domingo, 17 de novembro de 2013

O filho da Glória

"A Glória tem um filho que a costuma acompanhar à missa, embora ainda esteja longe da idade escolar. Costuma estar sossegado e parece atento. O atento possível naquelas idades. No Domingo passado o refrão do salmo dizia “Senhor, ficarei saciado quando surgir a Vossa Glória” e, como é normal, as pessoas repetiram o refrão as vezes necessárias. No final da leitura do salmo, enquanto, no silêncio próprio da espera, a pessoa que ia ler a segunda leitura se dirigia ao ambão, o habitualmente sossegado do filho da Glória levanta-se, sobe para o banco onde estava sentado, vira-se para as pessoas que agora o viam perfeitamente, e pergunta numa voz fininha, ainda meio indefinida, mas compreensível. Porque é que hoje só dizem o nome da minha mãe e não dizem o nome das mães dos outros meninos? E sentou-se, com o sururu da assembleia a sorrir, e com a mãe a cruzar o dedo com os lábios, para fazer pouco barulho. Em casa a mãe explica, disse. E o senhor padre do altar repetiu. A mãe Glória em casa já explica.
Estou mesmo a ver qualquer dia o filho da Ressurreição a fazer o mesmo. Falamos tanto dela na Missa!"

Confessionário no seu "Eu padre"

(E a falta que faz haver mais padres assim? Soubesse eu onde este padre celebra eucaristia e era menina para me reconconciliar com os cultos católicos)

4 comentários:

Kuski disse...

eu conheço dois padres capazes de dar uma resposta dessas :)
um já está reformado... o outro ainda está em funções e deixa as crianças a adorarem irem a missa :)
Se quiseres, digo onde :)

onónimo disse...

Reconciliar? Ah, os benefícios da paródia. Pudessem os psiquiatras receitá-la em comprimido...

comenta praí?

onónimo disse...

comenta praí! versus moderação de comentários?

Cumprimentos!

Panda disse...

O padre da missa que frequento é exactamente esse tipo d padre.
No final da missa canta sempre os parabéns a quem fez anos nessa semana por exemplo.

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