terça-feira, 11 de março de 2014

Recado da Margarida

"Queridos amigos (sim, da Margarida. Não é nenhum texto copy paste. Peço-vos paciência que o texto é longo),

Como a maior parte de vós saberá foi-me diagnosticada, no início do mês de Dezembro último, leucemia e, desde essa altura, estou a fazer tratamentos de quimioterapia no IPO do Porto (que graças aos insuperáveis profissionais que aqui trabalham e à vontade de Deus estão a correr muito bem).

Como parte do tratamento foram-me já realizadas várias (muitas… já lhes perdi a conta) transfusões quer de sangue quer de plaquetas e terei também necessidade de realizar transplante de medula óssea. Engrossei, assim, o enorme número de doentes para quem o transplante de medula óssea é a única possibilidade de cura e cuja vida está dependente da generosidade dos dadores activos, pois tanto o sangue como a medula apenas podem ser obtidos através de dádivas, uma vez que não é possível produzi-los em laboratório.

Há cerca de um mês houve um apelo do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) para a realização de dádivas, uma vez que começava a haver falta de reservas de sangue de alguns grupos sanguíneos. O meu era um deles.

Quanto à medula saiu-me a lotaria, uma vez que a minha irmã é compatível comigo em todos os parâmetros estudados e relevantes para o meu caso concreto.

Até saber o resultado dos testes de compatibilidade senti a angústia (minha e da minha família) da possibilidade de não ter dador. Da minha vida estar, LITERALMENTE, dependente disso. Da possibilidade de não estar cá para criar o meu filho. De morrer… Senti a fragilidade da vida, que quase sempre tomamos por certa. Aprendi que o cancro acontece mesmo mesmo a qualquer um, mesmo a mim.

A mim saiu-me a lotaria como disse, mas já vi nos olhos de uma pessoa com quem partilhei o quarto aqui no IPO o medo quando lhe foi dada alta por já lhe terem administrado todos os tratamentos ajustados ao caso dela e que ia aguardar para casa que fosse encontrado dador compatível para transplante, uma vez que o único irmão dela não o era.

E as probabilidades não jogam a ser favor. A probabilidade de compatibilidade entre irmãos (filhos do mesmo pai e da mesma mãe) é de 25%, mas no caso de não familiares a probabilidade é de uns assustadores 1 para 10.000.

É, assim, muito importante que cada vez mais pessoas se façam dadores de medula e de sangue, sendo que o IPST leva a cabo variadíssimas acções de colheita por todo o pais (no site do IPST - http://ipsangue.org/ - estão disponíveis todas as datas e locais das acções).

Peço-vos que estejam presentes nestas acções, que se façam dadores e que passem a palavra na sua divulgação. 

Fora destas acções específicas poder-se-ão tornar dadores nas próprias instalações do IPO ou do IPST.

Para o esclarecimento de qualquer dúvida sobre o processo de transplante podem consultar o link http://ipsangue.org/ipsangue2011/index.php?"

1 comentário:

Fernando Cardoso disse...

Obrigado pelo testemunho Margarida. Não nos conhecemos mas acredito que tal como eu muitos outros estarão felizes por teres conseguido ultrapassar este obstáculo difícil.

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