sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Liberdade é deixar as pessoas serem o que lhes der na real gana.


Estou cansada. Cansada de ver discussões acusadoras de "ah, tu queres ser Charlie, seu cagão de merda, queres é protagonismo, queres ser francês, caucasiano e intelectual mas agora seres o blogger saudita que vai levar mais 50 chibatadas hoje já não queres ser", "ah és uma Maria vai com as outras e queres être Charlie mas ser Nigéria não queres, sua racista, xenófoba, cheiras mal dos pés e o meu pai é mais forte que o teu".
Tem sido isto, noite e dia. Uma canseira. Toda a gente quer dar palpites acerca do que os outros devem ser. Toda a gente a apontar o dedo que ou comem todos e todos personificam o que moralmente deveremos ser ou não come ninguém, bico caladinho e pudor, que quando a liberdade de ser herói nasce, a liberdade de ser mártir existe, ou é para todos ou não é para ninguém. 
E chocam-se. Chocam-se muito as 'ssoas. Acham que este e aquele que são Charlies têm que ser Nigeria mas com hashtag, sff, porque senão não é valido no facebook e não entra para o vídeo de fim de ano da rede social, lá para Dezembro de 2015. Ou somos tudo, todos, ou não se tem o direito de ser nada. Nomeadamente, Charlie. 
As pessoas identificam-se com quem sentem identificação. Ponto. Não com quem é politicamente correcto se identificarem não com as causas que toda a gente se identifica e que acha que deveriam ser universais. É um sentimento, este da identificação, não uma racionalidade. E depende de um factor incontrolável: o da diversidade das pessoas. 
E se há gente que não se identifica com o movimento Charlie, que não o quer personificar, também há gente para quem todos os que morreram na Nigéria ("isso fica em que continente mesmo?"- li eu num comentário hoje no facebook) não lhes diz nada e que não vai com a cara do saudita e se está a cagar para a sua causa, para o islamismo, para os muçulmanos e para todo o contexto para além do seu t2 com vista para o prédio da frente. 
E esta falta de identificação, este querer ser o que lhe apetece- #jesuisrainhadasucata ou #eusouronaldo ou #eusoucaipirapiraporatietadoagreste ou #eusouDeus- é um direito que lhes assiste. 
Porque os Pedros Chagas Freitas desta vida têm que ter a liberdade de existir. E há sempre quem se identique com as frases ao estilo Chiado Editora. Mesmo que não nos identifiquemos nós.
Liberdade para todos. 

3 comentários:

Xica Maria disse...

Je suis Vânia.
Apenas e só!
:)

Framboesa (uma diva de galochas) disse...

A Coisas e Cenas também falou sobre isto:) Acho que s eíam dar muito bem #eusouframboesa

Pimpas disse...

😊 É isso!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...