terça-feira, 17 de junho de 2014

Os cérebros de aluguer e os neurónios de substituição

O que não consigo mesmo aceitar é que alguém leve o seu desejo de ter um texto com visibilidade ao ponto de escrever, sem vergonha, que ser mãe é uma questão meramente biológica e que o argumento da natureza é que é. 


Fomos conhecer o nosso cérebro de aluguer. O cérebro de aluguer está feliz porque assim poderá ver o seu texto medíocre ser discutido, comentado e quiçá- na loucura!- ter até muitas partilhas no facebook. Fomos conhecer os meandros da ignorância e a falta de cultura dos seus neurónios de substituição.
Realmente só pessoas que não são grandes seres humanos conseguem iniciar uma crónica apontando exemplos hollywoodescos de barrigas de aluguer para disvirtuar o conceito. 
Claro que o texto fica muito mais apelativo se colocarmos nomes de bombas como a senhora do Sexo e a Cidade e a Sofia Vergara, mas faz sentido, com sorte são palavras-chaves para um texto medíocre ter mais vizualizações. Pode ser que lá vá ter gente que google para ver as maminhas da Glória ou fashionistas que buscam sobre outfits da Sara Jessica. Elton John e marido também é capaz de ser uma boa cartada: virão daqui os defensores da familia tradicional, essa instituição como-deve-de-ser. Fado, natureza e tradição já em substituição de futebol- que só nos dá desgostos- e Fátima.
Prosseguindo: apontando exemplos de pessoas que não conhecemos, estrelas de cinema lá de longe e artistas da cassete pirata, invocando ilações em vez de argumentos de que estes tenham recorrido a barrigas de aluguer por mero capricho, indisponibilidade ou falta de vagar é generalizar um assunto mais sério que afecta pessoas que, efectivamente, não podem, ou não conseguem ser mães de forma natural. Apontando o foco para a "pobre, ignorante e explorada" barriga de aluguer anónima que, na realidade, de forma informada e consentida, acedeu a doar temporariamente o seu útero para substituir o corpo ineficiente ou inoperacional de alguém não só é pouco inteligente: é pernicioso, até. 
A velha questão de se opinar sobre o corpo de alguém enerva-me. Enerva-me muito. "Ah e tal, sou contra o aborto." Perfeito, não faças nenhuma IVG, it's up to you. "Ah, eu também sou a favor apenas dos partos naturais". Boa, grande valente, dá-lhe com força e pare para aí a criança como bem entenderes. O facto de termos posições pessoais sobre assuntos não passam disso: opiniões individuais. Não querem fazer nenhum aborto: não façam. Querem parir sem epidural: força aí. Querem dar de mamar até as crianças terem 5 anos: go ahead! Acreditam que as crianças só devem vir ao Mundo por fertilização natural: pinem noite e dia e se não conseguirem, paciência. Mas... e se quiserem ser mães e biologicamente não for possível? Deverão resignar-se só porque "a natureza não o quis?" Mas que porra de argumento vem a ser este?
Agora que direito temos nós, defensores da nossa liberdade de escolha individual, de alvitrar sobre as posições dos outros? Que sei eu das motivações, das histórias de vida, das crenças, dos valores de cada um? Em que medida tenho o direito de interferir na liberdade de cada um decidir para a sua vida as decisões que melhor lhe servem?
Se a Sofia Vergara encomendou um bebé a uma amiga porque a sua carreira não lhe permite ficar grávida, que tenho eu que ver com isso? Ela e a amiga concordaram? Ficaram felizes e contentes, ambas, com a situação? So what?
Claro que as manobras de distração continuam: "ou ainda à novela em torno da chegada do novo filho de Elton John em cujo certificado de nascimento surge no lugar da mãe o homem com quem Elton John casou." Dois homens, com uma orientação sexual que não lhes permite procriar de forma natural querem ser pais: e agora? É a morte do artista? É uma infâmia? É pecado? O acesso à maternidade/paternidade é um direito exclusivo dos casais heterossexuais sem problemas de fertilidade? Uuuuhhhh, que distintos, que exclusivos. Há um brasão para os membros do clube, pins com uma pilinha e um pipi estilizados para se colocar nas lapelas dos casacos? Deveremos fazer reverência a estes afortunados? Os escolhidos pela natureza? 
De um texto medíocre, cheio de manobras de distracção, de argumentos falaciosos que generalizam que quem recorre à maternidade de substituição é, maioritariamente, por capricho ou vaidade, colocando para segundo plano os que não conseguem 
biologicamente ter filhos; a parte que melhor resume o ponto de vista da autora vem em forma de ironia mas, curiosamente, diz muito mais sobre o que a autora pensa do que todo o restante texto: "Uma mulher grávida não é hoje uma mulher grávida mas um repositório de circunstâncias únicas". Por isso há que as endeusar, argumentando que a maternidade não é para quem quer mas só para quem pode e culminando com a defesa das barrigas de aluguer que devem gozar do mesmo estatuto de endeusamento das mães grávidas e não reduzidas ao anonimato que, curiosamente, por questões éticas, é um direito que lhes assiste. 

