terça-feira, 18 de junho de 2013

Aconteceu o que mais temia numa maldita estação de serviço da A1

Quando engravidei o que mais temia era ficar uma mariquinhas. Eu era aquela que fazia bandeira do facto de ser durona, forte e valente, nada mariquinhas e pieguinhas e nhonhó. E gostava, pá! Gostava de ser assim, tinha orgulho e não queria "amaricar". 

A Ana nasceu e, tirando as hormonas iniciais, comecei a achar que tudo se estava a compôr. Rija- estava outra vez a ficar rija. 

Mas na auto-estrada, a caminho de Coimbra, páro numa estação de serviço para comer uma sandes de leitão (vá, era o dia da desgraça lá na dieta) e vejo o placard: "roasted suckling pig". 

Que porra para aquele maldito adjectivo "suckling"! Ali fiquei, de lágrimas nos olhos (li-te-ral-men-te!), cheia de pena dos porquinhos bebés, coitadinhos, ainda a serem amamentados, desligando a parte do cérebro que toda a vida gostou de comer leitão e nunca, tão pouco, ponderou em se tornar vegetariana. 

Deuses do pós-parto, plamordasanta, devolvam-me a minha insensibilidade e já agora uma barriga tonificada, por favor!


(E é que não fui mesmo capaz de comer os pobres leitõezinhos, tendo ainda que levar com o gozo do mámen, a deliciar-se com a porra da sandes e a cantar "Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau!")

11 comentários:

Kelle disse...

Espero que isso nunca me ataque senão nunca mais posso fazer empreitadas a matar frangos lá em casa. E o que eu gosto de frango assado... :)

disse...

LOL, muito bom :P. Principalmente o canto do Mámen :P

Patrícia disse...

:) Acho muito bem. Como é que alguém é capaz de comer porquinho-bebé é que me surpreende.
O meu moço adora e eu fico sempre horrorizada quando ele come aquilo...

MRM disse...

E então afinal, onde foi o almoço em Coimbra? :)

Mamã Petra disse...

Mesmo com 4 gravidezes continuo uma insensivel e adoro leitão, até compro para assar, sou mesmo do pior.

Carla disse...

Fizeste-me lembrar uma vez em que fui a um restaurante a Sintra, e cuja especialidade era veado.
Claro que quisemos provar a iguaria, eu estava mesmo a deleitar-me com tal prato até que... me lembrei do Bambi. Esse mesmo, da Disney.
Escusado será dizer que não fui capaz de meter mais nenhuma garfada à boca (nem para comer uma batatita que fosse, só de pensar na molhenga com sabor a veado).
:)

Dani disse...

Sempre gostei de animais e sempre me considerei hipócrita - não estou a condenar os outros, apenas a mim - por me preocupar com tantos e comer outros tantos sem nenhum remorso.
Pois, nasceu-me a menina - uma semana depois da sua - e eu que já evitava totalmente coisas como cordeiro e vitela - vi uma ser morta num documentário e foi um choque brutal a maneira como sofreu -, cortei bastante a carne, principalmente de filhotes e de porco. Na gravidez já não me desciam bem, não sei o porquê.
Não como, é uma contradição, e tento só comer carnes que venham de fontes éticas e biológicas. Pode ser parvoíce, idiotice, mas é assim que me sinto. Ter uma bebé e ver a sua vulnerabilidade me deixou ainda mais sensível ao sofrimento de todos os seres, principalmente mães e filhotes. Todo ser capaz de sofrer e sentir dor merece consideração, em minha humilde opinião. Pronto, sei que vão rir de mim, mas paciência.

Familia Pumpkin disse...

Eu só consigo comer ovos e galinhas felizes (i.e. que nunca conheceram aviário) e não consigo comer figado de pato desde que vi um slideshow que circulava na net. Já os leitãozinhos e os bambis não tiveram (ainda) esta sorte.
Mas há coisas que mudam depois de ter filhos - não consigo ver séries ou filmes dramáticos com crianças doentes sem chorar que nem uma madalena, por muito maus que sejam.

M D Roque disse...

Acontece quando se está mais sensível, mas não nos podemos por a pensar nestas coisas, ou só beberemos água... Afinal, as couves, os tomates a soja e outras coisas que deliciam quem é vegetariano, também tem um ciclo de vida, nasce, cresce, morre e frequentemente apodrece no frigorífico... Estaremos igualmente a comer um ser vivo.... E isso da água, também dá que pensar, porque os peixes lá fazem sexo e as necessidades ....

Cláudia L. disse...

O meu lá de casa não toca em carne (morta, claro!) há 7 anos. Sou quase pescetariana por arrasto.

I sarcastically disse...

Isso faz-me lembrar uma altura em que eu tinha a mania que tinha consciência e deixei de comer carne.... Na Páscoa, a vizinha da minha Mãe, uma Cabo-Verdiana, excelente cozinheira, fez galo para os carnívoros e um estufado de lulinhas aqui para a Princesa. Eu, no alto da minha parvoíce, pergunto à minha irmã (que ainda tem consciência) se o Pascoal estava bom.... ela pára de comer, e olha para mim com uma carinha triste, e pergunta. "ele tinha nome?" e eu, sim.... era o Pascoal. Não sabias? ". Ela pára de comer. E fica a olhar para o prato. Era tudo mentira. Só a queria fazer sentir-se culpada. A minha vizinha, naquele sotaque delicioso, diz: "oh.... matei esse, e agora o irmão dele está triste e só...... vou ter que o matar também...." Tinham que ver a cara da minha irmã.... priceless! :D

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