quinta-feira, 7 de novembro de 2013

[Prazeres secretos]

[Deixámos de nos falar no dia em que casei, lembro-me bem. De todas as minhas relações foste a única que se resolveu por nunca ter ficado verdadeiramente resolvida, encerrada para sempre no dia em que não me quiseste falar mais e eu só queria pedir-te desculpas. De todas as minhas relações- as de amizade, as de luxúria e as de amor- foste a única pessoa a quem eu sinto que devo um pedido verdadeiro de desculpas. Nunca to poderei dizer em alta voz e sinto pena.
Ontem li um status do facebook de uma página que nos é comum e, à laia de private joke, lembrei-me de ti. Noutras ocasiões, num passado cada vez mais morto, teríamos rido que nem loucos daquilo, naquela cumplicidade que nunca mais tive com ninguém, porque o grau de insanidade de ambos era algo que estava numa sintonia como nunca mais experimentei com quem quer que tenha conhecido antes ou depois de ti.
Ontem, googlei o teu nome no facebook pela primeira vez e enviei-te uma mensagem com o printscreen do tal disparate, sabendo que não me responderias nem retomarias- e tu és a única pessoa, das tantas que a vida me separou, que eu gostava de voltar a ter por perto.
Dois minutos depois, o sinal de visto apareceu na mensagem. Tal como esperado não respondeste nem retomaste mas leste e eu sorri, porque te soube a coçar na mosca (mosquito?) socrática do queixo e a sorrir com um esgar de sorriso de que nunca me esquecerei e ninguém precisou de bloquear ninguém porque és o único que eu sei que me respeita na distância e na ausência, legado de um amor maior. O único de quem eu sinto, verdadeiramente, saudades.
Ontem soube-te, com toda a certeza, do outro lado do écran. E sorri ao imaginar-te sorrir.]

3 comentários:

margas disse...

Há relações assim, em tempos pensei que seriam irresoluveís, mas com o tempo aprendemos a dar valor aqueles que realmente importam. E se mais não houver, existem sempre as memórias! ;)

Farruskinha disse...

São essas relações por vezes "mal resolvidas", que lembramo-nos e deixam saudades

blue disse...

ÀS vezes essas coisas acontecem por razões absurdas, por coisas mal esclarecidas, mal resolvidas. Se realmente há amizade, cumplicidade, deviam retomar tudo isso.
Afinal de contas, amigos há poucos!

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