segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A EXPERIMENTAR | Taverna da Taça Virada

I hate as modernas tascas e tabernas antigas. Sim, velha do Restelo, me assumo: não gosto de reinvenções da roda. Não gosto de novas padarias a quererem recriar as padarias antigas, gosto de padarias antigas. Abomino o "The World Need Nata" e pelo-me por pastéis de Belém em Belém: o Mundo se quiser provar que cá venha! Gosto do Santini de Cascais o resto só serve para afastar os lisboetas da minha terra e desimpedirem a loja e encurtarem-me as filas. Aguentem-me!
Por isso, esta nova moda de modernas tascas e tabernas antigas irrita-me, solenemente. Acho, sinceramente, que já fui a todas as aclamadas novas tabernas e tascas de Lisboa. Taberna e tasca antigas cheiram a madeira da pipa, cheiram a vinho tinto, têm empregados com um pano da loiça ao ombro (que também pode servir para limpar as mesas, os copos e as chávenas que são colocadas a aquecer em cima da máquina de café: fuck ASAE!) um assobio perfeito, ali como na Ginginha do Rossio (nem página de FB têm: toma!), bebe-se a ginginha tradicional num copo de três, nada da paneleirice de clichés forçados, de toalhinhas imaculadas de xadrez, de canecas de barro compradas no Chinês, naperons de crochet nas mesas, decoração vintage (vómito!) e artifícios vários- já disse que não aguento esta moda de recuperar as coisas antigas com artifícios vários? Não aguento. 
Tabernas, tabernas daquelas de verdade, assim de repente, para além da Ginginha do Rossio recomendo "O Henrique" em Alcabideche ou "O Camões- o rei das lamujinhas" aqui na Amoreira.. Quereis tascas antigas? Aguentem o estômago e o fígado, preparem-se para mesas de contraplacado e cadeiras desconfortáveis e regalem-se com uma aguardente caseira e um croquete de sabe-se lá o quê, não intelectualizem, sabe bem. Se quiserem uma coisa mais burguesa tendes ali a Taverna dos Trovadores, em São Pedro de Sintra, burguesa, é certo, mas sem pretensões de querer imitar o antigo, em bom. 
No entanto, ontem consegui gostar de uma taberna nova, uma taberna que não quer imitar nada, que quer ser uma taberna no espírito tascoso da coisa, uma taberna sem pretensões de imitar o antigo, uma taberna portuguesa, que só vende produtos portugueses, com uma decoração naturalmente despreocupada e sem necessidade de decoradores de interiores a fazerem de conta que "este objecto aqui e ali, colocados estrategicamente ao acaso, um a seguir ao outro, vai criar uma cenário negligé e typical, vintage e old-school". Uma taberna actual normal como, aliás, a Taberna Tosca, outra da qual sou fã. 
Na Taverna da Taça Virada, ali para os lados do Alto de Santo Amaro, há toalhas de papel nas mesas, há um empregado que assobia de mangas arregaçadas e sem fardas a imitar o antigo, caldo verde e limonada (mas só na altura em que os limões estão mais maduros), croquetes e pastéis de bacalhau, pataniscas e jolas. Também há artefactos de barro (arregalar de olhos) mas compensado com a existência de peixinhos da horta! 
Só não há coca-cola, que ali só se vendem produtos portugueses. Como antigamente... ;)




(Update- Chamada a atenção pela minha amiga Luna reponho a justiça dos factos e assumo aqui que a Taberna Ideal é a Taberna Ideal, a única dentro deste conceito snob-vintage-blherck que vale a pena...)

11 comentários:

Luna disse...

E a Taberna Ideal pá?

M D Roque disse...

Bom!!!!

Kuski disse...

Em tempos idos ia a uma tasca, por cima do Monte Estoril (se calhar já em Alcabidehe ou a caminho....) que era a porta fechada, com lamejinhas em revessas XXL e umas mesas muito toscas :) aquilo era mesmo antigo :) nem sei se ainda existe! A ultima vez qu lá fui já foi há quase 2 décadas!

mariana disse...

QUERO PROVAR OS PEIXINHOS DA HORTA!

Sãozinha disse...

Tasca mesmo tasca, na província temos muitas (e ainda bem). A Taberna Ideal para mim nem entra no conceito de taberna, que aquilo come-se bem e até com finura (entra mais no género casa da avó!)

Mamã Petra disse...

Tascas é aqui na minha aldeia, conquilhas directamente do mar para a frigideira e daí para o prato, berbigão na chapa, bocas e canilhas da noite anterior e tudo regadinho com a bela da cervejola. Sem toalhas e vintages s.

Claudia disse...

Já fui tão feliz na Taverna dos trovadores, ao som do Zeca Afonso e ao sabor do chouriço assado e do vinho branco fresquinho. E ia de longe, que sou da margem sul. Mas tenho bom gosto

Alexandra disse...

Escapa a Taberna Ideal, que adoro!

Odeio, odeio esta nova moda dos hambúrgueres gourmet.

Ao almoço, ainda escapa mas sair à noite para comer um hambúrguer no pão é ridículo. Tanta coisa melhor e mais confortante. Ou então, se é para pensar em pão, que se vá às verdadeiras tascas.

Jibóia Cega disse...

É mais ou menos isso:

http://jiboiacega.blogspot.pt/2013/02/as-tabernas-de-hoje.html


Já pagavas uma tacinha, não?

Pintas disse...

A próxima vez que vieres ao Porto tens de ir à Taberna do Largo. https://www.facebook.com/tabernadolargo

Sim tem um ar moderno, mas as miudas andam de pano na mão servem tudo à moda antiga e exclusivamente produtos portugueses, quer na parte dos comes e bebes, quer na mercearia. Ahhh e tem KIMA :)

Espiral disse...

Concordo na ideia geral mas não no extremo da ideia.

Os pasteis de Belem não são de todo os melhores pasteis de nata; tiveram e tem boa localização e isso em tempos idos era quase tudo. Os pasteis de Nata do world needs nata são muito melhores, entre outros. E eles não querem imitar nada (e ainda bem que imitar os pasteis de belem era pessima ideia).

Eu acredito em coisas boas e que saibam bem. Sem imitações.

E a taberna ideal é do piorzinho dentro do que afirmas, não percebo porque é excepção.

(E olha que eu sei disto, a minha avó tinha uma taberna... das verdadeiras. Numa aldeia perdida neste Portugal)

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