domingo, 15 de março de 2015

"O Bairro do Amor é feito a lápis de cor"

Uma das coisas boas disto do Bairro do Amor é o trabalho em rede. Somos muitos e todos vizinhos, mesmo que moremos a centenas de quilómetros uns dos outros.
A Lurdes, enquanto sócia do bairro, sinalizou-nos a questão da família. Está no terreno a acompanhar o caso, a verificar a veracidade dos factos, a actualizar todo o Bairro da situação de forma regular. Será ela que irá entregar a ajuda que consigamos recolher à família, será ela que fica responsável por fazer a ponte entre esta família e o Bairro.
Lançámos um "S.O.S. Bairro" que significa que precisamos de ajuda em espécie e imediata. Na sexta fui ao Porto e conheci (finalmente!) ao vivo a minh'Ana e a Marta, cheias de sacos para me entregarem. A filha da Marta, na véspera, quando ouviu a mãe contar a história das duas irmãs cuja casa ardeu foi buscar a sua mochila preferida- que estava guardada para passar de herança à sua irmã- sacou das toalhitas e passou a pente fino a mochila: limpou-a todinha para oferecer à menina da sua idade que ficou sem nada. No fim, escreveu uma carta e juntou-a ao presente que a mãe me entregou assim, a acompanhar o nó na garganta com que fiquei. E uma carta que fechada que, estou certa, chegará ao coração desta família. 
Hoje recebemos, em Lisboa, mais utensílios de cozinha e outros bens para entregarmos à família. A oferta de mobília e electrodomésticos. 
Amanhã a Lurdes estará com a família e levantará mais necessidades e agilizará a entrega do que juntámos. 
E foi por isto, pela menina a limpar a mochila para dar a uma desconhecida da sua idade que ficou sem nada, pelas pessoas que juntaram coisas e me vieram entregar numa zona erma da Maia, das que enviaram emails para o Bairro do Amor a marcar presença, pela Lurdes que está no terreno a servir de ponte e pela família que precisa de vizinhos assim, como nós, que o Bairro do Amor é, provavelmente, uma das coisas que me fazem acordar mais feliz todos os dias. 
Porque "If not us, who? If not now, when?" 



(Para se tornarem sócios do Bairro do Amor inscrevam-se aqui e enviem para bairrodoamor@iol.pt)

2 comentários:

Por favor, salvem a Professorinha! disse...

E é assim com crianças destas, que se restaura a fé na humanidade... <3

Melancia disse...

É por estas, e por tantas, tantas outras, que sou uma optimista e ninguém me rouba a fé nas pessoas!!

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