Colocar a questão entre os pais caprichosos que encomendaram o bebé, estereotipando-os como endinheirados, mediáticos e autistas sociais e as barrigas de aluguer coitadinhas, pobrezinhas e anónimas é cruel e, mais uma vez, generalista. Resumir a argumentação, criticando os orgãos de estado que "resolveram unir-se para acudir ao problema das mulheres que por ausência de útero, lesão ou doença desse órgão não podem ser biologicamente mães. E que continuarão sem sê-lo porque a gravidez ainda não é um processo jurídico mas sim biológico." é de mau. Malvado. 

Só quem nunca viveu de perto o sentimento de impotência de quem tenta, anos a fio, ser pai sem sucesso, centenas de testes de gravidez negativos, tratamentos e tratamentos sem fim, hormonas que disformam, injecções na barriga, os shopings cheios de grávidas que nunca as próprias, carrinhos de bebés que nunca mais serão comprados pode, de ânimo leve, incluir estas pessoas num hipotético "lado solar". 

Criticar um legislador atento a uma problemática que não pertence a um grupo de representatividade mínima mas a um problema que é da sociedade, que é de todos, é ignorante. Criticar que alguém legisle que duas partes- uma que ser ser pai e não consegue e outra que não quer ser pai e que consegue- num interesse comum possam, à luz da lei, ter esse processo regulamentado é estúpido. Só recorrerá à gestação de substituição quem quer: é uma escolha individual da mãe, do pai e da barriga de aluguer. Do domínio e da esfera de cada uma das partes, tendo em conta as suas histórias, crenças, valores e motivações. Quem somos nós para opinar? 

