quarta-feira, 31 de julho de 2013
O Mundo divide-se entre...
... as pessoas que leram os livros da Alice Vieira na infância (e até têm um preferido*) e os outros.
(* por aqui: "Úrsula, a maior!")
(* por aqui: "Úrsula, a maior!")
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O Mundo divide-se...
À Alice Vieira (post a quatro mãos)
Querida Alice,
- O que é feito da Melinda?
Daí, queríamos muito, muito, pedir livros de continuação, vinte anos depois. Gostávamos mesmo de saber o que aconteceu a estas pessoas, que são pessoas da família. Pode ponderar a ideia?
Um beijinho,
Liliana e Xana
Ligámos uma à outra, no minuto a seguir a ter comentado este blog. A Xana vive no Luxemburgo e eu por cá continuo. Não somos amigas de infância e só nos descobrimos nos idos tempos de uma licenciatura de Psicologia, nos finais dos anos 90. Temos algumas afinidades, mais de emoções do que, efectivamente, de gostos. No entanto, uma das coisas que nos une são os seus livros.
Na nossa infância toda a gente lia os seus livros. Nós fomos mais além: decorámo-los, praticamente. Sabemos tiradas de cor e usamos expressões dos seus livros, muitas até, no nosso dia-a-dia (como o já famoso: "Olha, podia ser Praseodímio" do "Rosa, minha irmã Rosa" ou o "a do Mónaco" quando falamos de alguma Carolina, como no "'Úrsula, a maior").
Por isso, hoje quando comentou este blog ficámos eufóricas. Como se fossemos outra vez pequenas e quiséssemos ser astronautas e, de repente, tivéssemos feito uma aproximação à lua. Um vislumbre de luz lunar.
Por isso, não querendo abusar mas já abusando, queríamos colocar-lhe algumas questões:
- A Maria João casou com o Gil Eanes? Ele fez os votos de casamento jurando sobre a cara da Marilyn Monroe na capa do dossier?
- A Xuxu tornou-se uma workahoolic executiva que aparece em fotografias de tailleur e de braços cruzados na capa da revista Exame?
- A "do Mónaco" chegou a dar um irmão à Maria João?
- A Maria João frequentou o conservatório e tornou-se actriz? Chegou a representar Frei Luis de Sousa, suspirando tão bem como a Maria Dulce no Teatro Nacional?
- A Mariana contou todas as histórias da avó Lídia à Rosa?
- A Rosa baptizou todos os peixes seguintes de "Zarolhos"?
- Os pais da Rita fizeram as pazes ou ficaram divorciados para sempre?
- Já de crescida a Mariana casou com o Jorge, o rapaz que levava tareia porque tirava más notas? Pôs os sogros num lar, certo?
- Quando, agora, já crescida, a Marta foi mãe como chamou à sua filha: Flávia ou Leonor?
- A família da Marta do Águas de Verão ainda vai às termas ou agora passa férias na Comporta?
- A tia Constancinha aderiu à depilação definitiva e acabou de vez com o buço que picava?
- O Abilinho, já de adulto, reconsiderou e percebeu, de uma vez por todas, que o nome Abílio tem muito mais carisma do que Luis?- O que é feito da Melinda?
Daí, queríamos muito, muito, pedir livros de continuação, vinte anos depois. Gostávamos mesmo de saber o que aconteceu a estas pessoas, que são pessoas da família. Pode ponderar a ideia?
Um beijinho,
Liliana e Xana
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Traumas de infância
Os pobrezinhos na Comporta da "Questina"
Das várias ideias engraçadas que ontem foram surgindo no hipotético evento dos pobrezinhos que poderiam ter tomado de assalto a Comporta da Kica, eis algumas com que contribuí:
- Só permitido o acesso ao evento de pessoas com dois nomes próprios que não combinam nem à lei da bala
- Pedido de patrocínio de transporte de camioneta da carreira à junta de freguesia (pedido de galhardetes incluído)
- Ideias para "o comer": rissóis de delícias do mar, croquetes, folhados de xalcixa. minuins, pipis, tremoços, túbaros e sandes de courato e de panado, pataniscas e peixinhos da horta..
- Ideias para as bebidas: mines, vinhos de pacote com torneirinha e "sevenaps" para as patroas que não bebem cerveja e que apreciam "panachés".
- Ideias de confecção: camping gaz ou bidões de plástico cortados ao meio a serir de assadores.
- Dress code feminino: "As mulheres devem levar bata sobre o fato de banho, e usar a t-shirt na cabeça a fazer de chapéu." (ideia da Maria Esteves) Unhacas de gel serão apreciadas!
- Dress code masculino: os homens devem ir de calções até aos sovacos, camisolas de alças e chinelo de dedo. Bonés, claro! E unhaca do dedo mindinho crescida ao natural.
- Logística: geleiras azuis para o acondicionamento e "tamparueres" para aproveitamento das sobras (não se diz restos, que uma pessoa é pobre mas não é miserável...)
- Menu infantil: papo-secos com margarina (vá, eu meto a cunha na Vaqueiro! ;)
- Divertimentos: raquetes para se jogar na areia, concursos de chapões e caça ao gambuzino, versão mosquito
- Momento de cantigas: Liliana Márise da novela da TVI e o meistre Quim Barreiros
- Media: directo de "O Preço Certo- especial marcas brancas na Comporta" apresentado pelo Fernando Mendes
(O que ontem me ri, senhores! Impagável...)
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Actualidades
terça-feira, 30 de julho de 2013
Pobrezinhos invadem a Comporta!
A "crida" Kika Espírito Santo, herdeira da família Espírito Santo, filha do "Joge" e da Kiki, membro da família proprietária do BES, achou por bem dar uma entrevista hippie-chique à revista do Expresso.
Entre outras pérolas afirmou, a propósito das férias negligé e blasé e coisas chiques estrangeiras que passa na Comporta, que passar férias naquela localidade "é como brincar aos pobrezinhos".
Donos de "rulotes" de coiratos, pessoas portadoras de geleiras azuis repletas de minis, gente que tem assadores de barril, "pobrezinhos" da Bobadela, Alcabideche e Baixa da Banheira: todos à Comporta!
(Volta Pepa: estás perdoada!)
Crisistite
Gostava de ter jeito para desenho. Assim, de, pensar uma coisa, uma forma, uma imagem e as minhas mãos obedecerem-me. Ou costura, saber agarrar direitinho no tecido, coordenar como gente grande o pé do pedal e a mão que embala o tecido. Conseguir projectar em tecidos planos vestidos tridimensionais. Ou esculpir, moldar. Também gostava de moldar, de fazer coisas giras em massa fimo. Restaurar móveis já nem falo. Agarrar num mono e fazer dele uma coisa gira, recriar, restaurar, reinventar.
Também gostava de saber cantar. Abrir as goelas e sair uma voz melodiosa e afinada. Ou, em alternativa, ter aquela voz de cama que têm as locutoras de rádio. Assim, de forma natural, sem esforço, sem treino. Talento por talento.
Cozinhar por gosto. Dispensar receitar, fazer comidinha a olho, acrescentar aqui uma especiaria, ter truques inventados por mim, no fim, os elogios rasgados de quem delicia.
No fim de contas, acho que nisto dos dons, Deus estava um bocadinho distraído quando contemplou a minha existência. À parte de ter feito a filha mais gira que para aí ainda, não sei fazer nada de jeito. E mesmo a filha foi a meia com o estupor do homem que sabe fazer tudo o que eu acabei de assumir que não sei.
Pelo que, temo que a miúda cresca e perceba que o meu ADN se cravou na sua personalidade e que a parte da fisionomia tenha sido só da responsabilidade do pai.
Tenho para mim que a Ana irá transformar-se num um ser muito, muito, destrambelhado.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
domingo, 28 de julho de 2013
O melhor restaurante do Mundo
Fica aqui.
Ali, em castanho, na descida da arriba, sustentado pelas colunas.
Peçam peixe grelhado e digam que vão da minha parte.
