segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

É isto

[Acredito, como sempre acreditei, na força das palavras: as palavras redentoras, as palavras que salvam, que iluminam o peito e que são vida quente aqui mesmo, onde encosto a minha mão direita em jeito de juramento.
Não sei quem disto fez notícia, mas sei que li, algures no tempo e no espaço deste 33 anos de vida, que Sophia de Mello Breyner Andresen, num discurso de entrega de um prémio que lhe atribuíram, referia que aquilo que distinguia a boa da má poesia era, muito provavelmente, a coincidência entre as palavras e aquilo que elas, as palavras, quererão verdadeiramente dizer. O abismo insaciável entre as paredes nuas das coisas e as coisas apalavradas, com sentido, era cortado num milionésimo de segundo por uma palavra de fundo, um eco, um sonho de verdade.

Sophia usava uma metáfora estupenda: lembrou-se disso quando ia no autocarro e, ao passar pelo Campo Grande, reparou que uma das janelas do autocarro coincidia na exacta medida daquele momento com a janela de um prédio antigo. Assim a poesia, as palavras, assim a linguagem.

Continuarei até que as palavras me doam, como tudo farei para que não doam àqueles e àquelas que sempre estiveram nas minhas palavras.

Sabem quem são.]



J.C.

1 comentário:

mariana disse...

tão bom, tão bom, tão bom, raios!

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