domingo, 30 de junho de 2013

Solta o Don Johnson que há em ti!

Comprei uns óculos espelhados da H&M, coisa mai-linda.
Já não tenho idade para os usar diz-me uma amiga, mais nova, a invejosa. "Ainda não tens maturidade e estaleca para os usares"- diz-me uma, mais velha, e fã da saga Miami Vice.
Não quero saber. Sigo, fofa e fresca, com os meus óculos espelhados, flamingos no horizonte, descapotável a trasportar-me na imaginação.

Solidariedade para com todas as grávidas ou marketing sádico

... o ano passado estava a rebentar de desejo que a miúda nascesse. Rebentar é a expressão certa, mesmo.
 "Ah e tal, quem manda ter filhos no Verão?". Ah e tal, e acham mesmo que eu decidi, por livre iniciativa, ter os últimos meses de gravidez no Verão? aconteceu, pá!

Por isso, não consegui deixar de largar um palavrão quando, imaginando-me este ano com quilos a mais, uma barriga imponente e este calor, dei de caras com isto:


É que era já a seguir...

There's something wrong when...

... combinas com uma amiga encontrarem-se num determinado ponto central de Alcântara. Enquanto esperas és abordada por uma prostituta que te pede lume, por um toxicodependente que te tenta cravar um cigarro e uma testemunha de Jeová que te entrega um livrinho para leres. 
E o estupor da amiga demora uma eternidade para te encontrar. 

sábado, 29 de junho de 2013

Uns na Costa da Caparica...



... outros nas Maldivas.

Obrigada Rita Mendes!

Pólo Norte <3 you!

Ser solidário como quem bebe água para emagrecer

Eu acredito, piamente, que não há nada mais difícil de fazer do que ajudar o próximo. 
Em primeiro lugar porque pressupõe o facto de alguém querer ser ajudado. E alguém querer ser ajudado implica ter que se confrontar com a sua dificuldade/impossibilidade em conseguir alcançar os seus objectivos. Ou, em muitos dos casos, em que o sujeito não tem ou não consegue ter um papel verdadeiramente activo neste processo, tem que lidar com a sua fragilidade a com a dependência da boa vontade de terceiros. 
Nunca ajudo quem não me pede ajuda, é um princípio básico. E também não consigo ajudar "activamente" toda a gente que me pede ajuda, infelizmente. 
Em segundo lugar porque as pessoas acham sempre que "não há almoços grátis" e quem ajuda, quer sempre algo em troca. Que a ajuda nunca é desinteressada e verdadeiramente altruísta. E, vá-se a ver, eu concordo com esta opinião. 
Toda a vida fiz voluntariado, fui ensinada a ajudar os outros e a estar disponível para quem precisa. Isso não faz de mim boa pessoa, apenas uma pessoa que cumpre o espírito de comunidade em que acredita. E sim, a ajuda não é desinteressada, nunca é, tem razão que o aponta. 
Eu ajudo os outros porque me projecto neles, Porque penso que podia ser eu e gostava que, em semelhantes circunstâncias, me ajudassem a mim também. Ajudo porque me faz bem a sensação de que sou útil, a sensação de que não sou um elemento passivo, eu gosto de ajudar porque me faz bem ajudar.  Por isso, é uma troca interesseira. É uma win-win situation e nem sempre consigo explicar bem isto quando as pessoas me agradecem por fazer alguma coisa pelos outros. 
Ter um blog amplifica a minha possibilidade disto tudo. Porque sou muito lida, porque todos os dias "me cruzo" online com um sem número de pessoas, porque as pessoas se identificam com as causas que defendo, porque se predispôem a ajudar, porque o espírito da "comunidade quadripolar" com que tantas vezes brincos, é real e verdadeiro. Existe mesmo. 
E se muita gente pensa que agora é que eu tenho mesmo a possibilidade de ajudar mais e muito, eclareço já a falácia. Nunca ajudei tão pouco como agora. Porque agora somos muitos e a ajuda é partilhada, repartida e acabo por fazer uma parte mais pequena, na maioria das vezes de organizar as tropas, as pessoas que a mim se juntam e que, todas juntas, conseguem fazer acções de solidariedade de uma magnitude inesperada. E que sozinha nunca, jamais, eu conseguiria. 
É a essas pessoas que fico em dívida, crente que estou que nunca a conseguirei saldar. 
E voltamos ao início, não há nada mais difícil de fazer do que ajudar o próximo. Não se chega a todo o lado, não nos identificamos com todas as causas, não podemos aceder a todos os pedidos, algumas pessoas não percebem como hierarquizamos os pedidos, outras ficam zangadas e há ainda as que criticam estas acções como necessidade de protagonismo, de passar uma imagem de boazinha ou de termos projecção num determinado meio, nesta caso, da blogosfera. 
A estas nem respondo, porque o tempo que elas perdem com raivinha dos dentes seria muito útil para meterem mãos à obra e fazerem alguma coisa pelo Mundo. Não pelos outros, sequer, pelo Mundo. 
E não repondo (respondendo) porque o meu tempo é cada vez mais curto para tudo aquilo que eu gosto de fazer e cada vez mais preciso, não o posso despender à toa.
E, reitero, ser solidário é difícil. Faz-me lembrar quando estou de dieta e tenho que beber 1,5 litro de água por dia. Olho para a garrafa de litro e meio e fico sem sede, sem vontade, tanta água, nunca mais vou conseguir emborcar aquilo tudo. Um dia, um amigo explicou-me o truque: "distribuis a água da garrafa grande por três pequeninas , de 50 ml e vais ver que bebes o todo com muita mais facilidade". Foi essa a lição que tirei para a vida sempre que quero cumprir um grande objectivo, quando não sei por onde começar mediante um propósito ambicioso. É essa a lição com que giro a minha ajuda ao próximo: com passos pequeninos, com acções pequenas, todas juntas, o meu contributo para um Mundo melhor é cada vez maior. 
Não espero que ninguém me agradeça, talvez à excepção da Ana, para quem gosto de tratar do Mundo, como quem rega  e tira as ervas daninhas de um jardim. Para que quando crescer o tenha em condições de o desfrutar mais e melhor. Eu não disse que não há ajudas desinteresseiras? ;)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

"Como é que eu hei-de? Como é que eu hei-de? Como é que eu hei-de ir embora? Com as perninhas todas à mostra e os marmelinhos quase de fora..."

O meu sogro, em pleno Verão nos Açores, é de um glamour inanarrável e usa como outfit familiar lá de casa as belas das boxers e tronco nu. Com a nuance fashion do meu sogro achar que a cintura dele fica à altura dos sovacos e de puxar as boxers até debaixo dos braços. 

"Que faz muito calor!", "Que quer lá saber das frescuras da nora" (eu), "Que também tem afrontamentos", todas as justificações são válidas perante o meu ar "p'lamordasanta" para que mude o dress code. 

Num dia de Verão, assim vestido despido, adormeceu todo escancarado no sofá. Tocam à porta e eu abro, era a Vera, uma das 15324 afilhadas de baptismo, com o pretexto de entregar convites para o seu casamento. Peço-lhe que entre e que vá para a sala onde jaziam aqueles dois pares de jarras estavam os meus sogros. 

Assim que a ouve, a minha sogra levanta-se logo para a cumprimentar, oferece-lhe um licor e começa a conversar com ela, entusiasmada com a notícia do casamento. 

Num ângulo morto da sala, sentada, assisto ao ar aterrorizado da Vera: "bem, madrinha, vim mesmo só cá entregar o convite", "Oh, filha, mas senta-te, deixa-me só acordar o teu padrinho", "Não, não, madrinha, deixe lá o padrinho dormir a sua sesta, mas eu tenho mesmo que ir". O ar aflito agudiza-se e, nesta altura, a minha sogra confusa acompanha a apressada nubente à porta. 

