quarta-feira, 4 de junho de 2014

Só mais uma vez

[Tenho a clara sensação que as grandes decisões- as grandes mesmo- são fruto de uma inspiração momentânea. Um leve respirar fundo e já está: decide-se por impulso e haja fé. Pelo menos, comigo é assim. 
À vista desarmada a vida é demasiado simples: há o que queremos, depois há os recursos que temos e há o que conseguimos daquilo que queremos com os recursos que temos. Ah, e há também o que gostamos mas isso nem sempre é o que queremos. Já o inverso não se verifica. 
Embora não seja prática , julgo que sou frontal. Talvez a forma como me exprima peque por uma certa dureza, mas a verdade é que espero o impossível: que me compreendam, e não necessariamente que me aceitem. Tende, no entanto, a acontecer o contrário, salvo melhor opinião de feedback (coisa, aliás, muito em voga a Ocidente): aceitam-me sem me tentar, sequer, compreender. 
Parece-me haver, ainda (!), um grande preconceito em relação às ciências humanas e, obviamente, à Psicologia (sim, com p maiúsculo) e aos psicólogos: é do conhecimento universal que quando não conheces (ou não queres conhecer...) uma coisa, tende-se a rejeitá-la. Ora, eu não sou a Psicologia, mas a Psicologia (a pura, a verdadeira, a genuína) faz parte, incondicionalmente, de mim. 
Se se convocar um pouco de lógica formal a esta frase, percebe-se o que quero dizer. Começo a pensar que pensam em mim e me olham como uma gaja reacionária que tenta, invariavelmente, deitar abaixo o muro do Condado. O muro, teimoso, ainda lá está. Vai lá estando, todos os dias. Bate-lhe o sol da Primavera e as pessoas abrigam-se na sua sombra. Outras, mortas, desaparecidas ou esquecidas pela voracidade do tempo (do tempo?), deixaram a sua marca à superfície. Tem caído chuva de Verão (tem chovido pouco, mas tem chovido). E não se consegue derrubar o tal muro, coberto que está pelas folhas castanhas do Outono. Nem através desta aceitação da humanidade que nos cabe, dizem eles, a que se chama crescer. O Inverno da vida. A vida a invernar. Maldita seja. 
Se eu quisesse pensar que está tudo bem, pensava e pronto. Mas cá dentro estou impedida de pensar que está tudo bem. E impedida de pensar que o humor não resolve tudo, porque até acho que resolve. E então sorvo, devagarinho, um certo optimismo contido, de forma terapeuticamente doseada, também. Groove is in the heart... 
Respiro fundo. Deixo-me estar.]

2 comentários:

marta disse...

Eu acho k grande parte da culpa desse preconceito ainda existir se deve ao facto de haver por aí mtos psicólogos k de psicologia percebem pouco ou nada, k andaram a passear os livros e a cabular pk até era 1 curso giro e depois não sabem aplicar...abriram o curso em tudo kto é escola superior alguns com média de 10 ou pouco + o k resultou num excesso de gente qualificada mas k na realidade pouco qualificadas são...infelizmente conheço pessoas k procuraram ajuda com psicólogos k me disseram k serviu apenas p/mandar dinheiro fora... tenho pena pk há mtos psicólogos bons e qualificados k ajudam muito os pacientes sem k estes se tenham de entupir com antidepressivos como os médicos fazem...

Marta

Maria Bê disse...

Acho um charme a tua profissão, o entendimento organizado da mente, a compartimentalização intelectualizada das emoções e sentimentos, etc. As pessoas, penso, confundem a técnica e o saber de um bom psicólogo com ser bom ouvinte ou mandar bitaites certeiros e é pena. Eu adoraria saber olhar do vosso lado do espelho.
Sorriso!

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