segunda-feira, 9 de março de 2015

Era menina para ir viver para Coimbra só para a Ana poder ter um pediatra que escreve, e sobretudo que pensa, assim...

"Um dos laços mais fortes à nossa animalidade é o aleitamento materno. Durante um período os bebés humanos não têm dentes e demonstram uma capacidade limitada para procurar, preparar e digerir outros alimentos além do leite humano. A nossa sobrevida esteve, e em muitas partes do mundo assim se mantém, dependente do aleitamento materno . As tentativas de substituição eram limitadas. Leite de outras mulheres, leite de fêmeas de outras espécies, mais ou menos modificado para se adequar às capacidades digestivas de um animal imaturo, foram soluções de recurso. Apesar de muito referidas, envolveram, num cômputo geral, um número reduzido de indivíduos e com sucesso limitado. Até que, no século XX, as sociedades industrializadas produziram derivados do leite de vaca compatíveis com as capacidades de digestão e absorção dos mais pequenos e, ao mesmo tempo, alimentos em quantidade nunca vista, entre os quais alguns permitiam o desmame precoce dos lactentes.  Pouco tempo depois assistia-se a um enorme aperfeiçoamento do controle reprodutivo e uma crescente democratização do acesso das mulheres à esfera pública, à participação política e a cargos de chefia. Nos anos 70 uma reacção iniciou-se, apoiada nos estudos da composição do leite materno e da sua superioridade relativamente aos artefactos de substituição e na valorização da ligação precoce mãe-filho e dos seus facilitadores.


Elisabeth Badinter, O Conflito, A Mulher e a Mãe, Relógio D` Água, 2010"
 
Dr. Luis Januário in "A natureza do mal"

11 comentários:

AB disse...

Concordo que amamentar deve ser uma escolha, concordo que há situações de excepção que não permitem a amamentação, mas não se pode defender que a amamentação não é o melhor para a criança! Continuo, contudo, a favor da livre escolha!

gabzia disse...

Realmente, as mulheres que consciente e informadamente tomaram a opção de amamentar deviam ser internadas num manicómio e sujeitas a terapia de choques elétricos! Gabriela

Fuschia disse...

No fim chega-se sempre à mesma conclusão: a mãe é que sabe.

Pipoca Arrumadinha disse...

Muito interessante!

SN disse...

Ui, o extremo oposto. Não obrigada.

Andrea disse...

Conclusão: Das minhas mamocas sei eu! Não há-de ser nenhuma fanática da amamentação que me vem dizer o que dar ou não dar ao meu filho! Aliás, o filho é meu e de mais ninguém (e do Pai, vá!). Concordo a 500% com este Sr. Dr.

Deb disse...

Olá polo norte!
Li algures q optou por não amamentar, mas não me lembro de ter lido o "porquê" da sua decisão.
Alguma vez fez um post sobre isso? (se fez não o vi xD podia dar o link?)

Acho este tema interessante! E pessolmente, defendo.a liberdade de escokha =)

disse...

Sempre me disseram que era importante o recém-nascido ser amamentado nas primeiras horas por causa do colostro...Mesmo que a mãe optasse depois por não amamentar.

Curioso, tenho visto mais dedos apontados de quem não quer amamentar apontar aquelas que no seu livre direito optaram por amamentar...que ao contrário.

Pólo Norte disse...

gabzia,

Cada um lê o que quer deste texto que (até ver) me parecia claríssimo.

Eu não li o mesmo que a gabzia. Claramente.

Pólo Norte disse...

Té,

Olha que não! Olha que não! (Nunca vi nenhuma mãe que não amamenta criticar quem amamenta)

Escrever Fotografar Sonhar disse...

A mãe (e o bebé) é que sabe. O resto são vozes, e a essas leva-as o vento.

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