Levanto-me para me despedir, intrigada com a reacção atrapalhada e nervosa e questionando, em pensamento, o copo de licor praticamente cheio em cima da mesa. 

Dou de caras com o meu sogro, a roncar, indiferente ao episódio que acabara de se dar naquela sala. Para dizer verdade não dei bem de caras com o meu sogro.

Olhem para o título deste post e imaginem o que espreitava da perneira das boxers de gola alta do senhor meu sogro...

Começou, oficialmente, a silly season. Neste blog, inclusivé.

Na Primavera as alergias andam no ar
Na Primavera o tempo esteve-se a passar
Na Primavera as andorinhas começam a aninhar
E no meu telhado fica um piva de bradar

No Verão vão para Santropez as Dónas Dolóres
No Verão anda tudo em trajes menores
No Verão as melgas picam horróres
E as pitas vestem roupas harde-córes

Eu gosto é do Verão
De toda a gente a cheirar a transpiração
Passear com pés com calosidades
E de ver gente com tão má depilação.
E ao fim do dia, todos bem suados
A ver o pôr-do-Sol
Patrocinado por uma hormona qualquer.

No Outono a conta dos livros escolares é de fugir
No Outono ainda se usa o antebraço para tossir
No Outono bebe-se água pé até fazer rir
E castanhas quentes provocam gases a ruir.

No Inverno o Natal pôe-me choné
No Inverno fazem prendas com capsulas de café
No Inverno oferecem-me postais pintados com o pé
E as meias da chaminé cheiram a chulé

E ao fim do dia, bem suados
A ver o pôr-do-Sol
Patrocinado por uma hormona qualquer.
Patrocinado por uma hormona qualquer.
Qualquer.

O tema de festas de aniversário infantis mais quadripolar de sempre

Amiga: "Qual o tema da festa de aniversária da Ana?"

Pólo Norte: "Sangue!"



...

...

...

(sim, uma festa twilight a celebrar um aniversário tem cá uma pinta!)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A festa da Ana- desenvolvimentos e chamada aos sempre fiéis quadripolares de serviço

É esta a sinopse da grande festa do ano:


Eu tenho um blog. Este blog. E esta é a razão principal que dá origem a esta festa. O meu blog nem sequer é um blog temático. É um blog de non sense, onde digo umas larachas e que foi acumulando um número considerável de visitas. Para ser mais precisa, cerca de 4 milhões desde que foi criado. Mas eu nem dei por isso, juro! 

Mas o rumo do blog melhorou no último ano. E melhorou porque fui mãe. E ser mãe muda um bocadinho as coisas na nossa vida. Fui mãe da Ana, que comemorará o seu primeiro aniversário no próximo dia 09 de Agosto. 

Quando estava grávida cruzei-me, numa cama de hospital com a mãe da Bia. A Bia tem leucemia e precisava de um dador compatível e entrou-me, pelo quarto de hospital por engano, fitou-me, olhou-me para a barriga, e no alto dos seus quatro anos, perguntou-me: "Tens um mano na barriga?".
A mãe da Bia esperava que o seu irmão nascesse, para que ele pudesse ser o código PIN da Bia. Não foi. 

 Então lancei no meu blog uma campanha para sensbilizar as grávidas a doarem as células do cordão umbilical dos seus recém-nascidos para o banco público numa campanha chamada, precisamente, "Tenho um mano na barriga". Afinal, qualquer um dos nossos bebés poderia fazer a vez do mano da Bia. 

E depois os leitores deste blog  organizaram em cada sede de Distrito de Portugal uma recolha de prováveis dadores de medula óssea. Acumulámos mais de 500 possíveis novos dadores. 

 Entretanto, soubemos do caso do Rodrigo a quem o IPO mandou para casa para morrer, também com uma leucemia. Sem esperança nenhuma. E juntámos-nos, sete amigas, num evento solidário e angariámos 301 novos inscritos como dadores de medula óssea. Num só dia. 

 O Rodrigo morreu. Mas, neste quase ano completo, angariámos mais de 801 novos dadores possíveis de serem o código PIN de uma criança ou de um adulto, que poderia ser da minha família. Ou da vossa. 

Não tenho pretensões de ser a Madre Teresa de Calcutá. Nem sequer sou o tipo de pessoa boazinha e caridosa. Mas tenho um blog e uma filha. E tenho que fazer a minha parte para fazer do Mundo um lugar um bocadinho melhor .E a obrigação de incutir à miúda o espírito de responsabilidade social. Porque isso não é só tarefa das empresas com ISOs e normas de certificação de qualidade que a atestam. É responsabilidade de cada um de nós. 

 O Rodrigo morreu, e nenhuma criança deveria morrer. Então pensei: a miúda vai fazer um ano. Nesse dia, procuraremos celebrar intimamente com a nossa família e amigos próximos. Mas... 

Mas eu gostava de marcar esta efeméride de forma inesquecível. Então, voltei a pensar: no dia 10 de Agosto, sábado, vamos organizar a primeira festa de aniversário solidária da blogosfera. 

Estamos a negociar que o acontecimento se dê num espaço fabuloso e doado por uma marca (vamos fechar o sítio esta semana), pedimos o patrocínio de 9 maravilhosas cake designers que se quiseram associar à causa e irão fabricar o mais solidário comboio de bolos para oferecermos uma fatia a quem se quiser juntar à festa, pessoas da área da decoração de eventos irão tratar disso pro-bono, dez amantes da costura confeccionam, neste momento, bandeirolas para enfeitarem a festa, alguns leitores do blog colocaram o seu network à disposição da causa e já temos animação garantida com um DJ, palhaços, gente que irá fazer pinturas faciais, modelagem de balões, escoteiros (tumbas!) a ensinar a fazer nós, autores de livros infantis a contarem ao vivo os seus contos, músicos, educadores de infância para ajudarem a dinamizar jogos com os meninos que forem à festa e acreditamos que ainda aí virá mais

Afinal, só lançamos a ideia do evento há, precisamente, 2 semanas. Em troca, peço uma prenda para a Ana: a inscrição de cada um (ou que tragam um amigo que ainda não esteja inscrito) como dador de medula óssea. Ou, caso já o tenham feito, a doação de sangue. É que em Agosto, com o período de férias, as reservas esgotam-se e são mais precisas que nunca! 

Do Norte virá um autocarro de quadripolares que se organizou para comparecer ao evento, virá uma quadripolar de Bragança de propósito, uma da Madeira, uma de Coimbra, outra de Ponte de Lima e uma do Luxemburgo, do Algarve meninas que não se conhecem mas lêem o blog farão um car sharing, todas inspiradas a inscreverem-se como dadoras de medula óssea na festa da Ana. 

Neste momento, temos cerca de 500 pessoas previstas confirmadas! 

Porque precisamos da ajuda de todos?

