sexta-feira, 27 de junho de 2014

Educo a Ana na esperança que um dia se torne uma adolescente assim

"Ouve-se, esporadicamente, alguém a explicitar que quando se é novo, e jovem, existem mais possibilidades e portas abertas para o futuro. Ora, para clarificar se esta afirmação é verdade, tem que se ter em conta diversos critérios. O primeiro, são os sonhos. É impossível haver alguém que não tenha um único sonho. Aquele desejo de se ter mais do realmente se tem. No entanto, estes tendem a transcender (ou por muito, ou por pouco)a barreira entre o plausível e o acessível, e o impossível e inacessível. Embora uma frase que afirme que, sendo jovem e tendo possibilidades à frente e sonhos por realizar, tenha um fundo de verdade, não podemos esquecer-nos do mundo em que vivemos. Meios. Meios , são a coisa mais fundamental numa era em que não existe a verdadeira felicidade, e todos os acontecimentos se resumem em torno da palavra Dinheiro. Portanto, quando se deseja prevalecer, são necessários meios monetários. Estes alcançam-se obtendo uma carreira estável e remunerada. E aqui é que entra a pergunta colocada pela afirmação em questão: tendo "portas abertas", devemos optar por uma carreira em que a obtenção de lucros é provavelmente segura, mas no entanto uma vida possivelmente monótona, ou arriscar e perseguir os nossos sonhos, não concretizá-los até que o tempo se escape por entre os nossos dedos, e seja tarde demais?

Quando se denomina o sonho como uma ferramenta, subentende-se que este por ser utilizado como algo que nos mantém "acordados" e nos protege da monotonia (embora em vão) e, até talvez, a certo ponto, da insanidade. Um sonho ajuda-nos, significa sucesso, não obstante o seu significado ou valor. E um sonho pode ser susceptível à mudança, à medida que uma pessoa fica mais madura.
Resumidamente, a afirmação proposta é verdadeira, embora se tenha de ter cuidado com as escolhas que fazemos pois cada uma influencia o nosso destino. À medida que se envelhece, compreende-se melhor o que trará mudanças mais positivas, entre as várias opções.
É necessário optar pela vida que nos querem impingir, ou pela vida que nós queremos. Embora a segunda seja mais difícil de obter, porque não tentar ter ambas? "


João (filho da minha amiga Sofia Vieira), 14 anos, redacção de português, sem rasuras.

8 comentários:

A Bomboca Mais Gostosa disse...

Estou para a minha vida. Brilhante, brilhante.

Papoila disse...

Que grande texto!

S disse...

Wow, que bem escrito! Também espero ter um dia filhos que tenham gosto pela leitura e pela escrita. Nada me tira da cabeça que isso se incute principalmente em casa, dando muitos livros para ler, vigiando e corrigindo os erros e afins, encorajando a conversa a um nível adulto e não "abebezado". Muito bem!

Sofia Santos disse...

Estou que nem m´aguento, bolas! tipo mete-nojo, insuportável. Tks! (mas não queiras o feitiozinho dele para a tua Ana, não queiras não...)

Sofia Santos disse...

Estou com um orgulho mete-nojo (mas não queiras o feitiozinho dele para a tua Ana, isso não...) :)

Na Mesma disse...

Assim é difícil, não sei se gosto mais dos textos da mãe ou do filho...
Fantásticos os dois!!

rosa do deserto disse...

UAU!!!
é só o que me ocorre dizer...

Sofia Santos disse...

Obrigada! (Blush) :)

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