domingo, 9 de junho de 2013

So- but so- me.


"
Amizades al dente


É normal as pessoas morrem-me, não percebo muito bem as caras que vejo quando o digo, sinceramente.

E morrem-me pelas mais diversas razões sendo que a mais premente é o factor "apetece-me". As pessoas que me morrem são as que me chegam com prazo de validade, pessoas com as quais eu já sei que vou ter história breve porque pouco ou nada têm para me acrescentar, pelo contrário. E não, não se aprende sempre algo com quem connosco se cruza.
Merecem-me poucas considerações além da certeza de que podia muito bem ter gasto o tempo que perdi, a aprender a ser uma melhor dona de casa que assim não fazia do homem o meu criado. Quando as pessoas me morrem não lhes sinto a falta, não lembro momentos bons, não recordo cafés, jantares, saídas, nada. Todo o luto é feito de alívio, saltinhos e sossego. Aconteceu ja ter perguntado a mim mesma algumas vezes porque deixo chegar este tipo de relações ao ponto de lhes fazer luto, ao que respondo, com um sorriso tranquilo na minha cara de bolacha, sou uma altruísta, eu. Tudo por amor ao próximo. Contudo, o meu amor é defeituoso: posso amar muito, mas gasto tudo muito rápido. Não sei deixar um bocadinho para amanhã, não sei amar incondicionalmente, não sei levar no focinho e dar a outra bochecha, não sei aceitar sem compreender. Não sei dar o braço a torcer quando entendo que não é o meu que deve torcer. Não sei voltar quando me deixaram ir. Não sei ser boa quando me querem má. Há pessoas que me morrem e escolhi o meu blog para me ver livre das suas cinzas porque são pessoas que continuam a saber de mim desta maneira, tão pequenina e traquina. Cobardemente, invadem-me a pseudo privacidade que aqui tenho, para me lerem a alma, para saberem de mim, quando na vida real, na que interessa, fingem que não querem. E é quando me morrem mais um bocadinho, quando eu pensava que tal já não fosse possível. Poderão então continuar a ser uns cagalhões que para aí andam que eu cá continuarei a contar das minhas cenas à minha maneira para alegrar os dias aos penicos. E Deus sabe a capacidade que me deu de falar, falar, falar e não dizer nada de concreto.




As pessoas morrem-me, não sei se já vos tinha dito, paciência.


Paz às suas almas"

pela Filipa, que me tirou as palavras dos dedos, no seu "Dúvidas cor-de-rosa"

6 comentários:

Filipa disse...

Que honra, um post meu aqui!

:))

maria madeira disse...

"Contudo, o meu amor é defeituoso: posso amar muito, mas gasto tudo muito rápido. Não sei deixar um bocadinho para amanhã, não sei amar incondicionalmente, não sei levar no focinho e dar a outra bochecha, não sei aceitar sem compreender. Não sei dar o braço a torcer quando entendo que não é o meu que deve torcer".

Posso assinar por baixo esta parte que destaquei e que adorei? A bem dizer já assinei.

maria madeira disse...

Rectificação:
Apercebi-me entretanto que o texto pertence a outra blogger. Como não vi aspas não tinha percebido, e escapou-me a parte lá do canto inferior direito. Sendo assim, parabéns à Filipa e continuo a querer assinar por baixo, para além de ter curiosidade e pretendo visitar o blogue em questão.

Ana Rita disse...

Filipa, este teu texto valeu uma seguidora ;)

Paula disse...

Obrigada por teres partilhado. Já não me sinto tão sozinha. Também tenho pessoas que me morrem, apesar de continuarem vivas.
E não tenho pena. Apenas deixo a vida correr. O que não interessa é para deixar ir. Sem penas.
vidademulheraos40.blogspot.com.

Lili disse...


Bom dia

Sigo o que escreve por aqui já há muito.Claro que há ( e haverá sempre) pessoas que "nos morrem".Deixá-los morrer.
Continue por aqui. Somos muitos a não querer morrer (por aqui).
Parabéns pelo que é.

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