  • Porque esta campanha se enquadra num espírito de afectividade. Não é de afectos que esta festa está a ser feita? 
  • Porque é uma história real. 
  • Porque cada participante incorpora o valor da responsabilidade social (a da dádiva de sangue e de inscrição no banco de possíveis dadores de medula). 
  • Porque em Agosto está tudo de férias e os bancos de sangue ficam com poucas reservas e seria uma forma de sensibilizar as pessoas (esqueci-me de dizer que vai haver também espaço para a doação de sangue). 
  • Porque eu só tenho um blog e, apenas com um blog, organizar um evento desta envergadura é mesmo possível. E isso, acho eu, é inspirador. 
  • Porque isto é completamente o espírito quadripolar. 
Como é que as marcas, que assim entenderem, podem ajudar?
  • Com contributos em género para o lanche, pois nunca esperámos que a adesão fosse tão grande  e não queremos que ninguém passe fome na festa.
  • Com contributos de matéria-prima (pacotes de farinha, leite, açúcar, ovos, etc.) para ajudar as dez maravilhosas cake designers que se associaram à festa poderem confeccionar o combolo mais giro de que há memória.
  • Com contributos de logística (mesas, cadeiras, poufs, sombrinhas, tendas, guardanapos, loiça de plástico e tudo o que faz falta numa festa de aniversário). 
O que eu dou em troca? 

 Bem, lá está, eu sou só uma rapariga que tem um blog.

Posso pedir aos muitos dos leitores deste blog  que nos visitarem neste dia, falem do que gostarem na festa no FB e nas redes sociais. E nos blogs. Não apenas nesse dia mas durante todo este tempo em que andamos a preparar, de forma dinâmica e num espírito comunitário de entre-ajuda, a V. oferta.

E também vos posso dar em troca a certeza que eu faria o mesmo por vocês, pessoas que me estão a ler. Que inspiraria toda a gente que se cruza no meu caminho para ser dador de medula, caso precisassem duma. Ou por alguém da vossa família.

 Eu não sou boazinha, acho que já vos disse. Só quero cumprir a humanidade que me coube na rifa.

Posso contar convosco?

(ideias, contactos, oferendas, votos de parabéns para a miúda no próprio dia em maegyver@sapo.pt)

(acompanhem os preparativos da festa aqui)

Sou filha de brasileiro há muitas horas

E até agora nada, nlicles, nem um convite para porta estandarte do Unidos dA Tijuca no Carnaval de 2014...  :/

Negócios e produtos que nunca me irão captar como (potencial) cliente

Demonstrações de rainbow- Eu até tenho um aspirador desses cá em casa (são os melhores!) mas foi emprestado por uma grande amiga que tem dois. Agora para me venderem um, nunca, jamais, poderia ser com a famosa demonstração. Sim, sim, ia lá dar trunfos a uma pessoa, especialmente a uma desconhecida, mostrando o meu cotão debaixo do sofá, ácaros que parecem percevejos nos colchões e mais pó que o deserto do Sahara entre as frinchas das persianas?! É que é já a seguir, eu confrontar-me com a badalhoquice oculta da minha casa em frente de estranhos prontos a amplificá-la! Para isso chamava a minha sogra...

Lunette- Eu sou muito à frente numa série de inovações. Usei, durante anos, o anel vaginal em vez da pílula e tudo e tudo. Mas espetar um pequeno funil de silicone no pipi, esperar que o mesmo encha de sangue da menstruação, despejar o conteúdo na sanita e voltar a introduzi-lo na farfalotta pimpinela é só das coisas mais tenebrosas que ouvi nos últimos tempos. Passo. (som de vómito)

Hotel de cães- Ora, uma pessoa tem animal de estimação mas também tem amigos e família, não? Enfiar um cão num "hotel" parece-me tão tonto como pagar ao César Millano para fazer psicologia animal (olha, outro "negócio" em que também não me apanhavam!). Os cães precisam de comidinha, água, uma caminha para dormir, exercício, rotinas de cocós e xixi e brincadeira. E amigos que os pet sittem! Não intelectualizem, pá!

Cremes de baba de caracol- Sim, sim, coração! Baba de caracol, cuspo de camelo, cera de otites de koalas australianos e burriés de chimpanzés até podem dar o efeito liftng e o caraças mas na minha carinha, jamais! A tia-avó de mámen tinha uma pele maravilhosa e quando lhe perguntávamos o segredo respondia sempre: nívea do boião azul e esfregar a cara com a primeira urina da manhã. Não façam esse ar enojado que esta porra da baba de caracol, para mim, está mais ou menos a este nível, tá?

Unhas de gel- Já tive e passo! Mas passo tanto que nem vos passa pela cabeça. Para além da dificuldade em mandar mensagens de telemóvel porque não tinha motricidade fina nos dedos graças às unhacas, o facto de me ter que preocupar com as raízes das unhas para além das dos cabelos, era coisa que não se coadunava com o feitio desta que aqui vos escreve. E não me falem de gelinho, cola UHU seca nas unhacas e afins porque unhas, para mim, são as naturais, sem verniz, arranjadas na manicure, 

Peças de roupa com enchimento- Comprar um soutien com enchimento seria mais ou menos a mesma coisa que levar areia para a praia. Já aquelas combinações e, agora, aquelas calças com um rabo incorporado para modelar as coxas é coisa que me lembra o macaco Adriano, de rabo cor de pele em cima do fato manhoso de pelo coçado. Por amor da santa, senhoras!

Wink- Fazer depilação, seja no buço, nas axilas ou nas sobrancelhas é, para mim, um acto privado. Primeiro, porque sou uma mariquinhas pé-de-salsa que grita horrores perante a extração de um pelume que seja, seja através de que método for. Segundo, porque não me atrai, minimamente, a possibilidade de um cliente da minha empresa ir ao shopping e dar de caras comigo de buço alçado e uma senhora, de linha em riste, a tocar-me harpa na bigodaça.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Conselho de moda masculina grátes!

Bonés não ficam bem NUNCA!

Só no menino Tonecas e no Batatoon, certo?

Agradecida.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Eu dou-vos posts de riso, posts de lágrimas, posts de porcaria, posts de quadripolarizações, posts de divisões do Mundo e por aí adiante (isto é um post de manipulação emocional, sim?)

A 25 dias da coisa se dar, o que é que me vão oferecer MESMO no meu aniversário?

Carreiras ao lado das quais eu passei e tenho muita pena (especialmente no Verão)

Elemento de coro de cantores pimba- É aquele movimento de estalar o dedo, com o braço a bambolear ao ritmo da anca, perna a dar a dar que me fascina. Depois muda a perna, o braço e os dedos da mão oposta. Adoro! Toda a ciência do playback, os outfits de lantejoula comprada na feira de Arque, os cabelos com extensões e o make up com purpurinas. Ter sido "coiro" de um cantor pimba teria sido o mais próximo possível de ser uma fadinha. Ou isso, ou ter ganho o casting à Luciana Abreu naquilo da Floribela. 

Apresentadora de televisão de programa da tarde- Sou fã de tudo: do riso para a câmbara, do falso interesse pelos cantores pimba convidados, da possibilidade de fazer publicidade a concursos onde se ganha carros e se anuncia a linha para a qual se deve ligar esticando os dedos a fingir um telefone, do ar entusiasmado quando alguma espectadora manda beijinhos para o marido que a está a ver ("caraças, não vais estar logo à noite com ele, ó lorpa? "Dá-le" pessoalmente!"), das avós a pegarem nos netos ao colo e os obrigarem a dizer adeus para a câmara. Adoro tudo e tinha mesmo perfil para a coisa! 

Mulher de jogador de futebol (não me chateiem, que isso é profissão, sim!)- A canseira das férias em Santrupez, as madeixas californianas, os carros caros oferta de aniversário dos maridos, o título adjacente de "empresária", seja lá isso o que for, o solário e as lipos invasivas, evasivas e não invasivas, os pós partos magérrimos. Porquê, senhores, porquê é que o único futebolista com que me cruzei na vida era só um grande amigo de infância e acabou a carreira a jogar num clube da segunda divisão?

