sexta-feira, 23 de maio de 2014

Mas porque é que embirras tanto com a MRP, Pólo Norte?- perguntam-me vezes sem conta. Eu explico.

O meu avô tinha um Pinto Balsemão. Há o Pinto Balsemão real, há o Pinto Balsemão como é visto pelos outros e há o Pinto Balsemão do meu avô (um dia lembrem-me que vos fale da Janela de Johari, sim?). O Pinto Balsemão era o ódio de estimação do meu avô. 
Assim que o senhor aparecia na televisão o meu avô soprava. Depois tinha a teoria que o Pinto Balsemão era só aquela carcaça de fora e que havia lá dentro do corpo um manipulador de marionetes que fazia com que os olhos andassem de um lado para o outro, uma vez que todo o resto do rosto estava sempre imóvel. E voltava a bufar. Depois era o cabelo, a que o meu avô carinhosamente, apelidava de "cabelo à foda-se", assim, lambido por uma vaca, comprido e com gel. 
O meu avô, analfabeto, pouco sabia do Pinto Balsemão, da sua vida política ou da sua história. Mas isso também não interessava para nada. Às vezes chegava da serração de pedra onde trabalhava, cansado e aborrecido das coisas do dia-a-dia e sentava-se à mesa da sala, em frente à televisão, à espera que a televisão lhe trouxesse um bónus de Pinto Balsemão. E quando aparecia era um regabofe: praguejava, detestava-o, com todas as forças, sopros e revirares de olhos de que era capaz. O Pinto Balsemão irritava-o, mexia-lhe com os nervos, dava-lhe cabo da pachorra. Não era nada que o Pinto Balsemão fizesse, era apenas a existência do senhor. 
Estou certa que o meu avô não teria qualquer esgar de reacção se se cruzasse ao vivo com o senhor. Não tinha como objectivo de "se um dia o vir vou-lhe dizer isto ou aquilo". Nada. O meu avô só queria ter um alvo para a sua raivinha dos dentes. E o Pinto Balsemão, com os olhos a mexerem-se, rosto quase imóvel e cabelo à foda-se, cumpria os requisitos. 
Isto para vos explicar que toda a gente merece ter o seu ódiozinho de estimação. Mesmo (e especialmente) que não conheça nem faça intenções de conhecer. Sem intelectualizações. 
É por isso que a MRP é o detox para os maus fígados do meu dia-a-dia. 

6 comentários:

Purpurina disse...

ahahahah

É bem verdade, toda a gente tem o seu ódiozinho inofensivo que serve apenas para, vá lá, aliviar o stress. É até saudável soltar uns impropérios sobre alguém que nem se conhece, assim safam-se os que estão mais perto. De facto, as pessoas que não falam mal de nada nem de ninguém assustam-me um bocado.

stantans disse...

exactamente o que eu sinto pelo Ricardo Araújo Pereira - não o conheço de lado nenhum, mas não o suporto!

marta disse...

Eheheheh mas oh Ursa, eu partilho desse ódiozinho de estimação mas "não é por nada" é por milhentas razões! E o seu avô tb haveria de ter as suas!

Marta =)

As minhas africanisses disse...

Eu detesto a senhora. Não lhe desejo mal, só que deixe de escrever, que deixe de mandar postas de pescada...só peço isso.

Inês Dunas disse...

Eu é a Mafalda Veiga e o André Sardet... Irritam-me...Coitados eles não têm culpa... Mas não os suporto... Se ouço uma musica deles até grito... Ahhhhhhhhh!!!
É feio, eu sei...

Cláudia G. disse...

o meu ódio de estimação é o Cavaco, aliás só ter escrito aqui o nome dele já estou com tremuras... :)

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