Foi na altura do "Todos por um". No meio de um batalhão de gente boa que se quis associar ao evento por nós organizado que me apareceu a Marina.
A Marina, assim que me disse a sua ideia de contribuição, foi logo apelidada como assumidamente "quadripolar". A Marina não tem jeito para cozinhar e não podia fazer bolos. Também não a vejo amiga de costurices ou de lavores. A Marina queria dar o trabalho de um dia do estúdio de tatuagens do seu namorado (granda beijo, Sérgio!) e que o total de receitas revertesse para o Rodrigo. E assim foi.
De armas e bagagens, cadeiras, merchandising, tintas e agulhas e- sim!- com um élan do caraças a Marina, o Sérgio e (mámen, tapa os olhos!) o outro rapaz giro como tudo montaram um estúdio na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa. E angariaram, num só dia, perto de 500 euros para o Rodrigo.
"E porque é que a Marina te inspira, Pólo Norte? Com tanta gente que vos ajudou porque é que destacas a Marina?"- perguntam-me vós.
Porque uma semana antes, nada mais nada menos, precisamente uma semana antes amputaram a alma à Marina. Porque uma semana antes a Marina viu morrer a sua irmã, vítima da mesma doença a que ela agora, naquele sábado, tentava pregar uma rasteira através da sua contribuição para o Rodrigo. Porque passada uma semana de ficar orfâ de irmâ (como é possível que não tenham inventado uma palavra que traduza esta perda?), a Marina decidiu não alimentar a dor, levá-la a passear como a um cão raivoso. Porque a Marina açaimou a dor, silenciou-a e foi, de sorriso para louvar os que ainda vivem, ajudar o Rodrigo, numa prova hérculea de força que me vai inspirar para sempre.
Porque a Marina era a irmâ da Silvina. Porque, numa família de heroínas, afinal a Silvina passou a ser a irmã da Marina. E eu queria muito ter tido uma irmã assim.
Porque sou pequena, minúscula, ao pé da coragem desta mulher que me inspirará para sempre. Porque as minhas musas inspiradoras são assim, humanamente reais.
16 comentários:
E o tanto que pensei na Silvina por alturas do Todos por Um aqui no Porto, porque das vezes que trocava comentários com ela no blogue sentia que seria a sua vontade lutar por todos estes casos e ela ficaria muito contente por saber de mais esta iniciativa.
A Silvina marcou-me e não sabia muito dela, da família, nada. Apenas sabia da força maluca que nos dava murros no estômago de cada vez que ela pedalava para casa depois da quimioterapia.
Agora sei da MArina e a minha alma ri-se porque entendo que isto afinal chegou à nossa linda Silvina de uma forma mais próxima ainda. E quero dar os parabéns à Marina e um abraço com imensa admiração e carinho.
As palavras nunca chegarão e por isso fica também um silêncio com um sorriso.
Obrigada Pólo por esta história hoje. Brilhou no meu dia.
Um beijinho para a Marina, que já não vejo há algum tempo!
Também não há palavra para quem perde um filho, já reparaste? Acho que há certas coisas que preferimos não nomear, talvez na esperança que desse modo desapareçam.
Vi o "estaminé" das tatuagens todo montado e achei imensa graça :) Não fosse estar cheia de pressa porque o meu filhote tinha jogo de futebol a seguir (até foi equipado para não perder tempo!) e acho que tinha embarcado na aventura de fazer a minha primeira tatuagem (assim, uma mini mini...).
Mal eu sabia que era a irmã da Silvina...cujo blog acompanhava e que tanto admiro!
Lembro-me de ver a Marina no todos por um, tão enérgica e sorridente. Como é possível alguém ter tanta força e tanta vontade de fazer mais por alguém quando ela própria estaria debilitada e a morrer por dentro, com uma perda tão grande há tão poucos dias???
Minúscula sou eu também perto de uma pessoa assim, tão humana, tão forte.
Grande mulher. Grande, grande mulher....
pippacoco.blogspot.pt
Não há palavra para descrever quem fica orfã de irmã ou para quem fica orfã de filho, porque pura e simplesmente não eram situações que devessem existir. É anti-natura, por isso não se inventou a palavra... nem se vai inventar!!
Há muitos - 7 - anos (precisamente no dia em que a Rita foi internada para ser operada às amigdalas) li um livro que se chama "A filha sombra" e que começa precisamente assim, com a falta de palavra para descrever um pai/mãe que perde o filho!!
Beijinhos para a Marina e para todas as musas desta nossa vida (tu para mim és uma)
Lina
Cramba, há coisas que nos apertam o coração :S Força Marina, a tua irmã, estará, com certeza, imensamente orgulhosa de ti
É, sem dúvida, uma grande mulher... :)
:( estranhei a ausência de posts da silvina porém nunca tive a confirmação das suspeitas, até agora. e custa tanto.
um beijo à Marina, provou ser tão fantástica como a irmã. bem-haja!
A Silvina foi para mim uma inspiração.
E é bom saber que acabamos sempre por nos cruzar com pessoas boas assim!
Fiquei até as 2h da manhã a ler o blog da silvina. E ainda nao me saiu da cabeça o dia todo. O testtemunho dela deu me mesmo que pensar. ..
Uma das homenagens mais lindas que já vi :)
Obrigada, fico feliz em visitar aqui
obat stroke
Fizeste o meu dia <3
Humanamente real e, agora, humanamente com o ego todo inchado... :)
Por trás do elán estava mais ou menos o seguinte:
- estou cheia de medo da minha reacção, sou um bocado choramingas, e se alguém 'descobre' e me pergunta alguma coisa sobre a Rita? [check]
- e mesmo que não perguntem, e se me dá a travadinha e largo pra lá a chorar? [check mas pelo menos ninguém reparou]
- eu sou naturalmente sorridente mas será que vou conseguir estar bem disposta? estou a 'atender' pessoas, se não sorrir crucificam-me já! [check, sorri a maior parte do tempo mas houve ali uma altura que andei um bocado desorientada]
- a repetir para mim "Tout va bien. Tout va bien. Tout va bien."
Esse sentimento de pequenez é-te devolvido porque, caraças, já viste o impacto que a Polo Norte tem tido na vida de tanta gente? Na vida de crianças que poderão, à tua pala, viver mais anos de vida ou pelo menos melhores; As pessoas que mudaram de vida (já apanhei praqui testemunhos desse tipo), as pessoas que se tornaram voluntárias em causas de solidariedade, até as pessoas que prezam as suas mamas o passaram a fazer sem tantos sentimentos de culpa (aposto)...
Para mim, esse é o sentido da vida (+ a visão monty python).
A Silvina da inspiração de uns foi também a salvação de outros... Foi a minha por exemplo. Um dia conto porquê...
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