Agente da GNR- Eu conseguia- juro que conseguia- fazer aquele ar de agente da autoridade, mãos atrás das costas, vocabulário que inclui palavras como "indivíduo", "autuar" e "os seus documentos de identificação" e ter aquela confiança de quem não era bom aluno na escola e viu como única alternativa para entrar no mercado de trabalho o ingresso nos quadros de uma força da função pública. Era só não fazer o buço e iam ver as divisas a acumularem-se em cima do meu mamaçal!

Maya (não não é ser astróloga, é ser Maya mesmo, Maya-profissão)- Se há mulher hiperactiva e multifacetada sou eu. Para mim botar cartas enquanto me põem o gelinho em cima das unhas e, ainda, mandar palpites sobre a conjectura dos astros enquanto organizo as "ralações" públicas de uma discoteca algarvia era canja de galinha. Fácil, fácil! 

Cantor daquelas bandas que gritam: Simples, simples: cortar o cabelo ainda com menos frequência do que corto, não me pentear, meterem-me a Hello Kitty à frente para me inspirar na cantoria, a MRP para me inspirar nos vernáculos em inglês e voilá! Moon wtf?

Figurante de anúncios publicitários de panelas ou de cogumelos do tempo ou outra banha da cobra qualquer- A minha veia cascalense permite-me conseguir facilmente uma voz anasalado à Pipinha Vácondeus, sei dizer" panela basculante de bactite aço inóxidável nove por dez" sem me engasgar e sou, desde sexta-feira passada, filha de brasileiro. Alguém resiste a uma pronúncia docinha à Roberrrrto Liau?

Política/membro do governo- Já tenho olheiras como o Gaspar, às vezes tenho tantos pêlos no queixo como o Álvaro e sob anestesia geral tenho a mesma inteligência do Passos Coelho. Comprei um daqueles narizes vermelhos de esponja para me equiparar ao Presidente de Todos os Portugueses e até sou adepta do Futebol Clube do Porto. Sou boa boca e como qualquer iguaria em congressos por esse país fora e não há uma vendedora de mercado que não goste de mim como "freguesa" e, passadas três visitas à banca, não me cumprimente com dois beijos repenicados. Como é que as jotas deste país me deixaram escapar? Como?

Fashion Adviser- Está na moda ser-se fashion adviser! Uma 'ssoa tem tanto estilo que sai de calças de ganga e camisa metade dentro, metade fora, mala amarela fluorescente da Primark, ólicos extravangantes e pumbas: já é o supra-sumo das tendências! Depois, é frequentar uns workshops nuns cabeleireiros de São Marcos e numas lojas de lingerie da Rinchoa e tem-se um diploma, feito em Paintbrush, a atestar as competências trendy-coiso, tiram-se fotografias à socapa nos provadores da Zara, faz-se uma página de facebook e já se está lançado. E eu, que até tenho na família alguém sem esta noção do ridículo, penso que deveria fazer disto negócio de família! É que eu tenho tanto estilo para dar e vender como uma peixeira do Bulhão e sou tão boa a aconselhar outfits como qualquer taxista de Massamá!

Concorrente do Big Brother/ Casa dos Segredos/Splash- Consigo fingir que me esqueço que estou a ser filmada, sou famosa na minha rua, choro lágrimas de crocodilo fácil, fácil, sou "muito amiga do meu amigo", sei o discurso do "24 horas sob 24 horas", a minha vida passada tem escândalos que cheguem para todas as revistas cor-de-rosa que por aí pululam, o meu pai é mais artista que o Sr. Fernando da Fanny e não sei nadar. Endemol, andais a dormir é o que é!


domingo, 23 de junho de 2013

Sou filha de brasileiro há 48 horas...

... nada de rabo rijo e empinado

... tentei fazer pão de queijo e saiu uma merda

... ainda não consigo ensaiar um passo de samba


a modos que, para além da anedota que é ter um pai que fala igual ao Roberrto Liau, qual a vantagem que eu posso tirar disto?

sábado, 22 de junho de 2013

Sou filha de brasileiro há 24 horas

... e até agora nada de rabo mais rijo. :/

Grande comunicação à pátria blogosférica

O meu pai informou-me que mudou, ontem, de nacionalidade.

A partir de agora sou filha de um brasileiro.


(isto é coisa para "embaralhar" completamente o auto-conceito de uma mulher, caramba!)

(estou a digerir)

Post de contextualização do post que se seguirá a este

Post 1 

O segundo

O seguinte

O último

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ah, I love my friends!

" Aquela coisa que anda aí a circular e que deve ser tanto do Brad Pitt como as pedras do caminho do Fernando Pessoa é possivelmente a merda mais paternalista e falocêntrica que li nos últimos tempos."

via Luna, a maior

Facebook for dummies ou análise projectiva de perfis de facebook *

Perfil sem fotografia/Fotografia de outra coisa que não tu- És feio/ estás gorda/ és obcecado com a privacidade

Perfil com fotografia de há 20 anos atrás- Envelheceste mal/ estás gorda/ficaste careca/ estás em negação com a tua idade

Perfil com fotografia com o mais que tudo- Estás pateticamente apaixonado/ queres meter pirraça aos teus ex/ tens um namorado ciumento e queres acalmá-lo/queres dar imagem de perfect couple/foste a um casamento e por acaso calhou que o fotógrafo vos tirou uma fotografia mesmo gira

Perfil com fotografia com filho(s)- Estás com baby blues/pariste há pouco tempo e precisas de afirmar a tua maternidade/queres que toda a gente perceba que "a minha filha é mais bonita que a tua, toooomem!"

Perfil com fotografia só do filho- Estás com baby blues/Pariste há pouco tempo/Estás a deixar que a maternidade se sobreponha à tua existência como ser individual

Perfil com fotografia num spot turístico/em viagem/em férias- Regressaste da viagem de lua-de-mel há pouco tempo/ ainda recebes subsídio de férias/ queres provocar raivinha de dentes com uma atitude "olhem para mim de férias e vocês aí agarrados ao facebook no local de trabalho!"/ tens saudades do tempo em que recebias subsídio de férias que agora o mais que podes é montar tenda no Parque de Campismo de Monte Gordo

Perfil com fotografia dos pés na areia com o mar ao fundo- Estacionaste em 2005 e ninguém te tira daí

Perfil com fotografia de feto numa ecografia/ de mulher lado com barriga de grávida e mão em cima da pança- Estás cheia de hormonas

Perfil com fotografia de uma parte do corpo (por exemplo olho)- És feio mas tiveste a sorte de nascer com uma cor de olhos bonita

Perfil com fotografia vestida de noiva ou com o respectivo marido, ambos vestidos de noivos- Casaste há menos de seis meses e estás em lua-de-mel psicológica/ Não te mascaraste de princesa em criança e o vestido de noiva no dia do casamento foi a tua vingança

Perfil com fotografia com um grupo de amigos em que para te encontrar lá no meio faz-se um exercício tipo "Onde está o Wally"- És adolescente/Andas no primeiro ano da universidade/És feio

Perfil com fotografia de costas- Tens um bom cabelo e o resto não é assim tão bom/Tens um bom rabo/ Tens um bom corpo mas a cara não é grande espingarda/És feio/ és obcecada com a privacidade

Perfil com fotografia com traje de universidade- És caloiro/És finalista e fizeste a benção das pastas ou queima das fitas o mês passado/és da tuna

Perfil com fotografia que representa uma causa- Tens uma causa por defender

Composição de fotografias- Tens um iPhone/ és maluquinho do Istangram/Tens um smart phone qualquer e apeteceu-te brincar

Todas outras excepções que não sejam colocar uma fotografia de rosto bem visível- És feio

Não tens facebook- Ainda lavas roupa no tanque/És amish



(*qualquer excepção que não esteja presente na presente análise é pura coincidência)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A quadripolarização mais coerente de todos os tempos


"Apanhei-o na casa de banho pública a lavar os dentes
fiquei 20 minutos à espera
 esteve 20 minutos a lavar os dentes.
Mas ei-lo"

Mariana Camargo: eu amo-te!