Defender a adopção como única alternativa viável a quem não pode ter filhos é autista. Só quem não conhece, minimamente, as dificuldades em adoptar em Portugal pode apontar esta sugestão de ânimo leve. E, ainda que a adopção fossem um processo ágil e célere: e se as pessoas não quiserem adoptar? Se quiserem ter um filho com a sua carga genética, com o esgar de riso que lhes vai lembrar a sua avó Luísa ou o remoínho de cabelo igual ao do tio Mário? Não têm direito? A natureza é que é- sempre- soberana? Está certo...
E se uma mulher não quiser ser mãe mas biologicamente estiver preparada para o ser e colocar essa competência ao dispor de outras mulheres? De uma amiga? De uma irmã? Tiramos-lhe a dignidade? Nem sei que diga...
Porque raio alguém se acha no direito de não aceitar e se indignar até,  num tom cheio de juízos de valor, que uma mãe que quer ser mãe, que já se privou da vivência da gravidez, que acordou com outra mulher essa gestação de substituição encara com ânimo leve todo este processo? Achará a senhora cronista que este processo de ver alguém carregar no seu ventre, de alimentar no seu corpo um filhos nosso deixa alguma mulher indiferente? Sem empatia? Sem uma profunda gratidão por quem lhe permitirá viver o que a natureza lhe vetou?
A maternidade não é uma questão meramente biológica. É uma questão emocional, psicológica, afectiva e social. E também biológica. 
Por um dos factores não estar garantido à partida devemos negar o acesso a uma mulher de ser mãe? Então proponho que se tratem as outras variáveis da mesma forma: se a mulher não está emocionalmente preparada para ser mãe, se não tem maturidade, se não tem condições afectivas, se não tem enquadramento social; então neguemos-lhe o direito à maternidade. Ou o acesso, vá. Já que a senhora cronista acha que ser mãe não é um direito: é um desígnio de Deus da natureza. Tretas!
Em resumo do meu ponto de vista, todas as mulheres têm o direito a fazerem as suas escolhas individuais: a quererem ser mães, a não quererem ser mães, a terem partos na água, sem epidural, com cesariana e anestesia geral, a amamentarem até aos 5 anos ou a espetarem biberão na boca dos seus recém-nascidos, a usarem fraldas descartáveis ou reutilizáves, a porem os seus filhos nas creches ou deixarem-nos nas avós bem como a emprestarem o seu corpo para possibilitarem a outras mulheres serem mães ou a recorrerem à gestação de substituição para o conseguirem ser. Têm, sobretudo, o direito à liberdade, às suas escolhas individuais sem terem que ser alvos de críticas sociais e condenações em praça pública por outras pessoas. Especialmente, se essas pessoas também forem mulheres. 
A existência de jornalistas que assinam textos com este tom, com esta forma e com este conteúdo pressupõe problemas éticos que me parecem intransponíveis. Para a jornalista, para o jornal que lhe dá espaço e para os leitores em geral. E para a liberdade de todos nós.
Alguém tem aí um cérebro de aluguer ou neurónios de substituição? Sou capaz de lhos fazer chegar. Agradecida.
(depois de ler isto)

38 comentários:

A Bomboca Mais Gostosa disse...

Clap Clap Clap.
Arrebataste-me mulher.

K disse...

Muito bem! Assino em baixo! E proponho que se (re)comecem a quadripolarizar barrigas de grávidas!
Que absurdo o texto da cronista!

Ana disse...

Eh, mulher!

Gosto do exemplo descomplexado (sem que isso seja uma obrigação) da Giuliana Rancic que, na impossibilidade de gerar um filho, optou por uma barriga de aluguer que foi sempre tratada como uma princesa, uma mulher de coração maior que lhes deu a oportunidade de terem o filho tão desejado. A senhora em causa disponibilizou-se para gerar um segundo filho do casal. Acredito que não o fez por burrice nem por fama, mas sim por o puder e querer fazer e por tão bem tratada ter sido. Ao contrário do que seria espectável, a senhora apareceu muitas vezes no reality show em causa, pariu em frente às câmaras e despediu-se dos pais do bebé de barriga e colo vazios, sem lágrimas e com um sorriso de missão cumprida.

Talvez sejam os casos escondidos e envergonhados que nos façam pensar que não existem e que são "estranhos".

Que cada um faça o que o fizer feliz. A si e aos que importam.

Ana disse...

Eh, mulher!

Gosto do exemplo descomplexado (sem que isso seja uma obrigação) da Giuliana Rancic que, na impossibilidade de gerar um filho, optou por uma barriga de aluguer que foi sempre tratada como uma princesa, uma mulher de coração maior que lhes deu a oportunidade de terem o filho tão desejado. A senhora em causa disponibilizou-se para gerar um segundo filho do casal. Acredito que não o fez por burrice nem por fama, mas sim por o puder e querer fazer e por tão bem tratada ter sido. Ao contrário do que seria espectável, a senhora apareceu muitas vezes no reality show em causa, pariu em frente às câmaras e despediu-se dos pais do bebé de barriga e colo vazios, sem lágrimas e com um sorriso de missão cumprida.

Talvez sejam os casos escondidos e envergonhados que nos façam pensar que não existem e que são "estranhos".

Que cada um faça o que o fizer feliz. A si e aos que importam.

Ana disse...

Eh, mulher!

