segunda-feira, 28 de julho de 2014

Querida professora Tânia,

ao princípio não fui lá muito com a sua cara. É que para além de partilhar a piscina aquecida com o meu marido, de não deixar a minha filha levar a chucha para dentro de água (ela resmungava muito ao princípio, lembra-se?), ainda tem o desplante de ser simpática. E de não ter uma pinga de celulite. 
Eu vinha com uma má experiência anterior no que diz respeito a piscinas. Para além da Ana ficar doente de cada vez que ia à natação (ou era do cloro que lhe dava alergia na pele ou de sei lá o quê que a fazia ficar de diarreia dias seguidos) eu não sabia bem o que esperar. Ok, sabia que não ia esperar que a miúda se tornasse uma Michael Phelps em ponto pequeno mas também não esperava que se tornasse apenas tolerante à água. Tolerante à água foi a minha tarefa durante os primeiros meses da sua vida que a miúda gostava tanto de tomar banho como um gato escaldado. 
O que eu estava longe, mas mesmo longe de esperar, foi o que encontrei: aulas com planos de sessão e objectivos de progressão, semana após semana, jogos pedagógicos dentro de água- que nunca se repetiram- que aliavam a diversão à aprendizagem, uma perspicácia singular no estabelecimento de relação com a minha filha (percebeu logo que com ela tem que se ir devagarinho, que ela não dá confiança por dá cá aquela palha) e uma amizade que foi crescendo a olhos vistos entre vocês as duas. Prova disso é que sempre que as colheres de sopa são dedicadas às pessoas de quem a Ana gosta, a professora Tânia come sempre uma colherada. Já há, até, uma boneca chamada Tânia, para que conste. 
Ir para a natação passou a ser um prazer para nós, primeiro porque, semana após semana, notávamos progressos no comportamento da Ana: a chucha deixou de ser necessária para a acalmar na entrada da piscina, o pai passou a ser dispensado dentro de água como figura de referência, a Ana passou a adorar a ideia de ser o dia da natação ("pixiiiiiiina!") e, apesar de ser por vezes destrambelhada e preferir improvisar nos exercícios em vez de simplesmente se limitar a cumprir as regras, o que nos valeu assistir às suas primeiras gargalhadas (sim, é verdade, a sua discrição e low profile às vezes intimidava-nos...), a miúda tornou-se um verdadeiro peixinho. Assistir, na última aula, a vários mergulhos, de olhos abertos e com cada vez menos pirulitos engolidos, a risos e abraços à professora e um beijinho espontâneo no final acompanhado por um "aiaviú" comoveu-nos como pais. 
Prometemos reproduzir, tanto quanto possível, durante este Verão, na piscina e na praia, as estratégias por si utilizadas. Só não garanto a ausência de celulite. 
Um beijinho e um obrigada (e um abraço para toda a equipa do Clube VII, Sílvia querida, Ana, D. Fernanda e Sandra incluídas),

Ana, Pólo Norte & Mámen

1 comentário:

cantinho disse...

Que lindo post.
Beijinho

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