Amizade à prova de praseodímio
Foi num dos nossos restaurantes preferidos. A mesa estava cheia de desconhecidos, amigos de amigos, a conversar entre margaritas e burritos, música de mariachis e fajitas de pollo, quando ele entrou.
Parecia um desenho animado em termos de fisionomia e indumentária, uma personagem-tipo de um livro do Eça. Quando falava, num tom teatral, agravava-se a formação do estereótipo. Sentou-se perto de mim e da minha amiga Xana, que fez as honras da casa e mo apresentou : "Protásio" de sua graça.
Eu queria dizer alguma coisa mas ainda estava a digerir aquilo tudo, demasiado incrédula e confusa, e só me saiu um "Portásio?". A Xana, num momento que ficará para sempre na história da nossa amizade de 15 anos, quis disfarçar a minha cara de parva e desconversar, saindo-se com um "Olha, podia ser Praseodímio", naquela que se tornou a nossa maior private joke de sempre.
E, depois de rirmos, literalmente, até às lágrimas com a saída da bicha, trocámos de papéis e deixámos toda a gente confusa e intrigada, vitoriosas por termos mapas de referência semelhantes, códigos secretos que uma infância a ler nos permite.
E percebemos, claramente que o Mundo se divide entre quem sabe que Praseodímio podia ter sido uma personagem de um livro infantil e quem acredita que é apenas um elemento químico.
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Ah 'migos
Eu nas palavras dos outros (mas sem óculos que vejo bem para caraças)
No inverno o meu tom de pele é ligeiramente mais baço e acinzentado do que o do Michael Jackson 15 dias depois de morrer. Por isso se me vestisse de cinzento, beje e tons pastel ia parecer um figurante do Walking Dead. Quando andava na faculdade tinha uma professora muito intelectual prec-maio-de-68, muito esquerda-chic, cabelo à homem, toda ela pretos e cinzentos e cores escuras, que um dia se virou para mim e me disse que eu estava muito colorida. Eu estava com uma camisola preta, uma saia preta e uns collants pretos, mas tinha umas meias às riscas coloridas por cima dos collants. Fiquei sem saber o que responder. A puta era ruim, disse que os meus trabalhos estavam todos muito bons mas depois só me deu 14.
Num país em que metade da população se veste de preto, especialmente as velhinhas, não é agressivo uma pessoa vestir-se toda de preto. Agressivo é uma pessoa vestir-se de todas as cores que nosso senhor criou. As pessoas ficam incomodadas com o excesso de cor, fere-lhes a vista, acham chocante. Eu não tenho culpa de não ser racista de cores. E quando pego no catálogo de Pantones sinto muitas vezes que aquelas não me chegam, queria mais cores diferentes para poder conjugar, já estou farta de todas as que existem.
A São João, é, oficalmente, a minha blogger preferida
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The Polo's next top blogger
sábado, 27 de julho de 2013
A maturidade descoberta num provador da Stradivarius
Confesso que já não fazia um programa destes há meses. Primeiro porque quando a Ana nasceu era Verão e eu estava inchada ainda e com dores na cicatriz da cesariana, pelo que optei por vestidos leves e fluidos.
Depois chegou o Outono e o Inverno e ainda tinha roupa por estrear do Outono/Inverno do ano passado, pois não estava à espera de engravidar e tinha decidido perder a cabeça na nova colecção 2011/2012. Pelo que, este ano andei vintage todo a época fria. Who cares?
Depois choveu até fim de Maio e está um tempo merdoso e estamos no final de Julho, pelo que, até aproveitei o vestido da Mango que comprei para o baptizado da Ana e voltei a "estreá-lo" no meu próprio aniversário. Ninguém deu por isso, uma vez que no baptizado da miúda as visitas do continente nunca chegaram ao destino final, isto é, à festa.
Por isso hoje, apesar de sábado foi dia de trabalho, e à hora de almoço fui com três colegas ao Centro Comercial Vasco da Gama. Na equipa duas têm menos de 25 anos e, seguramente, menos do 50 Kg. Eu e outra colega temos mais de 32 e mais de 50 Kg.
As duas magras, em busca de um vestido, experimentaram imensa roupa. Segundo as próprias, "nada lhes assentava bem". Ou estava muito largo o decote, ou não queriam nada curto porque não gostavam das pernas muito magras, ou eram tudo demasiado "espampanante" e depois as amigas gozavam, nem pensar que iam levar um "M" que vergonha, os números deviam estar errados, enfim... Cheguei a ouvir coisas como "não tenho idade para usar isso, credo!". Elas entravam e saiam dos provadores, punham-se em bicos de pés e miravam-se de todos os ângulos aos espelhos, saiam das cabines e pediam as nossas opiniões e, no final daquele carrossel fashion, não levaram nada.
Já a minha colega e eu entrámos nos provadores discretamente e de forma célere. Eu experimentei um vestido e ela um macacão, cada uma no sossego do respectivo provador, saímos, demos uma volta pela loja enquanto elas dançavam o vira nos provadores, escolhemos um colar, um cinto e pagámos. No final, saíram com muitos cabides na mão e entregaram-nos à empregada. Não levaram nada. Na-di-nha!
Quando nos viram de sacos na mão teceram comentários como "isso não é too much para a tua idade?" ("E bardamerda, não?") e " mas não procuras outras coisas, levas logo da primeira loja a que vamos?". Eu e a outra sénior rimo-nos.
Comentámos que a idade é mesmo um posto. Com corpos mais imperfeitos, com pesos superiores e com barrigas de pós-parto, fizemos mais compras que as mais novas que, frustradas, se queixavam dos corpos magros e da dificuldade em arranjarem roupa que gostassem.
Porque a satisfação com o corpo não tem que ver com medidas ou formatos mas sim com a forma como aprendemos a lidar com as nossas imperfeições, como conseguimos usar aquilo que nos apetece sem ser preciso estar na berra ou validação das nossas amigas, como os 30, afinal, nos trouxeram o bom que é comprar o que nos apetece, ser o que nos apetece e o resto é paisagem.
Elas não comparam nada insatisfeitas com os corpos, ainda assim, mais bonitos que os nossos. E eu acredito na teoria da compensação: cada qual tem o corpo e o pensamento que cada idade merece.
Elas não comparam nada insatisfeitas com os corpos, ainda assim, mais bonitos que os nossos. E eu acredito na teoria da compensação: cada qual tem o corpo e o pensamento que cada idade merece.
Tumbas.
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Autopsicoterapia
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Post para a minha avó Ana- a minhota
Sabes, avó, há uma expressão tua que uso sempre e sempre que a uso (e quase sempre ninguém a percebe) sinto-me mais perto de ti, como se falássemos num código secreto, e fica-me a alma quente, a transbordar de ti.
