segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ser mãe como quem come melancia fresca

"DIAS A DOIS

É fim da manhã e dormes a sesta. Eu leio, ando pela net, dormito enquanto velo o teu sono e espero que acordes. É Verão, dizem. Não está sol nem calor de praia, espero que ainda venha. Acordas, mamas e vamos tratar do almoço. Ter um filho que come de tudo é tão bom! Comemos massa, porco com alecrim desfiado do assado de domingo, salada de tomate coração de boi. Comes com a mão e eu junto-me a ti, sabe tão bem. Olho para os pratos e gosto: até o pesto da nossa massa fria foi feito por mim, com a rama das cenouras do mercado e amêndoas. O alecrim é do quintal do avô. Tudo fresco e sazonal, parte do que te quero ensinar.
Dou-te um bocado de tomate. Já sei que não gostas, mas não desisto de tentar. Olhas desconfiado, pegas e provas. Ainda não foi desta. Um destes Verões lá chegaremos.
Partilhas a carne com o gato que te ronda a cadeira, sempre atento. Se me distraio rouba-nos o almoço, mesmo sem saber se gosta.
No fim, melancia. Tens 11 meses mas já sabes, só a olho, que a melancia de que gostas não é o tomate de que não gostas. Comemos melancia fresca, escorre-nos pelos dedos.
Podia ser no Alentejo esta felicidade, ou podia ter porta para um jardim. Mas assim já é tão boa e tão doce. Como o teu sorriso a transbordar melancia."

Mariana no seu "Dias de Telha"

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