quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Diz ele que pelo menos actualizei a minha lista de "eu já". PQP!

Quarta-feira difïcil. Tenho trabalho externo na Moita e assim que chego ao sïtio o segurança pergunta-me de onde venho. Obviamente que lhe respondi "Lisboa" em vez do nome da instituição que represento, o que originou um revirar de olhos tão "dah" que, desconcertados, estacionámos no lugar dos deficientes e ainda estávamos a puxar o travão de mão, já o senhor estava colado ao vidro do meu lado da janela, tal rebarbado quando apanha namorados a pinarem dentro de um veïculo, a roçar-se na porta e a grunhir que não poderíamos estacionar ali. 
Decidimos "desestacionar" e enquanto fazíamos marcha atrás para não atropelarmos o segurança que para ali andava a cirandar batemos num carro estacionado. Muitos vernáculos e papeis assinados depois seguimos, finalmente, para o nosso compromisso, onde permanecemos até ao final da tarde, altura em que voltámos para Lisboa para deixarmos o carro de serviço e respectiva amolgadela. 
Mámen tinha ficado de me apanhar e nunca mais chegava. Liguei-lhe e respondeu-me afogueado que estava na segunda circular com o carro aos solavancos. assim que estacionou o bote para me apanhar, o bote não mais voltou a pegar sem ser aos soluços. A luz que acendia, segundo o manual, era a do catalizador (no idea do que se trata) e a intenção do senhor meu esposo era voltarmos para Cascais aos saltinhos. Claro que, neurótica como sou, fui ler o manual todo, googlei problemas com o catalizador no icoiso e percebi que o pior dos cenários era o carro incendiar. Claro que fiz logo o filme todo, nós esturricadinhos, a Ana no nosso funeral conjunto, a Ana em adulta a contar "a minha mãe saiu da Moita e foi para a Chamusca" e não larguei mais o travão de mão.
Passado uma hora chegou o reboque que pedimos. O senhor perguntou se queríamos que chamasse o táxi da companhia mas eu- estúpida!- achei que era uma boa oportunidade de experimentar andar de reboque e vai de subir para o bicho. E começou a saga.


No interior do veículo soava uma kizomba, cintos de segurança para os penduras não havia e cheirava aquelas fohinhas de cheiro que tresandava: contei 5. Nem mais nem menos: 5 folhinhas de cheiro. Previ uma dor de cabeça com a música, o cheiro e os solavancos do reboque sem cinto de segurança e arrependi-me de não ter ido aos solavancos até casa no meu carro, assim com'assim.
O que eu não previa era que o rapaz que conduzia o reboque decidisse ir a falar ao telefone o caminho todo. Não com auriculares, com o telefone na manita mesmo: primeiro para a dama, depois para uns 3 "manos", o que estou em crer que levou mámen a acreditar que o rapaz devia pertencer a uma família numerosa. Estava a rezar, em silèncio, para chegar quando o impossível aconteceu:  o reboque avariou em plena A5.
A esta altura eu bufava, o mano saiu do carro sem colete para colocar o triângulo e eu estava dentro de um veículo avariado e transportar outro veículo avariado, uma espécie de auto-matrioshkas avariadas. Não quis esperar para ver se havia um reboque para rebocar os reboques avariados. Chamei um táxi e vim para casa.
Passadas duas horas chegou mámen, divertido. Com o ar cool que o caracteriza olhou para o meu semblante transfigurado, cara preocupada de quem bateu com o carro de serviço, ar enjoado do piva das trezentas folhinhas de cheiro, dor de cabeça da kizombada no disco-reboque, aborrecida com a condução completamente esquizóide do "mano" e com o tempo que demorei numa simples viagem de Lisboa a Cascais e exclamou com voz entusiasta: "pensa positivo: tu já andaste de reboque!".

E um catalizador pela cabeça abaixo, não?

17 comentários:

Timido disse...

Vê as coisas pelo lado positivo...
Tens uma experiencia unica para contar...

Eu também já andei de reboque e por acaso enquadrava-se plenamente na tua descrição... Disco, cheirinhos (mas a outras coisas... daquelas que fazem rir), e o telemóvel...

Pelo menos o teu carro não incendiou... Mas quase arrisco a dizer que é um carro frances... Problemas com o catalisador costumam ocorrer nos chevrons e leões...

