quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Casar por amor. A mais do que um homem.

Quando casei, aos 26 anos, houve duas razões principais para o fazer naquela altura: o facto de estar apaixonada pelo homem que escolhi para casar e de achar que a relação de namoro precisava de um novo desafio e de avançar; e, a segunda razão foi o facto de fazer questão que o meu avô, meu pai do coração, já bastante doente com uma doença degenerativa que o levou à morte menos de dois anos depois dessa data, pudesse assistir àquele momento. E casei.
O meu avô já não me pôde acompanhar na passadeira encarnada rumo ao altar, como eu sempre idealizara. Eu queria, não me importava de ser eu a empurrar-lhe a cadeira mas ele recusou, determinantemente, justificando que preferia ver-me a entrar ao compasso da música e com as mãos livres a segurar o ramo de malmequeres. E ali ficou, junto ao altar na sua cadeira de rodas, a assistir de primeira fila ao que foi um dos dias mais felizes das nossas vidas.
Quando foi a hora de abrir o baile, ele continuava com os olhos brilhantes. Na ausência do meu pai e com a impossibilidade de o fazer com o meu avô, o pai do noivo tomou as honras da casa, dançando comigo enquanto a minha mãe fazia o mesmo com o noivo. Sempre fomos muito desenvencilhados.
No entanto, ainda a valsa tocava, desprendi-me da pista e fui em direcção ao meu avô. Sentei-me no colo dele, sem fazer muita força, de mansinho, abracei-me ao pescoço e juro que senti que ali dançávamos os dois, num ritmo muito lento de pescoço e corações, a música estava dentro de nós.
E é esse abraço que ainda hoje sinto quando preciso do colo do meu avô. O seu respirar quente na minha nuca, as mãos doridas e enrugadas nas minhas costas, o sorriso e os olhos rasos de água a olharem para mim. Agora, por mim.
Por isso, embora tenha já lido imensas críticas a esta filha que, embora não tendo sequer namorado, decide organizar um casamento sem noivo, só para poder ter oportunidade de dançar vestida de noiva com o seu pai, doente oncológico terminal, eu não deixo de me comover. Faria i-gual-zi-nho, no caso dela.


     

24 comentários:

Maggie disse...

e é de comover sim, Mostra que o amor que esta filha tem ao pai é maior do que tudo.

Maggie

Princesa Tagarela disse...

Exacto ....os sonhos quando realizados passam a fazer parte das nossas doces memórias!!

:)' beijinho [ e agora vou ali retocar a maquilhagem pahhh ]

Fashion Sisters disse...

Sinceramente fiquei comovida com o que escreves-te porque fez-me perceber que quando casar já não terei o meu avô do coração para dançar comigo, fez-me ainda perceber a falta que ele me faz.

maria eduarda disse...

Também faria o mesmo!
Beijinhos Ursa.

PrincesaQuaseRainha disse...

Caraças pah... Não se mete assim uma pessoa a chorar à hora de almoço...
Lindo :)

O Sexo e a Idade disse...

Nem penses que vou ver o filme (eu faria igualzinho)!
Tenho os olhos rasos de lágrimas com o que escreveste!

Orquídea disse...

histórias destas emocionam-me :') mas no fundo põe-me feliz! O que uma pessoa faz por amor é o mais importante!!!

Simplesmente Ana disse...

No meu caso, sempre pedi que o meu avô ainda cá estivesse quando nascesse o meu primeiro bebé. O meu desejo realizou-se. Ainda conviveu com a minha filha um ano e dois meses. O engraçado, é que ela ainda se lembra da música que ele lhe cantava...

Ovelha Negra disse...

Não quero ver o vídeo... mas assim que li o teu título percebi perfeitamente o amor a dois homens! Eu, que sou muitas vezes criticada por ser muito ligada aos meus pais, entendo-te perfeitamente!

Cherry disse...

