domingo, 7 de setembro de 2014

(Ainda assim) Amadora conta

Já não dormia em casa desta minha amiga desde a adolescência. Perdemos, algures no tempo e no estado adulto, este hábito divertido de passarmos a noite em casa dos amigos, porque já temos carro, porque já temos casa própria, porque já não precisamos de chegar a horas, porque os pais já não controlam, porque, porque...
Desta feita ficámos. O parque central já não é fechado e tem um ar moderno-coiso que lhe rouba uma certa mística. O Papalaguiu desapareceu e nós- caraças!- fomos tão felizes em redor de um copo de irish-coffee, à conversa no Papalagui, nome de um dos meus livros preferidos, e quase já ninguém se lembra que outrora, no parque central, havia um bar com nome de homem branco. 
O Babilónia passou de bestial a besta e é um fantasma dos tempos áureos e eu sinto-me velha e rimo-nos- eu e a Rita- de como o tempo passa e nós estamos como a Amadora: diferentes, transformadas, modernizadas (?) mas a nossa amizade continua como se nos víssemos todos os dias, como se tivéssemos tido a nossa última festa de pijama ontem, noites a ver cassetes de filmes no vídeo até às tantas, para fazer tempo para tentativas de rituais de pseudo-espiritismo com copos e papelinhos com letras, irmãs Verónicas que nunca nos apareceram e gargalhadas sem fim. 
Continuam os risos. 

1 comentário:

voualicomprarcigarrosejavolto.wordpress.com disse...

O Papalagui morreu? Porra, tantas vezes o ponto de encontro antes de apanhar o comboio para o Bairro Alto.

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