Quando engravidei o que mais temia era ficar uma mariquinhas. Eu era aquela que fazia bandeira do facto de ser durona, forte e valente, nada mariquinhas e pieguinhas e nhonhó. E gostava, pá! Gostava de ser assim, tinha orgulho e não queria "amaricar".
A Ana nasceu e, tirando as hormonas iniciais, comecei a achar que tudo se estava a compôr. Rija- estava outra vez a ficar rija.
Mas na auto-estrada, a caminho de Coimbra, páro numa estação de serviço para comer uma sandes de leitão (vá, era o dia da desgraça lá na dieta) e vejo o placard: "roasted suckling pig".
Que porra para aquele maldito adjectivo "suckling"! Ali fiquei, de lágrimas nos olhos (li-te-ral-men-te!), cheia de pena dos porquinhos bebés, coitadinhos, ainda a serem amamentados, desligando a parte do cérebro que toda a vida gostou de comer leitão e nunca, tão pouco, ponderou em se tornar vegetariana.
Deuses do pós-parto, plamordasanta, devolvam-me a minha insensibilidade e já agora uma barriga tonificada, por favor!
(E é que não fui mesmo capaz de comer os pobres leitõezinhos, tendo ainda que levar com o gozo do mámen, a deliciar-se com a porra da sandes e a cantar "Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau!")
11 comentários:
Espero que isso nunca me ataque senão nunca mais posso fazer empreitadas a matar frangos lá em casa. E o que eu gosto de frango assado... :)
LOL, muito bom :P. Principalmente o canto do Mámen :P
:) Acho muito bem. Como é que alguém é capaz de comer porquinho-bebé é que me surpreende.
O meu moço adora e eu fico sempre horrorizada quando ele come aquilo...
E então afinal, onde foi o almoço em Coimbra? :)
Mesmo com 4 gravidezes continuo uma insensivel e adoro leitão, até compro para assar, sou mesmo do pior.
Fizeste-me lembrar uma vez em que fui a um restaurante a Sintra, e cuja especialidade era veado.
Claro que quisemos provar a iguaria, eu estava mesmo a deleitar-me com tal prato até que... me lembrei do Bambi. Esse mesmo, da Disney.
Escusado será dizer que não fui capaz de meter mais nenhuma garfada à boca (nem para comer uma batatita que fosse, só de pensar na molhenga com sabor a veado).
:)
Sempre gostei de animais e sempre me considerei hipócrita - não estou a condenar os outros, apenas a mim - por me preocupar com tantos e comer outros tantos sem nenhum remorso.
Pois, nasceu-me a menina - uma semana depois da sua - e eu que já evitava totalmente coisas como cordeiro e vitela - vi uma ser morta num documentário e foi um choque brutal a maneira como sofreu -, cortei bastante a carne, principalmente de filhotes e de porco. Na gravidez já não me desciam bem, não sei o porquê.
Não como, é uma contradição, e tento só comer carnes que venham de fontes éticas e biológicas. Pode ser parvoíce, idiotice, mas é assim que me sinto. Ter uma bebé e ver a sua vulnerabilidade me deixou ainda mais sensível ao sofrimento de todos os seres, principalmente mães e filhotes. Todo ser capaz de sofrer e sentir dor merece consideração, em minha humilde opinião. Pronto, sei que vão rir de mim, mas paciência.
Eu só consigo comer ovos e galinhas felizes (i.e. que nunca conheceram aviário) e não consigo comer figado de pato desde que vi um slideshow que circulava na net. Já os leitãozinhos e os bambis não tiveram (ainda) esta sorte.
Mas há coisas que mudam depois de ter filhos - não consigo ver séries ou filmes dramáticos com crianças doentes sem chorar que nem uma madalena, por muito maus que sejam.
Acontece quando se está mais sensível, mas não nos podemos por a pensar nestas coisas, ou só beberemos água... Afinal, as couves, os tomates a soja e outras coisas que deliciam quem é vegetariano, também tem um ciclo de vida, nasce, cresce, morre e frequentemente apodrece no frigorífico... Estaremos igualmente a comer um ser vivo.... E isso da água, também dá que pensar, porque os peixes lá fazem sexo e as necessidades ....
O meu lá de casa não toca em carne (morta, claro!) há 7 anos. Sou quase pescetariana por arrasto.
Isso faz-me lembrar uma altura em que eu tinha a mania que tinha consciência e deixei de comer carne.... Na Páscoa, a vizinha da minha Mãe, uma Cabo-Verdiana, excelente cozinheira, fez galo para os carnívoros e um estufado de lulinhas aqui para a Princesa. Eu, no alto da minha parvoíce, pergunto à minha irmã (que ainda tem consciência) se o Pascoal estava bom.... ela pára de comer, e olha para mim com uma carinha triste, e pergunta. "ele tinha nome?" e eu, sim.... era o Pascoal. Não sabias? ". Ela pára de comer. E fica a olhar para o prato. Era tudo mentira. Só a queria fazer sentir-se culpada. A minha vizinha, naquele sotaque delicioso, diz: "oh.... matei esse, e agora o irmão dele está triste e só...... vou ter que o matar também...." Tinham que ver a cara da minha irmã.... priceless! :D
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