quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Bem sei que os Açores não fecham mas...

Já fui assim. Quando um sítio era mesmo, mesmo bom, mesmo, mesmo do meu agrado e ainda estava assim meio no segredo dos Deuses eu calava-me bem caladinha, não partilhava a informação da sua existência e os segredos que escondia para a coisa permanecer com o charme do secretismo, sem multidões, com lugares à porta para estacionar, com atendimento especial para os clientes privilegiados que conhecessem o sítio e tal.
Depois, invariavelmente, montes desses sítios fecharam. Por falta de clientes, por falta de dinheiro para pagar ao fim do mês a fornecedores e empregados. Por falta de divulgação dos seus serviços, do passa a palavra. (Também) por minha culpa e do meu egoísmo de filha única e do de pessoas como eu.
Ontem escrevi sobre a cantina dos monges ali em Lisboa e logo recebi um comentário de "bolas, pá, aquilo era tão secreto, bom e sossegadinho e  agora com esta publicidade vai começar a ser mais procurado". Sorri. Olha eu ali, há uns tempos atrás: igualzinha!
Ontem publicitei (pela 3536373ª vez) os Açores e logo recebi um comentário ao post e um email, de pessoas diferentes, a pedirem-me que refreasse o entusiasmo, que na volta começava a incentivar  as pessoas a visitarem os Açores, que agora ainda por cima era provável que passassem a haver voos low-cost e que depois o turismo massivo ia estragar a beleza das ilhas, corromper a hospitalidade genuína dos açorianos, aumentar preços e tirar o encanto do secretismo das ilhas das brumas.
Tomara eu ter o poder de contribuir para despertar a vontade das pessoas em visitar os Açores, tomara eu que uma pessoa que seja decida visitar os Açores porque viu posts no "Quadripolaridades" que lhe deram vontade de ir gastar o seu budget de férias às ilhas.
Porque, sim, eu sei que os Açores não correm o risco de fechar mas também sei que o turismo trará maior qualidade de vida aos que lá vivem, mais clientes ao restaurante do meu cunhado, mais clientela para o negócio do meu sogro, gerará maior riqueza, maior movimentação nas pessoas que lá queiram vir a investir, maior taxa de retorno a muitos dos açorianos que não voltou para os Açores depois de virem estudar para o Continente pela falta de hipóteses de arranjar um emprego ou ter uma actividade profissional próspera.
Eu gosto dos Açores como estão agora: selectos e calmos, com muita qualidade na arte de receber quem chega, com turistas em média escala muito virados para o turismo de natureza e por isso muito conscientes. Mas gostaria que toda a gente tivesse o privilégio de conhecer o sítio mais bonito do Mundo e de não o guardar só para mim, como uma mãe vaidosa que mostra a fotografia da filha linda que tem na carteira a quem passa.
Gostaria que quem lá vive pudesse continuar a viver com uma qualidade de vida crescente, que nem só de paisagens de cortar a respiração, vive o Homem.
É por isso- e porque quero que um dia o Presidente da RAR me nomeie açoriana honorária, já se sabe!- que, no que de mim depender, publicitarei as maravilhas dos Açores sempre que me der saudades de lá voltar e o volume de passageiros ainda justificar a abertura de voos em companhias low-cost, o que dissuade muita gente de lá ir.
E eu, também por isso, ficar em terra.

2 comentários:

Paula Patricio disse...

Eu sempre que vejo a minha terra a ser publicitada gratuitamente fico toda contente ... E por falar em publicidade, qual é o restaurante do cunhado? Fica em que ilha?

Se for em São Miguel, porreiro! Em princípio irei lá pelo Natal :)

Paula Patrício
www.oblogdapaula.blogs.sapo.pt

CoriscaRuim disse...

Não vejo qual é o terror de publicitar algo que anda na boca do mundo. Sim, que os Açores são publicitados pela Europa toda e o número de turistas europeus, que procuram qualidade de vida e natureza viva, tem vindo a aumentar consideravelmente.
E, além do mais, açoriano que é açoriano gosta de mostrar a sua terra e tem orgulho do paraíso em que vive. Pelo menos esta açoriana tem.

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