Estou "barada", avó! ;)
Feliz Dia dos Avós
Deseduca com amor e bem querer. Enche os teus olhos com mais lágrimas de alegria do que aconteceu com os teus filhos. Atropela as outras para conseguires um lugar na primeira fila no espectáculo de Natal da escola. Leva-lhe o pequeno-almoço à cama sem os acordares com gritos de alvorada. Dá-lhe sobremesa mesmo que não tenha comido o jantar todo. Deixa-as sentarem-se às tuas cavalitas a pentearem e porem-te rolos mesmo que tenhas zelado sempre pela tua masculinidade. Deixa-os ganhar no Monopólio. Deixa-os ganhar em todos os jogos de tabuleiro. Monta-lhes uma tenda no quintal. Deixa-os tomarem banho de mangueira, fazerem de um velho tanque de roupa uma piscina ou saltarem à volta dos aspersores da relva ligados. Ensina-lhe a oração "anjinho da guarda". Tricota-lhes as camisolas da moda. Cose-lhes os farrapos da moda, ignorando que o rasgado é que está in. Goza com as expressões deles. Deixa-os fiacarem no mar até as palmas das mãos ficarem todas enrugadas. Usa "bué" só para ser os divertires. Aproxima-os do mais próximo de voar, empurrando-os com força num baloiço. Faz almoço especial e de propósito para eles, diferente do almoço de todos. Carrega-lhes a mochila quando os vais buscar à escola. E a lancheira. E o saco com os bonecos de pvc. E, se lhe doerem os pés, leva-os ainda ao colo. Dá-lhes prendas no aniversário, no Natal, no dia da Criança, no Pão por Deus. E em todos os outros dias em que te apetecer. Aprimora as tuas receitas e encontra a tua especialidade preferida para cada um deles. Começa a temer a morte porque, já agora, dava jeito vê-los a avançar um bocadinho mais na vida. Faz os teus primeiros check-ups. Deixa de fumar porque eles te pediram. Baba quando eles balbuciarem os primeiros "a-bó" ou "bô". Deixa-te abraçar sem medo de mariquices. Ensina-os a andarem de bicicleta. Conhece-lhes os gostos mais estranhos e faz-lhes torradas aquecidas com manteiga derretida nos bicos do fogão e leite com chocolate "espertinho". Adopta um cão para lhes dares um amigo, sem medo de alergias ou das responsabilidade de teres que o passear. Finge que não os ouves aos risinhos, em vez de estarem a dormir, a altas horas da madrugada em dia de dormirem na tua casa. Vai a correr comprar um peixe dourado para substituir outro que, entretanto, morreu, para eles não lhe darem pela falta. toca, às escondidas, nas cornetas e realejos deles. Ensina-lhes a pedir desejos a estrelas cadentes. Fecha os olhos quando eles te derem beijinhos lambuzados. Molha a colher da cefé em açúcar e oferece-lha. Arma-te em mágico e e encontra-lhes rebuçados atrás das orelhas. Telefona-lhes todos os dias. Guarda moedas para lhes encheres o mealheiro. Oferece gelados à revelia dos pais. Ignora quando eles fazem bolhinhas, a soprarem ar através de uma palhinha, para dentro do copo de sumo. E ri-te, às escondidas, com o disparate. Mantêm com eles os vossos pequenos segredos. Em noites de trovoada, trá-los para a vossa cama, no meio de vós. Faz o teu próprio cartão "Toys R' us". Fala-lhes dos teus pais e dos teus próprios avós. Deixa-os brincarem com água e farinha. Rouba fotografias deles, à sucapa, dos albúns dos pais. Encobre tantos disparates quantos conseguires. Enche a casa de molduras com retratos deles. Percebe que o teu coração se pode bifurcar por cada um deles que te nasce. Sorri sempre que correm para ti. Ama sem medos.
Ama antes, muito antes, de educar.
Feliz dia, a todos os avós!
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Assuntos de Família
E como está o cabelo marroquino, Pólo Norte?
Muitas lavagens depois está um mimo. Não com o efeito liso-lambido-style nem colado à pinha mas liso, com ligeiro volume e giro.
Acabo de o lavar, penteio-o com os dedos e seco-o 5 minutos com o secador e ja está. Parece que saí do cabeleireiro.
Tirando o equivalente que devo ter gasto em pilulas anti-concepcionais durante a minha vida (porque a maoria era dada gratuitamente no centro de saúde), arrisco-me a dizer que foram os 70 € mais bem gastos de sempre.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Os Açores... na festa da Ana!
Quando comecei a organizar a festa da Ana, queria ter o condão te poder trazer a Lisboa todos os leitores queridos do meu blog.
Impossibilitada de o fazer alegrei-me quando percebi que a Marisa Barroca e a Isabel Coimbra faziam diligências para encontrar um autocarro que me trouxesse as gentes do Norte. Percebi que a Fatima Agostinho podia fazer um car sharing trazendo a Daniela Braz do Algarve. Vem uma menina do Alentejo, outra de Coimbra, a Daniela Ferreira de Bragança. A Luz vem do Funchal!
No entanto, porque tenho um tipo dos Açores cá em casa, conheço o peso da insularidade. E sabia que era quase impossível trazer leitoras dos Açores para nos ajudarem a apagar a vela!
No entanto, tal como fiz para muitos lados, tentei fazer alguma coisa. E eis que me chegou esta resposta:
"Cara Pólo Norte,
nome do Grupo SATA, acuso a receção da sua mensagem de e-mail e agradeço o seu pedido que mereceu a nossa melhor atenção.
Gostaria de lhe transmitir que o seu pedido se enquadra na ativa postura de responsabilidade social que assumimos, pelo que estaremos em condições de oferecer o nosso apoio com a cedência das duas viagens solicitadas no percurso Ponta Delgada/Lisboa/Ponta Delgada. "
E foi assim, que graças à SATA, a Ana recebeu uma das cartas mais bonitas que uma criança pode receber.
A Corisca Ruim e a Carlinha vêm à festa da Ana!
Obrigada, SATA! Ficámos de coração cheio!
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Mãegyver
Pensando bem, em Portugal a tradição manda que os casamentos sejam na terra da noiva (convite português)
(inserir brasão da freguesia de Alcabideche)
têm a honra de convidar para o casamento dos seus filhos:
Jorge Alexandre Luis & Ana
a realizar no Santuário de Fátima, seguido de copo d'água no restaurante Tia Alice.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Chama-se George! Não combina tão bem com Ana?
Já estou a ver:
William Arthur Philip Louis Windsor e Catherine Elizabeth Middleton Mámen e Pólo Ruth Norte
(inserir símbolo a "doirado" do Palácio de Buckingham)
têm a honra de convidar para o casamento dos seus filhos:
George & Ana
a realizar na Abadia de Westminster.
PROGRAMA QUADRIPOLAR | PARIS
Diz a minha Bé:
"Transporte: para uma semana, julgo que os bilhetes de 10 viagens para o metro são uma boa opção - custam 13,30€ os 10
Do aeroporto CGD para o centro tens o comboio RER B até à gare du Nord (cerca de 9€ pessoa) e depois é ver onde fica a casa em Montmatre e apanhar o metro até lá. Há sempre os táxis mas custam cerca de 50€ + preço bagagem. Tens ainda oRoissyBus que passa pelos terminais 1, 2 e 3 do aeroporto a cada 15 minutos, e pára em frente ao palácio Garnier (Ópera de Paris). O preço do trajeto é cerca de 10€ por pessoa.
Alguns apontamentos, uns já te disse, outros não :)
Passagens Cobertas - uma espécie de ruas cobertas cheia de lojinhas - a chic Vivienne - 4, rue des Petits Champs, 5, rue de la Banque, 6, rue Vivienne, 75002 Paris e as mais pitorescas Jouffroy (10-12, boulevard Montmartre – 9, rue de la Grange Batelière, 75009 Paris), Verdeau - 6, rue de la Grange Batelière – 31, bis rue du Faubourg Montmartre, 75009 Paris ePanoramas - 11-13, boulevard Montmartre – 151, rue Montmartre, 75002 Paris
Todo o bairro de Montmatre
Todo o bairro de Sant German de Prés - não é nada turístico mas foi das zonas de Paris que mais gostei, tem um “charme-Parisiense”. Lá viveram Simone de Bouvoir e Jean Paul Sartre. Na Boulevard du Saint Germain, procura os cafés Flore e Deux Magots. Muito giros.
Subir ao terraço do Arco do Triunfo - muita gente nem sabe que dá para subir e a vista é muito boa.
- fazer um cruzeiro no Sena quase ao final do dia quando o sol se põe (a partir das 20h)- o passeio é muito bonito e vês quase todos os monumentos no passeio, no verão havia imensas pessoas a aproveitar o final do dia, numa espécie de praias junto às margens, (o vinho e o queijo....). Esta é uma das empresas: www.bateauxparisiens.com
- Pont de L'Archevechê - onde há a famosa tradição de levar um cadeado e prender na ponte para simbolizar o amor eterno (fica por trás da notre dame), e é onde se tem a melhor vista da cabeceira de Notre Dame. Eu subi às torres para ver de perto as gárgulas mas não sei se com Ana será tão viável
Dicas Doces e boas:
Carette - na Place du Trocadero é a patisserie Parisiense que fabrica os "Macaroons dos Parisienses" (eles não gostam tanto da Ladurée), já ganharam vários prémios internacionais na doçaria.