Sim, tenho andado ocupada com a organização da festa de aniversário solidária e todos os minutos que para isso dispendo valem a pena por isto

"Olá, Pólo Norte. 
Olá, Ursa. 
Olá, mãe da Ana. 
Eu sou a Ana - não a Ana do futuro, mas uma outra Ana. Leio o Quadripolaridades há muito tempo, sigo todas as aventuras, as iniciativas. 
 Também sou voluntária no IPO, na pediatria, e segui relativamente de perto a luta do Rodrigo; no último dia do internamento, antes de se decidir que ali não se podia fazer mais nada, estive com ele, a brincar com plasticina. 
Depois, li sobre a iniciativa que propôs e realizou para o ajudar. E muito feliz fiquei por existirem pessoas assim, como a Ursa, como a Pólo Norte, como a mãe da Ana. 
E porquê? Porque a Ana, esta aqui, que agora lhe escreve, também há 17 anos precisou, e muito!, de dadores de sangue e de medula. 
Eu sou a Ana, e tive um linfoma, fiz quimioterapia, e safei-me! Por isso, infelizmente, não posso ser dadora de medula - uma das condições é não ser doente oncológica. 
Mas, quero ajudar. Quero fazer mais. Não me chega a Liga, preciso de mais. Por isso, aqui me tem, voluntária para o que precisar, para que a festa da Ana seja o festejo de outras Anas.
 Um beijinho da Ana"


Crónicas de um baptizado: edição extra

Quando chegámos

Análise projectiva de utilização de facebook

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Fazes like nos teus próprios status-


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Em discussão de marido e mulher, por favor, metam a colher


Também é loira, como ele, dou a mão à palmatória mas eu era loiríssima em bebé (agora continuo a ser mas é porque pinto o cabelo) e acho- acho mesmo!- que a Ana é uma mistura muito feliz dos dois e não "a cara chapada do pai", como ele teima em alimentar por aí. 

Hoje dei de caras com uma fotografia de uma prima, em bebé, e agora apresento o meu trunfo. Assim sendo:

1- Para quem conhece a Ana, vejam isto e digam de vossa justiça:



2- Para quem não conhece a Ana, ver a fotografia de cima e assumir que a miúda puxa ao lado da minha família!


terça-feira, 18 de junho de 2013

Para fechar o assunto Liliane Márise, aqui um áparte

Para vocês continuo a ser Pólo, Pólo Norte, Pólinho, Pólinha, ursa e o costume, ok?

Nada mudou na nossa relação blogosférica, ok? Foi um one post stand, ok? Tudo como dantes. Tudo como sempre. 







(E não, ninguém me chama Lili, à excepção da minha caçula que me pode chamar tudo e um par de botas que eu deixo,,)

(Ah, também não precisam de me enviar convites para o meu facebook pessoal que, como o próprio nome indica, é pessoal. Vou lá mostrar-vos fotografias da lua-de-mel em bikini e das festas cá de casa que são sempre uma animação? Vou-vos lá misturar com a minha sogra a comentar-me os status e os likes da minha mãe? Vocês são bués e eu não sou uma figura pública nem tenho pretensões de ser a blogger mais famosa da minha rua...  Tenham piedade! Está tudo doido ou quê?)

(Do linkedin nem vale a pena falar, né?!)


My name is Forrest. Forrest Gump.

Depois deste que foi um dos posts mais divertidos deste estaminé, de anos com muitas suposições, palpites, desconfianças, confesso que nem sei como não se fez apostas no betwin acerca do primeiro nome da autora deste blog. 

Pois que já me chamaram de tudo: Tânia, Ruth, Sofia, Rita, Mónica, Filipa, Cátia e até mãe da Ana. 

Mas chegou o dia de me apresentar e de acabar com o grande mistério deste blog. 

O meu nome é Liliana.*
Muito gosto. 



(* Sim, é um nome pelintra. Sim, precede o Ruth. Sim, um dia conto-vos a história. Mas é o meu e nem vale a pena chatearem-me com isso, que eu vivo com ele há quase 33 anos e- imagine-se!- até gosto. Assim, ao jeito de Liliana Márise, ok fofuchos?)

Nem tudo está perdido...

Amiga- Então, já ensinaste a Ana a dar "turras"?

Pólo Norte- Mas queres lá ver que tenho que ensinar a miúda a marrar ou estás pior? É alguma cabrinha do monte ou quê?

Aconteceu o que mais temia numa maldita estação de serviço da A1

Quando engravidei o que mais temia era ficar uma mariquinhas. Eu era aquela que fazia bandeira do facto de ser durona, forte e valente, nada mariquinhas e pieguinhas e nhonhó. E gostava, pá! Gostava de ser assim, tinha orgulho e não queria "amaricar". 

A Ana nasceu e, tirando as hormonas iniciais, comecei a achar que tudo se estava a compôr. Rija- estava outra vez a ficar rija. 

Mas na auto-estrada, a caminho de Coimbra, páro numa estação de serviço para comer uma sandes de leitão (vá, era o dia da desgraça lá na dieta) e vejo o placard: "roasted suckling pig". 

Que porra para aquele maldito adjectivo "suckling"! Ali fiquei, de lágrimas nos olhos (li-te-ral-men-te!), cheia de pena dos porquinhos bebés, coitadinhos, ainda a serem amamentados, desligando a parte do cérebro que toda a vida gostou de comer leitão e nunca, tão pouco, ponderou em se tornar vegetariana. 

Deuses do pós-parto, plamordasanta, devolvam-me a minha insensibilidade e já agora uma barriga tonificada, por favor!


(E é que não fui mesmo capaz de comer os pobres leitõezinhos, tendo ainda que levar com o gozo do mámen, a deliciar-se com a porra da sandes e a cantar "Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau!")

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Por isto- não só mas muito por causa de coisas como esta- vale mesmo a pena ter um blog!


No facebook da Pólo Norte. 

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que quando ganham alguma coisa gritam "toooooma!" e as outras.

Hoje sou professora, também!

