sábado, 25 de abril de 2015

Cravos ao alto: isto é um assalto!

(Fotografia roubada à Maria João)


Nasci sete anos depois da Revolução, o tempo de um ciclo perfeito para se viver numa nova era. Cresci com a expressão "no meu tempo" quando o tempo dos outros era o tempo das amarras e das vozes silenciadas, do medo e da opressão, do elogio ao trabalho e da vergonha do prazer.
Cresci a acreditar que a liberdade, depois de conquistada, é um bem sem data de validade, sem talão de troca.
Vivi a minha adolescência a acreditar que podemos ser donos das nossas próprias escolhas, que a liberdade traz responsabilidade, que somos livres de pensar, dizer, agir de acordo com as nossas crenças sabendo que a "nossa liberdade acaba quando começa a dos outros". 
Tornei-me adulta convicta de que nasci livre, sou livre e livre morrerei, num país que conquistou esta liberdade mais do que com os cravos que nos impingiram nos livros de História que preferiram ser romanceados do que fazer o balanço dos anos que se antecederam, de lutas, privações, torturas, homens bons exilados, torturados, desaparecidos e mortos. 
Em 2015, 41 anos depois da revolução não tenho a certeza desta Liberdade que herdei, não sei o que o meu país vai fazer com ela, não sei que rumo lhe darão os homens que elegemos com a Democracia que só a a liberdade nos permitiu. 
41 anos depois a Liberdade deveria ser uma espécie de religião universal partilhada pelos portugueses:

"Que a Liberdade esteja convosco. "
"Ela está no meio de nós"

Só que não. 

3 comentários:

Fernanda disse...

Ai Ursinha, Ursinha, sempre a emocionar-me. No livros de História, esta "História" pode vir um pouco romanceada mas eu me encarrego de "lhes" explicar quanto custaram, em vidas desfeitas, as "portas que Abril abriu", para que percebam que a Liberdade não se dá, conquista-se. Pelo menos, assim foi em Portugal(e eu já tinha 17 anos nesse primeiro dia do resto da minha vida!).

ccstylebook disse...

Partilho do mesmo sentimento Pólo Norte... Não tenho a certeza se somos verdadeiramente livres ou não. Tenho constatado nas minhas relações diárias de que ainda existe muita repressão, muita mente pequenina e muitos ditadores. As pessoas querem ser donas de pessoas, é isso o que eu vejo cada vez mais... Mas enfim, continuemos a lutar! Beijinho

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Nós somos a Liberdade, e enquanto acreditarmos nisto, somos mesmo.

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