Ir ao Angelina beber chocolate quente, dizem ser o melhor de Paris http://www.angelina-paris.fr/en/#/home/
Chocolaterie Jacques Genin - que tem o eleito melhor mil folhas de Paris http://jacquesgenin.fr/
Beber um café com gelado no mais antigo restaurante do mundo - Le Procope no Quartier Latin http://www.procope.com/
Lanchar nos Les Deux Moulins - 15, Rue Lepic, 75018 PARIS 18 - este café foi onde filmaram o Amélie (eu não bebi nada)
Comer muitos crepes, são maravilhosos (banana com nutella uiiii- os melhores e mais baratos comi perto da Bastilha)
Usar e abusar do Monoprix - espalhado pela cidade, tem boas opções para levar comida na mochila (levar um pareo para servir de toalha, não deve haver cidade melhor na Europa para aproveitar os jardins fazendo picnics
Dependendo dos monumentos que visites, faz contas se vale a pena comprar um cartão dos museus/monumentos. Não é barato, só compensa se se visitar muita coisa, e dá prioridade de entrada que no verão vale ouro. Ou se está numa de vivenciar mais a Cidade e ir ao sabor do que mais gostares por lá...."
Mais sugestões a acrescentar a estas, mas daquelas boas, boas, agradecem-se!
Propostas de uma solidária preguiçosa
Uma pessoa gosta de ajudar, de ser solidária, de arrastar malta com ela para fazer coisas, ajudar os outros e tudo e tudo.
Mas só se vêem corridas solidárias, caminhadas solidárias, marchas solidárias, aulas de zumba (na caneca) solidárias e eventos-solidários-que-impliquem-gastar-energia-solidariamente.
Propostas de organização de novos conceitos solidários:
Mas só se vêem corridas solidárias, caminhadas solidárias, marchas solidárias, aulas de zumba (na caneca) solidárias e eventos-solidários-que-impliquem-gastar-energia-solidariamente.
Propostas de organização de novos conceitos solidários:
- Noites temáticas em bares solidárias
- Sushizadas solidárias
- Provas de vinhos solidárias
- Sushizadas solidárias
- Raves solidárias
- Sushizadas solidárias
- Escapadinhas românticas solidárias
- Sushizadas solidárias
- Rallies-paper solidários
- Sushizadas solidárias
- Competições de quem consegue comer mais gelados solidárias
- Sushizadas solidárias
- Sessões de massagens solidárias
- Sushizadas solidárias
- Competições de buzz ou singstar solidárias
- Sushizadas solidárias
- Aulas de escrita criativa solidárias
- Sushizadas solidárias
- Almoços de sardinhas e pimentos assados solidários
- Sushizadas solidárias
- Idas à praia solidárias (obrigada, Sexinho!)
(Já disse sushizadas solidárias?)
Angola? Done!
"Tanto tempo andei a congeminar a quadripolarização e hoje, sem contar, a coisa deu-se! (Mais depressa te tivesse eu enviado o email de ontem...)
Ora aqui tens, querida Ursa: a Portuguesita já com cores de África (bem sei que não parece, mas acredita em mim!) no candongueiro, a dominar uma Cuca (cerveja nacional)!
Comentário do motorista: "Tia, vê lá, não vai me vender em Portugal!". Portanto, olha, diz que o moço não está a venda! ;)
Ora aqui tens, querida Ursa: a Portuguesita já com cores de África (bem sei que não parece, mas acredita em mim!) no candongueiro, a dominar uma Cuca (cerveja nacional)!
Comentário do motorista: "Tia, vê lá, não vai me vender em Portugal!". Portanto, olha, diz que o moço não está a venda! ;)
Beijinhos!"
Obrigada e um granda beijo aí para a banda, "tia" Susana!
Pólo Norte <3 you!
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Religião: polarismo
terça-feira, 23 de julho de 2013
Os meus contactos femininos do facebook são todos top-models
Eu gosto da Kate. E gosto por várias razões, embora não tenha o salero da irmã, tem pinta, já desfilou de soutien, quando teve um arrufo com o William mostrou que havia vida para além dele e, para além de tudo, não é propriamente uma aristocrata. É filha de um casal de pessoas que viviam bem mas à custa do seu trabalho. Gosto da Kate.
Por isso, deparando-me com os comentários que vejo no meu facebook apetece-me perguntar às gordas das minhas amigas que criticam a barriguinha proeminente da Kate (que faz dela ainda mais real e gostável), um dia- atentos UM DIA!- após ter parido, se já se viram ao espelho, se quando pariram saíram com a mesmas calças de antes de engravidarem, as slims apertadinhas-fashion. Se tinham o rosto magrinho e encovado e não, ligeiramente, inchado depois de uma gestação de nove meses e do inchaço subsequente.
Apetece-me perguntar, a estas mesmas amigas tão perfeitas e críticas, se quando criticam os role-models por aparecerem sempre "perfeitos" e com uma imagem inatingível, se não será por culpa das opiniões como as delas, que as marisas cruzes desta vida, ainda que magérrimas, tenham necessidade de aparecer nas capas de revistas masculinas, ainda assim, todas photoshopadas.
(Nota: nem um espécime do sexo masculino do meu facebook criticou a barriguinha proeminente e real da princesa. A maioria está nas tintas para assuntos da realeza mas os únicos dois que teceram comentários escreveram qualquer coisa como "a maternidade faz as mulheres mais bonitas". Somos uma putas umas para as outras, é o que é...)
(Nota 2- eu só engordei 4 Kg e, ainda assim, estava com cara de lua cheia e saí da maternidade com o vestido com que entrei, querem lá ver que sou uma ave rara...)
Os meus amigos- coitadinhos!- têm tanta fé em mim...
A minha amiga Xana, decidida que está em transformar-me numa Concha, ofereceu-me pelo meu aniversário um kit DIY de um vestido para a Ana.
Eu não sei pregar um botão como deve de ser quanto mais costurar um vestido à mão, pelo que, das duas umas, ou a minha amiga é muito irónica ou muito inocente e cheia de fé nos skills que eu nunca terei.
Primeira pergunta: que é aquela fita encarnada e é para colocar onde? Não falta uma agulha para eu fazer a malha para o peitilho do vestido? Só me enviaram uma, caramba...
Não sei se daqui resultará um vestido mas sei que renderá uns excelentes post...
(Compra-se aqui nas Meias Marias, para quem quiser comprar um "kit"- é tão fashion dizer-se "kit" agora, sou tão trendy. e fazer um grupo online para se costurar isto em equipa... A ursa agradecia apoio colectivo, siim? )
Momento "sou-muito-antiga-na-blogosfera" ou "Façam um Ponto de Encontro versão blogspot!"
Gostava de saber o que é feito da Tia Cremilde e da Deb do "Acto Falhado" dos idos anos de 2005.
Alguém se lembra?
Alguém se lembra?
Querida Catarina, aqui vão sugestões de nomes para o herdeiro, não quero que te falte nada:
Hérlander
Cláudio
Amândio
Celso
Fortunato
Sandro
Adérito
Célio
Pancrácio
Márcio
Custódio
Prasiodímio
Faustino
Djavan
Eurícleo
Iran
Serafim Saudade
Fábio Miguel
Crispim
Nel Monteiro
Asdrúbal
Aníbal
Quimbé
Gervásio Maria
Mário Jorge
Wii Viton
Zé
Eurico
Robinson
Eduardo das Conquilhas
Gualter
Roberto Carlos
Madiniuquei
e, claro...
Rúben Patrick (em honra ao aniversariante do dia).
Cláudio
Amândio
Celso
Fortunato
Sandro
Adérito
Célio
Pancrácio
Márcio
Custódio
Prasiodímio
Faustino
Djavan
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Rúben Patrick (em honra ao aniversariante do dia).
segunda-feira, 22 de julho de 2013
À atenção das mothers-in-law- wanna-be do meu riquinho futuro genro
Tirem daí a ideia!
