sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Se não me converti ao lesbianismo ontem, nunca mais me converto

A cabeleireira tinha um ar másculo. Eu gostei disso, em alternativa aos cabeleireiros com ar afeminado com quem já me cruzei.  
Perguntou-me o que queria e como queria. Curta e pragmática como eu gosto, sem grandes conversetas. 
Disse-lhe que queria fazer madeixas e voltar a ser loira de vez, que não queria cortar e não valia a pena tentar impingir-me máscaras e sérums, que isso tenho em casa. Não se assustou com as minhas instruções e começou a pôr-me a eito prata no cabelo, sem conversa de chacha e com um ritmo que me arrebatou logo ali. 
Não tentou quebra-gelos, não me perguntou a profissão, não disse que as cabeleireiras são todas um bocadinho psicólogas nem quis ser minha amiga logo ali. Gostei mesmo, mesmo, dela. 
Enquanto me retirava as pratas e me lavava a cabeça começou a massajar-me o couro cabeludo. Fechei os olhos e- juro!- que quase tive um orgasmo psicológico. A mulher era uma mestre exímia na arte de massajar o cucuruto. Revirei os olhos, tenho a certeza, não sei como controlei um ligeiro gemido. 
Quando já estava no céu, ela parou e perguntou-me: "Então, foi bom?"
Oh se foi. E as madeixas ficaram perfeitas. 

E estou certa que há, neste mundo, algures, uma namorada de uma cabeleireira de subúrbio que deve ser muito feliz, caraças! Tenho uma pontinha de inveja dela. 

(É oficial: se não me tornei lésbica ontem, acho que nunca mais me tornarei...)

2 comentários:

Panda disse...

A mim só me calham as chatas que me perguntam sempre em que ano do curso estou, que gostam de me falar da vida de pessoas que não conheço de lado algum e que querem, à força toda, que eu não corte muito curto, porque "está tão bem assim", como se por cortar fosse ficar desfigurada ou coisa.

. margarida . disse...

Dá para partilhar qual o cabeleireiro ?
é que é de valor,sim sr.

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