sábado, 16 de novembro de 2013

Dress code para velórios: a ursa explica

Alcabideche ainda é uma aldeia. A 30 Km de Lisboa em muitas coisas (na grande maioria nas melhores coisas) é uma aldeia. Há no entanto algo de aldeia em Alcabideche no que diz respeito à morte: sempre que morre alguém da terra, a terra está em peso no velório e no respectivo funeral. Desta vez morreu o Arezes. 
Fui buscar a Ana a casa da minha tia quando a minha mãe me ligou a contar do acontecimento. Os meus planos eram apanhar a Ana, apanhar mámen, deixar a Ana com mámen e ir dar um beijinho à família do morto que já estava na capela mortuário. 
Na casa da minha tia a Ana estava em plena euforia: toda descabelada, suór por todo o lado, camisa desfraldada, nódoas na roupa e tudo o que se quer numa criança traquinas (já disse que ela deixou de ser hipoactiva?). 
Penteei-a com as mãos mas ela mexia-se tanto que tive que a segurar com firmeza sendo que, para libertar mãos, coloquei o gancho espampanante de tamanho XL com uma boneca cor-de-rosa choque dela no meu próprio cabelo. Vesti-lhe o casaco, recebi festinhas com mãos cheias de bedum, fui ao wc lavar-lhe as mãos, ela fez fita porque não se queria sentar na cadeirinha do carro e assim que dominei a fera segui para Alcabideche. 
Mámen tinha batido com o carro (don't ask) e eu decidi ir até á capela mortuária com a peste, sabendo que iria encontrar lá pessoas amigas que poderiam pegar na Ana ao colo cá fora na rua enquanto eu ia dar um beijinho à menina Rosa, mãe do Arezes. Assim sucedeu. 
Encontrei a minha amiga Rita que me olhou com um esgar de sorriso, confiei-lhe a Ana e entrei na capela mortuária num pulo. À minha passagem as pessoas esboçavam um esgar de sorriso e eu com a mania da perseguição: devo estar maluqinha as pessoas todas estão com ar de gozo a olhar para mim. 
Assim que me viu a menina Rosa parou de chorar e lançou-me um ar de pena. Maaaaauuuu, que se estaria a passar? Dei-lhe um beijinho e saí, com a desculpa da miúda estar lá fora. 
Assim que me devolveu a Ana, a minha amiga Rita- essa estupora- lançou um "Epá, gosto do teu outfit". Caraças, era só um vestido básico, mas pronto, sorri e agradeci. 
Acabei de chegar a casa. No meu toutiço jaz um gancho tamanho XL com uma boneca cor-de-rosa choque e uma cara cheia de bedum das mãos da Ana. 
Amanhã não me apanham no funeral.

8 comentários:

Roxy Girl disse...

Não te recorda algo semelhante, também um velório mas com laços XXL?!
Não estava lá era eu para te lembrar de o tirares!

Pólo Norte disse...

Dois velórios, duas gaffes capilares no mesmo mês... aguenta-se?

Silvia de Oliveira disse...

Lol sei bem, vivi perto muuuitos anos

Paula disse...

Upss!

Lemon disse...

Pólo Norte, obrigada, alegraste o meu dia :D

Mariana Branco disse...

muita bom!

a palavra que me definiria aqui. disse...

Num dos dias V do ultimo ano e meio (foram 4 caraças), o de Abril, tive de passar o dia abotoada porque a minha tshirt dizia LIVE FAST DIE YOUNG. Sei a Rita ia morrer de riso (la estou eu...) mas pronto, susceptibilidades iriam ser feridas e, de facto, não vesti de proposito!
PS: foi em alcabideche!... coincidence?
ehehhehe <3

Petra disse...

haha! ahah! ahhaha! só a ti rapariga. O que me ri agora.

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