Não querendo ser garganeira mas acabei de inscrever a Ana na Universidade de St. Andrews turma de 2030/2031.
Só por causa das coisas, o príncipe fica já reservado para a minha filha.
Primeirassssss!
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Actualidades
Mapas de representação cognitiva: pólo norte vs mámen
Acabei por comprar o champô sem sal no Boticário, onde não entrava há décadas por preconceito de perfumaria barata e com cheiro a lavanda. No entanto, depois de não encontrar marca Scala de porra nenhuma e o tal Tresemmé liso keratina estar esgotado nas prateleiras do Continente do Cascaishopping, não tive outra solução. O meu cabelo estava mais lambido do que se tivesse sido lambido por uma manancial de vacas açorianas.
Comprei um champô de cereja do Boticário, assim sendo, a um preço simpático e fui muito bem atendida pela funcionária que também tinha o cabelo com alisamento marroquino e me fez aquele olhar de solidariedade de cabelo lambido.
Cheguei a casa, fui tomar banho, lavei o cabelo, sequei-o e o cheirinho a cereja manteve-se.
Comentário de mámen, como se fosse um chef daqueles do MasterChief Alcabideche:
- "Elá, o teu cabelo cheira a ginjinha.
Muita bom esse champô!
E olha que não é uma ginjinha qualquer, cheira mesmo à de Óbidos..."
...
...
...
(eu mereço?)
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Conjugaliquadripolaridades
O Mundo divide-se entre...
... as pessoas que, ao deixar cair pão, este cai com a margarina para cima e as que o respectivo pão cai com a manteiga para baixo.
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O Mundo divide-se...
Facebook for dummies ou análise projectiva de usuários de facebook
Usuários com perfil de casal- Casal de namorados ciumentos, ou em alternativa, casal de namorados em que um dos cônjuges é ciumento e quer controlar amigos, likes, pertença a grupos e, claro, mensagens. E em que o outro é totó. Ou em que há um dos cônjuges que não quer ter página, não quer ter facebook mas quer ter acesso à conta do outro, como quem não quer a coisa, usando o argumento "mete lá o meu nome que eu não tenho conta e assim, quando me apetecer ver qualquer coisa, uso o teu. E o outro é totó.
Usuários que postam, sucessivamente, fotografias do grupo "Receitas Rápidas" ou "Livro de Receit@s"- Gente que está a cumprir a "Dieta dos 30 dias" ou gente que troca receitas via mural público do facebook ou gente com fome. Muita fome.
Usuários que postam imagens de montagens de cestas com rosas azuis e frases escritas em Comic Sens como "para perfumar o teu fim-de-semana" nos murais de outras pessoas- Senhoras na menopausa, que não estão a tomar os suplementos vitamínicos necessários.
Usuários que postam "Pela Força, pelo carisma e carinho que possui" Te admiro! Prêmio mulher bem mais que bonita! A brincadeira é a seguinte...assim que for selecionada, tem que escolher 10 mulheres do seu Facebook, que você acha que merecem o prêmio. Copie e cole isso no mural delas, seja sincera! se for selecionada mais de 3 vezes, saberá que é verdadeiramante bonita. Se quebrar a brincadeira nada vai te acontecer, mas é sempre bom saber que alguém te acha linda...por dentro e por fora. Eu escolho você!!!"- Senhoras, sozinhas e carentes, que necessitam de ouvir palavras bonitas por parte das outras pessoas e que, já agora, dão a dica acerca do que querem ouvir. Passa ao mesmo e não a outro.
Usuários que postam fotografias com pôr-do-sol, virgulas e pombinhas- Floribelas recalcadas!
Usuários que postam fotografias de imagens do sagrado Coração de Jesus ou da Nossa Senhora da Agonia com as palavras "Boa noite queridos amigos e amigas! Hoje é o dia nacional do amigo, envio meu melhor amigo para vocês."- Me-do!
Usuários que postam fotografias a segurar vegetais extra-terrestres, mais concretamente, uma courgette maior que a neta quando nasceu (a saber comp. 53cm, diâmetro.47cm e peso.2,850kg)- Sogro da Pólo Norte
(Estou aqui a ponderar se falo sobre o facebook de senhora minha sogra...)
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Avé Facebook
Teoria da conspiração?
Primeiro Óbidos, depois Leiria e, este fim-de-semana, Sintra. Tenho para mim que esta proliferação de feiras medievais é um estágio para lentamente, em doses homeopáticas, nos irmos habituando aos tempos que aí vêm.
(Ao menos, leva-se uma coroa de flores na cabeça que pobrezinhos mas fashion...)
Como diria a querida Teresa: estou uma "Sandália Moreira". Em "guerduroso".
A culpa é da Luna. A Luna é minha amiga, de carne e de cheiro, há quinhentos anos. E eu confio na Luna como se confia nos amigos próximos, verdadeiros e honestos. Directos e brutos como uma bota na tropa. Tenho que me chibar: parecendo que não, a Luna é a minha referência nos fashion advises. Tumbas, lá se vai o mito! E quando a Luna falou do alisamento marroquino, eu quis logo (copiona que sou, não posso ver uma roupinha lavada vestida a um pobre...) fazer também no meu cabelo. Mas, entretanto, engravidei e os químicos com que são feitos os alisamentos não são compatíveis com a gestação. E fui adiando a minha decisão.
Depois, a miúda nasceu e caiu-me tanto cabelo que pensei que ia ficar careca (obrigada à Dra. "beijo de mulata" que me sossegou, explicando a razão da coisa) e eu esperei que o cabelo fortalecesse. Depois fiz madeixas e não quis agredir mais a melena. No entanto, com a proximidade dos estupores dos 33, achei que não podia adiar mais.
Fiz o alisamento marroquino no mesmo sítio que a Luna, no Image Center, ali na Parede. Demorou três horas e meia e eu já tinha o rabo quadrado de estar sentada. Esta cabeleireira era porreira, madeirense e calada, mas muito despachada e eficaz. Não conversou muito comigo, percebendo que eu sou o tipo de cliente que gosta de sossego e de poucas conversas, e não forçou conversas de circunstância. Primeiro passam um produto químico, madeixinha a madeixinha, e finalmente, prancham cada madeixa a 180 graus. É um exercício moroso e minucioso mas, no final da manhã tinha o cabelo de uma gueixa loira.
À saída, depois dos 70 euros pagos, recomendou-me que estivesse 5 dias sem lavar a melena (sublinhado que a água nestes dias iria tirar o efeito ao alisamento) ou prendê-la com um elástico, que lavasse SEMPRE o cabelo com um champô sem sal e que secasse o mesmo com secador ou prancha a 180 graus, pois é o calor que reactiva o efeito do produto. Não me tentou vender champô do cabeleireiro e eu também nem me lembrei de lhe perguntar onde raio se compra um sem sal.
Hoje acabam os 5 dias de martírio para o meu cabelo. Todavia, lamentavelmente, esqueci-me da variável "bebé-com-11-meses" nesta equação.
É que para além de ter o cabelo tão lambido e oleoso que se se colocar um ovo no alto do meu cucuruto ele fica, de imediato, estrelado, tenho ainda bocados de bolacha de aveia pespegados no meu cabelo pelas mãozinhas sapudas da Ana. E sopa de bróculos respingadas pelas mesmas mãos enquanto alimentava a fera, E, sim, creme protector factor 50 para bebé da Chicco, depois de um abraço besuntado da bichinha, hoje de manhã, na praia (onde, obviamente, não mergulhei no mar). E areia, obviamente. Muita areia. O meu cabelo parece um croquete de alheira em cama de bolacha e espuma de bróculos.
Mas o que mais me preocupa no meio de tudo isto, porque daqui a umas horas, vou, finalmente, poder lavar o cabelo é: onde raio se compra um champô sem sal sem ter que voltar ao cabeleireiro?
