sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Taxis, karma e procissões

Meti-me num táxi até ao aeroporto. Levava um pequeno trolley e assim que entrei no carro ainda tentei negociar com o condutor que o tamanho da mala não justificava que ela fosse na bagageira mas o taxista foi irredutível. Encolhi os ombros e segui viagem.
Durante a viagem o senhor meteu conversa comigo. Perguntou-me para onde ia. Ainda amuada fui respondendo monossilabicamente mas resumi-lhe a história da Mariana, da generosidade da Sónia, da Jonas ter-me chamado a atenção para o caso, do Paulo mo ter ajudado a resolver, do altruísmo da SATA, da hospitalidade da Teresa que nos vai oferecer cama e do telefonema da mãe da Mariana a agradecer. Amuada pela inflexibilidade dele relativamente à minha bagagem, mas, ainda assim, ofereci-lhe a história que animará, com toda a certeza, outras viagens de outros tripulantes. O senhor gostava de falar que se desunhava.
À porta das chegadas do aeroporto estendo-lhe o dinheiro para lhe pagar a conta. Noto que ele não inclui a tarifa da bagageira e, pirracenta, lembro-lhe de tal.
“A menina não me leve a mal mas eu, afinal, não lhe vou cobrar o aluguer da bagageira. Fica uma oferta minha. Em homenagem à Mariana”.

E eu sorri. Há quem acredite em karma. Eu acredito no bem. Porque o bem é como uma procissão: volta sempre ao lugar de onde partiu.



3 comentários:

justagirl disse...

:)

Catarina Pereira disse...

É por isso que o teu blog me enche o coração

ME disse...

Não acredito em justica, que é um conceito inventado pelo Homem, mas acredito no Karma, e aí está ele em acção!

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