quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O (meu) Natal dos hospitais

Vi hoje em diferentes status de facebook piadas acerca do (mítico) Natal dos hospitais. 
Aconteceu hoje como, em tantas outras vezes, no Hospital de Alcoitão, onde estive internada durante meses seguidos da minha infância. Calhou, sabe-se lá como, nunca ter coincidido com a altura do Natal. 
O Natal dos Hospitais era um dia especial na minha infância. Era, para mim, mais que o dia em que ficava de manhã à noite a bezerrar no sofá e a papar Onda Choc, Coro de Santo Amaro de Oeiras e os vencedores do Festival da Canção: era o dia em que colegas minhas, internadas no Alcoitão durante meses seguidos- numa altura em que não havia telemóveis nem skype, poucas auto-estradas e salários perqueninos- se vestiam para aparecer na televisão onde os pais, em Freixo de Espada à Cinta, Vila Real de Santo António ou Funchal, que tinham deixado as filhas doentes, durante meses, em reabilitação no Alcoitão e só as reveriam nas próximas férias, poderiam matar saudades, de forma unidireccional, das suas meninas. 
Hoje, independentemente dos cantores ultrapassados, dos não cantores, dos coros de que ninguém ouviu falar, das borregas de fora com este frio, dos Emanuéis, dos Toys e até do Ricardo Carriço que agora também canta, do André Sardet a assassinar música; o Natal dos Hospitais é para mim, a memória desses dias, mais, muito mais do que um desfile de músicas, símbolo de um dia de encontro e de matar saudades. 
É o verdadeiro Natal. 

4 comentários:

PatriciaeMelguinhas disse...

Sinto precisamente o mesmo,o Natal dos Hospitais é daquelas recordações que marcam as nossas memórias de criança. lembro-me de chegar da escola, almoçar e sentar-me com a minha mãe no sofá e ficarmos ali a ver :) belas recordações

Fozeira disse...

Muito bonito...:)

Filomena Silva disse...

Ainda ontem ao chegar a casa expliquei ao meus filhos que aquelas pessoas e crianças estavam internadas no hospital e que tal como a prima podem não vir passar o Natal a casa. E aqueles momentos são de certo uma alegria no meio da doença, dor e incerteza. A minha sobrinha está no Santa Maria, longe dos dois filhos pequenos (3 e quase 1 ano) à espera de ser operada ao cérebro, pois tem algo a crescer que lhe provoca dores de morte e está a comprimir o cérebro. Ela ontem teve a alegria de ter a visita do Tony Carreira, por momentos esqueceu a angustia da incerteza que teima em pairar sobre ela.
Desculpem o desabafo, eu nunca estive internada, mas desde criança que percebi o significado do Natal dos Hospitais para quem para quem lá está.

Vidas da Nossa Vida disse...

E que nunca acabem com o Natal dos Hospitais, porque não está na moda, não é fashion ou não dá audiências!

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