotação de ter decorado a tabuada (mesmo a do 7 e a do 8) com 5 anos e continuar a sabê-la na ponta da língua... 

... dessem-me a hipótese de reencarnar na Sofia Vergara e logo vos contava a importância do talento.

quarta-feira, 6 de março de 2013

E para os trabalhadores da CP o quê? Tudo! Tudo! tudo!

Eu sou solidária com os trabalhadores grevistas da CP. Hoje, três horas à espera no Cais Sodré e em Oeiras para finalmente chegar a Cascais , e após ver comboios atrás de comboios suprimidos, tive tempo suficiente para empatizar com os trabalhadores grevistas da CP. Quando cheguei a Cascais tinha uma lista de ideias de empatia com os grevistas da CP. A ver:

- Amanhã os trabalhadores grevistas da CP querem ir trabalhar. Os senhores das bombas de gasolina fazem greve, assim à laia de empatia, e não será possível alguns trabalhadores grevistas atestarem os carros para irem trabalhar ou apanharem autocarros para chegarem aos locais de trabalho. Que chatice, terão falta injustificada mas que será compensada pela empatia dos trabalhadores das gasolineiras. 

- Os que têm os carros com gasolina e forem levar os filhos à escola deparar-se-ão com a solidariedade dos educadores de infância e professores que, empaticamente, farão greve. Não tendo onde deixar as crianças, os trabalhadores grevistas da CP -prudentes porque atestaram o carro antecipadamente- não poderão apresentar-se ao serviço, pois terão que ficar em casa a toma conta das crias- mas com um sorriso nos lábios porque afinal os educadores de infância e os professores sâo cá da malta! Falta injustificada mas, acima de tudo,  solidariedade na greve!

- Os trabalhadores grevistas da CP - os prudentes que atestaram o carro anteriormente e os que não têm filhos- não se preocupam, tudo sob controlo. Ligam a água de manhã para tomar banho mas, ups, os trabalhadores da Companhia das Águas- amiguinhos!- fazem greve em solidariedade e nada de banho. Cheirinho a bedum mas ao menos vão de barba feita- imposição da CP - no entanto- caracol!- a EDP faz greve também e nada de máquina de barbear e quando chegam ao trabalho são recambiados para casa porque não reúnem as condições de higiene mínimas para fazerem serviço ao público. Falta injustificada, com repreensão escrita. Mas empatia e solidariedade generalizada estão acima de tudo!

- No fim do mês as faltas acabam por ser muitas. Não é culpa deles, são motivos externos. No entanto o clima de camaradagem, empatia e amizade que sentem por parte das outras classes profissionais é compensador. Vão verificar os saldos da conta e- eh Diabo!- não há nem um chavo ali. Bolas, faltaram muito mas não foi assim tanto e a culpa nem foi deles... Ah, esperem lá: os senhores dos recursos humanos que processam salários fizeram greve e atrasaram-se no processamento e, depois, ah depois os bancários quiseram entrar na onda de solidariedade grevista e nada de transacções bancárias. 

E agora: DÓI, NÃO DÓI, CARALHO? (mas o direito à greve é de todos...)

Sogra quadripolar: terceiro acto

Depois de estar toda quinada (e chateada da vida como devem calcular), mámen telefona-me a meio da manhâ.

Mámen (gozão divertido)- Estou? Então, como está a minha mulher? Melhorou das costinhas, das remelinhas, das dores de barriguinha?

Pólo Norte (monossilábica)- Sim.

Mámen- Vá, sentido de humor! A bruxa meteu-se com a nora errada mas também não foi nada de grave, pá. Podia ser pior, não?

Pólo Norte (fucking lixada)- Nã(hic!)o! Por (hic!) aca(hic!)so nã (hic!)o podi (hic!)a!  Est (hic!)ou co (hic!)m so(hic!)lu(hic!)ços!


Sogra quadripolar: segundo acto


Não sei bem a minha opinião sobre a coisa mas depois de uma crise de hérnias discais, uma conjuntivite e cólicas "estou em crer" que a puta da curandeira é zarolha e meteu-se com a nora errada. 

