quinta-feira, 27 de março de 2014

Pólo, a arremassar objectos inusitados desde 1980

Ontem fui a última a sair do escritório. A colega avisou que ia sair e eu fiquei descansada a ultimar um trabalho. 
Um silêncio imperava em todo o edifício. 
De repente ouvi passos. Passos muitos silenciosos. E o barulho de sacos. 
Comecei a ficar com cagufa. Caraças, havia um ladrão no escritório. Olhei em redor e não vi nada com que pudesse atacar o estupor. 
Num acto à Pólo Norte, saquei de um vaso com uma planta que está em cima da estante, enchi o peito e fui de encontro ao larápio. A estratégia era surpreendê-lo, atacá-lo com o vaso, atirar-lhe a terra para os olhos com a planta e o vaso e tudo e fugir. A pé pelas escadas, ainda por cima, que eu tenho um problema com o elevador do edifício. 
O meu coração batia a mil. O cabrão do ladrão estava no arquivo, ouvia cada vez melhor ele a remexer tudo. Aproximei-me e puxei bem alto o vaso, à altura do meu cucuruto e de repente ali estava eu, quase a ter uma síncope nervosa. Com um vaso na mão, pronto a ser arremassado, quando percebo tudo e só tive tempo de o segurar à altura da cintura e estendê-lo como se o estivesse a oferecer:

- "É para regar?"

A empregada de limpeza tinha vindo a um dia em que não era suposto e espreitava por detrás da porta do arquivo, acenando-me no meio dos sacos do lixo que tinha estado a recolher. 

Mas eu existo, caramba?

1 comentário:

cantinho disse...

Ahahah!
Mulher prevenida, vale por duas.
Fez muito bem.

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