Hoje sou a professora Emília, gorduchinha e de saias compridas, a andar de salto alto no chão de madeira da escola. A professora que me acompanhou nos quatro anos em que se chamava escola primária e não primeiro ciclo do ensino básico, porque eram primárias e fundamentais as aprendizagens, as ferramentas e os valores que ali se adquiriam. Hoje cheira-me a aparas dos lápis de carvão, no afia gigante, que funcionava a manivela, em cima da lareira da escola "salazarista". 
A professora Emília sabia os nossos nomes de cor, os dos nossos pais e irmãos, sabia quando um dos nossos animais ficava doente e no dia a seguir perguntava-nos se eles estavam melhores, sabia quem eram os meninos que, como eu, não tinham pai para oferecer prenda no Dia do Pai e propunha sempre uma alternativa melhor. A professora Emília, gorduchinha e de óculos, tinha energia e tempo para brincar connosco ao mata à hora do recreio e todos os dias nos ia verificar os cadernos, zelando pela sua limpeza e pela letra bonita, que ainda hoje me elogiam. 
A Professora Emília não tinha 30 alunos dentro de uma sala, por isso, também por isso, permitia-se a "gastar tempo" esclarecendo, sem pressas, todas as nossas dúvidas, certificando-se que ficávamos esclarecidos e a aprendizagem solidificada. Chamava-se a isto, qualquer coisa como "apoio individualizado". Era importante para nós, alunos.
A professora Emília trabalhava menos de 40 horas semanais na nossa escola mas nós sabíamos que, tal como nós, levava trabalhos de casa, composições e cópias para corrigir, fichas de avaliação para pontuar e aulas do dia seguinte para preparar. A Professora Emília, para nós, sempre trabalhou tanto, muito mas nunca por obrigação, nunca com medo das ameaças de despedimento, de ter que ir trabalhar para 200 Km longe da sua casa, nunca com medo de ver o seu salário reduzido no mês seguinte sem justificação, nunca coagida, o que lhe permitia ter boa disposição para se juntar a nós no recreio e, também por isso, morar num cantinho da nossa memória quentinho e feliz. Porque não era regida pela cultura do medo, o fantasma do desemprego e ideia do "dá-te por contente ainda teres emprego".
A minha professora da primária fez-nos alunos felizes porque era professora, gostava de ser professora e era feliz com a sua escolha. E isso fez de nós- de mim- alunos melhores. 
Depois da Professora Emília, no liceu e no secundário tive outras professoras de referência: a professora Leonor de Ciências da Natureza, a professora Sónia de Português, a Maria de Lurdes de Matemática, a professora Dalila de Português B e o professor António de Filosofia. Entre muitos outros.
Hoje sou cada um deles, na luta pelos direitos não dos professores, mas dos alunos, dos mesmos alunos que merecem professores com dignidade, professores que lhes passem na vida e deixem na memória os mesmos valores primários, de continuidade, que aprendemos naquela escola primária, que isto dos primeiros ciclos do ensino básico a mim não me diz nada. 
Hoje sou cada um destes professores, que estão o dia todo a ensinar os alunos- amanhã a minha filha-  e que têm que dar seguimento ao que muitos pais fazem ou, em muitos casos, infelizmente, a substituir o papel de muitos pais: o de educar. 
Hoje sou professora. 

Sou mais que vossa mãe

O Pink Lotion e tal, sabem? Compra-se aqui.


(Mas apressem-se que só têm 20 em stock...)

domingo, 16 de junho de 2013

Só por causa das tosses: Bulgária!


"A Bulgária acabou de ser quadripolarizada por Cátia, Cecília, Daniela, Ana e Áurea numa louca aventura por Sofia. O resultado foi este, mesmo em frente a Alexander Nevsky Cathedral, Sofia Agradecemos desde já ao Mc Donald's pelo patrocínio do livro (obtido no belo do Happy Meal com desconto!) Extremamente felizes estamos por contribuirmos para tão nobre causa!"

Meninas, a ursa love all of you!


Registo dos bastidores:




Chile. Não a praça. Chile mesmo.




Gracias, Sara mais linda.

Chile quadripolarizado? Checked. 




Sim, sou bimba but I don't care!

Párem de me chamar a atenção para o facto de ser uma pirosona e ter usado aliança de namoro. A reter:

    • Foi comprada há duas vidas atrás, antes de casar, antes de separar, antes de recasar, antes de ter uma filha e antes de pesar mais de 50 Kg e de ter mais que 20 anos
    • Foi comprada na extinta "Boutique do Ouro" do Continente, o que faz dela uma peça vintage
    • Foi comprada com dinheiro de mesada
    • Na altura, jovens, belos e imbérbes, tivemos que juntar uns trocos não comendo na cantina da escola para a comprar
    • Dentro do género, é discreta e gira
    • Tem valor emocional, sentimental e cómico
    • Tem uma percentagem de 0,000001% de ouro
Posto isto, não a vou deitar fora, ok?


Agradecida. 

(Em defesa da minha honra: nunca usei daqueles porta-chaves com pele de rabo de animal, para que saibam.)

Como melhorar o grau de atenção do teu marido em três passos

1- Acrescenta a aliança de namoro no dedo da aliança de casamento.

(nada)

2- Junta, ainda, o anel de noivado, de modo que o teu dedo anelar pareça o pescoço daquelas senhoras das tribos-girafa cheias de colares

(nada)

3- Retira todos os anéis anteriores. Aliança de casamento, incluída. Dedinho ao léu.

("Olha láááá, perdeste a aliança?...)

Quadripolarização "coltoral", tumbas!


Quadripolarização de Kosice- 2ª cidade maior da Eslováquia- Capital Europeia da cultura 2013. 

Obrigada, Alima!


O início do transtorno obsessivo-compulsivo

Não consigo estender roupa sem que a cor de cada mola combine entre si em cada peça de vestuário.



(Digam-me que não sou a única!)

sábado, 15 de junho de 2013

Também queria ter uma rubrica de istangweek, istangmoments e assim

Mas não tenho jeito para montagens fotográficas.

Por isso, se quiserem, acompanhem-me aqui.

Em Portugal acresceria a criatividade de se arranjar forma para pagar uma italiana, um abatanado ou uma bica em chávena escaldada...

               

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que usaram ou ainda usam Pink Lotion e as outras.

Olharam para mim de lado e eu espetei-lhes com o argumento vintage. Tomem e embrulhem!

Uma dizia que tirava a maquilhagem com não sei quê da Clinique.

A outra com mais não sei quê da L'Oreal.

Eu disse a verdade: tiro com Pink Lotion.






E instalou-se um silêncio profundo... (graças a Deus que hoje estou com dores de cabeça)

Absolutamente fabulosa

Segundo dia de piscina, no banco de reserva com as outras mães. Pais na piscina com as crias. 

Pólo Norte- Como é que vocês conseguem estar tão frescas logo pela manhâ? Acordam maquilhadas ou quê?

Mãe 1 (cabelo todo arranjado, unhas impecáveis, ar fresco que dói) - Ah, o meu acorda todos os dias às sete da manhâ, depois dorme uma sestinha antes de virmos para a natação e dá para eu dar um jeito à cara...

Mãe 2- Ah, não faça género. Também está maquilhada...

Pólo Norte- Sim, sim, mas isso é porque me esqueci mesmo de tirar a maquilhagem antes de adormecer...






