.. e que, por acaso, pertencem a um núcleo familiar constituído por casais do mesmo sexo. É disto que se trata: estender-se o vínculo de parentalidade de um dos elementos do casal (pai ou mãe biológica ou adoptante) ao cônjuge que ainda não o possui em relação à criança.
Ainda não foi aprovada a Lei da Adopção plena mas o caminho faz-se caminhado.
"Ah, é contra-natura!"
Contra-natura é viver sem amor, sem carinho, sem colo. Contra-natura é, numa infelicidade, o progenitor biológico morrer e o seu companheiro ser impedido de continuar as suas responsabilidades parentais porque a Lei não deixa. Contra-natura é impedir que duas pessoas adultas e conscientes adoptem uma criança, obrigando- a viver institucionalizada. Contra-natura é a homofobia.
"Ah, vão chamar Pai e Pai? Vão oferecer prenda a quem no dia da Mãe? Vão desenhar no desenho da família duas mulheres?"
Trabalhei com alunos internos na Casa Pia de Lisboa. Não me recordo de nenhum caso em que as crianças não preferissem ser amadas, incluídas numa família, pertencerem a uma dinâmica familiar ao invés de viverem num colégio, com diferentes figuras de referência, educadores sociais a educarem por turnos, monitores a trabalharem num clima de elevada rotatividade e amor aos retalhos, misturado com profissionalismo. Tudo o que crianças querem é chamar a si alguém que as ame, que cuide delas, que tome conta, que defenda, que dê colo. Independentemente das orientações sexuais, clube de futebol ou religião que tenham à partida.
Triste não é um desenho da família com dois pais do mesmo sexo. Triste é um desenho de uma família com uma criança dentro de uma casa/lar/colégio. Triste não é ser filho de x e x ou de y e y. Triste é ser orfão. Triste não é chamar pai ou mãe a duas pessoas. Triste é não ter ninguém a quem chamar.
Do que as crianças precisam é de amor. Tal como quando temos um filho a questão do seu sexo acaba por ser indiferente (quantas vezes ouvimos " o que interessa é que venha saudável!"), na espera de pais, a orientação sexual caminhará para a mesma indiferença- o que interessa é que venham com muito amor e competências parentais. "Perfeitinhos"!
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