segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A história que descarril(h)ou

Tenho andado a conter-me para não escrever sobre a história de (des)amor entre a Bárbara e o Carrilho. Primeiro, porque não é da minha conta, segundo porque não se deve cuspir para o ar que isto das separações às vezes temos surpresas e em terceiro por respeito a quem está a sofrer mais com isto tudo: os filhos. 
Não há separações bonitas. O fim de um ciclo, o fim de um amor, de uma relação, a mudança de paradigma, de estrutura familiar, de número de pessoas sentadas à mesa, de número de sorrisos nas fotografias das férias, de uma voz, duas vozes, sempre certas, sempre garantidas a contar uma história à noite antes de dormir, não tem nada de feliz. 
Quando os meus pais se separaram também não foi bonito. E embora as tentativas para me protegerem nunca estive à parte do processo: ouvi gritos, ouvi discussões, vi olhos inchados de chorar, vi olhos de lamento por não conseguir fazer diferente, senti beijos doídos, festinhas de compaixão e vi o fim dos meus pais como, até ali os conhecia, unos e compactos, uma entidade superior que ali estava firme e forte, rija e imperturbável para mim. 
Quando os meus pais se separaram eu envelheci uns mil anos. Percebi que as coisas não são como acreditamos, que existem para além dos nossos olhos, vontades e desejos, que o mundo não é cor-de-rosa enquanto somos pequenos e que os adultos podem ser incrivelmente maus uns para os outros e nestas guerras para se atacarem, para se vingarem, ainda que as vontades racionais sejam proteger-nos, acabam por nos usar muitas vezes como espada, punhal ou escudo. E que a conjugalidade deveria ser uma coisa à parte da parentalidade mas, infelizmente, não é, está implícita, e a separação dos pais marca um bocadinho uma fronteira que nos separa a nós, também, de um Mundo ideal ou, se não perfeito, um mundo melhor, mais plural e mais cheio. 
Não tenho nada que ver com a separação da Bárbara Guimarães e do Manuel Maria Carrilho. Mas quando a história deles me entra pela televisão à noite tenho uma opinião. Que ninguém que amou outra pessoa deveria acusá-la de ser alcóolica (e que seja: é uma doença), desprotegendo e expondo a mãe dos seus dois filhos perante a opinião pública, assim. Que um pai de bom senso não reclama visitas às onze da noite, hora em que as crianças já devem estar a dormir, perturbando as suas rotinas- nesta alturas, há que manter hábitos, horários, fazer com que alguma coisa seja estável e previsível, que mais não sejam as horas, o tempo. Que um pai de bom senso não rotula, de forma ligeira, a mãe de "sequestrar" os filhos e quando confrontado sobre o que vai fazer a seguir, assume que "vai dormir". Ninguém que saiba o que é a palavra sequestro, no seu real significado, vai dormir sabendo que os seus filhos estão sequestrados por uma pessoa alcóolica, ainda que sua mãe. 
Não sei (não quero saber, é íntimo, de foro privado) o que motivou a relação da Bárbara a descaril(h)ar. Se foi, efectivamente, vítima de violência doméstica activou os mecanismos legais para se pronunciar. E fê-lo com discrição e classe. (Já agora: a violência doméstica é crime, sim?! Não é doença: é crime.)
Sei que a senhora não me entra pela televisão a denegrir a imagem do homem que escolheu para ser pai dos seus filhos. Talvez porque o respeito pelas crianças deverá estar acima de qualquer ego, tentativa de defesa, de ataque ao outro. Porque os filhos, mais que as relações, mais que o amor passional, nunca protegidos a cem por cento do fim da família tal como a conheceram até aqui, merecem ao menos uma coisa essencial: respeito. Amor e respeito.

15 comentários:

Dianinha disse...

O senhor ainda foi mais baixo e ainda veio dizer isto: http://www.ionline.pt/artigos/portugal/carrilho-diz-padrasto-barbara-tentou-violar

Não se faz. Não se faz, mesmo.

Snow*White disse...

Ainda ontem comentei isso e este texto traduz exactamente o que penso sobre esta situação! E, sim, isto é algo do foro íntimo e privado deles, mas por outro lado entra-nos em casa pelas notícias e dá-nos o "direito" de opinar.
E mais, tratando-se de violência doméstica é um crime público e a visibilidade desde casal pode ser um alerta para esta temática...

