As nossas mães compravam-nos a roupa na Cenoura, na Materna ou na Rabina. O Conde Barão só tinha coisas para a casa. Subíamos a rua Direita e iamos comer gelados ao Tchipepa só pelo prazer de escorregarmos na rampa gigante, onde hoje não cabe a altura de um pé. Aos fins-de-semana ia brincar ao parque, onde havia uma macaca que atirava cocó às pessoas e onde os adolescentes se beijavam lá no cimo do caracol. Perseguíamos pavões e dávamos comida aos patos e havia uma ponta de madeira, que hoje já não há. No Verão dávamos mergulhos no Mexilhoeiro e em noites encaloradas íamos à Feira do Artesanato, onde tirávamos fotografias a preto e branco que registavam o nosso crescimento todos os Verões.
Quando voltávamos à escola as fotografias tipo passe eram tiradas no César e os livros eram comprados na papelaria da Rua da Polícia, cheia de comércio local vivo. Malas de pele eram em duas barracas ao pé da estacao. Roupa de desporto era na Faraó. Aos fins-de-semana íamos ao cinema ao Oxford ou às salas no primeiro piso do Pão de Açúcar, a que na altura ninguém chamava Jumbo. Aos domingos era dia de feira na Praça de Touros.
Roupa de cerimónia era na Pombra Branca e os bolinhos eram sempre da Sacolinha, onde havia um senhor sempre vestido de preto que fazia desenhos com borras de café.
Depois, crescemos e queríamos ir ao Bauhaus ou ao News, mas só depois de uns copos no bar dos 300 ou no 24. Para o Bauhaus íamos a pé pela linha do comboio e quando regressávamos do News chamávamos o táxi a crédito ( 466 01 01) e pagávamos 500 escudos. Não sem antes irmos aos bolos.
Namorávamos encostados ao muro ao pé da Palm Beach e achávamos romântico partilhar um hamburguer da Abracadabra. O Dramático era o sítio onde íamos ver os jogos de hóquei mas, mais importante, era onde os concertos mais fabulosos do país vinham até nós
O Coconuts veio mais tarde e todas passámos pela maravilhosa experiência do strip-tease masculino em primeira mão.
Casámos, tivemos filhos e Cascais está irreconhecível para muita gente mas ainda não para as memórias de quem cá viveu num passado recente.
(Obrigada Rita, Carolina, Pau, Carolina e Paula Carvalho pela viagem: cascalenses ao poder!)
19 comentários:
Eu tenho um desenho de mim feito por ele com as borras de café!
(e na Sacolinha - nessa- ainda há um senhor que me trata por menina!)
E é lá muitas vezes, o fim-de-semana passado por exemplo, que vou comprar o pão (e boooooolos)!
Cascalenses? Então mas tu não és de Alcabideche? ahahah
ohhh lá lá que saudades!
Obrigada pela viagem ao passado ;)
Ahaha, priceless, namorar no muro do Palm Beach.
E as noites que passei no Tchipepa, incrível.
E os hamburgers do bellburguer?...
Tudo, tudo, tudo :)
Eu ía as matinés do Julianas :)
Ai a fábrica dos bolos da D. Maria do Carmo! Nhom Nhom!
E ainda hoje os cachorros do Ryhade! Nhom Nhom
Foi muito engraçado ler os dois últimos textos sobre Cascais. Mudei-me em julho de 2013 para Cascais e ainda só consigo ver a vila na óptica do turista.
É muito engraçado ler "as memórias" de alguém que realmente cresceu por Cascais e que menciona sítios dos quais não faço a minima ideia onde sejam e de outros que desconfio onde sejam, mas que fico na incerteza.
A macaca Joana ;)
Acrescento as matinés aos Domingos no cinema S.José...os lanches de Inverno na casa de chá "A Tagarela" com vista sobre a baía...e ainda o meu primeiro concerto. Onde? No Dramático, claro. Quem? Os Duran Duran :)))
Bjos Cascalenses
Identifico-me tanto!
Muito bom Pólo!
E o Bell Burguer, lembram-se?? Que saudades de tudo isto... obrigada pela nostalgia boa <3
obrigado por este bocadinho a relelembrar a minha infancia /adolescência..nunca vivi em cascais mas passei lá todos os fins de semana e férias de verão até aos meus 18 anos, a comer gelados no tchipepa, a ir ao cinema oxford, a ver concertos no dramático (bon jovi foi um dos primeiros a que me lembro de ir) e a ir ao news e à única sacolinha que existia na altura..ao centro comercial riyhad e ao supermercado o saco... já não vou a cascais há muito tempo, de certeza que há sitíos que já nem existem...
Ehehehe eu sou de Algés mas conheço muitos desses sítios que falas. Os bolos do Sacolinha, ummmmm.
Boas recordações ainda mais antigas; o Max Burguer na rua Direita; o Cisne Negro, onde hoje é o centro comercial com o mesmo nome, que tinha uma esplanada linda; as matinés de Carnaval no cinema S. José...
Voltei atrás no tempo.... Já quase não me lembrava dos cinemas no Pão de Açúcar, onde fui ver os filmes do Indiana Jones :D Obrigada por este resumo, era exactamente assim ;)
Tudo isto...
Eramos felizes e não sabiamos!!!Belos tempos
...
Adorava ter participado neste post!
Um abraço de estorilense-cascalense para cascalense!
que saudades destes tempos maravilhosos...
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