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Nunca serei uma blogo-star
Heterónimos e ortónimo de uma blogger
"Às vezes oiço as pessoas dizerem: «Ah, leio sempre o teu blogue! Sei a tua vida toda!»
E eu rio-me.
Claro que escrevo muito, conto onde fui, o que fiz, o que vi. Mas isso é apenas a parte social da minha vida. A parte mais exposta. A pública, no sentido em que é partilhada por muita gente e que também pode ser «vista» por todos aqueles que vêem o blogue.
Mas depois há o resto. E o resto... é tudo. O que dizemos. O que fazemos (e que não conto). De que forma dizemos. De que forma fazemos. De que modo sentimos. Como pensamos."
Subscrevo, inteiramente, as palavras da BILFA Sónia, no seu "Cocó na Fralda"
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The Polo's next top blogger
domingo, 21 de julho de 2013
Mónaco? Uh lá lá!
Um grande bisous para os chiques e giros Filipa e Pedro que cumpriram a "dolorosa" tarefa de quadripolarizar o Mónaco...
Pólo Norte inveja-vos- é certo!- mas <3 you!
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Religião: polarismo
Como garantir que se dorme até às 13h, ininterruptamente, depois de se ser mãe
Aceita-se o convite da avó e leva-se a filha a passar a noite na casa desta*
Vai-se ao La Siesta e emborca-se dois jarros de margaritas
Voilá.
(* "Ah, assim também eu..." Queriam milagres, querem lá ver?)
Vai-se ao La Siesta e emborca-se dois jarros de margaritas
Voilá.
(* "Ah, assim também eu..." Queriam milagres, querem lá ver?)
sábado, 20 de julho de 2013
Sheila Carina, chega-te aqui à minha beira
Escuta-me, Sheila Carina, que já aqui ando há anos. Sabes, Sheila Carina, é fácil ter visitas quando se agarra no título de um blog conhecido e se muda uma palavrinha, para primeiro apanhar as pessoas que vêm ao engano, depois as que, curiosas, querem perceber o que vem a ser aquilo e, finalmente, as que embirram com o blog-hospedeiro e querem partilhar a raivinha dos dentes. Não sabes o que é um blog hospedeiro, Sheila Carina? A tia ursa explica-te:o parasitismo é uma relação interespecífica (que ocorre entre espécies diferentes), onde apenas uma espécie é beneficiada (parasita), através do prejuízo causado em outra espécie (hospedeiro). No entanto, Sheila Carina, na blogosfera não é bem como na natureza, a coisa só te beneficiará ao início, Sheila Carina, para captar a atenção de leitores distraídos e curiosos.
Sabes, Sheila Carina, é fácil escrever copiando estilos, usando expressões que toda a gente atribui a outros bloggers, alterando-as em género. É fácil parecer que, em calhando, até se foi infeliz na escolha do nome (sim, já sabemos, foi uma estratégia mas já não é nova e original, sabes, Sheila Carina, já maça...) mas que até se escreve bem. Mas depois, Sheila Carina, as coisas são como são, e para além do nome não original, do estilo de escrita não original e dos temas que oscilam entre comentários de maldizer acerca dos temas dos outros (ou seja, não-temas) e reposts de temas originais de outros por outras palavras, pouco te sobra, Sheila Carina.
Escuta-me, Sheila Carina, na blogosfera as leis da natureza e do parasitismo de pouco valem. Vais-te cansar, Sheila Carina, de seres uma cópia de título, de estilo e de temas, vais cansar as pessoas que te lêem, já afastaste as que vieram ao engano, sobram-te as da raivinha dos dentes, que querem descarregar más energias contigo, afinal toda a gente precisa de coro, de validação externa, Sheila Carina, oh Sheila Carina, não uses essa expressão em vão, a psicóloga aqui sou eu.
Portanto, Sheila Carina, percebe que o teu parasitismo não te beneficiará, não causará prejuízo ao hospedeiro, apenas reforçará, cada vez mais, a relação interespecífica. Nunca pertencerás à espécie dos bons, dos mais lidos e dos populares. E não era, afinal, esse protagonismo que querias quando deturpaste, de propósito, o título ao blog famoso para que todos viessem acorrer a ler-te?
As coisas são como são, Sheila Carina, nunca escreverás o livro do blog, nunca serás estrela nos lançamentos dos livros de que troças- ai a raivinha dos dentes!- porque não tens blog para livro, afinal. Pobre, Sheila Carina, que tens um blog que nem para blog serve!
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Pólo- conselheira sentimental
O Isaltino não servia para repositor de máquinas de vending ou breve explicação de como este país chegou a este ponto
Trabalhei, em tempos, como Directora de Recursos Humanos de uma grande empresa de vending. Lembro-me que um dos requisitos no recrutamento de repositores (pessoas que conduzem as carrinhas para reporem os produtos alimentares nas máquinas, nos respectivos locais onde estas estão instaladas) era a apresentação de um registo criminal "limpo".
A recolha de dinheiro dos moedeiros e respectivo transporte até à contadora na sede obrigava a este requisito, necessário que era haver alguma garantia de honestidade por parte dos futuros colaboradores.
Portugal, Portugal...
Insónia
"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes "Awww!”
Jack Kerouac.
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Entre parêntesis
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Toda a gente tem uma segunda cidade
Não tenho raízes lá. Nem familiares para visitar. Nem mortos para colocar flores no primeiro de Novembro. Não é terra da minha mãe, pai ou avós. Não tenho quaisquer raízes na minha segunda cidade, excepto as memórias frescas e salgadas de Verões ininterruptos.
Perto da rua da colónia de férias, se fossemos sempre rente ao muro da D. Armanda, sem estragar as hortenses, vendiam-se suspiros na padaria e a primeira vez que bebi um ginger-ale foi no Pára-Raios, o café do lado. Nunca deixei de gostar de ginger-ales.
Para a ria ia-se a pé, e eu tinha um colete verde que não me deixava afogar. E os ombros do meu pai, a mergulharmos aos dois. E gostava de apanhar pequenos caranguejos, nas areias movediças daquele braço de mar, para logo a seguir os soltar.
Aveiro é a minha segunda cidade. Foi em Aveiro que assisti ao meu primeiro luau. O meu primeiro beijo foi dado no cenário da praia da Vagueira, num entardecer de Julho de 1992. Na mesma praia onde procurei fadinhas do mar, noites estreladas da minha infância, de pés a brincar na areia do mar, mãos a coleccionarem conchas. Ao longe, os touros a puxarem as redes, enquanto mordiscava um gelado da Camy comprado na tasca do Toni e da Lúcia.
O farol da Barra marcava o sítio onde o mar se via mais alto, perto da Lua mais bonita que alguma vez vi. E os meus sonhos, Julho após Julho, tinham as cores das casas da Costa Nova e a doçura das tripas com ovos moles.
Em Aveiro, as pessoas são mais bonitas, mais temperadas e gostosas, como se as salinas lhes dessem um gostinho ao ser e um travozinho ao sotaque, nortenho mas não tanto. E são leves e esvoaçantes e fáceis de trato, como se tivessem alma de bicicleta, sempre a girar,
Aveiro é a minha segunda cidade, sem razões nem raízes, sem que nada o fizesse prever porque as nossas cidades também somos nós que as escolhemos, por fim.
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Autopsicoterapia,
aveiro
Estou apaixonada!
Foi a minha amiga Xana que me deu a conhecer este projecto fabuloso e, tal como ela o fez, passei a noite de ontem a ouvir poesia no youtube.
Quando Vier a PrimaveraQuando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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Homens da minha vida
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Melhor diálogo da noite de ontem
O meu primo a tentar convencer o filho para vir para a mesa comer o pato:
- "Vá, Afonso! Anda comer o patinho bom! Patinho tenrinho. Patinho, vá! Como o pato Donald..."
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- "Vá, Afonso! Anda comer o patinho bom! Patinho tenrinho. Patinho, vá! Como o pato Donald..."
