sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Despedida de fofinha

Na altura não dei por isso e achei que a coisa tinha sido gradual. Com a notícia da gravidez, as hormonas começaram a dar de si e, embora o meu mantra diário de "eu não vou abichanar, eu não vou abichanar, eu não vou abichanar" e do orgulho por resistir a não chorar que nem uma Madalena sempre que via o Bambi (sim, estava de baixa e farta do TLC!), a verdade é que deveria ter percebido que assistir ao DVD do Bambi que tínhamos comprado para a miúda era sintomático,já.
Mámen não concorda e diz que não foi nada gradual e que se num dia estava a gozar com a Luce e o Djaló, no dia seguinte era eu própria uma Floribela em potência.  Sim, cá em casa diziam-me que floribelizei. Os grandes cabrões!
Durante 34 longas semanas fiz um esforço hérculeo para as pessoas acreditarem que as hormonas a mim não me apanham, nha nha nha nha, tentando convencer-me disso também. A verdade é que, não obstante as maleitas todas e ter detestado estar grávida, a ideia de vir a ser mãe fazia-me acordar feliz, todos os dias. E levantar-me feliz. E tomar o pequeno almoço feliz. E estar de baixa médica feliz. E ver o TLC feliz. E almoçar feliz. E passar tardes feliz. E jantar feliz. E escrever neste blog feliz. E ir ao café e às compras feliz. E deitar-me feliz.  Estava, oficialmente, a ter o período mais feliz da minha vida e, por isso, "olá sol!", "olá flores do campo!", "keep calm it's spring!" tinha fofizado...
Com o parto pensei que a coisa se compunha. Que voltava a ser mais real, a ter dias de cão, a voltar a dizer mais palavrões, a revirar mais vezes os olhos e a voltar a usar a minha famosa expressão, mediante a tolice de alguém, do "passas-me aí um x-acto?". Nop.
Durante, exactamente, um ano fui fofinha, sensível, atenta aos outros, querida, feliz 24 horas e 7 dias por semana ininterruptamente. Fui grata à vida, amante do sol, cúmplice da lua, bucólica e "olhai Lídia a flauta dos pastores" todos os santos dias, to-di-nhos. Um horror, portanto. De repente, eu era one of them, uma fofinha. Percebi que a coisa era mesmo química e incontrolável quando, um dia, me pediram para escrever um texto com acordo ortográfico e, contra todas as minhas convicções, anuí: porque raios não iria facilitar a vida aos senhores, coitados, não me custava nada escrever "espetadores" sem pestanejar e "receção" com um sorriso patológico.
Para além de tudo isto, a minha memória estava pelas ruas da amargura ao ponto de chegar a dar por mim com a miúda num braço e uma fralda noutro e parar para me lembrar o que é que ia, mesmo, fazer. Cozido à portuguesa, com certeza, amnésia de merda.
Entreguei-me à luta quando, numa estação de serviço, me recusei a comer uma sandes de leitão, que eu tanto gosto, por culpa de um cartaz a anunciar um "roasted suckling pig", coitadinhos dos pobres porquinhos mamíferos e assumi que ia ficar fofinha para sempre. Que não era uma fase, que ia ficar para sempre assim.
Mas com Agosto (olá Agosto! Olá sol! Bom dia energia!), precisamente um ano após o nascimento da Ana, dei comigo a chamar "palhaço!" a um gajo no trânsito. Elá! Depois a largar um "fuck you!" a um amigo que me estava a moer o juízo. A não ter pena e empatia pelas romenas que pediam dinheiro na rua para matar a "muito fome" aos seus filhos de 3 anos agarrados às suas mamas ainda leiteiras enquanto roubavam telemóveis aos turistas (aconteceu ao namorado da minha amiga Catarina: enquanto lhe pousavam uma receita em cima da mesa a pedincharem-lhe dinheiro, recolheram a receita e o telemóvel de última geração e ála que é cardume!) e a odiar, novamente, gente fofinha. A acordar mal humorada e a praguejar. A revirar os olhos e a fazer piretes. A irritar-me com porcarias e a resmungar de forma mais regular. A emputecer-me da vida.  A pedir que me passem o x-acto.
As minhas hormonas passaram o prazo de validade e sinto que estou a voltar ao "normal". Quem não anda muito contente com isto é mámen que confessa que se  habituara bem ao meu fofi-mood, mais passivo e permissivo, menos quezilento e mau feitio. Temos pena.
Agora é hora de organizar, a par das despedidas de solteira e de casada, a minha "despedida de fofinha". Que venha a festa! Morte à minha Floribela interior: pim, pam, pum!





17 comentários:

Rita CutxieCutxie disse...

Quando é a festa?!

Pedagogia do Terror disse...

Ora diz lá quando é?

Magda E. disse...

Pfff só a mim as hormonas não me deixaram nada fofinha, bem queria um um pouco de fofice.

Ana Cooks disse...

Já tinhamos saudades! :)

Dolce Far Niente disse...

Não me vou aproximar nos próximos tempos (a não ser para a festa, claro!)

São João disse...

Confessa lá, só não comeste os leitões porque foram amamentados, não é? :P

I sarcastically disse...

YEEEEEEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

M D Roque disse...

Como as minhas hormonais já são outras, entendo perfeitamente a necessidade de exteriorizar. Eu nem sempre posso, o que é uma pena. Desenvolvi o diz pra dentro- diz pra fora, que dá muito jeito, mas com o advento em força da PDI, por vezes embaralho- me e não corre lá muito bem. Mas quero ajudar á comemoração. Bute lá festejar! Talvez apanhar um pifo, coisa que não faço há alguns anos. I'm in.

cantinho disse...

Que post mais fofinho.

Pippa Coco disse...

Nunca estive grávida, mas as hormonas (na altura TPM, por exemplo) costumam deixar-me ao contrário: rabugenta, irritadiça, quezilenta. Acho que vou tornar-me numa MomZilla, um dia. ;)

pippacoco.blogspot.pt

AL disse...

Palhaço no trânsito?
Disse bem pior que isso na ida para a consulta do 1º mês da miúda...
E eu que nem digo palavrões...ups...as hormonas terão funcionado ao contrário comigo? lol

Portanto para te voltarmos a ler fofinha temos de pedir ajuda ao Támen...ok...seja...

Joana Sousa disse...

Welcome back, car****! :D

maria eduarda disse...

Por isso é que gosto de ler os seus textos. A par de linguagem vernácula, a ousadia, muito inteligente, diga-se, de nos transportar para nomes tão importantes da nossa literatura.
Essa ousadia sua, sempre bem alicerçada pela cultura que possui.
Parabéns!

Ana disse...

Ainda bem que te passou isso de andares fofinha. Agora é que estás mesmo mesmo boa (tipo gajas de mafamude) para dares a tua opinião sobre a mais recente invenção (aka cópia) dos croissants açucarados da Padaria Portuguesa, vulgos "croissants do careca". Falsificados.

TheEmpress disse...

Só falta escrever menos posts à volta da temática "baby" ;)

Johnny disse...

Pólo Norte mood is back :P

Miss Borboleta disse...

Então e eu que já vou na segunda festa destas? lol Diz lá quando é cagente vai.

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