(Ou daí... talvez não?! :S)

Sogra quadripolar: primeiro acto

Sogra conta a mámen que vai a uma consulta a uma "curandeira" à ilha Terceira para ver se "esconjura" a minha cunhada, mulher do irmão de mámen, que anda "tresloucada" e com "o Diabo no corpo" (em aspas citações da própria). 

Provocadora pergunto-lhe, ao telefone, se pode pedir um acréscimo aos serviços de "bruxaria" da senhora e encomendar-me uns servicinhos. 

Ofendida, reclama: "mas tu achas que se faz bruxaria por procuração?"

You're not immortal

‎"Well, no one lives forever. When Hugo, Hugo."

terça-feira, 5 de março de 2013

Provas de que é capaz de haver Deus

Hugo Chavez quinou.

Mums say it better

Confrontada com a história dos reformados indignados mamãe respondeu, muito naturalmente e com muito mais classe que a filha bardajona (eu): 

"Era dar-lhe uma cabeçada à Cais Sodré, ficava logo a cuspir fininho!"


Era fazer como na cadeia: desenroscar uma lâmpada, parti-la e enfiar-lhe o casquilho ainda com vidros pelo sítio onde o sol não brilha acima

Um ex-banqueiro qualquer, com uma reforma estimada de 70 000 euros, fundou o movimento *reformados indignados". 

O filme do turismo subserviente português




"O filme começa com dois estrangeiros suspirando pela Ana. “Ai a Ana, ai a Ana”, dizem. “O melhor de Portugal foi a Ana.” E quem é a Ana? Uma rameira? Uma portuguesa comum? A sua filha?
Desconfio que se trata da sua filha, caro leitor. E o Turismo do governo de Portugal quer que ela e os outros portugueses todos, para além do couro e do cabelo que dão aos credores, dêem também o corpo e o conho a quem nos visita.
Este parece ser o objectivo desta indigna campanha, assumida, pelo próprio Turismo, como campanha interna. Uma campanha que visa (imagine-se) educar os portugueses na servidão. É uma campanha que nos incentiva a sermos rameiras e gigolôs ao serviço de quem vem de fora. Uma campanha que reforça a ideia de Portugal como país de serventes sorridentes e lavados, prontos para todo o serviço; que reforça a ideia de um povo criado para ser criado; uma ideia enraizada já por esse mundo fora e que, como estudos demonstraram (como se não bastasse o bom senso), nos retira valor. Uma imbecilidade, portanto.
Mas apostar no valor económico da subserviência parece ser a estratégia do Turismo do governo de Portugal. E para tal, vai de fazer o impensável: uma campanha de doutrinação e reeducação de massas; à boa maneira nazi/estalinista.
No filme, para além dos bifes que suspiram de saudades pelo docinho da Ana, ainda se vê uma holandesa que, vinda a Portugal jogar golfe, acabou enrolada com um português; vêem-se duas francesas a recordar a maneira delicada como o senhor António arrumava as toalhas e tinha as camisas bem passadas e tratava da casa-de-banho; vê-se o pobre do Avillez a servir à mesa, tão simpático, tão deferente, tão pouco chef e tão criado; vê-se um senhor de meia idade que sofre de uma estranha compulsão para a subserviência e se manifesta a fazer de guia a uma família de brasileiros. Vêem-se criados. Criados. Só criados, nada mais. Nada de digno, criativo, inteligente, elevado, aspiracional. Só criados.
Esta indecorosa ofensa, esta imbecilidade, esta falta de competência, bom senso, valores e escola, conclui-se com uma citação de Fernando Pessoa. Mas não é bem uma citação de Fernando Pessoa. É um sucedâneo, uma citação tipo-Pessoa. Em vez de “Põe quanto és no mínimo que fazes”, lê-se o erro “ Põe tudo o que és na mais pequena coisa que fazes”.
Tudo o que aquela gente do governo de Portugal é, pôs nesta campanha; e não é nada de bom.
Nunca me senti tão envergonhado com uma coisa feita em meu nome."
por Pedro Bidarra aqui

segunda-feira, 4 de março de 2013

Querido, fodi as costas!