Singularidades de uma rapariga loira

Uma pessoa não vai de fim-de-semana prolongado porque tem o lançamento do livro da Rititi.
Uma pessoa acorda cedo, deixa a miúda dormir até mais tarde para não ficar rabugenta. 
Uma pessoa dá banho à filha, prepara-lhe a mala. 
Uma pessoa toma banho, escolha uma roupa normal, com uma camisa comprida para tapar o rabo gordo. Sapatos baixos e confortáveis para poder arcar com a rapariga pequena.
Uma pessoa vai de boleia com a Luna e a Ana. 
Uma pessoa chega à Pensão Amor.
Uma pessoa é acolhida pela Rititi, maaagra como tudo e gira. Com uns sapatos altos. 
Uma pessoa sente-se uma anã. Melhor ainda, uma anã com o rabo gordo.
Uma pessoa pensa "ah, não faz mal, sento-me sossegadinha e ninguém me dá pelo rabo". 
Uma pessoa começa a ver gente conhecida. Muita. Vai conversar com a Sofia, a Isabel, Teresa, a Marta, a Ana, a Carla, a Patrícia, a Lina, o Rui, os miudos todos. 
Uma pessoa anda de um lado para o outro, a cirandar.
Uma pessoa congratula-se da miúda já ser grande e ter-se deixado de bolsar. 
Uma pessoa encontra a Ana Catarina e a Ana Filipa. A miíúda derruba uma cerveja em cima da mesa, já depois de ter andado a brincar com as palhinhas com que a mãe (eu) tinha bebido uma morangoska. 
Uma pessoa cheira a cerveja que tresanda. 
O marido duma pessoa ri-se que nem parvo.
Uma pessoa encontra uma ex-colega de trabalho do seu progenitor e teme que a mesma tenha sido namorada do animal.  
Uma pessoa pensa acerca do marido: "parvinho, está a rir porque sou bardajona e cheiro a cerveja. Ou porque o verdadeiro artista que é o meu pai me envergonha sempre muito."
Uma pessoa vai à casa de banho e vomita porque o kit morangoska-imperial não faz pandent. 
Uma pessoa cheira a cerveja, a vomitado mas não é isso que a inquieta. O marido da pessoa continua a rir-se de forma parvinha.
Uma pessoa conhece a Carla Rocha e o Fernando Alvim nestes preparos. Uma pessoa percebe que largou palavrões ao lado da filha da Carla Rocha. Uma pessoa fala com o Alvim com hálito de vómito. Uma pessoa pensa: olha ao menos não é o Pedro Fernandes. 
Uma pessoa apaixona-se platonicamente pela Rititi. E congratula-se porque, apesar do piva e do ar divertido do estupor do cônjuge, o que interessa é o livro da Rititi. 
Uma pessoa tem uma filha que não foi para o colo de ninguém durante toda a festa, que entornou cerveja mas que, no final de contas, é um doce e até se portou muito bem. 
Uma pessoa janta numa tasca e dá cabo da dieta.
Uma pessoa divertiu-se muito e volta para casa, feliz. Afinal, tudo correu bem. 
Uma pessoa chega a casa e culpa a alface do bitoque do jantar da má disposição. 
Uma pessoa vomita muito. 
Uma pessoa volta a focar-se: it´s all about Rititi. 
O marido espreita à porta da casa de banho, em pleno acto gregoriano, e pergunta muito calmamente: "onde está o livro da Rititi para eu dar uma vista de olhos?"
Uma pessoa questiona-se se terá apanhado toxoplasmose, tamanha a dor de figadeira, estômago e até da visícula que jã não tem- 
Uma pessoa, anã, mal cheirosa e com bafo de bode percebe que se esqueceu de comprar o livro e pedir o respectivo autógrafo. 
Uma pessoa pergunta de volta: "olha lá, que ar gozão foi aquele com que estiveste durante toda a festa?"
O marido de uma pessoa informa que a pessoa tem pastilha colada na roupa. A roupa que cheira a cerveja. Onde? No rabo gordo. Toda a festa. E que como a pastilha é branca nas calças pretas, toda a gente reparou no abençoado nalguedo gordo. 
Uma pessoa acabou de arranjar uma razão para se divorciar num ápice. 

Depois da Heidi, isto?

Então, caraças, vai-se a ver e a cola que dava moca era a UHU e não a coca-cola?

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ópio infantil

Eu tinha ouvido dizer que os traficantes retiravam droga das papoilas. 

Era só eu que, às escondidas, apanhava as papoilas do campo à frente da minha casa e cheirava-as, à laia de rebelde com 8 anos, para ver o efeito que aquilo dava?


(Sim, também ouvi dizer que cheirar cola dava uma moca do caraças. E inalei, vezes sem conta, as latas de coca-cola para ver o que acontecia e nada...)

Anita mamã?

Foi no início desta semana. Fui buscar a Ana a casa da minha mãe e a Rita também estava na casa da mãe dela, ali ao lado. Com a Maria ao colo, um mês de gente.
De repente senti-me esquisita. Ali entre os dois quintais, o meu e o dela, onde tantas vezes gozámos a infância, cirumba riscada a giz no chão, postes onde pendurávamos o elástico para saltarmos ao mesmo tempo, o muro onde batia a bola do jogo dos"sete" e, onde hoje passa a estrada, era na altura um descampado cheio de malmequeres do campo e erva azeda. Apanhávamos flores e dançávamos ao som dos Onda Choc. 
No Verão dávamos mergulhos na piscina de plástico no quintal dela e no Inverno íamos para a arrecadação da minha avó- o "quartinho"- fazer bolinhos com farinha e água. Casávamos as Barbies com os Kens, eu tinha o vestido de noiva mais bonito de todos, que a minha tia me tinha mandado da Inglaterra, e por causa disso, de cada vez que víamos um avião a rasgar o céu, dizíamos-lhe adeus. 
Isto foi ontem, caramba! Memórias ainda tão frescas. E depois, naquele dia, quando nos vi às duas, com as filhas nos braços, senti-me esquisita como se, de repente, ainda fossemos as mesmas miúdas e aquelas mães ali, com a Ana e a Maria nos respectivos colos, não pudéssemos ser nós. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Se eu morresse blogosfericamente, pois que morria feliz... (ok, para ser honesta, faltava-me conhecer o Cláudio Ramos e a Daily Cristina)


Prezado
Almofariza
Xuxi
Jibóia Cega
Pipoca dos Saltos Altos
Miss Complicações
Alexandra- a grande
São João
Cocó na Fralda
Miss Glitering
Pedro- We'll Always Have Paris
Tolan
Beijo de Mulata
Troll of the North
Paracuca
Pedagogia do Terror
Marta do Dolce Fare Niente
Me

(e sim, aguentem-se à bronca...)

Pipoco Mais Salgado.






Quadras ao Santo Antoninho

ó MEU RICO SANTO ANTÓNIO
AFASTA LÁ ESTA CRISE
AS MULHERES QUERIAM MADEIXAS
MAS FICAM-SE PELA MISE...

ó MEU RICO SANTO ANTÓNIO
BAIXA LÁ O PREçO DA SARDINHA
QUE ISTO DA FORMA QUE ANDA
O PESSOAL SÓ COMPRA A ESPINHA

ó MEU RICO SANTO ANTÓNIO
PÔE ESTE PAÍS DIREITINHO
O PESSOAL QUERIA SARDINHA
MAS FICA-SE PELO JAQUINZINHO...

ó MEU RICO SANTO ANTÓNIO
ANDAS UM SANTO FRACOTE
MERECÍAMOS TINTO ESPORÃO
MAS BEBEMOS VINHO DE PACOTE

ó MEU RICO SANTO ANTÓNIO
PARA ESTA DÚVIDA TERÁS A CURA
SE EU COMPRAR UMA SARDINHA
TEREI QUE PEDIR FACTURA?

ó MEU RICO SANTO ANTÓNIO
EU QUERIA UM MANJERICO
MAS SEM DINHEIRO NO BOLSO
A QUEM DEVO FAZER UM... (censurado)

ó MEU RICO SANTO ANTÓNIO
A MALTA ANDA PARANOICA
PODIAS ACABAR COM A CRISE
E AFOGAR A PORRA DA TROIKA?

ó MEU RICO SANTO ANTÓNIO
AGUENTA COM AS MINHAS QUEIXAS
O MULHERIO TEM BRUTAS RAIZES
E DIZ QUE VÊM DA CALIFÓRNIAS AS MADEIXAS...

ó MEU RICO SANTO ANTÓNIO
QUERIA UMA SARDINHA NA BRASA
MAS COM A MIÚDA PEQUENA
COMO UMA PIZZA EM CASA...

Não há coincidências

O Vitor, marido da minha amiga Xana, enviou mensagem a mámen. À noite, já na cama é que a alminha se lembrou de me contar a boa nova: o Pedro- meu terceiro sobrinho- havia nascido nessa tarde.

Fui a correr ver a hora da mensagem: precisamente a hora em que, ontem, revi a boina do meu avô.
E vieram-me as lágrimas aos olhos.