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O quase melhor momento da minha festa de aniversário
"Afonso, vai buscar a Mini(e)* para entreteres a Ana"
"Oh mãe, ela é pequenina, não bebe cerveja..."
(*Bonequinha em PVC que a Ana adora!)
"Oh mãe, ela é pequenina, não bebe cerveja..."
(*Bonequinha em PVC que a Ana adora!)
A vida em perspectiva durante um alisamento marroquino
Tirei a manhã para mim. Tinha escrito que não fosse a necessidade de domar de vez o meu cabelo, encontrar um novo emprego que me faça feliz, comprar uma máquina fotográfica nova e andar de balão arriscaria a dizer que a vida, até, não me corre nada, mas mesmo nada mal.Comecei pelo mais fácil: fui fazer um alisamento marroquino.
Dei por mim em silencio durante três longas horas e meia enquanto, madeixa a madeixa, me impregnavam um químico no cabelo e depois, novamente, madeixa a madeixa, me pranchavam o mesmo. A vida ali, em perspectiva, no espelho de um cabeleireiro kitch.
Sou uma mulher. Na primeira manhâ dos meus 33 anos percebi que não me posso esconder. Posso ter cara de miúda, humor duvidoso de adolescente mas a vida fez de mim uma mulher. Cresci à força de não pensar muito nesse crescimento. O tempo, efectivamente, passou. Não sou uma senhora, ser uma senhora deve ser muito chato, mas sou uma mulher. Gosto do que vejo reflectivo no espelho, da pessoa em que me tornei.
A minha vida já foi como o meu cabelo: eriçava-se muito facilmente. Por mais que a penteasse com as mãos, por mais que insistisse com escovas diversas, a estúpida criava nós nas pontas e, depois, de repente, já estava todo embaraçada, às vezes, um ninho de ratos.
Durante muito tempo, na vida como nos cabelos, fui resistente a cortar os nós, tinha medo do cabelo mais curto, de outra moldura para o rosto, de perder a minha identidade, de mudar tanto que depois não me reconhecesse no espelho. Nessas alturas, agarrava na prancha, altas temperaturas e fazia o tratamento de choque, alisava a minha vida, como o meu cabelo, à força e à velocidade da energia. Do calor.
Aos 33 anos, aceito cortar as pontas, sem grandes lamentos. Corto tudo o que pode provocar nós e dificuldade em desembaraçar. Anseio pelo ar saudável, pescoço mais fresco, sentimento de leveza.
Aos 33 anos sei o que quero da vida, sem grandes tentativas nem erros, atitudes assertivas e sem medo do compromisso, do irreversível, pelo menos a médio prazo. O alisamento marroquino dura mais ou menos 4 meses. E o cabelo, como a vida, está, exactamente, da forma que eu quero e gosto.
Estou mesmo contente. É que o cabelo é uma coisa muito importante para uma mulher.
Nos últimos 10 anos
Tive que lidar com a velhice dos meus avós. Trabalhei na Casa Pia de Lisboa. Estive lá mais de dois anos e adorei o trabalho mas detestei a instituição. Apanhei um processo disciplinar interno e orgulho-me disso. Assisti a um show de dança do varão. Arrependi-me veementemente de ter seguido Psicologia. Fui madrinha da Tatá. Cortei o cabelo. As minhas melhores amigas piraram-se para a Guiné-Bissau e Luxemburgo. Voltei a Londres e aos Açores mais que uma vez. Descobri que o sítio mais bonito do Mundo é a Caldeira de Santo Cristo, em S. Jorge. Coleccionei avidamente relógios da Swatch. Desisti de ser Psicóloga Social. Tive vontade de trabalhar não por gosto mas por dinheiro. Tornei-me membro activo de uma associação. Fui a Cabo Verde com uma amiga e não morri de amores pela Ilha do Sal. Comecei a fumar.Trabalhei 60 Km longe de casa e demorava 2 horas e meia para cada lado no trajecto casa-trabalho para ganhar experiência em Psicologia Organizacional. Fui madrinha de casamento da Cláudia. Fiz o meu primeiro blog com quatro amigas. Casei. Tirei o piercing. Aluguei a minha primeira casa. Mudei de estado civil mas nunca no bilhete de identidade. Devorei revistas de decoração.Tive o meu primeiro carro: um Citröen AX potentíssimo. Li centenas de livros. Viajei para a Tunísia e ainda trago o cheiro do jasmim a embrulhar-me a memória. Vi o nascer do sol mais bonito de sempre em pleno deserto. Deixei de gostar dos relógios da Swatch e tenho quase cem a tiquetar numa gaveta lá de casa. Fiz um inter-rail com a minha prima e visitámos Madrid, Barcelona, Andorra, Paris, Côte d'Azur, Mónaco, Turim e Roma numa famigerada auto-caravana. Vi dezenas de filmes. Apaixonei-me quando não o devia ter feito. Engordei. Fui a festivais de Verão. Fiz arranjinhos entre amigos e acumulei três casais consumados no curriculum. Fui a Barcelona quando estavam a rodar o "Vicky Cristina Barcelona". Quase que tive a minha primeira experiência lésbica numa casa de banho das Ramblas. Deixei de falar com o João. Transferi a tara dos relógios da Swatch para as contas da Pandora. Experimentei drogas novas. Tive aulas de escrita criativa particulares demasiado "produtivas". Odiei o namorado da minha mãe. Conheci pessoas da net que permanecem como amigos e outras que nunca o deveriam ter sido. Descobri que a vodka tónica é a melhor bebida alcóolica do Mundo. Enchi duas pulseiras da Pandora e quando começaram a estar na moda fartei-me e arrumei-as. Separei-me. Pintei o cabelo de castanho. Dei sangue. Trabalhei numa empresa com os melhores colaboradores do Mundo. A empresa faliu. Roí as unhas até ao sabugo. Caí num enredo que mais parecia uma novela mexicana e agora rio-me disso. O meu avô morreu. Pensei que ia morrer. Deixei de fumar. Experimentei sushi. Mudei de empresa e mudei essa empresa. Fui a festivais de Verão. Comprei dezenas de óculos de sol. Fiz novos amigos. Estive prestes a cometer um homicídio qualificado de 1º grau. Viajei sem destino. Tornei-me viciada em sushi. Fiz mais uns blogs até ter o Quadripolaridades que é O blog. Consultei pela primeira vez um psicólogo. Bem como um astrólogo. Dei esmola a pessoas velhinhas sempre que me cruzei com uma que pedisse dinheiro na rua. Passei a gostar do namorado da minha mãe. Voltei a beber ginger-ale. Pensei em emigrar. Sonhei em ser proprietária do Aya. Reconciliei-me com a vida que tinha e fiz dela a vida que eu quero ter. Viajei para a Bélgica, a Holanda, o Luxemburgo, a Alemanha e a França. Fui muito feliz em Orval. Bebi um Cosmopolitan no terraço do Sofitel. Penso no meu avô todos os dias mas já não dói quando o faço. Voltei a deixar crescer o cabelo e voltei a ser loira. Viajei clandestinamente e adorei. Nunca dei esmola a um arrumador de carros que fosse. Senti o tempo passar rápido demais. Despedi o meu Director Geral. Pensei deixar tudo para trás e começar de novo mas depois arrependi-me. Fiz praia como há muito não fazia. Reencontrei o meu pai passados quase dez anos. Traí. Apanhei algumas tosgas. Coloquei unhas de gel (sem brilhantes) mas ainda assim arrependi-me. Fui traída. Voltei a roer as unhas. Pensei em ser mãe. Deixei de fazer planos. Comprei uma Bimby e aprendi a cozinhar. Não me apeteceu fazer 30 anos mais do que uma vez. Encontrei o meu primo. Comecei a coleccionar máscaras. Soube que ia ser tia num restaurante suiço em S. Martinho do Porto e criámos a tradição do "moche à prenha". Consegui preparar uma festa surpresa genial sem me "descoser". Fiz uma road trip pela Escócia com a minha