quarta-feira, 15 de maio de 2013

A minha família (a propósito do Dia Internacional da Família)

A minha família não é pequena nem nuclear, nem a que consta na declaração de IRS ou no boletim do CENSUS. 
A minha família é a de origem, é tão a minha mãe, mulher da minha vida, força da natureza, vento e ondas num dia de Verão. É a minha tia, tranquila e calma, sol de final de tarde de Primavera. O meu tio Nato, cabisbaixo e outonal e o meu tio Necas, Inverno em flor. É o meu tio Chico que veio ensinar que não há sangue por afinidade e que a família pode ser consolidada com felizes escolhas. A minha prima, ainda no outro dia bebé, às vezes chamo o seu nome à Ana, acto falhado de prima mais velha. 
A minha família são os meus avós, mortos no Mundo, vivos em mim. A minha avó a puxar o carrinho das compras, coluna muito direitinha, antes do AVC a matar devagarinho antes dela ter, efectivamente morrido. O meu avô, a contar anedotas e a comer amendoins como quem folheia um livro, olhos pequeninos e visão tão grande. 
A minha família é mámen, homem da minha vida, escolha minha, sangue que se partilha. 
E é a Ana, cereja no topo do bolo, quarta geração de nós, bebé comunitária. 
Porque a minha família é nossa, mãe, quatro estações, mortos que não deixamos morrer, Minho e Açores, cheiro de bebé, uma comunidade, tão única e singular na primeira pessoa de um plural que somos "nós". 

1 comentário:

Sofia Serrano disse...

Adorei.
Feliz Dia da Família!

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