A boina do meu avô no 59 para Chelas

Vinha à minha frente no autocarro. Sentei-me, sem prestar atenção e, quando levantei a cabeça, dei de caras com a boina. Castanha, quadriculada, muitos diriam que ribatejana. Para mim: a boina do meu avô. 
A psicologia explica com o efeito de halo e o Diabo a quatro. A mim, continua-me a maravilhar que sempre que me cruzo com uma criança estrábica, como a Joana- a minha melhor amiga da primária- sorria, de imediato, com uma ternura pueril que a idade já não me permite. O mesmo se passa quando vejo uma senhora de carrapito, melhor ainda se tiver aquela rede a prendê-la como a menina Maria, avó da minha vizinha Cláudia. Para mim, qualquer carrapito tem sempre o cheiro a doce de tomate, o mesmo que comíamos às colheradas na mesa castanha da cozinha da minha vizinha.
Novamente ali à frente, o meu avô naquele banco, respiro devagarinho como que a prolongar aqueles segundos de reencontro, o cheiro a pedra cortada na serração do meu avô, o macio do mármore, o som dos amendoins a estalarem-lhe na boca, a vida num sorriso imperfeito quando ali gargalhava. Ali, com o rosto bronzeado do sol do trabalho assente naquela boina. 
E hoje, passados cinco anos de me ter morrido, encontrei, no 59 para Chelas, memórias num turbilhão, à distância de um sopro, de um estender de mãos. E não fiquei triste.
Porque talvez seja isto que substitui a dor lancinante, estes pequenos reencontros, estes avivares de memória em coisas banais, do dia-a-dia, sem necessidade de datas ou efemérides a pontuarem.
Hoje o meu avô viveu ali. Naquela boina, num fim de tarde, dentro do 59 para Chelas.


terça-feira, 11 de junho de 2013

Sabes que a pupila superou a mestre quando...

... uma amiga pessoal lê no teu perfil FB pessoal um texto que, por acaso, também publicaste no blog.

Sem saber que tu e a Pólo Norte são a mesma pessoa- e indignada!- decide denunciar o plágio. A quem?

À ursa, claro!

...

...

...

Pessoas que me inspiram # Pedro


O Pedro é um dos mentores da Limetree
Engenheiro civil de profissão viu-se a braços com a crise no sector da construção civil e pensou que ou mudava de área ou mudava de país. 
Mudou de área e fundou a Limetree, uma das start-ups mais promissoras dos últimos tempos. 
A Limetree é, basicamente, um álbum de criança virtual. Podemos lá deixar fotografias, cartas aos nossos filhos, gravações das suas vozes e vídeos caseiros. Tudo guardadinho na net e com acesso reservado aos pais, à prova de assaltos, cheias ou incêndios. À prova de filhos que retiram as fotografias dos álbuns e nunca mais as devolvem (desculpa mãe!). À prova de mudanças de cassetes VHS para dvds.À prova de qualquer imprevisto. 
As memórias ficam, assim, guardadas de forma segura (e gira!) para sempre. Espreitem o vídeo com a apresentação da Limetree aqui.
O Pedro não se conformou e deu à volta à crise. Não é uma inspiração?

(Sim, e é giro que se farta! Sim, e está em Dublin porque conseguiu uns investidores irlandeses. Sim- desculpem, meninas!- e ama a Pólo Norte! Tooomem!)

Irlanda quadripolarizada? Checked!


Ana e José Cid: separados à nascença

Ontem a Ana estava ao meu colo, muito bem disposta e sorridente. De repente, fez um esgar de sorriso e juro- JURO!- que vi ali uma parecença com o José Cid. 
Assustada, virei a miúda do avessos, olhei detalhadamente para cada milimetro do seu rostinho perfeito (já disse que a minha filha é linda?) para tentar perceber onde raios tinha visto uma expressão na miúda parecida com o José Cid. 

Suspirei de alívio quando- EUREKA!- descubro onde raios estavam as semelhanças: a Ana ainda não tem dentes. 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Primeira festa de aniversário solidária da blogosfera # a ideia

O Rodrigo morreu e nenhuma criança deveria morrer. A Maria Raquel tem a vida, acabadinha de estrear, com prazo de validade. 
E depois há a Marina, cujo exemplo de coragem e valentia me há-de inspirar para sempre. 
E então, tive uma ideiaa Ana, a minha Ana, celebra o seu primeiro aniversário dia 09 de Agosto. Nesse dia, procuraremos celebrar intimamente com a nossa família e amigos próximos. 
Mas... Mas eu gostava de marcar esta efeméride de forma inesquecível. 
Então, pensei: no dia 10 de Agosto, sábado, vamos organizar a primeira festa de aniversário solidária da blogosfera. 
Vou procurar o patrocínio de um espaço em Lisboa (é Verão, um sítio desempoeirado!), vou pedir patrocínio de cake designers de Lisboa que se queiram associar à causa e cozinharem o mais solidário comboio de bolos para oferecermos uma fatia a quem se quiser juntar à festa e, em troca, peço uma prenda para a Ana: a inscrição de cada um de vós (ou que tragam um amigo que ainda não esteja inscrito) como dador de medula óssea. 
Porque a memória da esperança do Rodrigo tem que ser honrada e porque acho que posso contar com vocês. E porque os aniversários devem ser celebrados no meio dos amigos. 
Que me dizem? 

(Podem ir acompanhando os preparativos da festa aqui)

domingo, 9 de junho de 2013

So- but so- me.


"
Amizades al dente


É normal as pessoas morrem-me, não percebo muito bem as caras que vejo quando o digo, sinceramente.

E morrem-me pelas mais diversas razões sendo que a mais premente é o factor "apetece-me". As pessoas que me morrem são as que me chegam com prazo de validade, pessoas com as quais eu já sei que vou ter história breve porque pouco ou nada têm para me acrescentar, pelo contrário. E não, não se aprende sempre algo com quem connosco se cruza.
Merecem-me poucas considerações além da certeza de que podia muito bem ter gasto o tempo que perdi, a aprender a ser uma melhor dona de casa que assim não fazia do homem o meu criado. Quando as pessoas me morrem não lhes sinto a falta, não lembro momentos bons, não recordo cafés, jantares, saídas, nada. Todo o luto é feito de alívio, saltinhos e sossego. Aconteceu ja ter perguntado a mim mesma algumas vezes porque deixo chegar este tipo de relações ao ponto de lhes fazer luto, ao que respondo, com um sorriso tranquilo na minha cara de bolacha, sou uma altruísta, eu. Tudo por amor ao próximo. Contudo, o meu amor é defeituoso: posso amar muito, mas gasto tudo muito rápido. Não sei deixar um bocadinho para amanhã, não sei amar incondicionalmente, não sei levar no focinho e dar a outra bochecha, não sei aceitar sem compreender. Não sei dar o braço a torcer quando entendo que não é o meu que deve torcer. Não sei voltar quando me deixaram ir. Não sei ser boa quando me querem má. Há pessoas que me morrem e escolhi o meu blog para me ver livre das suas cinzas porque são pessoas que continuam a saber de mim desta maneira, tão pequenina e traquina. Cobardemente, invadem-me a pseudo privacidade que aqui tenho, para me lerem a alma, para saberem de mim, quando na vida real, na que interessa, fingem que não querem. E é quando me morrem mais um bocadinho, quando eu pensava que tal já não fosse possível. Poderão então continuar a ser uns cagalhões que para aí andam que eu cá continuarei a contar das minhas cenas à minha maneira para alegrar os dias aos penicos. E Deus sabe a capacidade que me deu de falar, falar, falar e não dizer nada de concreto.




As pessoas morrem-me, não sei se já vos tinha dito, paciência.


Paz às suas almas"

pela Filipa, que me tirou as palavras dos dedos, no seu "Dúvidas cor-de-rosa"
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