sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Homossexualidade na maternidade

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Assumir-me não tendo ninguém tornou-se um verdadeiro quebra-cabeças para mim. E por isso demorei mais de um ano a contar a verdade, e era tão importante esta minha verdade, às minhas irmãs, aos meus pais e depois aos meus colegas de trabalho. Hoje penso que teria sido mais fácil assumir-me mais nova, adolescente de preferência, mas nessa altura eu queria muito agradar aos meus pais, é bem possível que não o tivesse feito mesmo que já soubesse que era homossexual. Ouvi as coisas mais inacreditáveis de familiares e amigos. Que me diziam que era uma fase e que ia passar. Que me queriam convencer que eu não era verdadeiramente lésbica, porque tinha estado tanto tempo com um homem e tinha filhos. Que se calhar o problema era ele, não era homem suficiente para mim, fiquei tão danada que estive meses sem falar com a pessoa que me disse isto. Que agora que era lésbica ia passar a fazer-me às minhas amigas e colegas, com quem convivi mais de dez anos sem sentir o mais leve estremecer na unha do dedo mindinho do pé esquerdo quanto mais aquele apertão  nas partes íntimas que me levava a cometer verdadeiras loucuras. Que podia ser o que eu quisesse desde que as minhas filhas nunca soubessem nem suspeitassem porque isso ia fazer de mim uma má mãe. E também má lésbica porque na altura não se ouvia falar de lésbicas com filhos e uma dessas empedernidas chegou a dizer-me que eu não podia ser lésbica porque era mãe, como se uma coisa incompatibilizasse completamente a outra, dum lado os filhos, do outro o sexo, as duas coisas é que não, vá lá ver!

(...)"

Todo o testemunho (um dos mais brilhantes que já li a propósito deste tema) no Mãe Querida

É imperativo que todos o leiam!

1 comentário:

Filomena Silva disse...

Já li quando foi publicado e achei um testemunho fantástico acerca de uma tema sobre o qual ainda é muito difícil falar.
Tenho a certeza que irá ajudar muita gente.

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