Já te disse que te odeio?????? És mesmo parva..... raistapartamaisàslágrimasquemefazesverter....................

fantasias disse...

sempre me rio com as tuas histórias...hoje puseste-me a chorar!
isso não se faz, não estava à espera...

(e ainda não vi o filme!)

Cherry disse...

(Depois de ter respirado fundo..... limpo as lágrimas, acho que consigo comentar feita Mulherzinha.....)

O Avô Horácio, teria sido um Avô muito Feliz se o tivesse feito a mim, ou à minha irmã. Mas não é possível. Nem o meu Pai. E é mais essa parte que me faz chorar que nem uma perdida. Porque HOJE faria todo o sentido. HOJE, sim, o Homem que tenho a meu lado merece que eu queira casar com ele. Merece o meu Amor. Merece o Amor do meu filho. Merece tudo. Não tenho é o meu Pai para me acompanhar nesse momento.... para me dar um Beijinho na bochecha, e limpar discretamente as lágrimas que eu não iria admitir que tinha.... para me apertar a mão, como sempre fez nos momentos em que precisei dele e ele esteve ao meu lado....

Divagações de uma Açoreana disse...

Entrou-me um camião TIR de areia para os olhos...

Mas isso faz-se ás pessoas a uma 5º feira ???!!!!

Nelita disse...

Possas pá, isto não se faz. fazer chorar com as palavras, e com video.
Não conhecia a história do video, mas sem dúvida que é uma manifestação de amor maravilhosa.

Um beijinho cheio de sorrisos

Ovelha Negra disse...

Acabei por ir ver o vídeo... ;(

Ninguém que amamos deveria morrer... ;(

sushi disse...

Oh..... Fiquei com a lagriminha!

cantinho disse...

Pólo Norte, antes de ver esta história, a sua história pôs-me com as lágrimas a caírem rosto abaixo.
Sem mais nada a acrescentar.

Beijinho

Carolina Cardoso Silveira disse...

És terrível tens o dom de me por a chorar!

tenho a certeza de que faria o mesmo!

beijinhos

Lia disse...

Revi-me imenso nas tuas palavras... Penso no quanto quero casar com o meu namorado, e no quanto preciso que o meu avô assista a esse momento... Porque apesar de eu te um pai mega presente, e que amo acima de qualquer coisa no mundo, o meu avô sempre foi o maior amor da minha vida, e tê-lo visto às portas da morte há 3 anos, enlouqueceu-me.
E o video... Bem, esse video é de uma choradeira pegada :'$

liliana disse...

costumo olha com desprezo para estes vídeos.
mas neste não parei de chorar.
o meu Pai morreu 2 anos antes de me casar, 8 anos antes de ver o neto. e ainda hoje sofro com isto.
eu não pensei casar durante aqueles meses mas pensei em fazer do meu Pai, avô de um filho meu. mas estava a estudar longe de casa com implicações para depois.
e o meu Pai não teve mais 9 meses para esperar nem para vivenciar o ser avô.
já lá vão dez longos anos...

és uma ursa má....

Vanda Fidalgo disse...

Se pudesse colocar no irs os custos com lenços de papel que gasto, qdo escreves estas coisas, já cá cantava uma bela dedução, oh se cantava.
Sei o que custa (e vai custar sempre) o vazio que nos deixam as perdas de Pai e avô, por isso fazia e voltava a fazer.

Patrícia disse...

Eu também faria... E deixa-me que te diga que chorei baba e ranho ao ler o que escreveste sobre o teu avô... lindo, mesmo!

joana disse...

Estou em choque com o facto de já teres "lido imensas críticas a esta filha"... Mas as pessoas são feitas de quê?! Fez muito bem, faria o mesmo! Todas as "desculpas" são boas para fazer os outros felizes. Especialmente as pessoas que adoramos!
Obrigada pela partilha, bj

Mónica Tavares disse...

Sem palavras... o texto e o vídeo dizem tudo.

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