terça-feira, 9 de setembro de 2014

Coisas do meu Verão # 3

Senti-me triste e sem ânimo. A Bia morreu e foi a Bia, antes da Ana nascer, que me acordou para o Mundo, pés na terra. 
A Bia morreu e com ela morreu a minha esperança naïf e ingénua de que poderia fazer alguma coisa para ajudar a salvar o (seu) Mundo. Não consegui. Queria ter contribuído para que a Bia sobrevivesse ao cabrão do cancro e, depois de ter esgotado toda a minha rede de contactos, de ter dado a cara pela causa, de ter mobilizado a família, os amigos, as gentes que lêem este blog, depois de ter ajudado a levar a cabo eventos, de ter feito parte de uma equipa nacional que organizou brigadas de recolha de medula (obrigada a todos, nunca vos agradeci da forma como mereciam!), de ter feito parte da maravilhosa energia do "Todos Por Um", de ter oferecido o primeiro aniversário da minha filha como paga de um dia maravilhoso de generosidade e altruísmo a meio milhar de pessoas, depois de tantos esforços, tanta esperança, tanta fé, tanta energia positiva, a Bia morreu. 
A Bia morreu e eu fiquei apática e triste, lembrando que a m'Ana que guardei na barriga não lhe foi compatível, o Gui que a Sandra guardou na barriga também não e que o (meu) Mundo inteiro, o que estava ao meu alcance, não chegou para a fazer viver. 
Pus em causa o propósito de todas as minhas acções, zanguei-me com o Mundo e com a vida. Depois percebi que não me podia zangar com a vida mas, antes, com a morte. 
Continuo zangada. Não sei ate quando. 


Talvez para sempre. 

2 comentários:

K disse...

:/
Beijinho GRANDEEEEEEEE

cantinho disse...


Hoje,só choro com oque leio.

Um abraço.

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