segunda-feira, 17 de março de 2014

Uma mulher no Dia do Pai

Quando aqui contei a história dela choveram emails de reacção. As pessoas admiram-na, sentem empatia, são solidárias. Eu gosto dela, o que consegue ser o somatório de tudo o resto. Admiro-lhe a valentia e a capacidade de se manter firme. Gosto dela por gostar.
E depois lembrei-me dos meus dias do Pai, uma tristeza sem fim, sem figura principal nas festas da escola, sem ninguém que estendesse as mãos para o presente que me obrigavam a fazer na aula de expressão plástica, presente sem aviso de recepção, sem ninguém que me estendesse a cara para um beijo especial ou os braços para um xi-coração de Dia do Pai. 
Agora já passou, outro pai que tenho na minha vida, o lugar de filha que cedi à minha Ana. Tudo passa. 
Mas durante anos a fio, orfã de pai vivo, foi a minha mãe que teve que fingir ser pai, fazer o lugar dele, ser mais física, ter gestos com testosterona, arriscar em solavancos sem medo, ser o pai que eu reclamava de vez em quando, só de vez em quando, quando era preciso que o meu pai fosse mais forte que o deles. No Dia do Pai- chegada a casa lavada em lágrimas, com o postal sem endereço para onde ser enviado e a prenda sem destinatário- mais do que nunca. 
Por isso, quando me lembrei que o Ricardo me tinha convidado para uma sessão fotográfica com a Ana há uns tempos fez-se luz. Eu a-do-ro o trabalho do Ricardo no seu Tales of Light e, vai na volta, gostei imenso de conhecer o Ricardo e a Mónica no Porto, pelo que, esta sessão era há muito aguardada por mim, com a maior expectativa, tendo em conta a magia com o homem que retrata as gentes. Estava só à espera de um tempo e um lugar comum para ambos. 
Mas depois, veio-me à memória a Carolina, orfã de pai morto e a Paula a fazer a vez do pai que é uma estrela no céu e achei que a minha sessão poderia ser uma coisa diferente. Assim, hoje a Paula e a Carolina foram comemorar, de forma antecipada, o dia do Pai que é da Mãe e da Filha e que espero ter ajudado a tornar menos triste e mais especial.
Obrigada ao Ricardo que conseguiu fotografias lindas, lindas e eu juro que ali vejo gestos do pai-estrela, naquele estender de braços às cavalitas da mãe, naquele olhar da filha para o céu como se estivesse a falar ao ouvido dessa estrela, a mais luminosa, num entendimento que só percebem os que se amam por instinto e a quem a morte nunca conseguirá separar. 
Feliz Dia do Pai, Paula e Carolina. 
Gosto muito de vocês. 



12 comentários:

Vera disse...

Eu cá chorei desalmada ao ler a história delas, a pensar no meu pai que me morreu há 3 meses e que ainda assim tinha 59 anos, e no meu marido, que tenho horror de vir a perder um dia. Não sei como se sobrevive a isso, mas a Paula só pode ser a super mulher. Que presente bom poderes dar à Paula e à Carolina esse presente, querida PN. Um abraço, Vera

Vera disse...

Eu cá chorei desalmada ao ler a história delas, a pensar no meu pai que me morreu há 3 meses e que ainda assim tinha 59 anos, e no meu marido, que tenho horror de vir a perder um dia. Não sei como se sobrevive a isso, mas a Paula só pode ser a super mulher. Que presente bom poderes dar à Paula e à Carolina esse presente, querida PN. Um abraço, Vera

alva quase transparente disse...

:) sem palavras, mas encantada com o gesto e a força de superação e amor dessas pessoas

Joana Cristina Ribeiro disse...

Pólo, assim não vale... Lágrimas logo pela manhã...

Tudo de bom para a Paula e para a Carolina...

Vidas da Nossa Vida disse...

Que emoção... E que lindas estão elas nas fotografias. E que o pai esteja lá no céu, nas estrelas a olhar por elas, como eu imagino e quero que o meu esteja, a olhar por mim e pelos meus filhos.

Maria Pinto disse...

E pensar eu, que há alguns anos quando comecei a ler o quadripolaridades iria conhecer uma Pólo Norte com um coração gigante...
Tu continuas a surpreender pá!

macaca grava-por-cima disse...

há quase 20 anos que a minha mãe é mãe e pai, estas históreias dizem-me muito...

Jo disse...

Eu chorei com a história - como não chorar? - e fiquei a admirar a Paula. Bonito gesto, o teu. Pela amostra aqui postada parece-me que o resultado da sessão foi maravilhoso :)

Jolie disse...

Emocionante (e arrepiante) a história desta mulher/mãe/heroína, que ainda nem tive palavras para comentar no faceblog "dois corações e uma estrela" ...... :)

AB disse...

P*** de vida!

Ana Correia disse...

Não conheço a Paula. A história dela conheço-a do Facebook. A este blog, confesso que cheguei meio aos trambolhões, mas achei o gesto muito bonito.

Perdi o meu pai à três anos. Já era eu mãe dum menino. Nos dias de hoje o dia do pai ainda me mói interiormente, e já sou uma mulher. Ainda bem que a Carolina tem uma super mãe, e ainda bem que a Paula tem uma filha, porque é a essa filha que ela vai buscar, com toda a certeza, os super poderes.

Um beijinho a todas :)
Ana
http://semanasimsemananao.blogspot.pt/

Sofia Loves disse...

hoje, deixas-me sem palavras...

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