quinta-feira, 6 de março de 2014

A doce estação das azedas

Não eram as andorinhas a anunciá-la como apregoavam os livros da escola. Eram as "flores amarelas" no caminho para casa, a que nunca me habituei a chamar de azedas. 

Primeiro uma, depois mais até que os verdes baldios davam lugar a um mar de flores amarelas da cor do sol que era o rei da nova estação. 
Na pele a sensação quente daquele amarelo sol, nos olhos o mesmo calor, um calor fresco, borrifado pelas flores amarelas. 
Tratava de as colher em pequenos ramos, do tamanho que conseguia abarcar nas minhas pequeninas maõs e levava-as na esperança vã que a água das jarras não as deixasse morrer. 
Entregava-as sempre a quem mais gostava: à minha mãe, à minha avó e à Dra. Manuela, a minha pediatra que no fim do dia com muitas consultas, apanhava o autocarro para Cascais, de pasta numa mão e raminho de flores amarelas cujos caules juntava com papel de prata só para a fazer feliz. Nunca as deitava fora. 
Hoje, hoje foi Primavera em mim. 
Recebi o meu primeiro raminho de flores amarelas, a quem nunca conseguirei chamar azedas à conta da imensa e tanta doçura que sempre que as vejo provocam em mim...


2 comentários:

Infinitiva disse...

Para mim sempre foram trevos... que durante uma certa altura davam flores! :)

S disse...

Eu fui da geração que chupava os caules das azedas - às quais também chamava flores amarelas, embora de facto os caules fossem algo azedos. Perdi a inocência no dia em que a minha Mãe, delicadamente, me fez ver que aquilo podia não ser a coisa mais higiénica do mundo, com um "imagina lá a quantidade de xixi de cão que estás a comer ao trincar essas flores". Foi o fim de uma era para mim :)

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