Gosto do exemplo descomplexado (sem que isso seja uma obrigação) da Giuliana Rancic que, na impossibilidade de gerar um filho, optou por uma barriga de aluguer que foi sempre tratada como uma princesa, uma mulher de coração maior que lhes deu a oportunidade de terem o filho tão desejado. A senhora em causa disponibilizou-se para gerar um segundo filho do casal. Acredito que não o fez por burrice nem por fama, mas sim por o puder e querer fazer e por tão bem tratada ter sido. Ao contrário do que seria espectável, a senhora apareceu muitas vezes no reality show em causa, pariu em frente às câmaras e despediu-se dos pais do bebé de barriga e colo vazios, sem lágrimas e com um sorriso de missão cumprida.

Talvez sejam os casos escondidos e envergonhados que nos façam pensar que não existem e que são "estranhos".

Que cada um faça o que o fizer feliz. A si e aos que importam.

webshopcenter@gmail.com disse...

e a "contra resposta" em http://observador.pt/opiniao/um-filho-nao-e-um-rim/

ainda é mais engraçada.enfim..adoro pessoas a tentarem impingir as suas crenças aos outros...

Mary

Mãe Sabichona disse...

Obrigada Ursa! Mais logo vou partilhar que este texto é tudo o que sinto mas tudo o que não conseguiria colocar em palavras como tu.

Miss Christie disse...

"A maternidade não é uma questão meramente biológica. É uma questão emocional, psicológica, afectiva e social. E também biológica."
Acho que há diferenças entre não poder ter uma gravidez e não QUERER ter uma gravidez.
QUERER ser mãe e NÃO QUERER estar grávida é uma opção que revela uma maternidade muito peculiar. Não achas Ursa?

CoriscaRuim disse...

Não sei se me choca mais o texto da Helena Matos ou se os comentários que se seguem...A sério que há mentes pequeninas assim?

CoriscaRuim disse...

Não sei se me choca mais o texto da Helena Matos ou se os comentários que se seguem...A sério que há mentes pequeninas assim?

SN disse...

Também devo precisar dum cérebro. Porque apesar de discordar do tom, não discordo do conteúdo.
Quando vejo o filho do Cristiano Ronaldo, com aquele tom de pele escura de mulher latino-americana, pergunto-me o que sentirá quando crescer e perceber que não tem mãe. Não morreu, não o deu para adopção, não o abandonou... Não ha direito.

Purpurina disse...

O problema das pessoas (e um dos maiores da atualidade) é que se metem demais na vida dos outros e de menos na sua própria vida. Nunca me coube na cabeça que alguém possa ter algo a dizer sobre as opções que alguém toma acerca da sua própria vida, seja a que nível for, contanto que essas opções não prejudiquem ninguém. Mas o que raio é que alguém pode ter a dizer sobre a forma como alguém decide ser mãe, desde que isso não implique raptar o filho a outra pessoa?! A opinião desta senhora é uma opinião, tem direito a ela, mas mostra uma pequenez de espírito de velha alcoviteira que, à falta de melhor sobre o que se debruçar, debruça-se sobre a vida alheia. Cada um é responsável por si, pelos seus desejos e prioridades. Se algumas mulheres não se importam de "ceder o corpo" para que outras possam realizar o desejo de serem mães, qual é o problema? A quem é que esta situações pode interessar. O mesmo em relação à pessoa com quem queremos casar, ao número de filhos que queremos ter, à profissão que escolhemos, etc. E, já agora, defendo que mais depressa se devem impedir as mulheres emocionalmente instáveis de serem mães do que as que, biologicamente, não podem sê-lo.

Pólo Norte disse...

Miss Christie,

Todas as maternidades são únicas e peculiares.

Pólo Norte disse...

SN,

O que sabemos do caso da mãe do filho do Cristiano Ronaldo é meramente especulativo. Nunca ouvi a versão oficial, pelo que, não tenho opinião formada.

Ana Melo disse...

Muitos parabéns pelo texto. Concordo na íntegra.
De facto só alguém sem conhecimento de causa pode escrever um texto daqueles.
Ao invés, eu conheço um caso. Um casal que se apaixonou assim que se viram, namoraram e casaram. São, passados 15 anos, tão felizes quanto no primeiro mês. Durante quase 10 anos tentaram ter um filho, veio o diagnóstico: ela não consegue manter as gravidezes até ao fim. Disse o médico que jamais o conseguirá. Surgiram vários abortos e com estes tanto sofrimento. Até que veio a solução: a barriga de aluguer.
Hoje continuam o mesmo casal feliz mas enriquecidos com 3 lindos filhos.
Está tudo dito!

