sexta-feira, 9 de maio de 2014

Caía-me tão bem na fraqueza: candidato a BILF 5

"Tudo o que nos aconteceu, acontece ou acontecerá, na nossa vida, teve uma primeira vez. Disto não podemos fugir. Mas há umas que ficam melhor retidas na nossa mente do que outras. Possivelmente, ninguém se deve lembrar da primeira vez que comeu feijão com massa, que deu a primeira queda de bicicleta, que libertou a primeira flatulência silenciosa em público ou mesmo de quando se apaixonou a primeira vez. Ou mesmo que se lembrem, é uma coisa muito vaga, do género "Foi algures quando tinha 14 anos que fui visitar os meus avós ao alentejo, em agosto, que me deram a provar feijão com massa, e depois quando fui para a aldeia ter com os meus amigos de bicicleta caí dela abaixo. Veio uma menina ajudar-me, eu apaixonei-me logo e com a excitação libertei uma bufinha. Felizmente, ninguém ouviu, mas aquela relação estava destinada a dar merda.". Agora, há algo que fica sempre na mente de cada um de nós, aquilo que nos marcou de forma diferente, aquilo que mesmo após o fazermos vezes e vezes sem conta, não nos permite que seja esquecida: a primeira vez que fazemos sexo.

A maioria das pessoas lembra-se do ano, do mês, do dia, que foi após um jantar romântico e que depois se perderam no tempo e esqueceram o mundo. Eu vou mais longe. Para além de saber isto tudo, ainda sei o exato momento em que começou (às 23:35:10) e o exato momento em que terminou, 34 segundos depois.

Durante a minha adolescência nunca tive muito sucesso com as miudas. Enquanto os meus amigos tinham namoradas e iam para trás dos balneários da escola apalpar uns soutiens e trocar saliva, eu ficava no banco de cimento a tirar macacos do nariz e a jogar snake no meu Nokia 3310. Eles eram todos maiores do que eu, tinham mais conversa, mais lábia, vestiam-se melhor e eram mais giros. Eu contentava-me com olhar para as vidas deles e sonhar que um dia, também eu, fosse para trás do balneário. E, embora houvesse algumas miudas que até olhavam para mim, a verdade é que nunca para lá fui, nunca fui abordado para irmos conversar e quando vinham até mim, muitas vezes era apenas para perguntar se eu tinha o número de um amigo.

E foi numa noite em que menos esperava que, sem eu saber como, tinha uma gaja sentada ao meu colo e a tirar-me as calças com velocidade tal que me depilou as pernas das virilhas aos joelhos. Foi uma coisa tão rápida e inesperada que nem tive tempo de assimilar o que se estava a passar e quando me apercebi que aquele era o momento, já tinha tudo acabado. Eu fiquei feliz da vida; ela, nem por isso. Depois vieram outras, para as quais me preparei melhor em todos os aspetos - conversa, toque, carinho, performance - e, com o tempo, fui melhorando. Posso dizer com orgulho que hoje, passados 14 anos da minha primeira vez, se encontrasse a miuda que fez de mim um homem, a faria gritar, pelo menos, mais  um minuto e meio!

Isto tudo para o quê? Porque, tal como a minha primeira vez sexual, não vou esquecer a minha primeira nomeção para BILF. E esta nomeação é em tudo parecida com aquela linda noite. Sei exatamente onde estava e o preciso momento em que aconteceu: estava no cinema, a ver uma antestreia de um filme com a Scarlett Johansson, e eram 21:26:14, do dia 6 de Maio de 2014! Depois, olho para a lista e não consigo de a comparar com a minha adolescência. Todos os que lá estão são maiores do que eu, mais conhecidos do que eu, escrevem melhor do que eu, movem pequenas legiões de mulheres que os queriam trancar num quarto e, ao contrário se fosse comigo, não se queixariam se fossem apenas 32 segundos. No entanto, existem pessoas que já votaram em mim, que me olharam e até me acharam alguma piada. Possivelmente não viriam falar comigo, não me levariam para trás dos balneários, mas há aquelas mulheres que gostam de um homem com cara de cachorrinho triste e abandonado.

E eu sei que não tenho hipóteses. Como disse, não tenho o que eles têm, não tenho a técnica de escrita necessária para levar as mulheres a apertar as perninhas enquanto me leem, não viajo pelo mundo, não leio livros de autores de renome e muito menos troco e-mails com esses mesmos autores. Sou apenas um tipo com bigode e barba grande, que diz uma tontices e algumas pessoas acham piada. De qualquer forma, não se inibam de votar em mim, ou mesmo que não o façam, estão todas(os) convidadas(os) a fazerem-me companhia no meu banco de cimento."

Do Mustache  #jácomipiorenãomefezazia

1 comentário:

Isa Maria disse...

Ora aqui está, gostei desta apresentação.

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