Ontem, altamente inspirados pela última visita ao IKEA, decidimos mudar a nossa sala de estar. 

Tirámos loiça do aparador, garrafas do carrinho de chá, estofámos cadeiras, voltámos a arrumar loiça e garrafas e, de caminho, mudámos o sofá (que é um mamarracho) três vezes de lugar, até acertarmos no sítio definitivo. No fim do dia, exaustos, sorrímos com o resultado final. 

Jás as minhas hérnias discais- as velhacas- gargalharam!

domingo, 3 de março de 2013

Serviço público

Para os leitores deste blog apenas a verdade. Toda a verdade, E nada mais que a verdade.


Ontem manifestei-me por duas vezes!

E olhem que eu nem sou muito da onda das manifestações. Saí do Terreiro do Paço (ou "Fumeiro do Passos", como preferirem) e dei um saltinho ao IKEA, para comprar umas coisas para a baby bear. 
Mámen convenceu-me a comer qualquer coisa por lá, alegando que à pála da carne de cavalo detectada nas almôndegas suecas, já as tinham retirado do menu. 
Costa livre: cartaz informativo a avisar sobre a retirada das almôndegas suecas e das hambúrgueres e algumas inovações no menu: perna de porco e alheira frita. 
Como sou pouco lambareira fiz-me à alheira frita e mámen atirou-se à perna de porco. Foi uma experiência gastronómica inolvidável. A pele da alheira sabia àquelas algas nori do sushi mais seca que as piadas do César Mourão e a carne de dentro sabia a raspas de madeira, serradura, estão a ver?
Como mámen é um romântico (errrr, mais ou menos, fiz um ar de peixe morto e ameacei que ia simular espasmos no meio do restaurante) trocou de prato comigo e ofereceu-me a sua perna de porco. Sabia ao material esponjoso com que são feitos aqueles ganchos BÄSTIS  acrescido das fibras dos sacos azuis e ainda cartão, juro, juro,juro. 
Deu-se então a minha segunda manifestação do dia: 

"Ex.mos. Srs., 
Serve a presente reclamação não para reclamar mas para vos pedir, encarecidamente, para não usarem sobras do mobiliário na confecção dos vossos menús do restaurante. Contratem a Itáu ou a Filipa Vacondeus que fazia, assumidamente, arroz de cordas, mas ao menos eram cordas de chouriço a sério, ainda deviam ter algum cheirinho a bom. Mas por favor, IKEAzinho, por favor esquece lá a coisa da cozinha sueca, vocês são bons é a fazer móveis giros e baratos, e contrata um catering português, por favor. Ou se insistires na coisa sueca manda lá de volta as almôndegas, que estão perdoadas. Podem nascer em árvores e serem montadas  (faz sentido, se têm cavalo devem ser montadas) nas cozinhas, podem até ser de rena, IKEAzinho, tanto me faz. Tudo menos acabar a refeição a rapar, miseravelmente, os restos de fruta do boião da minha filha, para ver se este sabor a ranço me sai da boca, Tudo menos voltar a ver insultar assim uma alheira, sob pena de convocar uns amigos para te fazermos uma serenata na linha das caixas do restaurante. A música, essa, já está escolhida!
Cmps, 

Pólo Norte"

O mundo divide-se entre...

... as pessoas que dizem iquêá e as que dizem iqueia.

sexta-feira, 1 de março de 2013

I love H3!

Nem de propósito, escrevi há poucos dias sobre a H3. Hoje fui jantar ao shopping e, mais uma vez, surpreenderam-me pela positiva . 
Há dias a revista Sábado publicou um artigo em que indiciava que a carne das hambúrgueres da H3 continha vestígios de carne de cavalo. A companhia, que não se armou em prima-donna e não ameaçou com processos e tal, respondeu assim:






Sai um tuga para a Pólo Norte! :)))

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