quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

"Não me deixe morrer!"


Sucede que à hora de almoço ouvi, no bloco noticiário da tsf, um cidadão a interromper os (aliás doutos) trabalhos de uma comissão parlamentar, que ocorria com a presença do ministro da saúde, interpelando-o para que o não deixe morrer. O mais que disse já tinha lido numa notícia, trata-se de um cidadão dos seus 50 anos, com hepatite C, e cuja sobrevivência depende de um tratamento carote, ali pelos 50.000 pastéis. Sucede que o cidadão, também já o tinha lido numa notícia, por ter possibilidade financeira para tanto, até se ofereceu para pagar metade do custo do tratamento. O cidadão aguarda autorização de uma entidade que não me lembro qual é, mas dependente do ministério da saúde (o infarmed?) para que o hospital compre o tal medicamento e o trate. E isto passou-se aos quatro de fevereiro do ano da graça de dois mil e quinze, num país democrático onde inúmeros cidadãos pagam aliás elevados impostos, na crença e até esperança que ninguém morra por falta de tratamentos. E passa-se com um cidadão que não está moribundo mas pode vir a estar, que ainda tem a possibilidade de ter muitos anos pela frente; e faço esta ressalva porque não se trata de um tratamento paliativo, que irá prolongar uma vida já condenada, não, é um tratamento que pode devolver a saúde ao paciente. E é preciso autorização especial, dado ser carote. Eu cá não sou de contas, mas não acho 50.000 palhaços carote. Já ouvi falar de ciclos de quimioterapia que custam três mil papos-secos por sessão, e há quem faça umas dez. Junte-se a isto os consumíveis, o tempo do pessoal médico e de enfermagem, os exames médicos de diagnóstico e acompanhamento, e deve ficar ela por ela. Mas, até ver, nenhum doente oncológico* é mandado para casa, a aguardar autorização especial, depois de um parecer favorável do médico assistente quanto à viabilidade e necessidade do tratamento, até que um burocrata armado de calculadora decida que vive ou morre. Até ver. E nós, ficamos a ver? 






4 comentários:

disse...

Igualmente vergonhoso mas que infelizmente já não dá para voltar atrás...

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/doente-de-51-anos-morre-a-espera-de-medicamento-inovador-para-a-hepatite-c-1684940

K disse...

e depois ainda temos as declarações do primeiro-ministro a dizer que só se podem salvar vidas se os medicamentos forem baratos...
dá vontade de partir para a violência, claro que dá!

Timtim Tim disse...

Pois é! Ele teve a coragem de ir implorar...imagina como ficarias se soubesses a quantidade daqueles que estão na mesma situação por este ou aquele problema.

Ampb Bart disse...

É realmente caro gastar 50.000 mil euros num medicamento que cura uma pessoa! Mas já não excessivamente caro o dinheiro gasto com carros de luxo que, segundo li numa noticia, o Banco de Portugal comprou no ano passado e pasmem-se - 1 carro por mês!!!!
Comcordo com o K, dá mesmo vontade de partir para a violência!

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