segunda-feira, 7 de julho de 2014

De cadela a cão, poucas léguas vão...

O conceito não era original mas tinha potencial para ser uma excelente adaptação na cidade de Lisboa. Não conheço uma alma que tenha ido ao mercado de San Miguel em Madrid e tenha saído de lá indiferente.
Chegou o Mercado de Campo de Ourique e eu (até) gostei: novos comerciantes trenders misturados com os velhos feirantes, bancas da praça com os restaurantes com conceitos chicó-coisos, ambiente eclético. Gostei, fui uma vez e está visto, não voltei. 
No outro dia interrogava-me porque não tinha voltado. Ao contrário do comum dos mortais, tenho uma certa alergia aos sítios da moda. Gosto de saber do que se tratam, de lá ir ver, de formar a minha opinião e depois deixo os sítios serem frequentados, também eles, pelas pessoas da moda, que vão lá para serem vistas e não para petiscarem, que pedem pratos para fotografarem e espetarem no instagram e não para se deliciarem, que tiram selfies e as colocam no facebook com identificação do sítio trendy. 
Mas arrisquei e quis conhecer o Mercado da Ribeira, da Time Out ou lá o que o chamam. Não gostei. E tenho mesmo pena de não ter gostado porque dava-me jeito gostar já que, todos os dias, é um ponto de passagem para mim. 
Em primeiro lugar a entrad de risco ao meio que divide o lado trendy-design-fashion do lado das bancas reais deu-me logo uma ideia de pretensiosismo tremendo. "Ah e tal, somos os D. Sebastião do Mercado da Ribeira, damos uma nova vida aquilo mas não integramos nem incluimos os velhos habitantes no novo conceito. Pronto, aceitamo-los e tal, dão um ar vintage nacionalista retro à coisa mas cada um para seu lado!". O Mercado da Ribeira ostracizou os verdadeiros habitantes do Mercado da Ribeira e isso é coisa que a mim me deixa nervosa...
Depois, também não gosto por aí além dos letterings a imitar giz escrito em quadro de ardósia. Estou um bocadinho enjoada e acho que a uniformização das várias bancas no lado maricas da coisa faz perder a individualidade de cada espaço, de cada negócio, de cada conceito, por si só. Epá, não me lixem, o Santini é encarnado e branco, deixem-se de (mais) frescuras!
Posto isto, não sou o target de clientes dos novos Mercados de Lisboa, está comprovado! Esqueço-me do telemóvel mais do que o que devia, não actualizo a minha conta de instagram há mais de um mês, vou a sítios onde se come para, efectivamente, comer e gosto que os conceitos não percam a sua genuinidade, gosto de ir ao Mercado que pareça um Mercado e não um El Corte Inglês. Um Mercado precisa de cores das flores, da fruta, da carne, dos pregões das senhoras das bancas ("ohhh menina! ohhh freguesa!") e depois, só depois, do lado trendy maricas que, para não sair desenquadrado, se deve adaptar à natureza de sempre do que é um Mercado, colorido e despretensioso, simples e popular, português sem letterings. 

5 comentários:

UBM disse...

Mercado do Bom Sucesso, no Porto, faz-te pensar o mesmo?
Em Portugal é o meu favorito até agora (:

Pipita disse...

Também tenho uma certa alergia a sítios da moda enquanto estão na moda. Gosto de ir lá depois, para experimentar e ver o que é. Lembro-me perfeitamente da primeira e única vez que fui ao Sacha, na altura que estava na berra. Para já irrita-me estar em filas de discotecas, depois irrita-me os VIP-coiso a entrarem em áreas reservadas e depois chego lá dentro é a pista é na areia?! Uma areia nogenta, que era mais pó de obra do que areia, beatas e fomos de plástico por todo o lado...enfim detestei! Já os restaurante da moda, essas coisas que há agora de hambúrgueres, pregos e coisas do género, só vou lá quando baixar a poeira. Recuso-me a estar na fila para comer um prego qua custa um dinheirão!

stantans disse...

também não suporto estes novos sítios pseudo da moda, infelizmente o Porto está a ficar carregadinho deles e a perder a sua identidade (sim, Mercado do Bom Sucesso incluído). posso ser um bocado velha do restelo, mas já não posso com as trendy tascas que agora estão em td o lado

Inês Dunas disse...

O mercado que mais gostei foi o do Funchal!! Fruta a magotes, cores, pregão, amei mesmo!!
De resto vou à praça, se tiver ar de praça e preços de praça, comprar peixe, frutas e legumes fresquinhos... É só...
:D

claudia.t.sousa disse...

Sou só eu que acha que ir a estes mercados é mais ou menos o mesmo que ir comer ao centro comercial só que muuuuuuito mais caro?
Definitivamente andar de tabuleiro na mão à procura de mesa não faz o meu género.
Só me interrogo porque é que toda a gente diz que é o máximo de giro ir ao mercado jantar... será que nunca foram a um restaurante a sério?
Cláudia

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