melhor amiga e o homem que amo. Fiz uma lipoaspiração não invasiva. Vi focas em pleno oceano Atlântico. Tomei o pequeno almoço na Garret tantas vezes quanto me apeteceu. Apaixonei-me pela ilha de Skye. Bebi whisky de quase 50º. Fiz nudismo numa praia do litoral alentejano. Comecei a usar uma aliança simbólica no dedo anelar direito. Despedi largas dezenas de pessoas. Chorei, pela primeira vez, ao despedir uma em especial. Fui desrespeitada como nunca tinha sido antes. Voltei à Vidigueira. Levei seis anestesias gerais. Percebi que tenho amigos com quem posso mesmo sempre contar. Dei entrevistas a revistas da minha especialidade. E a jornais generalistas. Voltei a andar de gaivota. Consegui lugar no qual me encaixo a cem por cento no colo de um homem. Fui tia da Catarina. Aderi de vez ao Skype. Fiz uma viagem pelos caminhos de Portugal com uma mochila às costas. Apaixonei-me pela Barragem do Alqueva. Deixei de me preocupar antes das coisas acontecerem. Estive numa praia fluvial pela primeira vez. Fui o mais feliz que já experimentei ser num restaurante em Monsaraz. Comecei a olhar para os tintos do Douro com outros olhos, traindo o meu amor exclusivo aos tintos Alentejanos. Ainda não enjoei de ovos moles de Aveiro. Nem de doces em geral. Fui a tribunal e ganhei um processo judicial. Estive num clube de Swing. Vi o pôr-do-sol na Barragem do Alqueva a dois, com gargalhadas cúmplices. Gastei rios de dinheiro em restaurantes. Perdi a minha vesícula. Vivi a selecção natural das espécies aplicada aos amigos e eliminei gente que não cabia na minha vida. Bebi tantas kimas de maracujá quanto pude. Inesperadamente nasceu em mim um sentido instinto maternal. Mudei de área profissional e voltei às origens.Percebi que antes de ser Directora de Recursos Humanos, sou Psicóloga. E que antes de ser Psicóloga, sou mulher. Herdei uma casa. Tornei-me menos ansiosa e mais tolerante. Nunca perdi o sentido de humor. Revi as minhas prioridades. Passei um Natal no hospital. Completei 30 anos. Conduzi um carro "follow-me". Conheci a ilha de Santa Maria. Coleccionei muitas milhas de avião em trabalho. E muitos Km de carro. Preferi sempre o comboio. Comprovei a generosidade do povo açoriano e fui às festas do Divino Espírito Santo. Lá fiz amigas que conto serem para a vida. Vi o Guernica ao vivo. O meu blog permitiu-me conhecer, em Madrid, um par de novos amigos. Comi mulles em Bruxelas. Pedi desculpa à Susana. Fui feliz em Bruges e andei de comboio a cantar músicas pirosas a caminho do Luxemburgo. Ajudei a minha sobrinha Catarina a apagar as velas do seu primeiro aniversário. Comprei um termómetro kitsch na Floresta Negra. Apaixonei-me pela Alsácia. Fui ao Jardim das Borboletas. Comemorámos outro Natal em Agosto. Vi quadros de Magritte ao vivo. Fui tia da Mariana. Fui feliz nas Termas de Monchique. O Aya fechou. A Cláudia divorciou-se. Dos três arranjinhos que fiz entre amigos já tenho menos um no curriculum. Fiz franja e arrependi-me na hora. Tentei pedir desculpas ao João. Recebi centenas de postais de Natal. Enterrei o assunto João definitivamente. Troquei prendas de Natal inúteis. A minha avó morreu. Voltei ao maldito cemitério. Eu, enquanto neta dos meus avós, morri de vez. Fiquei numa tristeza sem fim. Inscrevi-me como dadora de medula óssea. Cortei relações com uma das minhas primas. Não tive Natal. Fiz um filho. Voltei a jogar Monopólio. Penso nos meus avós todos os dias. Descobri que estava grávida. Levei a minha afilhada ao Jardim Zoológico. Sinto orgulho, todos os dias, no pai que escolhi para a minha filha. Adorei dar a notícia da minha gravidez à minha mãe, tia, Daniela, Catarina, Xana, Cláudia e Rosa. Jantei no terraço mais cool de Nova Iorque. Conheci o sósia do Joaquin Cortés e a minha alma gémea ab fab. Fui parar a um Hilton onde pernoitei de borla à custa da avaria de um avião da Ibéria. Emocionei-me ao ouvir um coração numa ecografia. Consegui um livro autografado pelo António Lobo Antunes. Descobri que ia ser mãe de uma menina. Alcancei a serenidade familiar e conjugal com que sempre sonhei. Decidi que ia dar o nome da minha avó à minha filha. Baldei-me ao trabalho para acompanhar uma amiga a um exame médico. Decorei, a dois, um quarto de bebé. Comemorei um aniversário colectivo numa data em que ninguém fazia anos. A Inês e o Pedro casaram e eu não pude estar presente. Aumentei, com a ajuda dos amigos, a minha colecção de máscaras. Contribuí para ajudar a família de uma menina com leucemia. Recebi prendas de pessoas que só me conhecem pela escrita e fiquei emocionada. Senti o tempo passar devagar demais. Assisti à transformação da minha mãe em avó. E adorei. A minha franja cresceu. Fiz planos priorizando aspectos que nunca tinha equacionado. Escrevi tracinhos que simbolizavam dias, colei-os no frigorífico e fui-os riscando à medida que foram passando. Senti-me impaciente. Odiei estar grávida. Diverti-me com a sensação de ter uma criança a mexer-se na minha barriga. Mudei a forma como encaro a minha vida profissional. Comi marisco com as minhas pessoas preferidas no Portinho da Arrábida. Pari. Vi a minha casa ser assaltada. Fui feliz em Coimbra. Ganhei uma cicatriz no baixo ventre. Roubaram-me todas as colecções de relógios da swatch e de contas da Pandora. Fiz várias sessões de fotografias com a minha bebé. Apresentei queixas à polícia três vezes. Fiquei com uma barriga não tonificada. Arranquei um coto de cordão umbilical enquanto dava banho a uma bebé. Fui pagar uma promessa a Fátima. Conheci bloggers que admiro muito. Comi sopas do Espírito Santo nos Açores. Fui tia do Pedro. Ajudei a organizar brigadas de recolha de medula óssea. Fiquei muito mais calma e tranquila. Recasei-me. Viajei com uma recém-nascida. Bebi muitas kimas de maracujá. Organizei um baptizado. Dormi num colchão no chão um par de meses. Fui operada a um pé. Mostrei os Açores à minha filha. Sobrevivi a um sismo. Saí do anonimato na blogosfera mas por uma boa causa. Frequentei um workshop de culinária. Escrevi muitas cartas à minha filha. Fiz novos amigos. Livrei-me de gente com más energias. Mudei de casa. Consegui manter vivas ervas aromáticas, durante meses. Mostrei o mar a um bebé. Fiz um alisamento marroquino. Mudei de casa. Fui a uma benção das pastas para além da minha própria. Comecei a frequentar festas de aniversários de crianças. Fui muito feliz em Montargil. Comi muitos caracóis. Comecei a gostar de cozinhar. Vi a minha coluna ancorar-se. Recebi a minha primeira prenda do dia da mãe. Andei de roda gigante. Mudei de trabalho algumas vezes. Apazigoei a minha relação com os meus sogros. Deixei de coleccionar coisas. Assinei um termo de responsabilidade para receber alta de um internamento. Passei a preferir a serenidade e a paz à agitação e à intensidade de emoções. Organizei duas festas de aniversário para a minha filha. Partilhei a cama com duas pessoas durante meses. Fui feliz na Régua. Fui feliz em montes de sítios. Consegui rodear-me de gente que me faz feliz. Tenho uma vida, extraordinariamente, boa. Já não digo tantas asneiras mas nunca perdi a capacidade de me rir.
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