Beijinho,
Ana

Ana Melo disse...

Muitos parabéns pelo texto. Concordo na íntegra.
De facto só alguém sem conhecimento de causa pode escrever um texto daqueles.
Ao invés, eu conheço um caso. Um casal que se apaixonou assim que se viram, namoraram e casaram. São, passados 15 anos, tão felizes quanto no primeiro mês. Durante quase 10 anos tentaram ter um filho, veio o diagnóstico: ela não consegue manter as gravidezes até ao fim. Disse o médico que jamais o conseguirá. Surgiram vários abortos e com estes tanto sofrimento. Até que veio a solução: a barriga de aluguer.
Hoje continuam o mesmo casal feliz mas enriquecidos com 3 lindos filhos.
Está tudo dito!

Beijinho,
Ana

disse...

Pólo,
Com toda a sinceridade não sei se concordo ou não com "barrigas de aluguer" sei porém que eu seria incapaz de ser uma barriga de aluguer. Depois de passar nove meses com um pequeno ser a desenvolver-se dentro de mim seria incapaz de me separar dele...

Patita Lopes disse...

É por causa de pessoas como esta senhora que a nossa sociedade ainda é o que é! Mudem-se para o Médio Oriente, onde as mulheres não são nada, não têm opçoes,vá para lá e deixe de criticar quem só quer ser FELIZ, percebeu FELIZ.... é que até o conceito de felicidade não é igual para todos!! Só me apetece chamar nomes a esta senhora, este tipo de questões deixam-me inquieta, porque tenho filhos e este tipo de sociedade deixa-me mesmo preocupada com o futuro deles!

Prezado disse...

Tinhas-me poupado tempo se tivesses escrito "por Helena Matos" ao início. Já estaria quase tudo explicado e nem de dava ao trabalho de ler.

Essa gente é só barrotes nos cornos.

... Mas ainda bem que há debate.

Carla Pereira disse...

Nem sei se tenho coragem para abrir o link....

SN disse...

Podem ser os filhos do elton j. É igual.

Pólo Norte disse...

SN,

Não acompanho a vida dos filhos do Elton John. Mas fazendo a analogia do caso portuguÊs do Eduardo Beaute e do Luis Borges não me parece que as crianças estejam a crescer lesadas...

Anyway, não me pronuncio quanto a escolhas ibdividuais. Se eu não concordo não assumo essas posições para a minha própria vida e para as minhas escolhas. Simples como água.

Pólo Norte disse...

SN,

Não acompanho a vida dos filhos do Elton John. Mas fazendo a analogia do caso portuguÊs do Eduardo Beaute e do Luis Borges não me parece que as crianças estejam a crescer lesadas...

Anyway, não me pronuncio quanto a escolhas ibdividuais. Se eu não concordo não assumo essas posições para a minha própria vida e para as minhas escolhas. Simples como água.

Pólo Norte disse...

SN,

Não acompanho a vida dos filhos do Elton John. Mas fazendo a analogia do caso portuguÊs do Eduardo Beaute e do Luis Borges não me parece que as crianças estejam a crescer lesadas...

Anyway, não me pronuncio quanto a escolhas ibdividuais. Se eu não concordo não assumo essas posições para a minha própria vida e para as minhas escolhas. Simples como água.

SN disse...

O Eduardo e o Luis adoptaram. Não estamos a falar do mesmo. Ambos os filhos têm mãe e família identificada.

Vladimiro Jorge Silva disse...

Aplaudo de pé! Grande texto!

Vladimiro Jorge Silva disse...

Aplaudo de pé! Grande texto!

Vladimiro Jorge Silva disse...

Aplaudo de pé! Grande texto!

Vladimiro Jorge Silva disse...

Aplaudo de pé! Grande texto!

SN disse...