Smelly Cat disse...

Exactamente. Uma das partes enveredou (e bem) pela via legal, a outra optou por criar um circo mediático. E essa tentativa de visita cheirou logo a manobra de diversão para 1) demonizar a outra parte 2) fazer-se de vítima.

Fuschia disse...

E se à menina de 3 ainda passará despercebida esta história, o mesmo não se poderá dizer do menino de 9. Se a mãe é alcóolica, que use dessa informação em privado, se quiser ficar com a guarda.

Fuschia disse...

http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/342592.html

AFMACC disse...

Assino por baixo.

Solana disse...

Há coisas que não se dizem, muito menos para ser publicado numa revista/jornal/TV.

Há que haver respeito, já tem idade e deveriam ter maturidade!

Julieta disse...

Ele até pode estar a ser 100% verdadeiro no que diz mas jamais teria o direito de o dizer. É de uma cobardia atroz.

Na Província disse...

Concordo consigo, ele e na minha opinião, só minha, não tem qualquer tipo de razão, as atitudes dele denunciam-no, se dúvidas houvesse ele denuncia-se, não tenho dúvidas da violência dele, ainda não te calou, vem todos os dias acrescentar lenha à fogueira.

Bicharocos Carpinteiros disse...

Muito Obrigada, Pólo!
Senti cada palavra, com a certeza de que estão todas dentro de mim sem que eu pudesse arranjar-lhes melhor combinação.
Costumo dizer que já passei pela minha pior separação: Foi aos 8 anos, sem que soubesse se havia vida para além disso e acreditando forte que não. (Não conhecia sequer um único exemplo de filhos de pais separados)
É duro como tu sabes.
Obrigada por repores o foco onde ele deve estar.

Carla disse...

UI......
Engraçado que esta "manobra de diversão" é tão utilizada diariamente, por muitos ex-casais com fins de relacionamento mal aceites, e que depois se tentam vitimizar e ficar por cima através destes golpes de mal-dizer, sem se preocuparem minimamente com os filhos.
E o "melhor" de tudo é que normalmente quem avança com este tipo de circo é o/a que apregoa mais amor e mais apego pela outra parte...

Eu, que de figura pública não tenho nada, passei e continuo a passar por uma situação parecida, mais de 2 anos após um divórcio muito mal aceite. E como eu, muito boa gente à minha volta se revê neste tipo de situações, que de repente fica enxovalhado para quem queira (ou não) saber da sua história privada - e só porque decidiu, por qualquer motivo, terminar aquele capítulo.

Mas pode ser que esta história traga algo de bom: nem que seja as pessoas perceberem, de uma vez por todas, que o respeito só tem quem o merece. E que não aceitar o fim de uma relação atacando com "fulano é alcoólico, ou roubou-me, ou violentou A ou B" nada mais significa que o que acabou não foi só a relação: foi sobretudo a possibilidade de o respeito lhe continuar a ser merecido.

Silvia de Oliveira disse...

O Carrilho tem sido um crápula. Não me sai da cabeça que, agora, ele vem dizer, para que o filho leia, que o padrasto da Bárbara (avô da criança) tentou violar a Bárbara (mãe da criança). O avô tentou violar a mãe... Pobre criança

M D Roque disse...

É triste, muito triste...

Palmier Encoberto disse...

Assino por baixo. Ipsis verbis...
Vergonha alheia é o que sinto...

Sílvia disse...

Nunca bati palmas a nenhum post num blog porque havia sempre algum ponto que não concordava na totalidade (sou assim, gosto de ter a minha opinião), mas este merece:

Clap, clap, clap!

Seja o que for, não deviam lavar roupa suja em praça pública. E eu detesto a "Babi" mas ela tem estado calada e ele tem vindo a relatar novas histórias a cada entrevista que dá. Se é alcoólica, é doença, sim senhor. E também basta prová-lo e fica com a guarda dos filhos de modo a poder protegê-los da mãe. Mas até isso parece que não é o que ele quer quando deveria ser, mais do que andar a falar com tudo que é publicação feito pita ressabiada. Cada vez mais apresenta a personalidade típica de um agressor quando descamba e deixa de fingir que é um nice guy e passa a ser obsessivo à descarada. Me-do...


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