terça-feira, 10 de junho de 2014

Cavaco est vive, vive le Cavaco!

Dividem-se as opiniões às reacções ao desmaio de Cavaco Silva. Enquanto uns gracejam naquele humor fininho típico dos portugueses, talvez a única coisa que ainda não foi tributada e entroikada; outros manifestam-se contra o mau gosto dos primeiros, alegando que os manifestantes escolheram uma má ocasião para se manifestarem e que o senhor é humano e que é feio troçar dos desmaios das "pessoas humanas" e tal...
Para além do sentido de humor, talvez a possibilidade das pessoas mostrarem o seu descontentamento, se manifestarem, seja também das poucas coisas que restam aos portugueses neste dia que é seu. E a manifestação não tem que ter lugar e tempo para acontecer, pelo que, lamento meus caros, mas as pessoas têm que se manifestar onde tiver mais impacto, mais visibilidade, mais possibilidade das suas vozes serem ouvidas. Não tem que ser na Assembleia da República ao som do "Grândola", pode e deve ser feito às entradas das inaugurações de obras públicas que ninguém entende porque foram priorizadas, nas plateias dos auditórios das faculdades que convidam teóricos políticos para discursar (ISCTE no coração!) e pode ser no dia de Portugal, perante discursos amorfos e patriotismos de pechisbeque. A democracia está moribunda, que está, mas resta-nos as vozes para a acordar e isso não tem tempo nem lugar, essa capacidade está dentro de cada português, hoje e sempre.
Quanto ao senhor presidente ter desfalecido, a melhor piada que li foi a do Pedro que, muito preocupado, confessava que "ia jurar que a Maria era daquelas que guardava os pacotinhos de açúcar na carteira* quando ia ao café e afinal... (*ela diz mala, com toda a certeza)". 
Ri-me a bom rir, congratulando-me por o Presidente dar, enfim, mostras de estar vivo, já que o seu mandato tem sido, todo ele, um coma profundo. Se tenho pena de um senhor de 70 anos ter desmaiado? Tenho, sim, do Aníbal mas estou certa que a Maria tinha um pacotinho de açúcar na carteira. ;)
Se isso me impede de fazer graçolas sobre o homem público, o político? Nhecas. 
Afinal, aproveitando o silogismo de uma ilustre pensadora do nosso país, desmaiar é o contrário de estar morto. Pelo que, Cavaco est vive, vive le Cavaco!




3 comentários:

Sara* disse...

O fazer piadas não me choca nada. Mas a mim não me parece bem fazer uma manifestação em plena cerimónia oficial...pronto, não acho bem! Não digo que não se manifestassem ontem por ser dia de Portugal, antes pelo contrário! Só que continuo a achar que gritar, durante uma celebração daquele género, só revela brejeirice e falta de respeito. Não concordo, portanto com a sua opinião, mas respeito-a tal como ontem os manifestantes deviam ter feito: respeitar o momento do discurso do Presidente da República que, por muito mau que possa ser foi por eles eleito, e que deveria, naquele momento, ter sido ouvido por mais asneiras que dissesse. Não nos podemos esquecer que, para além dos manifestantes, estavam também lá outros cidadãos portugueses, muitos dos quais poderiam querer ouvir o que o Presidente da República tinha a dizer. Há que haver sempre respeito pela dignidade dos outros e não é gritando em momentos solenes como o de ontem que a situação do nosso país vai mudar, lamento mas não é...

Opinante disse...

Valha-nos mesmo estas peripécias :P

Fernanda disse...

Ganda Ursa! Sempre pertinente! I love you!(blogosfericamente falando, é claro...)

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