Mas eu compreendo o teu ponto de vista e dos que defendem uma barriga de aluguer. Apenas tenho muitas dúvidas quanto às implicações do método no futuro das crianças geradas, em particular nos casos em que se desconhece um dos dadores e também a grávida (nem sei que nome dar).
Não sou fundamentalista. Nem para um lado, nem para o outro.

Mãe Sabichona disse...

S.N, mas a doação de gâmetas é algo que já se faz há muito tempo. Aqui a diferença é que o filho será gerado noutra barriga e em grande parte dos casos será efectivamente com os gâmetas do pai e da mãe. Acho que o importante é que estes casos sejam devidamente regulamentados, algo que vai ser de certeza a absoluta.
E metendo o bedelho :) a falta de cérebro e os neurónios de substituição foi uma ironia à letra para quem falou em pénis de aluguer com uma leveza ofensiva. Certamente que não será para quem não concorda com a maternidade de substituição. Digo eu...

SN disse...

Mãe sabichona, não me melindro minimamente com o humor da nossa ursa!
Quanto às gâmetas... Céptica me confesso. Fazendo um raciocínio meramente teórico, discordo. Discordo de doação de gâmetas, barrigas de aluguer, aborto... Contudo, quando me coloco na pele de quem recorre a esses métodos concluo que provavelmente defenderia essas possibilidades todas.
No fim do dia fico contente por não ter de me confrontar com essas escolhas.

SN disse...

E nem estava a pensar nas barrigas alugadas...
Que mulheres se prestam a esta empreitada? É que é um compromisso de nove meses, com implicações físicas consideráveis para o corpo e mente.
Gente desesperada por dinheiro? O que motiva uma mulher a ser barriga de aluguer?

2w disse...

Todos os argumentos são validos sejam contra ou a favor.
Quando o discurso entra na ofensa (seja para que direcção for) perde qualquer razão.

E sim, acho que tudo o que é novo proporcionado por avanços cientificos deve ser discutido, e ainda bem que é assim.

Mãe Sabichona disse...

Compreendo perfeitamente e pelo menos és coerente SN. Porque lá está, vêm agora falar da doação de gâmetas quando não é isso que está em causa. Eu não sei se alguma vez recorreria a algo do género mas a questão é que não concebo que uma mulher adulta se disponha a fazê-lo e outra queira ser mãe e venha outra de fora dizer que aquelas não podem. Não acredito que nenhuma criança fique traumatizada por ter sido gerada noutra barriga. Aliás, acho até mais pertinente as consequências de mãe ou pai (biológico) incógnito e daí achar que há muito de preconceito por não ser a via tradicional. Quanto às mulheres que se disponibilizam, em alguns meandros é por dinheiro (conhecemos a India por exemplo com mulheres em situações degradantes) mas por exemplo em Portugal naõ será permitido. Acredites ou não, há quem efectivamente o faça afirmando que é um gesto altruísta. Vi algumas reportagens sobre isso e há quem se sinta de tal forma bem grávida (o oposto do que eu senti...) que querem prolongar esse estado e já agora com isso ajudar alguém. Há tempos também uma irmã foi barriga de aluguer de outra aqui em Portugal mas não deram a cara por ser ilegal. Ela explicava que dar essa possibilidade à irmã era tudo o que mais queria num puro acto de amor. Se me faz alguma confusão uma mulher oferecer o seu corpo para algo assim? Sim, faz. Se proibiria. Não, nunca.

mad disse...

a helena matos é do mais medíocre que há e este texto dela mete nojo. mas acho que não cabem aqui questões éticas do jornalismo. ela não é jornalista, o espaço dela é de opinião.

fora esta coisinha, post mai' lindo.

marta disse...

O k motiva?
Fazer alguém mto feliz.
Ser importante na vida de alguém, k mm de forma invisível nunca seja esquecida.
Acho k é fazer o Bem... uma missão k mto poucos seriam capaz de realizar.

M.

Mónica disse...

Deixa-me adivinhar, a senhora em questão deve ser mãe, teve os filhos de parto natural sem epidural, em casa (hospitais não são sinónimos de natureza) e amamentou os filhos até eles terem idade de apreciar feijoada à transmontana, queres ver!

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