Cláudia G. disse...

Há 2 anos aconteceu-me o mesmo, avairou-se-nos o carro em plena saída da 25 de Abril e fiz questão de voltar no reboque. Qual táxi, qual quê! E adorei: era um senhor romeno de uma terra perdida no meio do monte, onde eu por acaso tinha passado há 10 anos atrás! Foi uma viagem interessante de volta a Lisboa e posso dizer com orgulho: eu também já andei de reboque! :)

Kuski disse...

eu tb já andei de reboque e fui deixada nas portagens em Alverca... e depois desci para onde ia dar formação que era no final da estrada de acesso as portagens....
Nem imaginam o que fui gozada por isso!!!

São João disse...

Ah é tão bom andar de reboque. Já atravessei a ponte 25 de abril dentro de um reboque sem cinto de segurança e a achar que a porta estava mal fechada e que ia-se abrir a qualquer momento no meio da ponte e eu ia cair ao rio.

Claudia G. disse...

ahahhahah

Silent Man disse...

Já andei de reboque. Duas vezes. Duma recordo-me mal. A outra não foi a mais agradável de sempre!

Catalisador é o motivo pelo qual podes ter gasolina sem chumbo. Ou o motivo pelo qual não podes ter gasolina com chumbo... Basicamente veio ajudar os popós a serem amiguinhos do ambiente!

mariana disse...

ai meu deus ahahahahah lindo

Palavras que o vento não quis disse...

A única vez que deixei acabar o combustível do veículo que conduzo, liguei para a assistência em viagem e deram-me a escolher entre levarem-me gasolina (cara que fazia doer) ou ir de reboque até à bomba mais próxima. Eu, ingénua que só visto, achei que era super esperto da minha parte ir de reboque grátis e pagar a gasolina ao preço normal. Um cenário inédito: Descarregaram-me em plena bomba, com um enorme estardalhaço e eu... Faço psicanálise até hoje. Nunca consegui ultrapassar o trauma.

dona da mota disse...

Ahahahah! Uma vez li um comentário num post teu de alguém que dizia que há coisas que parece que só te acontecem a ti. Chegou a altura de citar esse comentário. Só mesmo contigo!

Nini disse...

O que eu já me ri sozinha! As minhas colegas devem achar que bato mal da mona, porque de vez em quando rio-me para o computador. Valha-me ao menos a tua boa disposição para animar os meus dias que andam tão tristes! És um postal mulher! Abreijos do NUORTE..

josé disse...

Pffft...eu sou dono de um reboque!

Grande dia, ao menos tinhas a Ana em casa para ajudar na reabilitação

desabafosemrodape disse...

lisboa, julho, não faltava muito para irmos ver o jamie cullum ao edp col jazz, carro pára a uns 500 metros do hotel onde iria ficar. íamos ver jonh legend no dia seguinte (não,não moramos em lisboa). rua apinhada naquela sexta feira, bocas e gestos de grande elegância, de todos os anormais que viam o carro parado a pensar que era só porque sim. veio o senhor do reboque, parecia um CSI, tirou tudo quanto era nota,só faltou fazer prova de DNA,e no fim, "- ah! como o hotel fica perto,e eu estou com pressa, tenho outro carro para ir buscar...", nem o deixámos acabar...fomos a pé, até porque, eu já andei de reboque,e uma vez chega!

From now on, please, call me Tinkerbell* disse...

Ahahaha vocês atraem os cenários mais hilariantes do mundo! :D Eu ainda me lembro quando me avariou o meu, em plena A1, e eu fiquei quase 1h à espera porque o reboque teve que ir entrar quase em coimbra para me vir buscar a aveiro! Dass... e ter que ir com ele, aos solavancos e a ouvir histórias do ultramar foi soberbo. Mais... e chegar a casa do alto daquela besta?!? Ahahahah

Prezado disse...

Nem tudo dá para experiências sociológicas positivas.

f disse...

O que eu já me ri a ler isto...O que a ficção tem tanto de realidade! Gostei.

Filipe

Dinastia FilipiNHa disse...

Uma fotozinha a quadripolarizar o reboque, é que era! ;-)

M D Roque disse...

Eh pah! Fiquei cheínhas de vontade de andar de reboque. Finalmente um desporto motorizado para uma pessoa da minha envergadura, kizomba e tudo !! :):):):):):):):):):)

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